🐟 Peixes

Albacora

Thunnus albacares

Atualizado em

1,5 a 2,4 m e até 200 kgTamanho
Salgada oceânicaTipo de água
5 a 9 anosExpectativa de vida
Migratório e ativoTemperamento
Não é de aquárioDificuldade
Albacora-de-laje nadando de lado em mar aberto azul

A albacora é um atum oceânico de grande porte, altamente migratório e predador de topo em mar aberto. No Brasil o nome reúne principalmente três espécies: a albacora-de-laje (Thunnus albacares), a albacora-bandolim (Thunnus obesus) e a albacora-branca (Thunnus alalunga).

Não é peixe de aquário nem de água doce. Vive em oceanos tropicais e subtropicais, forma cardumes, nada em alta velocidade e tem enorme importância comercial na pesca industrial e esportiva. Saber diferenciar os tipos evita confusão no mercado e ajuda no consumo mais consciente.

Também conhecido como: Albacora-de-laje, Albacora-bandolim, Albacora-branca, Atum-amarelo, Yellowfin tuna, Albacore

Faz parte de: Peixes Carnívoros, Peixes de Água Salgada

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Galeria de fotos de Albacora

Albacora-de-laje nadando de lado em mar aberto azul
Albacora-de-laje, a espécie mais comum chamada albacora no Brasil.
Close da cabeça e nadadeira peitoral da albacora
Detalhe da cabeça e das nadadeiras usadas para identificar o tipo.
Cardume de albacoras nadando em mar aberto
Albacoras formam cardumes que migram milhares de quilômetros.
Albacora caçando peixes e lulas perto da superfície
Predadora veloz, caça peixes pelágicos e lulas.
Comparação entre albacora-de-laje, bandolim e branca
Diferenças nas nadadeiras separam os três tipos de albacora.
Albacora em habitat oceânico próximo a ilha
Habitat típico: mar aberto tropical próximo a ilhas oceânicas.

Perfil rápido de Albacora

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Thunnus albacares é Pouco Preocupante globalmente, mas Thunnus obesus é Vulnerável e Thunnus alalunga é Quase Ameaçada.

População
estável com manejo
Protegido por
Sim, com cotas e manejo pela ICCAT e normas brasileiras

Vida útil

Na natureza
5 a 9 anos em média, com máximo raro de 11 a 12 anos
Crescimento
Rápido no 1º ano, atinge 1 m com cerca de 2 anos e maturidade entre 2 e 3 anos

Reprodução

Tipo
Ovulípara pelágica sem cuidado parental
Maturidade sexual
2 a 3 anos e 80 a 110 cm
Época de desova
Águas acima de 26 °C, com pico nos meses quentes, parcelada ao longo do ano
Fecundidade
1 a 8 milhões de ovos por temporada, liberados em lotes

Habitat

Ambientes

  • Oceano pelágico tropical e subtropical
  • Coluna d'água de 0 a 250 m em mar aberto
  • Entorno de ilhas oceânicas e montes submarinos

Biomas

  • Marinho pelágico
  • Zona oceânica

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Peixes pelágicos
  • Lulas
  • Crustáceos pelágicos

Outros alimentos

  • Peixes-voadores
  • Sardinhas e manjubas
  • Cavala e pequenos atuns

Encontrado em 10 países

  • Brasil
  • Estados Unidos
  • México
  • Espanha
  • Portugal
  • Japão
  • Indonésia
  • Filipinas
  • África do Sul
  • Austrália

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Actinopterygii
Ordem
Scombriformes
Família
Scombridae
Gênero
Thunnus
Espécie
Thunnus albacares (principal); T. obesus e T. alalunga também chamadas albacora

Resumo

  • A albacora reúne atuns oceânicos do gênero Thunnus, com destaque para a albacora-de-laje, a bandolim e a branca, cada uma com formato e nadadeiras distintas.
  • Vive em mar aberto tropical e subtropical, migra milhares de quilômetros em cardumes e caça peixes, lulas e crustáceos com velocidade e endotermia parcial.
  • É um dos peixes mais pescados do mundo, com carne valorizada para sashimi e conservas, e exige atenção à origem e ao estado de conservação de cada espécie.

Características

Ficha da espécie

Nome científicoThunnus albacares (albacora-de-laje, a mais comum no Brasil)
FamíliaScombridae
OrigemOceanos Atlântico, Pacífico e Índico, em faixa tropical e subtropical
Tipo de águaSalgada marinha pelágica
Tamanho1,2 a 2,4 m; 30 a 200 kg (fêmeas menores)
Expectativa de vida5 a 9 anos, raramente até 12 anos
Coresazul-escuro metálicoprateadoamarelo intensocinza-claro
AlimentaçãoCarnívora pelágica
ReproduçãoOvulípara com desova pelágica em mar aberto
Variedades no BrasilAlbacora-de-laje, albacora-bandolim, albacora-branca

Perfil e comportamento

Facilidade de criaçãoMuito baixo
AgressividadeMédio
SociabilidadeAlto
Nível de atividadeMuito alto
Exigência com a qualidade da águaMuito alto
Adequação a aquários pequenosMuito baixo

O que é albacora e por que o nome confunde

Albacora não é uma espécie única. É o nome popular dado no Brasil a vários atuns do gênero Thunnus. Quando alguém fala em albacora, pode estar se referindo a três peixes diferentes, com tamanho, preço e status de conservação distintos.

As três principais são: albacora-de-laje (Thunnus albacares, o yellowfin), albacora-bandolim ou bigeye (Thunnus obesus) e albacora-branca (Thunnus alalunga). No mercado, todas podem aparecer só como “atum” ou “albacora”, o que gera confusão para o consumidor.

Na nossa avaliação, vale tratar “albacora” como um complexo de espécies oceânicas e não como um peixe só. Isso muda tudo na hora de identificar, entender a pesca e avaliar conservação.

Como identificar cada tipo de albacora

A diferença mais visível está nas nadadeiras e no corpo. A albacora-de-laje tem a segunda dorsal e a anal muito alongadas, de cor amarelo vivo, que podem ultrapassar o comprimento da cauda em adultos. O corpo é mais esguio e hidrodinâmico.

A albacora-bandolim tem olhos grandes, corpo mais robusto e nadadeiras peitorais mais longas. É adaptada a mergulhos mais profundos e água um pouco mais fria. Já a albacora-branca tem as peitorais extremamente longas, que chegam a 50% do comprimento total, e coloração mais clara e uniforme.

Outro ponto é a coloração dorsal. Todas têm dorso azul-escuro metálico e ventre prateado, mas a de-laje mostra faixa lateral amarelada bem marcada e pintas verticais claras quando jovem. A branca é a mais pálida das três.

Tabela rápida para não errar

Característica De-laje (albacares) Bandolim (obesus) Branca (alalunga)
Nadadeira peitoral Média Longa Muito longa
Segunda dorsal e anal Muito alongadas e amarelas Mais curtas e escuras Curtas e claras
Olho Normal Grande Normal
Tamanho máximo comum até 2,4 m até 2,5 m até 1,4 m

Onde vive a albacora no Brasil e no mundo

É um peixe pelágico oceânico, de águas tropicais e subtropicais entre aproximadamente 20°N e 20°S. Vive longe da costa, na coluna d’água de 0 a 250 m, onde a temperatura fica entre 18 °C e 31 °C.

No Atlântico, ocorre de forma contínua, mas no Brasil é mais abundante no Nordeste e Norte, no entorno de arquipélagos como Fernando de Noronha, Atol das Rocas e São Pedro e São Paulo, além de montes submarinos da Cadeia Vitória-Trindade. Essas áreas concentram alimento e funcionam como ponto de agregação.

É altamente migratória. Um mesmo indivíduo pode percorrer milhares de quilômetros em poucos meses acompanhando massas de água quente e cardumes de presas. Por isso não tem território fixo.

Comportamento: velocidade, cardume e endotermia

A albacora é um dos peixes ósseos mais velozes. Usa corpo fusiforme, pedúnculo caudal estreito e nadadeira caudal em forma de meia-lua para atingir picos de 70 a 75 km/h em arrancadas curtas.

Vive em cardumes de tamanho variável, às vezes mistos com outras espécies de atum e golfinhos. Jovens formam grupos grandes na superfície, associados a objetos flutuantes. Adultos tendem a cardumes menores e mais dispersos, com comportamento mais independente.

Um fato pouco óbvio: albacoras têm endotermia regional. Uma rede de vasos chamada rete mirabile mantém músculos, olhos e cérebro até 10 °C acima da água. Isso garante visão e contração muscular rápidas mesmo em mergulhos mais frios, vantagem decisiva para caçar.

Alimentação e papel na cadeia alimentar

É predadora oportunista e voraz. Caça à vista, principalmente durante o dia, e se alimenta de peixes voadores, sardinhas, cavalas, lulas e crustáceos pelágicos. A dieta muda conforme a região e a disponibilidade.

Ocupa o topo da cadeia pelágica, controlando populações de presas e servindo de alimento para tubarões oceânicos e orcas quando jovem. Adultos grandes têm poucos predadores naturais.

Em áreas de ressurgência e convergência, a alimentação é mais intensa ao amanhecer e no fim da tarde. A albacora pode fazer mergulhos verticais diários de mais de 200 m para seguir a migração vertical de lulas e peixes.

Reprodução e ciclo de vida em mar aberto

A reprodução é ovulípara pelágica. Não há ninho nem cuidado parental. Machos e fêmeas liberam gametas na água e os ovos fecundados ficam à deriva como plâncton.

A maturidade chega cedo para um peixe grande: entre 2 e 3 anos e cerca de 80 a 110 cm. A desova ocorre em águas quentes acima de 26 °C, de forma parcelada ao longo do ano, com pico nos meses mais quentes.

A fecundidade é altíssima. Uma fêmea grande pode liberar 2 a 8 milhões de ovos por temporada, em vários eventos. O crescimento é rápido no primeiro ano, mas a mortalidade natural de ovos e larvas também é enorme. Pouquíssimos chegam à fase adulta.

Pesca, mercado e por que o nome importa

A albacora sustenta uma das pescarias mais valiosas do mundo. No Brasil, a frota de espinhel pelágico captura principalmente de-laje e bandolim para exportação e mercado interno. A carne da de-laje é vermelha clara e magra, muito usada em sashimi, poke e conservas premium.

A confusão de nomes tem impacto real. A albacora-branca tem carne mais clara e é a única que pode ser rotulada como “atum branco” em alguns mercados. Já a bandolim tem maior teor de gordura e valor diferente. Quando tudo é vendido como “albacora”, o consumidor paga sem saber o que leva.

Outro erro comum é chamar qualquer atum de albacora. Bonito, albacorinha e atum-rajado não são albacora, embora pertençam à mesma família. A albacorinha (Thunnus atlanticus), por exemplo, é menor e restrita ao Atlântico ocidental.

Estado de conservação e consumo consciente

O status varia por espécie. Thunnus albacares (de-laje) é classificado como Pouco Preocupante globalmente, com populações consideradas estáveis no Atlântico, mas sob forte manejo. Thunnus obesus é Vulnerável e Thunnus alalunga é Quase Ameaçada.

As principais pressões são pesca excessiva, captura incidental e pesca ilegal. Organizações como ICCAT regulam cotas no Atlântico, e no Brasil o ordenamento inclui tamanho mínimo, rastreabilidade e período de defeso para algumas frotas.

Para quem consome, a melhor escolha é priorizar produto com origem identificada, selo de rastreabilidade e tamanho legal. Evitar indivíduos muito jovens e desconfiar de preço muito abaixo do mercado são atitudes práticas que ajudam a pressionar por pesca responsável.

Curiosidades que pouca gente sabe

A albacora nunca para de nadar. Como precisa de fluxo constante de água nas brânquias, ela pratica ventilação forçada contínua e morre se ficar imóvel por muito tempo.

Apesar do tamanho, tem coração proporcionalmente pequeno e extremamente eficiente, capaz de sustentar esforço aeróbico prolongado durante migrações de semanas.

Registros de marcação eletrônica mostram deslocamentos de mais de 8.000 km em um único ano para alguns indivíduos de albacora-de-laje no Pacífico.

Perguntas frequentes

Albacora é atum?

Sim. Albacora é o nome popular no Brasil para atuns do gênero Thunnus, principalmente Thunnus albacares, Thunnus obesus e Thunnus alalunga.

Qual a diferença entre albacora-de-laje e bandolim?

A de-laje tem segunda dorsal e anal amarelas muito alongadas e olhos normais; a bandolim tem olhos grandes, corpo mais robusto e nada em maior profundidade.

Albacora vive em aquário?

Não. É um peixe pelágico oceânico, migratório e de grande porte que não sobrevive em aquário doméstico, apenas em grandes tanques oceânicos de pesquisa.

Onde se pesca albacora no Brasil?

Principalmente em alto-mar no Nordeste e Norte, no entorno de Fernando de Noronha, Atol das Rocas e montes submarinos, com frota de espinhel pelágico.

Albacora está ameaçada de extinção?

Depende da espécie. A albacora-de-laje é Pouco Preocupante, mas a bandolim é Vulnerável e a branca é Quase Ameaçada, todas sob cotas da ICCAT.

Como saber se estou comprando albacora verdadeira?

Peça a identificação da espécie e a origem. Carne muito clara vendida como albacora pode ser albacora-branca ou outro atum, com valor e manejo diferentes.

Fatos surpreendentes sobre a albacora

1

Nada sem parar

Precisa nadar constantemente para respirar, pois depende da ventilação forçada da água pelas brânquias e não consegue bombear água parada como peixes de recife.

2

Sangue quente parcial

Mantém músculos e olhos até 10 °C acima da temperatura da água graças à rete mirabile, o que explica sua velocidade e visão aguçada em mergulhos profundos.

3

Peitoral gigante da branca

Na albacora-branca a nadadeira peitoral pode chegar a metade do comprimento do corpo, característica única entre os Thunnus e usada para identificação rápida.

4

Desova milionária

Uma única fêmea de albacora-de-laje pode liberar até 8 milhões de ovos em uma temporada reprodutiva, mas menos de 1% sobrevive até a fase juvenil.

Fontes

  1. FishBase - Thunnus albacares
  2. IUCN Red List
  3. ICCAT - Comissão Internacional para Conservação do Atum Atlântico
  4. ICMBio / Ministério da Pesca

Prós e contras: Albacora

Prós

  • Nadadora extremamente rápida e adaptada a longas migrações
  • Carne magra e valorizada para sashimi, poke e conservas
  • Crescimento rápido e alta fecundidade quando bem manejada
  • Importante para a economia da pesca oceânica brasileira

Contras

  • Não pode ser criada em aquário ou pequena escala
  • Confusão de nomes facilita fraudes no mercado
  • Algumas espécies do grupo estão vulneráveis à sobrepesca
  • Exige manejo internacional rigoroso e rastreabilidade
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a albacora é o melhor exemplo de como nome popular atrapalha conservação: tratar três atuns diferentes como um só esconde riscos distintos. Para quem consome, exigir identificação correta da espécie é mais útil que discutir apenas preço ou frescor.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.