🐟 Peixes

Curimatã

Prochilodus lineatus

Atualizado em

30 a 50 cmTamanho
DoceTipo de água
8 a 12 anosExpectativa de vida
Pacífico e gregárioTemperamento
MédiaDificuldade
Curimatã de lado nadando em água doce clara mostrando corpo prateado

O curimatã é um peixe de água doce detritívoro e migrador, um dos mais importantes para a pesca comercial e de subsistência no Brasil. Pertence ao gênero Prochilodus, da família Prochilodontidae, e é conhecido pela boca em forma de ventosa e pelos lábios grossos com dentinhos em fileira.

Na natureza forma grandes cardumes e realiza longas migrações reprodutivas na piracema, ajudando a reciclar matéria orgânica do fundo dos rios. Na piscicultura é valorizado por ser rústico, crescer bem em viveiros e ter carne saborosa, apesar dos muitos espinhos em Y.

Também conhecido como: Curimbatá, Curimatá, Grumatã, Curimba, Papa-terra

Faz parte de: Peixes de Água Doce, Peixes Herbívoros

Explore a wiki

Galeria de fotos de Curimatã

Curimatã de lado nadando em água doce clara mostrando corpo prateado
Curimatã adulto com coloração prateada e nadadeiras amareladas.
Close da cabeça do curimatã mostrando boca em ventosa e lábios grossos
Detalhe da boca em ventosa adaptada para raspar o lodo.
Cardume de curimatãs migrando juntos no rio
Cardume em migração reprodutiva na piracema.
Curimatã em habitat natural com fundo lodoso e vegetação alagada
Habitat natural em lagoa de várzea na cheia.
Filhotes de curimatã em viveiro berçário
Filhotes após indução hormonal em piscicultura.
Pescador segurando um curimatã capturado no rio
Curimatã é um dos peixes mais pescados no Brasil.

Perfil rápido de Curimatã

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Prochilodus lineatus ainda é abundante em grande parte da distribuição.

População
em declínio local por barragens e pesca na piracema
Protegido por
Defeso da piracema entre novembro e fevereiro

Vida útil

Na natureza
8 a 12 anos
Em viveiro escavado
6 a 10 anos

Reprodução

Tipo
Ovípara, desova total
Época
Piracema, de outubro a fevereiro
Fecundidade
200 mil a 1 milhão de ovos por fêmea
Cuidado parental
Ausente, ovos à deriva
Maturidade
2 a 3 anos, com 25 a 30 cm

Habitat

Ambientes

  • Rios de médio e grande porte
  • Lagoas marginais e de várzea
  • Planícies alagadas e igapós
  • Reservatórios e açudes

Biomas

  • Amazônia
  • Mata Atlântica
  • Cerrado
  • Caatinga
  • Pantanal

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Detritos orgânicos
  • Lodo e biofilme (iliófaga)

Outros alimentos

  • Algas perifíticas e diatomáceas
  • Microcrustáceos
  • Larvas de insetos

Encontrado em 4 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Paraguai
  • Bolívia

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Actinopterygii
Ordem
Characiformes
Família
Prochilodontidae
Gênero
Prochilodus
Espécie
Prochilodus lineatus

Resumo

  • O curimatã é um peixe detritívoro de água doce que se alimenta de lodo e detritos do fundo, atuando como reciclador natural dos rios.
  • Forma grandes cardumes migradores e se reproduz na piracema entre outubro e fevereiro, com desova total e sem cuidado parental.
  • É uma das espécies mais pescadas e criadas no Brasil, com tamanho de 30 a 50 cm e grande importância ecológica e econômica.

Características

Ficha da espécie

Nome científicoProchilodus lineatus (complexo Prochilodus spp.)
FamíliaProchilodontidae
OrigemAmérica do Sul – bacias do Paraná, Paraguai, São Francisco e Amazonas
Tipo de águaDoce
Tamanho30 a 50 cm (excepcionalmente até 70 cm)
Peso adulto1 a 5 kg
Expectativa de vida8 a 12 anos na natureza
AlimentaçãoDetritívora / iliófaga
ReproduçãoOvípara, migradora, desova total na piracema
Coresprateadocinza-prateadoamareladonadadeiras amareladas a alaranjadas

Perfil e comportamento

Facilidade de criaçãoMédio
AgressividadeMuito baixo
SociabilidadeMuito alto
Nível de atividadeAlto
Exigência com a qualidade da águaMédio
Adequação a aquários pequenosMuito baixo

O que é o curimatã e por que ele é tão importante

O curimatã não é uma espécie única, mas um conjunto de espécies do gênero Prochilodus, sendo Prochilodus lineatus a mais conhecida como curimbatá. No Brasil o nome muda por região: curimatã no Norte e Nordeste, curimbatá no Sudeste e Sul, grumatã no Sul.

Ele é um dos peixes mais abundantes em biomassa nos grandes rios brasileiros. Sua importância vai além da pesca: ao revirar o lodo, recicla nutrientes e sustenta toda a cadeia alimentar.

Na nossa avaliação, o curimatã é o peixe mais subestimado dos rios brasileiros: pouco valorizado no aquarismo, mas insubstituível ecologicamente e essencial para a segurança alimentar ribeirinha.

Como reconhecer o curimatã: características físicas

O corpo é alongado, robusto e levemente comprimido, com dorso cinza-prateado e ventre mais claro. As nadadeiras são amareladas a alaranjadas, com a caudal bem furcada.

O traço inconfundível é a boca pequena, protrátil e em forma de ventosa, com lábios grossos e carnudos. Os dentes são minúsculos, dispostos em fileiras como uma escova, ideais para raspar detritos.

Adultos medem 30 a 50 cm e pesam 1 a 5 kg, mas exemplares de P. lineatus no rio Paraná já passaram de 70 cm. Possui muitos espinhos intramusculares em Y, o que exige cuidado ao filetar.

Principais espécies chamadas de curimatã

Espécie Nome popular Bacia principal Tamanho médio
Prochilodus lineatus Curimbatá, grumatã Paraná-Paraguai 35 a 50 cm
Prochilodus nigricans Curimatã-preto Amazonas e Tocantins 30 a 40 cm
Prochilodus brevis Curimatã-comum São Francisco e Nordeste 25 a 35 cm
Prochilodus argenteus Curimatã-pacu São Francisco 40 a 55 cm

Onde vive o curimatã: distribuição e habitat natural

O curimatã ocorre em quase todas as grandes bacias da América do Sul, do Amazonas ao Prata. No Brasil está presente na Amazônia, Tocantins-Araguaia, São Francisco, Paraná, Paraguai e Parnaíba.

Prefere rios de médio e grande porte, lagoas marginais e planícies de inundação. Na seca fica nos canais principais; na cheia entra nas áreas alagadas para se alimentar e crescer.

É um peixe de fundo, que vive sobre substrato lodoso ou arenoso. Não tolera água salobra e depende de rios com conectividade lateral preservada.

Comportamento e migração: o peixe que não para

O curimatã é extremamente gregário e forma cardumes de centenas a milhares de indivíduos. Fora da época reprodutiva é pacífico e quase não disputa território.

Seu comportamento mais marcante é a migração reprodutiva da piracema. Entre outubro e fevereiro, sobe o rio contra a correnteza por centenas e até mais de 1.200 km para desovar nas cabeceiras.

Durante a migração praticamente não se alimenta e usa reservas de gordura. Cardumes podem ser vistos saltando em corredeiras e escadas de peixes, o que o torna vulnerável à pesca predatória nesse período.

Alimentação: o detritívoro que limpa o rio

O curimatã é iliófago e detritívoro: suga o lodo do fundo e retém matéria orgânica, algas, bactérias e microinvertebrados. É como um aspirador biológico do rio.

Essa dieta pobre em energia explica a necessidade de comer o tempo todo e de ter intestino longo e enrolado, até 8 vezes o comprimento do corpo. Na natureza passa o dia raspando o substrato.

  • Principal: detritos orgânicos e biofilme do sedimento
  • Complemento: algas perifíticas, diatomáceas e microcrustáceos
  • Em viveiro: aceita ração extrusada, farelos, quirera e esterco curtido para adubação

Por esse hábito, melhora a qualidade da água em sistemas de piscicultura integrada e é usado para limpar viveiros de outras espécies.

Reprodução e ciclo de vida

A reprodução é totalmente dependente da migração e da cheia. Sem subir o rio e sem o gatilho da chuva e do aumento de nível, o ovário não amadurece.

A fêmea faz desova total, liberando de 200 mil a mais de 1 milhão de ovos pequenos e leves de uma só vez. Não há cuidado parental: ovos e larvas derivam rio abaixo por dias.

As larvas chegam às lagoas marginais, onde crescem protegidas. A maturidade sexual ocorre entre 2 e 3 anos, com 25 a 30 cm. Em cativeiro só se reproduz com indução hormonal por extrato de hipófise, pois não desova espontaneamente em água parada.

Curimatã na pesca e na piscicultura

É um dos peixes mais pescados no Brasil, tanto artesanal quanto esportivamente na piracema. A carne é branca, saborosa e rica em ômega-3, mas com muitos espinhos, o que divide opiniões.

Na piscicultura é considerado rústico e de baixo custo: tolera variações de oxigênio, aceita alimento natural e cresce até 1 kg em 12 meses em viveiros adubados. É muito usado em policultivo com tambaqui e tilápia.

O maior erro de manejo é criar curimatã em aquário pequeno ou em alta densidade sem renovação de água. Ele precisa de espaço para nadar em cardume e de fundo com matéria orgânica para expressar o comportamento natural.

Estado de conservação e principais ameaças

A espécie principal, Prochilodus lineatus, é classificada como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, por ser ainda abundante. Populações locais, porém, estão em declínio.

As maiores ameaças são barragens sem escadas de peixes eficientes, desmatamento de várzeas e pesca na piracema. A interrupção da migração impede a reprodução e isola estoques.

O defeso da piracema, de novembro a fevereiro na maioria dos estados, proíbe a pesca do curimatã. Respeitar o tamanho mínimo de captura, entre 30 e 38 cm conforme a bacia, é essencial para a manutenção dos estoques.

Curiosidades que pouca gente sabe

O curimatã tem boca com duas fileiras de dentes em forma de colher que se renovam constantemente, como uma lixa natural. Essa estrutura é única entre os Characiformes.

Durante a cheia, um único indivíduo pode revirar quilos de sedimento por dia, liberando nutrientes que alimentam fitoplâncton e toda a cadeia. Por isso é chamado de engenheiro do ecossistema.

Apesar da fama de peixe de carne cheia de espinhos, no Nordeste o curimatã assado na brasa inteiro é prato tradicional nas festas de São João, e sua ova é muito apreciada.

Perguntas frequentes

Curimatã e curimbatá são o mesmo peixe?

Sim, são nomes populares para o mesmo grupo, principalmente Prochilodus lineatus. Curimatã é mais usado no Norte e Nordeste, curimbatá no Sudeste e Sul.

Curimatã pode ser criado em aquário?

Não é recomendado. É um peixe grande, de cardume e migrador que precisa de rios ou viveiros grandes. Em aquário pequeno sofre estresse e não se desenvolve bem.

Por que o curimatã tem tanto espinho?

Possui espinhos intramusculares em Y, comuns em peixes detritívoros. A carne é saborosa, mas exige técnica para filetar ou preparo que amoleça os espinhos, como fritura sob pressão.

Quando é a piracema do curimatã?

De outubro a fevereiro, com pico entre novembro e janeiro, durante a estação chuvosa. Nesse período a pesca é proibida pelo defeso na maioria dos estados.

O que o curimatã come?

É detritívoro iliófago: suga lodo e filtra detritos orgânicos, algas e microrganismos do fundo. Em viveiros aceita ração e farelos, mas depende de alimento natural.

Qual o tamanho mínimo para pesca do curimatã?

Varia por bacia e estado, geralmente entre 30 e 38 cm. Consulte a portaria do IBAMA/estado local, pois pescar abaixo do tamanho é infração.

Você sabia?

1

Boca em ventosa com dentes-escova

Os lábios do curimatã formam um disco sugador com dentes minúsculos em forma de colher que raspam o lodo como uma escova, estrutura que se desgasta e se renova ao longo da vida.

2

Migração de mais de mil quilômetros

Na piracema, cardumes de Prochilodus lineatus já foram registrados percorrendo até 1.500 km rio acima no sistema Paraná-Paraguai, sem se alimentar durante semanas.

3

Engenheiro do fundo do rio

Ao sugar e filtrar o sedimento, um curimatã revolve e oxigena o fundo, liberando nutrientes que fertilizam a água e sustentam algas e insetos aquáticos.

4

Só se reproduz com ajuda humana em viveiro

Em água parada o curimatã não desova sozinho; piscicultores precisam induzir a reprodução com hormônio de hipófise, pois o gatilho natural é a correnteza e a cheia.

Fontes

  1. FishBase - Prochilodus lineatus
  2. Embrapa Pesca e Aquicultura
  3. ICMBio / IUCN Red List

Prós e contras: Curimatã

Prós

  • Pacífico e gregário, vive bem em cardume
  • Rústico e resistente, ótimo para piscicultura extensiva
  • Ajuda a limpar e fertilizar viveiros e rios
  • Carne saborosa e rica em nutrientes
  • Crescimento rápido em viveiros adubados

Contras

  • Muitos espinhos em Y dificultam o consumo
  • Não vive bem em aquários pequenos
  • Só se reproduz com indução hormonal em cativeiro
  • Vulnerável à pesca predatória na piracema
  • Depende de rios com conectividade para migrar
Nossa opinião

O curimatã é a prova de que peixe importante não precisa ser colorido nem raro. Na nossa avaliação, ele deveria ser tratado como espécie-chave em projetos de restauração de rios, não apenas como recurso pesqueiro, pois sem ele a cadeia alimentar desmorona.

Continue explorando: Peixes

Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.