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Lambreta

Lucina pectinata (Gmelin, 1791) — sin. Phacoides pectinatus

Atualizado em

4 a 7 cm de conchaTamanho
20 a 50 g com conchaPeso
2 a 4 anosExpectativa de vida
Manguezais e areia lodosa entremarésHabitat
InofensivaPerigo para humanos
Lambreta Lucina pectinata sobre areia lodosa úmida na maré baixa mostrando concha branca circular

A lambreta é um molusco bivalve marinho de concha branca e espessa, muito comum em manguezais e bancos de areia lodosa do litoral brasileiro. O nome popular engloba principalmente espécies da família Lucinidae, sendo Lucina pectinata a mais citada no Brasil.

Diferente da maioria dos bivalves, ela quase não filtra água para se alimentar: mantém bactérias sulfuroxidantes nas brânquias que convertem sulfeto do sedimento em energia. Vive enterrada a poucos centímetros de profundidade e só aparece quando é coletada na maré baixa.

É inofensiva, comestível e de grande importância para comunidades costeiras, mas é facilmente confundida com berbigão e sarnambi. Entender as diferenças evita coleta errada e consumo de exemplares de áreas poluídas.

Também conhecido como: Lambreta-branca, Sarnambi (no Nordeste), Concha-branca, Buttercup lucine (inglês), Phacoides pectinatus (sinônimo antigo)

Faz parte de: Animais Marinhos do Brasil, Polvos, Lulas e Moluscos

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Galeria de fotos de Lambreta

Lambreta Lucina pectinata sobre areia lodosa úmida na maré baixa mostrando concha branca circular
Lambreta adulta sobre banco areno-lodoso exposto na maré baixa.
Close da concha branca da lambreta com costelas radiais e lamelas concêntricas
Detalhe da concha espessa e das costelas radiais características.
Lambreta semienterrada na lama de manguezal com tubo de inalação visível
Posição natural enterrada na lama de manguezal.
Interior branco porcelanado da concha da lambreta com borda crenulada
Interior branco brilhante e borda interna crenulada.
Lambretas juvenis pequenas ao lado de concha adulta para comparação de tamanho
Juvenis de 2 a 3 cm ao lado de exemplar adulto.
Coleta artesanal de lambretas na maré baixa em estuário com as conchas na lama
Coleta artesanal tradicional em banco estuarino na maré baixa.

Perfil rápido de Lambreta

Estado de conservação

NE
Não Avaliada

Ainda não avaliada pela IUCN; pressões locais por poluição e coleta existem.

População
Desconhecida
Protegido por
Em áreas de manguezal protegidas por lei no Brasil

Calendário

Reprodução (pico)JFMAMJJASOND
Coleta artesanal (maré baixa)JFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
2 a 4 anos
Em cultivo
Não há cultivo comercial estabelecido no Brasil

Reprodução

Tipo de reprodução
Sexuada, dioica com fecundação externa
Fecundação
Externa na água, liberação sincronizada de gametas
Desenvolvimento
Larva véliger planctônica por 1 a 3 semanas antes do assentamento
Idade de maturidade
Menos de 1 ano, com 2 a 3 cm de concha
Sazonalidade no Brasil
Reprodução o ano todo, com pico nos meses quentes e chuvosos

Habitat

Ambientes

  • Bancos areno-lodosos entremarés
  • Margens de manguezais e estuários
  • Praias abrigadas com vasa orgânica
  • Infralitoral raso até 20 m

Biomas

  • Manguezal
  • Estuário
  • Zona entremarés

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Nutrientes de bactérias simbiontes sulfuroxidantes

Outros alimentos

  • Partículas orgânicas em suspensão
  • Microalgas capturadas por filtração reduzida

Encontrado em 8 países

  • Brasil
  • Estados Unidos
  • México
  • Cuba
  • Jamaica
  • Venezuela
  • Colômbia
  • Panamá

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Mollusca
Classe
Bivalvia
Ordem
Lucinida
Família
Lucinidae
Gênero
Lucina
Espécie
Lucina pectinata

Resumo

  • A lambreta é um bivalve branco de 4 a 7 cm que vive enterrado em areia lodosa e manguezais do Atlântico ocidental, do Caribe ao sul do Brasil.
  • Sua principal singularidade é a simbiose com bactérias que oxidam enxofre nas brânquias, o que a torna independente da filtração intensa de outros mariscos.
  • É inofensiva para humanos, coletada artesanalmente na maré baixa e ainda não avaliada pela IUCN, mas sofre com poluição, aterros e coleta excessiva.

Características

Ficha da espécie

GrupoMolusco bivalve
OrdemLucinida
FamíliaLucinidae
Origem e distribuiçãoAtlântico ocidental, da Carolina do Norte (EUA) e Caribe ao Brasil (do Pará a Santa Catarina)
Tamanho4 a 7 cm de comprimento de concha, até 8 cm em exemplares grandes
Peso20 a 50 g com concha
Coresbrancocremebranco-acinzentado
Profundidade0 a 20 m, principalmente no entremarés (0 a 2 m)
HabitatAreia lodosa, bancos areno-lodosos, margens de manguezal e estuários
AlimentaçãoNutrição via bactérias simbiontes sulfuroxidantes e filtração reduzida de partículas
ReproduçãoDioica, fecundação externa na água, larva véliger planctônica
Expectativa de vida2 a 4 anos
Estado de conservaçãoNão Avaliada (NE) pela IUCN

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
SociabilidadeBaixo
InteligênciaMuito baixo
VelocidadeMuito baixo
Capacidade de migraçãoMuito baixo
Importância para o ecossistema marinhoAlto

Como identificar a lambreta de verdade

A lambreta mais comum no Brasil, Lucina pectinata, tem concha branca, espessa e quase circular, com 4 a 7 cm. A superfície mostra costelas radiais bem marcadas e lamelas concêntricas, que dão textura áspera ao toque.

Por dentro, a concha é branca porcelanada e brilhante, sem manchas roxas ou amarelas. O umbo (bico da concha) é central e pouco saliente, e o ligamento externo é escuro e alongado. Essa combinação já separa a lambreta de berbigões amarelados.

  • Formato: orbicular, levemente mais largo que alto, valvas iguais e bem infladas.
  • Borda: crenulada internamente, como pequenos dentinhos.
  • Peso: concha pesada para o tamanho, não quebradiça como a de outros bivalves finos.
  • Animal vivo: pé branco-rosado forte e brânquias muito grandes, onde ficam as bactérias simbiontes.

Onde vive no Brasil e em que profundidade

A lambreta ocorre em todo o Atlântico ocidental, do sudeste dos Estados Unidos e Caribe até o sul do Brasil, com registros do Pará a Santa Catarina. É mais abundante no Nordeste e Sudeste, em estuários protegidos.

Vive no entremarés e infralitoral raso, de 0 a 20 m, mas o grosso da população fica entre 0 e 2 m, onde a maré baixa expõe o banco. Prefere areia lodosa, vasa com matéria orgânica e bordas de manguezal, sempre em sedimento com sulfeto.

Fica enterrada de 5 a 15 cm abaixo da superfície, na vertical, com a parte posterior voltada para cima. Não forma recifes e não se fixa em pedras: precisa de sedimento fofo para escavar com o pé.

O que come e por que não filtra como outros bivalves

A grande particularidade da lambreta é a quimiossimbiose. Suas brânquias abrigam bactérias sulfuroxidantes que convertem sulfeto de hidrogênio do sedimento em compostos orgânicos. O bivalve absorve esses nutrientes diretamente.

Por isso, o sistema digestivo é reduzido e a filtração é secundária. Ela ainda captura partículas, mas depende muito menos do fitoplâncton que mariscos e ostras. Essa estratégia permite viver em locais pobres em alimento suspenso e ricos em sulfeto, onde outros bivalves não prosperam.

Em aquários e no ambiente, observa-se que a lambreta quase não abre as valvas para bombear água. Ela mantém um tubo mucoso de inalação até a superfície do sedimento para trazer água com oxigênio e sulfeto para as bactérias.

Reprodução e ciclo de vida na areia

A lambreta é dioica, com machos e fêmeas separados, sem dimorfismo externo visível. A fecundação é externa na água: os gametas são liberados de forma sincronizada, geralmente em marés de sizígia.

Os ovos dão origem a larva véliger planctônica, que fica de 1 a 3 semanas na coluna d’água antes de assentar. Ao encontrar sedimento lodoso adequado, a pós-larva já com 0,3 mm escava e inicia a colonização por bactérias simbiontes, que são adquiridas do ambiente, não herdadas.

O crescimento é rápido no primeiro ano e desacelera depois. A maturidade chega com 2 a 3 cm, em menos de um ano, e a vida total raramente passa de 4 anos. Não há cuidado parental.

Comportamento: enterrada, imóvel e cheia de parceiras invisíveis

A lambreta é séssil e pouco móvel. Depois de enterrada, desloca-se apenas alguns centímetros se perturbada. Não nada, não rasteja longas distâncias e não migra.

Seu comportamento é todo voltado a manter as bactérias vivas: alterna fluxos de água oxigenada e água rica em sulfeto. Possui hemoglobina especial nas brânquias que transporta sulfeto sem se intoxicar, algo raro entre bivalves.

Em bancos naturais, pode ocorrer em densidades de dezenas por metro quadrado, mas cada indivíduo vive isolado no seu buraco. Não tem comportamento social nem defesa ativa além de fechar forte as valvas.

A lambreta é perigosa para humanos?

Não. A lambreta não morde, não tem veneno, espinhos ou toxina própria. O risco real é sanitário, como em todo marisco de estuário: se coletada em área poluída por esgoto, metais pesados ou maré vermelha, pode acumular bactérias e toxinas.

Por viver em sedimento sulfídrico, a carne pode ter cheiro leve de enxofre quando crua, que some no cozimento. Nunca consuma lambretas de áreas com aviso de contaminação, de mangues próximos a portos ou com água escura e espuma.

Para coleta segura, observe a legislação local e respeite tamanhos mínimos quando houver. Lave bem em água corrente e cozinhe até as valvas abrirem completamente.

Diferença entre lambreta, berbigão, sarnambi e marisco

Esses nomes se misturam no litoral, mas são animais diferentes. Confundir leva a coleta de espécie errada e a frustração no preparo, pois texturas e tempos de cozimento mudam.

Nome popular Espécie mais comum Concha Habitat típico
Lambreta Lucina pectinata Branca, espessa, circular, costelas radiais fortes Areia lodosa e manguezal, enterrada fundo
Berbigão Anomalocardia flexuosa Triangular, amarelada a acinzentada, mais leve Areia fina de praias estuarinas, mais raso
Sarnambi Vários Lucinidae e Veneridae Nome genérico, muitas vezes sinônimo de lambreta no Nordeste Varia conforme a região
Marisco Brachidontes ou Perna perna Alongada, escura, fixa em pedras Costão rochoso, não enterrado

Na nossa avaliação, a forma mais prática de separar é: se é branca, pesada e bem redonda com costelas ásperas, é lambreta; se é amarelada e triangular, é berbigão.

Ameaças, coleta e estado de conservação

A lambreta ainda é Não Avaliada pela IUCN, mas a pressão é local e visível. As principais ameaças são aterro de manguezais, poluição por esgoto e óleo, dragagem e coleta excessiva sem defeso.

A coleta é artesanal, feita à mão ou com colher na maré baixa, e sustenta famílias no Norte e Nordeste. Quando o banco é revolvido sem descanso, a população demora a se recuperar porque a larva precisa de sedimento estável e de bactérias livres no ambiente.

Não há criação comercial em larga escala no Brasil. A conservação depende de manejo comunitário, rodízio de bancos, respeito a áreas de mangue protegidas e saneamento básico. Evite comprar lambretas muito pequenas (abaixo de 3 cm) e de origem desconhecida.

Curiosidades que pouca gente sabe

A lambreta foi por muito tempo chamada de Phacoides pectinatus nos livros antigos. A mudança para Lucina reflete revisões taxonômicas da família Lucinidae, que reúne mais de 400 espécies no mundo.

Por causa da simbiose, a lambreta tem brânquias até 10 vezes maiores que as de um bivalve filtrador do mesmo tamanho. É um dos poucos animais que pode ser considerado um “fazendeiro de bactérias”.

Arqueólogos encontram conchas de lambreta em sambaquis do litoral brasileiro com mais de 3.000 anos, mostrando uso alimentar desde povos pré-coloniais. Em algumas comunidades, a concha grossa era usada como colher e adorno.

Perguntas frequentes

Lambreta é o mesmo que berbigão?

Não. A lambreta (Lucina pectinata) tem concha branca, espessa e circular com costelas radiais; o berbigão (Anomalocardia flexuosa) tem concha triangular, mais leve e amarelada.

Lambreta tem veneno ou é perigosa?

Não tem veneno e não ataca. O único risco é sanitário se for coletada em água poluída, pois pode acumular bactérias e metais.

Onde encontrar lambreta no Brasil?

Em bancos de areia lodosa e bordas de manguezal, do Pará a Santa Catarina, mais comum no Nordeste e Sudeste, sempre enterrada no entremarés.

Como a lambreta se alimenta?

Principalmente via bactérias simbiontes nas brânquias que transformam sulfeto em alimento; a filtração de plâncton é secundária.

Pode coletar lambreta na praia?

A coleta artesanal na maré baixa é tradicional, mas respeite áreas protegidas, tamanhos mínimos locais e evite bancos com esgoto ou óleo.

Quanto tempo vive uma lambreta?

Em média 2 a 4 anos na natureza, com maturidade em menos de um ano quando atinge 2 a 3 cm.

Lambreta é criada em cativeiro?

Não há cultivo comercial consolidado no Brasil; quase toda a oferta vem do extrativismo artesanal.

Você sabia?

1

Fazenda de bactérias

A lambreta não vive de filtrar plâncton: ela cultiva bactérias sulfuroxidantes nas brânquias e se alimenta do que elas produzem a partir do sulfeto da lama.

2

Hemoglobina que carrega veneno

Suas brânquias têm uma hemoglobina especial que transporta sulfeto de hidrogênio — gás tóxico para a maioria dos animais — sem se intoxicar.

3

Nome que muda nos livros

Muita bibliografia ainda a lista como Phacoides pectinatus; Lucina pectinata é o nome aceito hoje pelo WoRMS, mas são a mesma espécie.

4

Sambaquis lotados dela

Conchas de lambreta aparecem em sambaquis de 3 mil anos no litoral brasileiro, prova de que já era marisco tradicional muito antes da colonização.

Fontes

  1. WoRMS - World Register of Marine Species
  2. SeaLifeBase / FishBase
  3. IUCN Red List
  4. ICMBio - Instituto Chico Mendes

Prós e contras: Lambreta

Prós

  • Inofensiva e sem veneno
  • Indicadora de manguezal saudável
  • Importante para renda de comunidades costeiras
  • Biologia singular com simbiose bacteriana
  • Concha resistente e fácil de identificar quando se conhece o padrão

Contras

  • Confundida com berbigão e outras espécies
  • Pode acumular poluentes se a água estiver contaminada
  • Populações locais caem com aterro e poluição
  • Sem avaliação formal de risco pela IUCN
  • Sem manejo padronizado em muitos estados
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a lambreta é o bivalve mais subestimado do litoral brasileiro: discreta na lama, mas com uma biologia de simbiose mais sofisticada que a de ostras famosas. Vale mais como indicadora de manguezal saudável do que como marisco de volume — onde ela abunda, o ecossistema ainda funciona.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.