🐟 Peixes

Tetra

Characidae spp. (ex: Paracheirodon innesi)

Atualizado em

2 a 5 cm adultoTamanho
Doce, ácida e maciaTipo de água
3 a 5 anosExpectativa de vida
Pacífico e de cardumeTemperamento
Fácil a moderadaDificuldade
Cardume de Tetra Neon nadando em aquário plantado com cores azul e vermelha vivas

Tetra não é uma única espécie, mas o nome popular para dezenas de peixes pequenos da família Characidae, a mais diversa da América do Sul. São peixes de cardume, pacíficos e muito coloridos, que se tornaram a base do aquarismo de água doce no mundo.

A maioria mede entre 2 e 5 cm, vive em águas ácidas e escuras de rios e igarapés amazônicos e se destaca pela faixa neon, vermelha ou cobre que reflete luz. São ativos, resistentes quando bem mantidos e ideais para aquários plantados e comunitários.

Apesar da fama de “peixe para iniciante”, o Tetra exige cardume, água estável e alimentação variada para mostrar cor e comportamento naturais. Sozinho ou em água alcalina e dura, ele fica apagado, estressado e vive menos.

Também conhecido como: Tetra Neon, Tetra Cardinal, Tetra Preto, Neon Tetra (inglês), Tetra Néon (francês), Neonsalmler (alemão)

Faz parte de: Peixes de Água Doce, Peixes para Aquário

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Galeria de fotos de Tetra

Cardume de Tetra Neon nadando em aquário plantado com cores azul e vermelha vivas
Cardume de Tetra Neon, a variedade mais famosa do grupo.
Close-up da cabeça e nadadeiras de um Tetra Neon mostrando a faixa azul iridescente
Detalhe da faixa neon formada por cristais de guanina.
Tetra Preto nadando entre troncos e plantas no aquário
Tetra Preto, variedade alta e resistente.
Cardume de Tetra Rodóstomo em habitat natural de água preta com folhas no fundo
Rodóstomo em habitat de água preta, similar ao Rio Negro.
Tetra se alimentando de artêmia no aquário
Alimentação variada realça cor e saúde.
Tetra se alimentando de artêmia no aquário
Alimentação variada realça cor e saúde.
Ideal para

Ideal para quem busca um aquário comunitário colorido e com movimento constante sem precisar de tanques enormes. Funciona muito bem para iniciantes dedicados, famílias e quem tem aquário plantado, pois o cardume traz vida e ajuda a indicar se a água está equilibrada.

Pode não ser ideal para

Pode não ser ideal para quem quer um único peixe de destaque, tem aquário muito pequeno sem filtro ou sem tampa, ou não pode manter grupo e rotina de trocas semanais. Também não é boa escolha para aquários com peixes grandes, agressivos ou de água dura e alcalina, como ciclídeos africanos.

Como cuidar

Aquário
Mínimo 60 litros para 6-10 indivíduos, com plantas, esconderijos, fluxo suave e tampa
Água
24-28 °C, pH 6,0-7,0, GH 3-10, trocas de 25% por semana, amônia e nitrito zerados
Alimentação
Ração microgranulada + artêmia/dáfnia 2-3x por semana, porções pequenas
Convivência
Manter em cardume da mesma espécie, evitar peixes grandes ou mordedores
Manutenção
Sifonagem leve, poda de plantas, quarentena de novos peixes por 15 dias

Perfil rápido de Tetra

Vida útil

Em aquário
3 a 5 anos, até 6-8 anos em espécies maiores com água estável
Na natureza
2 a 4 anos em média, com alta predação e variação sazonal

Reprodução

Tipo
Ovípara, sem cuidado parental
Desova
Dispersão de ovos adesivos entre plantas finas, 80 a 300 ovos
Incubação
24 a 36 horas até eclosão, larvas nadam livremente em 4 a 5 dias
Maturidade
6 a 12 meses, conforme espécie e temperatura

Habitat

Ambientes

  • Igarapés de água preta
  • Lagos de várzea
  • Margens de rios com vegetação densa
  • Riachos de água clara com folhas submersas

Biomas

  • Amazônia
  • Mata Atlântica (para algumas espécies do sudeste)
  • Cerrado (bacias do Paraguai e Paraná)

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Onívora

Outros alimentos

  • Microcrustáceos
  • Larvas de insetos
  • Algas e biofilme
  • Pequenos frutos e sementes

Encontrado em 8 países

  • Brasil
  • Colômbia
  • Peru
  • Venezuela
  • Guiana
  • Suriname
  • Paraguai
  • Argentina

Como animal de estimação

Adequação
Alta para aquário comunitário plantado
Legalidade no Brasil
Permitida, maioria de cativeiro; espécies nativas com manejo autorizado pelo IBAMA
Nível de cuidado
Fácil a moderado, exige cardume e estabilidade da água
Custo de aquisição
Baixo a moderado, varia por variedade e se é selvagem ou de cativeiro

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Actinopterygii
Ordem
Characiformes
Família
Characidae
Gênero
Diversos (Paracheirodon, Hyphessobrycon, Hemigrammus)
Espécie
Múltiplas (ex: Paracheirodon innesi)

Resumo

  • Tetra reúne peixes pequenos de água doce da família Characidae, famosos pela faixa neon azul e vermelha e pelo comportamento de cardume.
  • Vive em rios de água escura e ácida da Amazônia e Orinoco, precisa de grupo com no mínimo 6 a 10 indivíduos e aquário plantado com pH entre 6,0 e 7,0.
  • É pacífico, onívoro e ovíparo, com reprodução por dispersão de ovos e expectativa de vida de 3 a 5 anos em aquário bem cuidado.

Características

Ficha da espécie

Nome científicoDiversos gêneros (Paracheirodon, Hyphessobrycon, Hemigrammus, Astyanax)
FamíliaCharacidae
OrigemAmérica do Sul e Central (Bacia Amazônica, Orinoco, Paraguai)
Tipo de águaDoce
Tamanho adulto2 a 5 cm (alguns chegam a 7 cm)
TamanhoPequeno
Coresazul neonvermelhopratapretocobretransparenteamarelo
Expectativa de vida3 a 5 anos (até 8 anos em espécies maiores)
AlimentaçãoOnívora
ReproduçãoOvípara, ovos adesivos dispersos
VariedadesNeon, Cardinal, Rodóstomo, Preto, Rosáceo, Limão, Mato-Grosso, Cego-das-cavernas

Perfil e comportamento

Facilidade de criaçãoAlto
AgressividadeMuito baixo
SociabilidadeMuito alto
Nível de atividadeAlto
Exigência com a qualidade da águaMédio
Adequação a aquários pequenosAlto

Tetra é um nome coletivo, não uma espécie única. Ele designa mais de 150 espécies de peixes pequenos da família Characidae, ordem Characiformes, quase todas originárias da América do Sul.

O termo vem do gênero histórico Tetragonopterus, que significa “asa quadrada”, pela forma da nadadeira. Hoje o nome ficou no comércio para qualquer caracídeo pequeno e colorido.

Sua popularidade vem de três fatores combinados: tamanho reduzido, cor intensa e comportamento de cardume sincronizado. Poucos peixes oferecem tanto efeito visual em aquários de 60 a 100 litros quanto um grupo de 10 Tetras Neon nadando juntos.

Como reconhecer um Tetra: características e aparência

O corpo é fusiforme e comprimido lateralmente, com nadadeira adiposa pequena entre a dorsal e a caudal — marca clássica dos Characidae. Olhos grandes e boca pequena e terminal completam o perfil.

A cor é o principal identificador. O Tetra Neon (Paracheirodon innesi) tem faixa azul iridescente e ventre vermelho que vai da metade do corpo à cauda. O Cardinal (Paracheirodon axelrodi), muito confundido com ele, tem vermelho em toda a extensão inferior do corpo.

Outros exemplos mostram a variação do grupo: o Tetra Preto (Gymnocorymbus ternetzi) é alto e escuro com barras verticais, o Rodóstomo (Hemigrammus rhodostomus) tem focinho vermelho vivo, e o Mato-Grosso (Hyphessobrycon eques) é vermelho-cobre uniforme. A faixa neon não é pigmento, mas cristais de guanina que refletem luz, por isso brilha mais sob iluminação suave.

Origem e habitat natural

A grande maioria dos Tetras vem de águas pretas e claras da Amazônia, Orinoco e bacia do Paraguai. Vivem em igarapés, lagos de várzea e margens de rios com correnteza lenta, água âmbar por taninos, pH ácido entre 5,5 e 6,8 e temperatura de 24 a 28 °C.

Nesses ambientes a visibilidade é baixa e a vegetação marginal é densa. O cardume funciona como defesa: centenas de indivíduos se movem juntos entre raízes e folhas submersas, forrageando microcrustáceos, larvas e frutos que caem na água.

Espécies como o Tetra Cardinal são capturadas na natureza no Rio Negro (Brasil, Colômbia e Venezuela) e representam importante fonte de renda para comunidades ribeirinhas. Já o Neon e o Preto são hoje quase 100% reproduzidos em cativeiro na Ásia e no Brasil.

Comportamento e convivência em cardume

Tetra é peixe gregário obrigatório. Sozinho, fica estressado, perde cor e pode adoecer. O mínimo recomendado é 6 indivíduos da mesma espécie, ideal 10 a 12, para formar hierarquia e natação coordenada.

O temperamento é pacífico com outras espécies, mas pode haver beliscadas entre machos se o grupo for pequeno ou o aquário sem esconderijos. Eles ocupam o terço médio da coluna d’água e raramente disputam território.

São compatíveis com outros peixes calmos de água ácida: coridoras, otocinclus, rasboras, apistogramas anões e camarões. Evite colocar com peixes grandes, agitados ou mordedores de nadadeira, como barbos-tigre e bettas de nadadeiras longas, e com predadores como acará-açu.

Como criar Tetra no aquário: tamanho, água e decoração

O aquário para um cardume pequeno começa em 60 litros, com 60 cm de comprimento para natação horizontal. Para 15 a 20 Tetras, prefira 80 a 100 litros. Tampa é essencial, pois podem saltar quando assustados.

Parâmetros estáveis valem mais que números perfeitos:

  • Temperatura: 24 a 28 °C
  • pH: 6,0 a 7,0 (até 7,2 para espécies criadas em cativeiro)
  • Dureza (GH): 3 a 10 dGH, água macia a moderadamente macia
  • Amônia e nitrito: sempre zero, nitrato abaixo de 30 mg/L

Use filtro com fluxo suave, substrato escuro, plantas como amazônica, musgo e flutuantes para difusão da luz, além de troncos e folhas secas que liberam taninos. Trocas parciais de 25% por semana mantêm a estabilidade sem choques.

Alimentação: o que o Tetra come de verdade

Na natureza é onívoro oportunista: microcrustáceos, larvas de insetos, algas e pequenos frutos. No aquário aceita bem ração, mas precisa de variedade para cor e imunidade.

Ofereça ração em flocos ou microgranulada de boa qualidade como base, 1 a 2 vezes ao dia em porção consumida em 90 segundos. Complemente 2 a 3 vezes por semana com alimento vivo ou congelado: artêmia, dáfnia, cyclops e larva de mosquito.

Evite superalimentação. Tetras têm estômago pequeno e restos no fundo elevam amônia rapidamente. Um dia de jejum por semana ajuda na digestão e na qualidade da água.

Reprodução: ovos espalhados e pouca sobrevivência sem manejo

São ovíparos sem cuidado parental. A desova ocorre ao amanhecer, com o macho perseguindo a fêmea entre plantas finas. Ela libera 80 a 300 ovos adesivos e transparentes que caem na vegetação e eclodem em 24 a 36 horas.

O desafio é que os próprios pais comem os ovos. Criadores usam aquário separado de 20 a 30 litros, com água mais ácida (pH 5,5 a 6,5), escuro, com musgo de Java e tela no fundo para proteger os ovos. Após a desova, os adultos são retirados.

Os filhotes nascem minúsculos e precisam de infusórios e náuplios de artêmia nos primeiros dias. A reprodução é considerada moderada a difícil para iniciantes, e a maioria dos aquaristas mantém Tetras apenas como peixes de exibição.

Saúde e doenças mais comuns

Tetras são sensíveis a variações bruscas de pH e temperatura. O problema mais famoso é a doença do néon (Pleistophora hyphessobryconis), causada por microsporídio: perda de cor, natação errática, curvatura da coluna e emagrecimento. Não tem cura eficaz e exige quarentena e eutanásia dos afetados.

Outras ocorrências frequentes são íctio (pontos brancos), fungos e oodinium (doença do veludo), geralmente após introdução sem quarentena ou queda de temperatura. Manter água limpa, quarentenar novos peixes por 15 dias e evitar superlotação previne 90% dos casos.

Sinais de alerta incluem ficar isolado do cardume, nadar perto da superfície ofegante, nadadeiras fechadas e perda da faixa neon. Ao notar, teste amônia, nitrito e temperatura imediatamente.

Principais tipos de Tetra para escolher

Escolher a espécie certa muda o visual e a exigência do aquário. Veja os mais buscados:

Variedade Tamanho Destaque Observação
Neon (P. innesi) 3 a 3,5 cm Faixa azul e vermelho parcial Mais resistente, ideal para iniciantes
Cardinal (P. axelrodi) 4 a 5 cm Vermelho total, azul mais intenso Exige água mais ácida e estável
Rodóstomo 4,5 cm Nariz vermelho, cauda listrada Excelente indicador de qualidade da água
Preto / Viúva Negra 5 a 6 cm Corpo alto, preto prateado Um dos mais longevos, até 6 anos
Mato-Grosso 4 cm Vermelho cobre intenso Machos ficam mais vermelhos na reprodução

Para aquários pequenos, prefira Neon, Cardinal ou Limão (Hyphessobrycon pulchripinnis). Para aquários maiores e mais escuros, Rodóstomo e Rosáceo criam efeito de cardume mais elegante.

Perguntas frequentes

Quantos Tetras posso ter juntos?

No mínimo 6 da mesma espécie, ideal 10 a 12. Grupos maiores reduzem estresse e exibem natação sincronizada.

Qual o tamanho mínimo do aquário para Tetra?

60 litros para um cardume de 6 a 10 Tetras pequenos como Neon ou Cardinal, com filtro e plantas. Quanto mais espaço horizontal, melhor.

Tetra Neon e Cardinal são iguais?

Não. O Neon tem vermelho só na metade traseira; o Cardinal tem vermelho em toda a barriga e é um pouco maior e mais sensível à qualidade da água.

Tetra precisa de aquecedor?

Sim na maior parte do Brasil no inverno. Mantenha entre 24 e 28 °C com termostato para evitar oscilações que causam íctio.

O que Tetra come?

Ração pequena de qualidade como base, complementada com artêmia, dáfnia ou cyclops 2 a 3 vezes por semana.

Tetra pode viver com Betta?

Pode, mas com risco. Betta pode atacar Tetras de nadadeira longa ou ser mordiscado por Tetras agitados. Só em aquários a partir de 80 litros, bem plantados e com observação.

Por que meu Tetra perdeu a cor?

Estresse por ficar sozinho, água alcalina ou dura, iluminação muito forte ou doença. Verifique pH, amônia e tamanho do cardume.

Fatos surpreendentes sobre o Tetra

1

A luz neon não é tinta

A faixa azul brilhante é feita por cristais de guanina na pele que refletem luz. Em água escura e ácida ela brilha mais; sob luz forte e pH alto, apaga.

2

O Tetra que perdeu os olhos

O Tetra Cego-das-cavernas (Astyanax mexicanus) é o mesmo Tetra de superfície, mas populações isoladas em cavernas do México perderam pigmento e visão em poucos milhares de anos.

3

Cardinal sustenta ribeirinhos

No médio Rio Negro, a pesca manejada do Tetra Cardinal para aquarismo é alternativa sustentável à derrubada da floresta e movimenta milhões de exemplares por ano com cotas controladas.

4

Rodóstomo como termômetro vivo

Criadores experientes usam o Rodóstomo como bioindicador: se o vermelho do focinho palidece, é sinal precoce de amônia alta ou oxigênio baixo antes dos testes acusarem.

Fontes

  1. FishBase - Characidae
  2. Seriously Fish
  3. Instituto Chico Mendes - ICMBio

Prós e contras: Tetra

Prós

  • Cardume muito ornamental e ativo em aquários plantados
  • Tamanho pequeno, cabe em aquários médios de 60 litros
  • Pacífico e compatível com coridoras, otocinclus e camarões
  • Grande variedade de cores e preços acessíveis
  • Ajuda a indicar qualidade da água pelo comportamento e cor

Contras

  • Exige vida em grupo, não vive bem sozinho
  • Sensível a oscilações de pH, temperatura e amônia
  • Reprodução difícil sem aquário separado e alimento vivo
  • Sujeito à doença do néon, sem cura eficaz
  • Pode ser predado por peixes maiores se o aquário for misto
Nossa opinião

Na nossa avaliação, Tetra é o melhor peixe de cardume para quem quer cor com pouco espaço, mas só brilha de verdade em grupo grande e água escura e macia. Tentar criar um ou dois exemplares em aquário pelado é o erro que mais apaga sua beleza e encurta sua vida.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.