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Golfinho-de-risso

Grampus griseus

Atualizado em

2,6 a 4 mTamanho
300 a 500 kgPeso
30 a 35 anosExpectativa de vida
Oceânico profundo, talude continentalHabitat
Baixo, não agressivoPerigo para humanos
Golfinho-de-risso adulto nadando de corpo inteiro em água azul profunda

O golfinho-de-risso (Grampus griseus) é um mamífero marinho de corpo robusto e cabeça arredondada, famoso pelas inúmeras cicatrizes brancas que cobrem a pele cinza dos adultos. É o único representante do gênero Grampus e um dos golfinhos mais fáceis de reconhecer no mar quando adulto, justamente por não ter bico alongado.

Vive em águas profundas e quentes ao redor do mundo, prefere o talude continental e se alimenta quase exclusivamente de lulas. Apesar do tamanho grande para um golfinho, é discreto, raramente faz acrobacias e passa muito tempo socializando na superfície.

Também conhecido como: Golfinho-de-risso, Golfinho-cinzento, Grampus, Risso's dolphin (inglês), Dauphin de Risso (francês), Delfín de Risso (espanhol)

Faz parte de: Animais de Águas Profundas, Animais Marinhos do Brasil, Baleias e Golfinhos

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Galeria de fotos de Golfinho-de-risso

Golfinho-de-risso adulto nadando de corpo inteiro em água azul profunda
Adulto com corpo robusto, cabeça quadrada sem bico e pele marcada por cicatrizes.
Close da cabeça do golfinho-de-risso mostrando sulco frontal e olho
Detalhe da cabeça sem bico e do sulco característico no melão.
Detalhe da pele cicatrizada do golfinho-de-risso
Cicatrizes brancas que se acumulam ao longo da vida e deixam o animal mais claro.
Golfinho-de-risso em habitat oceânico profundo sobre o talude continental
Habitat típico em águas profundas longe da costa.
Golfinho-de-risso caçando lula em profundidade
Caça noturna a lulas com mergulhos de até 600 metros.
Filhote de golfinho-de-risso com pele lisa e escura ao lado da mãe
Filhote ainda liso e escuro, sem as cicatrizes dos adultos.
Grupo de golfinhos-de-risso socializando na superfície
Grupo social típico, com indivíduos de diferentes idades.

Perfil rápido de Golfinho-de-risso

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

População global grande e amplamente distribuída, sem declínio comprovado em escala global.

População
Desconhecida
Protegido por
Sim, protegido por lei no Brasil e por acordos internacionais como CMS

Calendário

Reprodução e nascimentosJFMAMJJASOND
Maior chance de avistagem no Sudeste do BrasilJFMAMJJASOND
Movimentos para águas mais quentesJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
30 a 35 anos, fêmeas vivem um pouco mais que machos
Em cativeiro
Raro em aquários, adaptação pobre e vida mais curta; não recomendado

Reprodução

Maturidade sexual
Fêmeas 8-10 anos, machos 10-12 anos
Gestação
13 a 14 meses
Filhotes por gestação
1 filhote, raramente gêmeos
Intervalo entre crias
2 a 4 anos
Amamentação
12 a 24 meses
Época de nascimentos
Pico no verão, mas pode ocorrer o ano todo em águas quentes

Habitat

Ambientes

  • Oceano aberto e talude continental
  • Águas profundas de 200 a 1.000 m
  • Evita estuários e águas costeiras rasas

Biomas

  • Marinho pelágico
  • Zona oceânica subtropical e temperada

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Lulas oceânicas (Ommastrephidae, Loliginidae)

Outros alimentos

  • Polvos
  • Peixes mesopelágicos
  • Crustáceos em menor proporção

Encontrado em 12 países

  • Brasil
  • Estados Unidos
  • Portugal
  • Espanha
  • Japão
  • Austrália
  • África do Sul
  • México
  • Itália
  • Chile
  • Nova Zelândia
  • Grécia

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Mammalia
Ordem
Artiodactyla
Família
Delphinidae
Gênero
Grampus
Espécie
Grampus griseus

Resumo

  • O golfinho-de-risso é um golfinho grande sem bico, de cabeça quadrada e corpo coberto de cicatrizes brancas que aumentam com a idade.
  • Vive em todos os oceanos tropicais e temperados, prefere águas profundas de 200 a 1.000 metros e se alimenta principalmente de lulas durante mergulhos noturnos.
  • É sociável, inteligente e não oferece perigo para humanos, mas sofre com captura acidental, poluição sonora e plásticos e é classificado como Pouco Preocupante pela IUCN.

Características

Ficha da espécie

GrupoMamífero
OrdemArtiodactyla (Cetacea)
FamíliaDelphinidae
Origem e distribuiçãoCosmopolita em águas tropicais e temperadas, entre 60°N e 60°S
Tamanho2,6 a 4 m (fêmeas menores que machos)
Peso300 a 500 kg, até 600 kg em machos grandes
Corescinza-escurocinza-clarobranco (cicatrizes)
ProfundidadePrefere 200 a 1.000 m, mergulha até 600 m
HabitatOceânico e de talude continental, evita águas costeiras rasas
AlimentaçãoCarnívora, teutófaga (lulas)
ReproduçãoVivípara, 1 filhote a cada 2 a 3 anos
Expectativa de vida30 a 35 anos na natureza
Estado de conservaçãoPouco Preocupante (LC) - IUCN

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
SociabilidadeAlto
InteligênciaMuito alto
VelocidadeMédio
Capacidade de migraçãoBaixo
Importância para o ecossistema marinhoAlto

Como identificar o golfinho-de-risso sem confundir

O adulto é inconfundível quando visto de perto. Tem cabeça grande, quadrada e sem bico, com um sulco vertical bem marcado no melão, a estrutura de gordura da testa. A nadadeira dorsal é alta, falcada e localizada no meio do dorso.

O que mais chama atenção são as cicatrizes brancas lineares que cobrem quase todo o corpo. Filhotes nascem cinza-acastanhados e lisos. Com a idade, mordidas de outros golfinhos-de-risso, de lulas e de parasitas deixam marcas que não somem.

Animais muito velhos podem ficar quase totalmente brancos. Essa despigmentação progressiva é única entre os golfinhos oceânicos e permite estimar a idade relativa no campo.

Dentes e outros detalhes que entregam a espécie

Ao contrário da maioria dos golfinhos, o golfinho-de-risso tem apenas 2 a 7 pares de dentes na mandíbula inferior e nenhum na superior. Os dentes são grossos e usados para segurar lulas escorregadias.

O corpo é robusto, com peito largo e nadadeiras peitorais longas e pontudas. Machos adultos chegam a 4 metros e 500 kg, fêmeas ficam entre 2,6 e 3,3 metros.

  • Sem bico: perfil da cabeça arredondado, diferente do golfinho-nariz-de-garrafa.
  • Sulco frontal: fenda vertical no melão, visível mesmo à distância.
  • Coloração: cinza que clareia com a idade, nunca com manchas em capa ou listras.

Onde vive: oceano profundo e talude continental

É uma espécie cosmopolita de águas quentes e temperadas, presente nos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico, além do Mediterrâneo. No Brasil ocorre em toda a costa oceânica, mas é mais avistado no Sudeste e Sul, onde o talude é mais próximo.

Prefere profundidades de 200 a 1.000 metros, na borda da plataforma continental. Evita águas costeiras rasas e baías, ao contrário de espécies costeiras. Avistagens perto da praia são raras e geralmente ligadas a animais doentes ou desorientados.

Não faz migrações longas como as baleias. Faz movimentos sazonais curtos, seguindo lulas e águas mais quentes. No Mediterrâneo e no Pacífico norte, aproxima-se um pouco mais da costa no verão.

O que come e como caça lulas no escuro

A dieta é altamente especializada em cefalópodes, sobretudo lulas oceânicas das famílias Ommastrephidae e Loliginidae. Polvos e pequenos peixes são complementos ocasionais, mas representam menos de 10% do conteúdo estomacal na maioria dos estudos.

Caça principalmente à noite e em profundidade. Usa a ecolocalização para encontrar presas a 300-600 metros e faz mergulhos de 5 a 10 minutos. A ausência de dentes superiores ajuda a criar sucção para engolir a lula inteira.

Essa preferência por lulas explica por que vive longe da costa. As maiores concentrações de lulas estão justamente sobre o talude, onde a água profunda sobe e traz nutrientes.

Comportamento social e inteligência

Vive em grupos de 10 a 50 indivíduos, separados por idade e sexo. Grupos de mães com filhotes, grupos de machos jovens e grupos de adultos mais velhos são comuns. Agregações de centenas podem se formar em áreas ricas em alimento.

É menos acrobático que outros golfinhos. Raramente salta alto ou surfa na proa de barcos. Seu comportamento de superfície mais típico é o spy-hopping (erguer a cabeça), tapas com a cauda e natação lenta em contato corporal.

Como todo delfinídeo, tem alta inteligência, sistema social complexo e comunicação por assobios e cliques. Estudos no Mediterrâneo mostram fidelidade a áreas de alimentação por anos e hierarquia social baseada em cicatrizes e idade.

Como as cicatrizes contam a história do animal

As marcas brancas vêm de três fontes: dentes de outros golfinhos-de-risso durante disputas, ventosas de lulas e mordidas de tubarão-charuto. Machos têm mais cicatrizes que fêmeas por interações agonísticas.

Pesquisadores usam o padrão de cicatrizes como impressão digital para foto-identificação. Nenhum outro golfinho tem um sistema tão eficiente de identificação individual sem captura.

Reprodução e ciclo de vida

A maturidade sexual chega entre 8 e 10 anos para fêmeas e 10 a 12 anos para machos. O acasalamento é promíscuo e não forma pares fixos. A gestação dura cerca de 13 a 14 meses.

Nasce um único filhote de 1,2 a 1,6 metro e cerca de 20 kg. A amamentação dura de 12 a 24 meses e o intervalo entre crias é de 2 a 4 anos. Fêmeas cuidam dos filhotes em grupos-berçário, longe dos machos adultos.

Filhotes são cinza-escuros com nadadeiras mais claras e sem cicatrizes. A coloração só começa a clarear após os primeiros anos, quando as interações sociais aumentam.

É perigoso para humanos?

Não. O golfinho-de-risso não é perigoso para humanos. Não há registros de ataques não provocados. É arisco e mantém distância de mergulhadores e nadadores.

Como todo animal selvagem grande, pode reagir se for encurralado, perseguido ou se houver tentativa de toque. A força da cauda e o peso podem causar ferimentos acidentais, mas isso é defesa, não agressão.

O risco real é inverso: humanos são perigosos para ele. Colisões com embarcações, captura acidental em redes e poluição sonora são as principais causas de morte ligadas à atividade humana.

Ameaças e estado de conservação

A IUCN classifica o golfinho-de-risso como Pouco Preocupante (LC), com população global estimada em centenas de milhares. A tendência é considerada desconhecida por falta de censos em alto-mar.

As ameaças mais documentadas são captura incidental em redes de emalhe e espinhel pelágico, contaminação por metais pesados e organoclorados, ingestão de plástico e ruído de sonares e tráfego intenso. No Japão e em algumas ilhas do Pacífico houve caça dirigida no passado.

No Brasil, é protegido por lei e consta nos planos de ação para mamíferos aquáticos do ICMBio. Encalhes são monitorados pela Rede de Encalhes de Mamíferos Aquáticos do Brasil (REMAB).

Característica Golfinho-de-risso Golfinho-nariz-de-garrafa
Bico Ausente, cabeça quadrada Longo e bem definido
Dentes 2 a 7 pares só embaixo 20 a 26 pares em cima e embaixo
Cicatrizes Muitas, corpo fica branco Poucas, pele lisa cinza
Habitat Oceânico profundo Costeiro e oceânico
Dieta Quase só lulas Peixes e lulas variados

Onde observar com responsabilidade no Brasil e no mundo

No Brasil, as melhores chances são em saídas pelágicas a partir de Arraial do Cabo (RJ), Ilhabela (SP), Florianópolis (SC) e Fernando de Noronha (PE), sempre com embarcações que ultrapassam a quebra da plataforma. Avistagens ocorrem o ano todo, com pico na primavera e verão.

No exterior, é visto com regularidade nos Açores, Monterey Bay na Califórnia, Estreito de Gibraltar e ao largo do Sri Lanka. Operadores sérios seguem regras de distância mínima de 100 metros e não perseguem o grupo.

Para observação responsável: nunca tente alimentar, tocar ou nadar com o animal, mantenha o motor em neutro se ele se aproximar, não intercepte a trajetória do grupo e limite o tempo de permanência a 30 minutos. Fotos da nadadeira dorsal e das cicatrizes ajudam projetos de ciência cidadã.

Curiosidades que pouca gente sabe

O nome homenageia Antoine Risso, naturalista de Nice que descreveu o primeiro exemplar em 1812 a partir de um animal encalhado. Por décadas foi confundido com baleia-piloto por causa do tamanho.

É um dos poucos golfinhos que dorme com apenas metade do cérebro enquanto continua a respirar conscientemente e a manter o grupo coeso. Durante o sono, nada lentamente em círculos próximo à superfície.

Apesar do porte, seu cérebro tem proporção maior que o de muitos primatas e apresenta giros corticais complexos ligados à ecolocalização e à vida social.

Perguntas frequentes

Golfinho-de-risso tem bico?

Não. Ele tem cabeça quadrada e arredondada, com um sulco vertical no melão e sem bico alongado, o que o diferencia do golfinho-nariz-de-garrafa.

Por que o golfinho-de-risso é todo riscado de branco?

As linhas brancas são cicatrizes de dentes de outros golfinhos, ventosas de lulas e mordidas de parasitas. Elas se acumulam com a idade e deixam adultos velhos quase brancos.

Onde o golfinho-de-risso vive no Brasil?

Em águas oceânicas profundas ao longo de toda a costa, principalmente sobre o talude continental. É mais visto no Sudeste e Sul, em passeios que se afastam bem da costa.

O que o golfinho-de-risso come?

Quase exclusivamente lulas oceânicas, caçadas à noite em mergulhos de até 600 metros. Peixes e polvos são complementos raros.

Golfinho-de-risso é perigoso?

Não. É arisco, evita contato e não há registros de ataques a humanos. O perigo é para ele, por redes de pesca, colisões e poluição sonora.

Qual o tamanho do golfinho-de-risso?

Adultos medem de 2,6 a 4 metros e pesam de 300 a 500 kg, com machos maiores que fêmeas. Filhotes nascem com 1,2 a 1,6 metro.

Quanto tempo vive o golfinho-de-risso?

De 30 a 35 anos na natureza. Fêmeas tendem a viver um pouco mais e podem se reproduzir até os 30 anos.

Você sabia?

1

O golfinho que fica branco com a idade

Filhotes nascem cinza-escuros e lisos. A cada interação social e caça a lulas, ganham cicatrizes que não pigmentam de novo. Machos velhos podem ter mais de 90% do corpo branco, o que permite estimar idade sem capturar.

2

Só tem dentes embaixo

Tem de 2 a 7 pares de dentes apenas na mandíbula inferior e nenhum em cima. Ele não mastiga: usa a língua e a garganta para sugar a lula inteira, como um polvo ao contrário.

3

Mergulhador noturno

Prefere caçar à noite, quando as lulas sobem para águas mais rasas. Mergulhos de até 600 metros por 10 minutos são registrados por transmissores, muito mais profundos que a maioria dos golfinhos costeiros.

4

Confundido com orca por pescadores

Pelo tamanho e pela cabeça arredondada, pescadores antigos chamavam de falso-piloto. No Mediterrâneo, grupos mistos de golfinho-de-risso e baleia-piloto são comuns e já geraram relatos de hibridização confundida.

Fontes

  1. IUCN Red List - Grampus griseus
  2. NOAA Fisheries - Risso's Dolphin
  3. ICMBio - Mamíferos Aquáticos do Brasil
  4. WoRMS - World Register of Marine Species

Prós e contras: Golfinho-de-risso

Prós

  • Fácil de identificar quando adulto pelas cicatrizes e cabeça sem bico
  • Inteligente e social, com comportamento complexo interessante de observar
  • Amplamente distribuído, com chances de avistagem em saídas pelágicas
  • Não oferece risco para humanos e evita conflito
  • Bom indicador de saúde do ecossistema de talude e de lulas oceânicas

Contras

  • Difícil de ver sem embarcação oceânica, raramente aparece na costa
  • Vulnerável a captura acidental em redes e a poluição sonora
  • Pouco acrobático, frustra quem espera saltos como de outros golfinhos
  • População pouco estudada no Brasil, dados de abundância são escassos
  • Sensível a aproximação excessiva de barcos, exige turismo muito responsável
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o golfinho-de-risso é o golfinho mais subestimado do Brasil: grande, inteligente e fácil de identificar quando adulto, mas quase invisível para quem só olha a costa. Vale mais a pena investir em saídas pelágicas responsáveis para vê-lo do que esperar encontros rasos que nunca virão.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.