🐟 Peixes

Bonito

Euthynnus alletteratus

Atualizado em

60 a 90 cm (até 100 cm)Tamanho
Salgada (marinha)Tipo de água
8 a 12 anosExpectativa de vida
Muito ativo e migradorTemperamento
Não é peixe de aquárioDificuldade
Peixe bonito nadando de lado em água azul do oceano

Bonito não é uma única espécie, mas o nome popular dado a vários peixes da família Scombridae, a mesma dos atuns e cavalhas. No Brasil, os mais comuns são o bonito-pintado (Euthynnus alletteratus), o bonito-listrado (Katsuwonus pelamis) e o bonito-do-Atlântico (Sarda sarda).

São peixes pelágicos, oceânicos e extremamente velozes, que vivem em cardumes grandes e migratórios. Têm corpo fusiforme e musculoso, feito para natação contínua em mar aberto, e são predadores ativos de sardinhas, lulas e crustáceos.

Muito confundido com o atum, o bonito se diferencia pelo tamanho menor, pelas manchas e listras características na barriga e no dorso e pela carne mais escura e forte. É um dos peixes mais importantes para a pesca comercial e esportiva no litoral brasileiro.

Também conhecido como: Bonito-pintado, Bonito-listrado, Skipjack tuna, Bonito-do-Atlântico, Little tunny, Katsuo

Faz parte de: Peixes Carnívoros, Peixes de Água Salgada

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Galeria de fotos de Bonito

Peixe bonito nadando de lado em água azul do oceano
Bonito-pintado (Euthynnus alletteratus) em vista lateral, com corpo fusiforme típico.
Close-up da cabeça do peixe bonito mostrando dentes e nadadeiras
Detalhe da cabeça e nadadeiras peitorais do bonito.
Cardume de peixes bonito nadando junto em mar aberto
Cardume de bonitos em comportamento pelágico no oceano.
Variações de coloração do bonito com ventre pintado e listrado
Diferença entre ventre pintado e ventre listrado, chave para identificar a espécie.
Bonito caçando sardinhas na superfície do mar
Ataque de bonitos a cardume de sardinhas na superfície.
Bonito recém-pescado sobre convés mostrando tamanho e cor
Exemplar adulto recém-capturado, destacando porte médio e dorso azul-escuro.

Perfil rápido de Bonito

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Espécies do grupo bonito têm ampla distribuição e alta fecundidade, mas dependem de manejo pesqueiro.

População
Estável
Protegido por
false

Calendário

Reprodução (desova)JFMAMJJASOND

Valor nutricional (100 g)

Energia (bonito fresco, cru)
~140 kcal / 100 g
Proteína
~23 g / 100 g
Gordura total
~5 g / 100 g
Ômega-3 (EPA+DHA)
~1,0 a 1,5 g / 100 g
Observação
Valores aproximados; variam por espécie e época. Consumir bem refrigerado para evitar histamina.

Vida útil

Na natureza
8 a 12 anos, com crescimento rápido no primeiro ano
Maturidade sexual
1 a 2 anos, com 40 a 45 cm

Reprodução

Tipo de reprodução
Ovípara com fecundação externa
Tipo de desova
Pelágica e parcelada, com ovos à deriva
Época de desova no Brasil
Primavera e verão (outubro a março) em águas acima de 24 °C
Fecundidade
De 200 mil a mais de 1 milhão de ovos por temporada
Cuidado parental
Não há; ovos e larvas são planctônicos

Habitat

Ambientes

  • Oceano pelágico e costeiro
  • Mar aberto e entorno de ilhas oceânicas
  • Áreas de ressurgência e convergência de correntes

Biomas

  • Marinho pelágico tropical e subtropical
  • Zona costeira oceânica

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Peixes pelágicos pequenos (sardinha, manjuba, anchoveta)
  • Lulas e sépias

Outros alimentos

  • Crustáceos pelágicos
  • Larvas de peixes e ovos

Encontrado em 7 países

  • Brasil
  • Estados Unidos
  • Senegal
  • Espanha
  • Portugal
  • África do Sul
  • Japão

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Actinopterygii
Ordem
Scombriformes
Família
Scombridae
Gênero
Euthynnus / Katsuwonus / Sarda
Espécie
E. alletteratus / K. pelamis / S. sarda

Resumo

  • Bonito é o nome popular de peixes marinhos da família Scombridae, como Euthynnus alletteratus e Katsuwonus pelamis, muito comuns no Atlântico.
  • Vive em grandes cardumes pelágicos, é um predador veloz que se alimenta de peixes menores, lulas e crustáceos e faz longas migrações oceânicas.
  • Diferencia-se do atum pelo porte menor e pelas listras e pintas no ventre, e tem grande importância na pesca e na culinária, com carne escura e sabor marcante.

Características

Ficha da espécie

Nome científicoEuthynnus alletteratus (principal no Brasil; grupo inclui Katsuwonus pelamis e Sarda sarda)
FamíliaScombridae
OrigemOceano Atlântico (ocidental e oriental), incluindo litoral brasileiro
Tipo de águaSalgada - marinha pelágica
Tamanho60 a 90 cm, podendo chegar a 100 cm e 12 a 16 kg
Coresazul-escuroprateadopretobranco
Expectativa de vida8 a 12 anos na natureza
AlimentaçãoCarnívora (peixes, lulas, crustáceos)
ReproduçãoOvípara com desova pelágica em águas quentes
VariedadesBonito-pintado, Bonito-listrado (skipjack), Bonito-do-Atlântico

Perfil e comportamento

Nível de atividadeMuito alto
Comportamento migratórioMuito alto
Vida em cardumeMuito alto
Exigência de habitat oceânicoMuito alto
Facilidade de criação em cativeiroMuito baixo
Adequação a aquáriosMuito baixo

O que é o peixe bonito e por que tanta confusão com atum

Bonito não é uma espécie única. É um nome popular que agrupa vários escombrídeos de porte médio, todos parentes próximos do atum verdadeiro (Thunnus). No Brasil, quando alguém diz “bonito”, geralmente está falando de um destes três: Euthynnus alletteratus (bonito-pintado), Katsuwonus pelamis (bonito-listrado ou skipjack) e Sarda sarda (bonito-do-Atlântico).

A confusão com atum é compreensível. O corpo é quase idêntico: fusiforme, hidrodinâmico e muito musculoso, feito para nadar sem parar. A diferença prática está no tamanho e nos detalhes da coloração. Enquanto atuns como a albacora passam de 1,5 m, bonitos raramente ultrapassam 1 m e pesam entre 6 e 16 kg na fase adulta.

Na nossa avaliação, tratar “bonito” como se fosse um peixe só atrapalha mais do que ajuda. Entender que é um complexo de espécies migratórias explica por que a carne, o tamanho e até as listras mudam tanto de um exemplar para outro.

Como identificar o bonito: características que não deixam dúvida

O corpo é alongado, robusto e em forma de torpedo, com pedúnculo caudal fino e nadadeira caudal em forma de meia-lua, típica de nadadores de alta velocidade. A pele não tem escamas grandes e aparentes, exceto no corselete próximo à cabeça e à linha lateral.

A coloração é o melhor guia de campo. O dorso é azul-escuro metálico a verde-escuro, com desenhos ondulados ou listras escuras acima da linha lateral. O ventre é prateado e claro. É ali que está a assinatura de cada espécie: o bonito-pintado tem pintas escuras entre as nadadeiras peitorais e ventrais, o bonito-listrado tem 4 a 6 listras longitudinais escuras bem nítidas na barriga e o bonito-do-Atlântico tem listras oblíquas no dorso.

Outros detalhes: boca grande com dentes pequenos e cônicos, olhos grandes, duas nadadeiras dorsais separadas e uma série de pínulas (pequenas nadadeiras) entre a dorsal/anal e a cauda. Se vir pínulas, é escombrídeo na certa.

Onde vive o bonito no Brasil e no mundo

É um peixe pelágico oceânico, ou seja, vive na coluna d’água em mar aberto, não junto ao fundo e não em recifes. Prefere águas tropicais e subtropicais quentes, entre 18 °C e 28 °C, e costuma ficar nos primeiros 50 a 150 metros de profundidade, onde há mais alimento.

No Atlântico Ocidental, ocorre de Massachusetts (EUA) até o sul do Brasil e norte da Argentina, sendo muito comum em todo o litoral brasileiro, de Amapá ao Rio Grande do Sul. É abundante em torno de ilhas oceânicas como Fernando de Noronha, Atol das Rocas e Trindade, e em áreas de ressurgência como Cabo Frio (RJ).

É altamente migratório. Cardumes percorrem centenas a milhares de quilômetros acompanhando massas de água quente e a migração de sardinhas e manjubas. Por isso a ocorrência é sazonal em muitos pontos da costa.

Comportamento: um predador veloz que só anda em grupo

Bonito é diurno, extremamente ativo e gregário. Forma cardumes que podem ter de dezenas a milhares de indivíduos, muitas vezes misturando espécies diferentes e até se associando a golfinhos e aves marinhas para caçar.

A estratégia de caça é de perseguição. Nada em alta velocidade, podendo atingir picos de 60 a 70 km/h em arrancadas curtas, e encurrala presas na superfície. É comum ver a água “ferver” quando um cardume ataca, com peixes saltando e aves mergulhando.

Como outros escombrídeos, precisa nadar constantemente para ventilar as brânquias e manter o metabolismo alto. Algumas espécies do grupo, como o bonito-listrado, têm capacidade de termorregulação parcial, mantendo músculos e vísceras mais quentes que a água, o que explica a resistência para migrações longas.

Alimentação na natureza: o que o bonito realmente caça

É carnívoro oportunista e voraz. A base da dieta são peixes pelágicos pequenos como sardinha, manjuba, anchoveta e filhotes de outros peixes, além de lulas e crustáceos pelágicos.

A proporção muda conforme a região e a época. Em áreas costeiras do Sudeste, sardinha-verdadeira (Sardinella brasiliensis) domina o conteúdo estomacal. Em alto-mar, lulas e peixes-voadores ganham importância.

Em cativeiro ou criação experimental, não aceita ração seca comum. Exige alimento fresco ou congelado de origem marinha, o que é um dos motivos pelos quais não é criado como peixe ornamental ou de aquicultura continental.

Reprodução e ciclo de vida

A reprodução é ovípara com desova pelágica parcelada. Fêmeas liberam centenas de milhares de ovos diretamente na água, que são fecundados pelos machos e ficam à deriva como plâncton. Uma fêmea grande de bonito-listrado pode liberar mais de 1 milhão de ovos por temporada.

No Brasil, o pico reprodutivo ocorre em águas quentes da primavera e verão, de outubro a março, quando a temperatura superficial passa de 24 °C. O crescimento é rápido: atinge maturidade sexual com 1 a 2 anos e cerca de 40 a 45 cm.

Larvas e juvenis são planctônicos e muito vulneráveis à predação. Os que sobrevivem crescem depressa e já com poucos meses formam pequenos cardumes. A expectativa de vida varia: bonito-pintado vive 8 a 10 anos, bonito-listrado até 12 anos.

Pesca, importância econômica e consumo humano

Bonito é um dos peixes mais pescados do mundo. O bonito-listrado (Katsuwonus pelamis) sozinho responde por mais de 50% de todo o atum enlatado global. No Brasil, é alvo de pesca artesanal, industrial de cerco e, sobretudo, pesca esportiva oceânica com isca natural e artificial.

A carne é vermelha-escura, firme e muito saborosa, porém mais forte e com mais sangue que a do atum branco. É rica em proteína, ômega-3, ferro e vitamina B12, mas estraga rápido se não for sangrada e resfriada logo após a captura. Por isso, pescadores experientes fazem a sangria ainda no barco.

Erro comum: achar que bonito é “atum de segunda”. Na culinária japonesa, o bonito-listrado seco (katsuobushi) é a base do dashi, um dos caldos mais importantes do mundo. No Brasil, vai bem grelhado, em moquecas, ceviches e como isca para pesca de marlim e dourado.

Estado de conservação e principais ameaças

A maioria das espécies chamadas de bonito está avaliada como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, justamente por ter ampla distribuição e alta fecundidade. Isso não significa ausência de risco.

As pressões são sobrepesca, captura incidental e mudanças na disponibilidade de sardinha por sobrepesca e aquecimento da água. Como são migradores, dependem de acordos internacionais de manejo, como os da ICCAT (Comissão Internacional para Conservação dos Atuns do Atlântico).

No Brasil, há defeso e limites de captura para algumas frotas e controle de tamanho mínimo. Para o pescador esportivo, a recomendação é praticar o pesque e solte quando não for consumir e respeitar cotas locais.

Diferença entre bonito, atum e cavala: como não errar mais

Os três são da mesma família, mas há atalhos visuais. Bonito: porte médio (até 1 m), ventre com pintas ou listras longitudinais bem marcadas, carne bem escura. Atum: porte grande (1,5 a 3 m em algumas espécies), ventre claro e uniforme sem pintas, carne vermelha mais clara. Cavala e cavalinha: corpo mais alongado e comprimido, listras verticais ou manchas no dorso, focinho mais pontudo.

Característica Bonito Atum Cavala
Tamanho adulto 60-100 cm 120-300 cm 40-70 cm
Marca no ventre Pintas ou listras escuras Claro e liso Claro, sem pintas
Dorso Listras onduladas escuras Azul-escuro uniforme Listras verticais ou manchas
Uso comum Enlatado, grelhado, isca Sashimi, steak, enlatado premium Frito, escabeche

Se ainda ficar na dúvida, olhe a barriga. Barriga com pintas = bonito-pintado. Barriga com listras longitudinais = bonito-listrado. Atum verdadeiro não tem nenhum dos dois.

Perguntas frequentes

Bonito é o mesmo que atum?

Não. São da mesma família (Scombridae), mas bonito é menor (até 1 m), tem pintas ou listras no ventre e carne mais escura. Atum verdadeiro (Thunnus) é maior e tem ventre claro e liso.

Qual o tamanho que o bonito chega?

A maioria dos adultos tem 60 a 90 cm e 6 a 12 kg. Exemplares grandes de bonito-listrado e bonito-pintado podem chegar a 100 cm e 15 a 16 kg.

Bonito pode ser criado em aquário?

Não. É um peixe pelágico, migrador e de alta velocidade que precisa de mar aberto e vive em grandes cardumes. Não se adapta a aquários, nem mesmo de grande porte.

Onde pescar bonito no Brasil?

Em todo o litoral, mas é mais abundante em alto-mar e no entorno de ilhas oceânicas, lajes e áreas de ressurgência como Cabo Frio (RJ), Santos (SP) e Fernando de Noronha.

Carne de bonito é boa para comer?

Sim, é firme, rica em proteína e ômega-3, ótima grelhada, em moqueca ou ceviche. Precisa ser sangrada e bem refrigerada logo após a pesca para não ficar com sabor muito forte.

Bonito está ameaçado de extinção?

As três principais espécies são classificadas como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, mas sofrem pressão de sobrepesca e dependem de manejo internacional para continuar abundantes.

Como diferenciar bonito-pintado de bonito-listrado?

Olhe o ventre: bonito-pintado (Euthynnus alletteratus) tem pintas escuras entre as nadadeiras peitorais e ventrais; bonito-listrado (Katsuwonus pelamis) tem 4 a 6 listras longitudinais escuras contínuas na barriga.

Você sabia?

1

O "atum" enlatado que você come é bonito

No Brasil e no mundo, a maioria das latas rotuladas como atum é na verdade bonito-listrado (Katsuwonus pelamis), que é mais abundante e tem carne mais escura que o atum verdadeiro.

2

Salta como golfinho para caçar

Em ataques na superfície, cardumes de bonito fazem sardinhas saltarem fora d'água e, logo depois, saltam atrás delas, chegando a se projetar totalmente acima da linha d'água.

3

Tem sangue quente parcial

Assim como os atuns, bonitos conseguem manter músculos e estômago até 10 °C acima da temperatura da água por meio de um sistema de troca de calor, o que lhes dá mais velocidade e resistência.

4

Katsuobushi: o peixe mais duro do mundo

No Japão, o bonito-listrado é fermentado, defumado e seco até virar um bloco duro como madeira, raspado em lascas finíssimas para fazer o caldo dashi. Um bloco pode levar meses para ficar pronto.

Fontes

  1. FishBase - Euthynnus alletteratus / Katsuwonus pelamis
  2. FAO - Species Fact Sheets (Scombridae)
  3. ICMBio / IUCN Red List

Prós e contras: Bonito

Prós

  • Crescimento rápido e alta fecundidade, o que mantém estoques abundantes
  • Carne rica em proteína, ômega-3 e ferro
  • Muito esportivo para pesca oceânica, com arrancadas velozes
  • Forma grandes cardumes, facilitando a localização no mar
  • Base importante da indústria de enlatados e da culinária japonesa (katsuobushi)

Contras

  • Carne escura estraga rápido se não for sangrada e refrigerada na hora
  • Sabor forte e mais sangue que atuns nobres, não agrada a todos
  • Não pode ser mantido em aquário ou criação doméstica
  • Depende de sardinhas e presas que também sofrem sobrepesca
  • Pode acumular histamina se mal conservado, causando intoxicação
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o bonito é o peixe oceânico mais subestimado do Brasil: abundante, esportivo e saboroso, mas ainda tratado como "atum inferior". Para quem pesca ou cozinha, vale aprender a identificar a espécie certa e a sangrar e resfriar imediatamente — é isso que separa uma carne forte e metálica de um filé excelente.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.