🐟 Peixes

Tubarão-lixa

Ginglymostoma cirratum

Atualizado em

2,5 a 4,3 mTamanho
Salgada marinhaTipo de água
25 a 35 anosExpectativa de vida
Dócil e sedentárioTemperamento
Não é de aquárioDificuldade
Close da cabeça do tubarão-lixa mostrando barbilhões e boca ventral

O tubarão-lixa (Ginglymostoma cirratum) é um tubarão de grande porte, costeiro e noturno, facilmente reconhecido pelo corpo robusto bege-amarelado, cabeça larga e dois barbilhões sensoriais perto da boca. Diferente da maioria dos tubarões, ele consegue respirar parado no fundo, bombeando água pela boca.

Passa o dia descansando em grupo sobre areia ou entre rochas e caça à noite por sucção, alimentando-se de peixes, crustáceos e moluscos em águas rasas de até 75 metros. É dócil, mas pode morder se provocado, e tem reprodução lenta que o torna vulnerável à pesca e à degradação de recifes e manguezais.

Também conhecido como: Tubarão-lixa, Lambaru, Tubarão-lixa-amarelo, Nurse shark, Requin nourrice, Tiburón gata

Faz parte de: Peixes Carnívoros, Peixes de Água Salgada

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Galeria de fotos de Tubarão-lixa

Close da cabeça do tubarão-lixa mostrando barbilhões e boca ventral
Detalhe da cabeça larga com barbilhões sensoriais à frente da boca.
Grupo de tubarões-lixa descansando empilhados no fundo
Comportamento gregário diurno: grupo descansando sob recife.
Filhote de tubarão-lixa com manchas pretas nadando no recife raso
Filhote com manchas pretas que desaparecem na fase adulta.
Tubarão-lixa caçando à noite por sucção no fundo arenoso
Caça noturna por sucção, usando barbilhões para localizar presas.
Tubarão-lixa em vista ventral mostrando nadadeiras
Vista ventral destacando nadadeiras arredondadas e cauda longa.
Tubarão-lixa em vista ventral mostrando nadadeiras
Vista ventral destacando nadadeiras arredondadas e cauda longa.

Perfil rápido de Tubarão-lixa

Estado de conservação

VU
Vulnerável

Risco alto de extinção na natureza devido ao declínio populacional.

População
Em declínio
Protegido por
Sim, protegido no Brasil pela Portaria MMA 148/2022 - captura e comércio proibidos

Vida útil

Na natureza
25 a 35 anos, maturidade entre 10 e 18 anos
Em cativeiro (aquários públicos)
Até 35 anos com manejo especializado

Reprodução

Tipo de reprodução
Ovovivípara, sem canibalismo intrauterino
Gestação
5 a 6 meses
Ninhada
20 a 30 filhotes de 27 a 30 cm
Ciclo
Bienal, acasalamento no verão com mordida de fixação na fêmea
Maturidade
Machos ~2,1 m (10-15 anos), fêmeas ~2,3 m (15-18 anos)

Habitat

Ambientes

  • Recifes de coral e lajes rochosas
  • Fundos arenosos e lodosos costeiros
  • Canais e raízes de manguezal
  • Águas rasas de 0 a 75 m

Biomas

  • Marinho Costeiro
  • Recifes de Coral
  • Manguezal

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Peixes ósseos bentônicos
  • Crustáceos (lagostas, siris, camarões)
  • Moluscos (polvos e lulas)

Outros alimentos

  • Ouriços-do-mar
  • Pepinos-do-mar
  • Arraias juvenis

Encontrado em 11 países

  • Brasil
  • Estados Unidos
  • México
  • Belize
  • Panamá
  • Cuba
  • Colômbia
  • Venezuela
  • Senegal
  • Cabo Verde
  • Gabão

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Chondrichthyes
Ordem
Orectolobiformes
Família
Ginglymostomatidae
Gênero
Ginglymostoma
Espécie
Ginglymostoma cirratum

Resumo

  • Tubarão-lixa é o Ginglymostoma cirratum, tubarão marinho costeiro que atinge 2,5 a 4,3 m e vive até 35 anos em recifes e fundos arenosos rasos.
  • É noturno, sedentário e gregário durante o dia, caça por sucção com barbilhões sensoriais e respira sem precisar nadar.
  • Está classificado como Vulnerável pela IUCN por causa da pesca, captura acidental e perda de habitat, com reprodução ovovivípara lenta de 20 a 30 filhotes a cada dois anos.

Características

Ficha da espécie

Nome científicoGinglymostoma cirratum
FamíliaGinglymostomatidae
OrigemAtlântico ocidental e oriental e Pacífico oriental tropical
Tipo de águaSalgada (marinha costeira)
TamanhoGrande
Tamanho adulto2,5 a 3,0 m (comum), até 4,3 m e 330 kg
CoresBege-amareladomarrom-clarobranco-acinzentado
Expectativa de vida25 a 35 anos
AlimentaçãoCarnívora (peixes, crustáceos, moluscos)
ReproduçãoOvovivípara, 20 a 30 filhotes por gestação
VariedadesNão possui variedades ornamentais

Perfil e comportamento

Facilidade de criaçãoMuito baixo
AgressividadeBaixo
SociabilidadeAlto
Nível de atividadeBaixo
Exigência com a qualidade da águaMuito alto
Adequação a aquários pequenosMuito baixo

Como identificar o tubarão-lixa sem confundir

O tubarão-lixa tem corpo cilíndrico e robusto, pele bege-amarelada a marrom-clara e ventre mais claro, sem manchas na fase adulta. A cabeça é larga e achatada, com dois barbilhões curtos na frente da boca pequena e ventral, que funcionam como órgão sensorial.

As duas nadadeiras dorsais são arredondadas e quase do mesmo tamanho, implantadas bem atrás no corpo, e a nadadeira caudal é longa, com lobo inferior quase ausente. Os olhos são pequenos e esverdeados, bem diferentes dos olhos grandes de tubarões pelágicos.

Filhotes nascem com manchas pretas pequenas espalhadas que desaparecem até cerca de 60 cm, o que já causou confusão com outras espécies. Adultos não têm pintas, ao contrário do tubarão-lixa-do-Pacífico (Ginglymostoma unami) ou do tubarão-baleia, e sua pele parece aveludada por causa dos dentículos dérmicos pequenos.

Onde vive e por que prefere águas rasas

A distribuição vai do Atlântico ocidental (de Rhode Island ao sul do Brasil) ao Atlântico oriental (Senegal a Gabão) e também no Pacífico oriental tropical. No Brasil é comum do Maranhão a Santa Catarina, especialmente em Abrolhos, Fernando de Noronha, Atol das Rocas e recifes do Nordeste.

Vive em águas costeiras rasas de 0 a 75 metros, quase sempre abaixo de 30 metros. Prefere recifes de coral, lajes rochosas, fundos arenosos e canais de manguezal, onde encontra abrigo e alimento.

É uma espécie extremamente fiel ao local (filopatria). Estudos de marcação mostram indivíduos retornando ao mesmo abrigo por anos. Essa fidelidade o torna muito sensível à pesca local e à destruição de recifes.

Comportamento: o tubarão que dorme em grupo

Durante o dia o tubarão-lixa é sedentário e gregário. Forma grupos de 2 a 30 indivíduos empilhados uns sobre os outros, imóveis sobre a areia ou dentro de fendas. Essa sociabilidade diurna é rara entre tubarões.

Ele é um dos poucos tubarões que respira por bombeamento bucal, sem precisar nadar para ventilar as brânquias. Abre e fecha a boca ritmicamente, puxando água mesmo parado, o que explica por que pode ficar horas no mesmo ponto.

À noite torna-se ativo. Nada lentamente junto ao fundo, usando os barbilhões para farejar presas escondidas na areia e a sucção para capturá-las. É dócil com mergulhadores, mas não é inofensivo: a maioria das mordidas ocorre quando é tocado, puxado pela cauda ou alimentado com a mão.

Como caça por sucção

A boca pequena gera vácuo poderoso em milissegundos, sugando peixes adormecidos, polvos, lagostas, siris, camarões e até ouriços. Os dentes são pequenos, tricúspides e dispostos em 30 a 50 fileiras funcionais, ideais para esmagar e segurar, não para cortar.

O que o tubarão-lixa come e como isso afeta o recife

A dieta é carnívora generalista e noturna. Itens principais são tainhas, pargos, lagostas, caranguejos, polvos e lulas. Secundariamente consome ouriços-do-mar, pepinos-do-mar e arraias juvenis.

Ao revirar a areia e quebrar ouriços, atua como regulador do substrato e controlador de invertebrados. Essa função ajuda a manter o equilíbrio do recife e dos fundos de fanerógamas marinhas.

  • Caça: fareja com barbilhões e eletrorrecepção (ampolas de Lorenzini)
  • Captura: sucção a curta distância, sem perseguição longa
  • Horário: pico entre o pôr do sol e a madrugada

Reprodução ovovivípara e ciclo de vida lento

O tubarão-lixa é ovovivíparo com canibalismo intrauterino ausente. Os embriões se desenvolvem em ovos dentro do útero e nascem já formados após gestação de 5 a 6 meses.

A fêmea tem ciclo bienal: acasala a cada dois anos, com acasalamento no início do verão. O macho morde a nadadeira peitoral da fêmea para se fixar, deixando cicatrizes características. A ninhada varia de 20 a 30 filhotes de 27 a 30 cm.

Maturidade é tardia: machos com 10 a 15 anos (cerca de 2,1 m) e fêmeas com 15 a 18 anos (cerca de 2,3 m). Esse crescimento lento e a baixa fecundidade explicam por que a população demora décadas para se recuperar após sobrepesca.

Parâmetro Dado
Tipo de desenvolvimento Ovovivíparo
Gestação 5 a 6 meses
Ninhada 20 a 30 filhotes
Tamanho ao nascer 27 a 30 cm
Intervalo reprodutivo A cada 2 anos

É perigoso para humanos? Risco real

O tubarão-lixa responde por muitas mordidas registradas, mas quase nunca graves. O International Shark Attack File o coloca entre as espécies com mais incidentes provocados, justamente porque é abordado por mergulhadores.

A mordida é por pressão e sucção, não por corte. Ele pode segurar e não soltar, causando lacerações e dificuldade para remover. Não há registros confiáveis de morte por tubarão-lixa no Brasil.

Regras práticas: nunca toque, alimente, prenda ou puxe pela cauda. Mantenha distância de grupos em descanso e não bloqueie saídas de cavernas. Se estiver pescando, manuseie com extremo cuidado: mesmo fora d’água mantém reflexo de mordida.

Estado de conservação e principais ameaças no Brasil

Globalmente está avaliado como Vulnerável (VU) pela IUCN, com tendência de declínio. No Brasil, a captura é proibida pela Portaria MMA nº 148/2022 e Instrução Normativa ICMBio, com proteção integral.

As ameaças são pesca com espinhel e rede de emalhe, captura acidental, pesca com arpão e degradação de recifes e manguezais. Por ser costeiro e fiel ao abrigo, é facilmente localizado e capturado.

Outro ponto crítico é o comércio de barbatanas e carne e o turismo desordenado. Alimentar tubarões-lixa para atração turística altera comportamento e aumenta risco de acidentes. Áreas marinhas protegidas como Fernando de Noronha e Abrolhos são refúgios essenciais para a espécie.

Curiosidades que só o tubarão-lixa tem

Pode ficar imóvel por horas e até virar de barriga para cima para ser limpo por peixes limpadores. Essa tolerância à limpeza é incomum entre tubarões grandes.

Já foi documentada partenogênese facultativa em cativeiro: fêmeas isoladas geraram filhotes sem macho, com DNA apenas materno. É uma estratégia rara que mostra plasticidade reprodutiva.

Possui espiráculos pequenos atrás dos olhos que auxiliam na entrada de água quando está enterrado na areia. E pode emitir som de sucção audível fora d’água quando capturado, um estalo característico que pescadores reconhecem.

Apesar do nome, não é lixeiro no sentido de comer lixo. O nome vem do hábito de ficar no fundo, revirando sedimento, e da coloração amarelada que lembra palha suja. Em inglês, nurse shark pode vir de huss, nome antigo para tubarões pequenos na Inglaterra.

Perguntas frequentes

Tubarão-lixa ataca humanos?

Raramente e quase sempre quando é tocado, alimentado ou puxado. A mordida é por pressão e sucção, dolorosa mas raramente grave, sem registros de morte no Brasil.

Qual o tamanho máximo do tubarão-lixa?

O comum é 2,5 a 3,0 m, mas pode chegar a 4,3 m e cerca de 330 kg. Fêmeas costumam ser maiores que machos.

Onde encontrar tubarão-lixa no Brasil?

Em recifes e áreas costeiras rasas do Nordeste e Sudeste, com destaque para Abrolhos, Fernando de Noronha, Atol das Rocas e recifes de Maragogi e Porto de Galinhas.

Tubarão-lixa pode ser criado em aquário?

Não em aquário doméstico. Só aquários públicos gigantes mantêm a espécie, pois exige milhares de litros, água marinha estável e manejo especializado.

O tubarão-lixa está em extinção?

Está classificado como Vulnerável pela IUCN e protegido no Brasil. A população está em declínio por pesca, captura acidental e perda de habitat.

O que o tubarão-lixa come?

Peixes bentônicos, crustáceos como lagostas e siris, polvos e lulas, além de ouriços-do-mar, capturados à noite por sucção no fundo.

Como diferenciar filhote de adulto?

Filhotes têm manchas pretas pequenas que somem até 60 cm; adultos são uniformemente bege-amarelados, com cabeça larga e barbilhões na boca.

Fatos surpreendentes do tubarão-lixa

1

Respira sem nadar

É um dos poucos tubarões que bombeia água ativamente pela boca e espiráculos, podendo ficar horas parado no fundo sem se asfixiar.

2

Partenogênese comprovada

Em aquários públicos, fêmeas isoladas por anos geraram filhotes por partenogênese facultativa, com filhotes geneticamente idênticos à mãe.

3

Sucção mais forte que mordida

Gera vácuo tão rápido que suga lagostas de dentro de tocas e produz um estalo audível que pescadores ouvem na superfície.

4

Dorme empilhado

Forma pilhas de até 30 indivíduos durante o dia, com indivíduos maiores embaixo e menores por cima, comportamento social raro em tubarões.

Fontes

  1. IUCN Red List - Ginglymostoma cirratum
  2. FishBase - Ginglymostoma cirratum
  3. ICMBio / MMA - Lista Nacional de Espécies Ameaçadas
  4. Florida Museum - International Shark Attack File

Prós e contras: Tubarão-lixa

Prós

  • Dócil e tolerante a mergulhadores quando não perturbado
  • Importante para equilíbrio de recifes e fundos arenosos
  • Fácil de identificar por barbilhões e cor amarelada
  • Longevo e fiel ao local, bom indicador de saúde do recife
  • Baixo risco de ataque grave comparado a outros tubarões grandes

Contras

  • Vulnerável à sobrepesca por crescimento e reprodução lentos
  • Pode morder e segurar se tocado ou alimentado com a mão
  • Não pode ser mantido em aquário doméstico
  • Dependente de habitats rasos ameaçados (recifes e manguezais)
  • Captura e comércio proibidos no Brasil, com penalidades
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o tubarão-lixa é o melhor exemplo de que nem todo tubarão grande é pelágico e perigoso: sua docilidade diurna engana, e o manejo errado gera a maioria dos acidentes. Por ser costeiro, fiel ao abrigo e de reprodução lenta, merece proteção mais rígida que tubarões oceânicos, mesmo parecendo abundante para quem mergulha.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.