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Golfinho-de-heaviside

Cephalorhynchus heavisidii

Atualizado em

1,2 a 1,7 mTamanho
60 a 90 kgPeso
20 a 26 anosExpectativa de vida
Costa rasa do Atlântico sudoesteHabitat
InexistentePerigo para humanos
Golfinho-de-heaviside nadando de lado em água costeira rasa

O golfinho-de-heaviside é um dos menores golfinhos do mundo e o único do gênero Cephalorhynchus no Atlântico. Com até 1,7 m, corpo tricolor e cabeça sem bico, vive colado à costa fria da Corrente de Benguela, entre o sul de Angola e a Cidade do Cabo.

Discreto e extremamente rápido, raramente é visto em grandes grupos e quase não migra. Usa cliques de altíssima frequência inaudíveis para orcas, salta na vertical e surfa na proa de barcos, mas desaparece em segundos. É um especialista de águas rasas que quase nunca se afasta mais de 10 km da costa.

Também conhecido como: Golfinho-de-heaviside, Toninha-de-heaviside, Heaviside's dolphin, Haviside's dolphin

Faz parte de: Baleias e Golfinhos

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Galeria de fotos de Golfinho-de-heaviside

Golfinho-de-heaviside nadando de lado em água costeira rasa
Golfinho-de-heaviside em vista lateral, com padrão tricolor e cabeça sem bico.
Close-up da cabeça e olho do golfinho-de-heaviside
Detalhe da cabeça arredondada e olho do golfinho-de-heaviside.
Detalhe da pele e padrão de cores do golfinho-de-heaviside
Textura e limite nítido entre dorso preto e ventre branco.
Golfinho-de-heaviside em seu habitat costeiro raso na Corrente de Benguela
Habitat típico em águas frias e rasas da costa sudoeste africana.
Golfinho-de-heaviside caçando peixes perto do fundo
Caça a peixes demersais com ecolocalização de alta frequência.
Grupo de golfinhos-de-heaviside nadando juntos
Grupo pequeno, formação social mais comum da espécie.

Perfil rápido de Golfinho-de-heaviside

Estado de conservação

NT
Quase Ameaçado

Espécie endêmica com distribuição restrita e vulnerável a impactos costeiros.

População
Desconhecida
Protegido por
Sim, protegido por legislação na Namíbia e África do Sul e por acordos internacionais para cetáceos

Calendário

Reprodução e nascimentosJFMAMJJASOND
Maior atividade na superfícieJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
20 a 26 anos
Maturidade sexual
5 a 7 anos

Reprodução

Tipo de reprodução
Vivípara
Gestação
10 a 11 meses
Filhotes por gestação
1 filhote de 75 a 85 cm
Intervalo entre crias
2 a 3 anos
Época de nascimentos
Principalmente de novembro a janeiro (verão austral)
Cuidado parental
Materno, por cerca de 12 meses

Habitat

Ambientes

  • Águas costeiras rasas até 100 m
  • Baías abrigadas e canais entre ilhas
  • Frente fria da Corrente de Benguela

Biomas

  • Atlântico sudeste costeiro
  • Sistema da Corrente de Benguela

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Peixes demersais (pescadas, gobies)

Outros alimentos

  • Lulas pequenas
  • Camarões e outros crustáceos

Encontrado em 3 países

  • África do Sul
  • Namíbia
  • Angola

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Mammalia
Ordem
Cetartiodactyla
Família
Delphinidae
Gênero
Cephalorhynchus
Espécie
Cephalorhynchus heavisidii

Resumo

  • O golfinho-de-heaviside é um mamífero marinho de 1,2 a 1,7 m endêmico da costa sudoeste da África, da Angola à África do Sul.
  • Vive em águas costeiras frias e rasas de até 100 m, em grupos pequenos de 2 a 7 indivíduos, e se alimenta de peixes demersais, lulas e crustáceos.
  • Está classificado como Quase Ameaçado pela IUCN e sofre principalmente com captura acidental em redes e ruído de embarcações.

Características

Ficha da espécie

GrupoMamífero
OrdemCetartiodactyla (Cetacea)
FamíliaDelphinidae
Origem e distribuiçãoEndêmico do sudoeste da África, do sul de Angola à África do Sul
Tamanho1,2 a 1,7 m (fêmeas ligeiramente maiores)
Peso60 a 90 kg
Corespretocinza-escurobranco
Profundidade0 a 100 m, mais comum até 30 m
HabitatCosteiro, águas frias da Corrente de Benguela
AlimentaçãoPeixes demersais, lulas e crustáceos
ReproduçãoVivípara, 1 filhote por gestação de 10 a 11 meses
Expectativa de vida20 a 26 anos
Estado de conservaçãoQuase Ameaçado (NT) - IUCN

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
SociabilidadeMédio
InteligênciaMuito alto
VelocidadeAlto
Capacidade de migraçãoMuito baixo
Importância para o ecossistema marinhoMédio

Como identificar o golfinho-de-heaviside sem confundir

O golfinho-de-heaviside não tem bico. A cabeça é arredondada e curta, quase como a de uma toninha, o que já o separa da maioria dos golfinhos oceânicos.

O padrão de cor é inconfundível de perto: dorso preto a cinza-escuro, flancos cinza-claro e ventre branco bem delimitado. Uma capa cinza em forma de coração cobre o dorso atrás da nadadeira dorsal.

A nadadeira dorsal é triangular e relativamente grande, levemente arredondada na ponta, e as nadadeiras peitorais são arredondadas. As fêmeas atingem 1,6 a 1,7 m e os machos ficam em torno de 1,5 m, com 60 a 90 kg.

  • Sem bico + dorso tricolor: diferencia de golfinhos-comuns e pintados da mesma região.
  • Dorsal triangular: diferente do golfinho-de-hector, seu parente mais próximo, que tem dorsal arredondada.
  • Comportamento: grupo pequeno e saltos verticais baixos, sem longos assobios audíveis.

Onde vive: um endêmico preso à água fria

É um dos golfinhos com distribuição mais restrita do mundo. Ocorre apenas no Atlântico sudeste, do sul de Angola (cerca de 17°S) até o Cabo da Boa Esperança, com núcleo na Namíbia e costa oeste da África do Sul.

Vive colado à costa, geralmente até 5 a 10 km da praia e em profundidades de menos de 100 m, com preferência por até 30 m. A água é fria, de 9 a 15 °C, trazida pela Corrente de Benguela, rica em nutrientes.

Não é migrador. Estudos de foto-identificação mostram área de vida de apenas 50 a 80 km de costa por indivíduo, com fidelidade a baías específicas por anos. Isso o torna muito vulnerável a impactos locais.

O que come e como caça em águas rasas

A dieta é costeira e de fundo. Consome principalmente peixes demersais como pescada e gobies, lulas pequenas e camarões, capturados perto do fundo arenoso ou em meia-água.

Caça com ecolocalização de banda estreita e alta frequência, em torno de 125 kHz. Esses cliques são inaudíveis para orcas, uma vantagem evolutiva do gênero Cephalorhynchus, e não são acompanhados de assobios como em outros golfinhos.

Costuma forragear de manhã e no fim da tarde, muitas vezes sozinho ou em duplas que se espalham e depois se reagrupam. Mergulhos são curtos, de 1 a 3 minutos, compatíveis com a pouca profundidade.

Comportamento na superfície: rápido, discreto e acrobático

Na superfície, o golfinho-de-heaviside é veloz e pouco chamativo. Nada com movimentos rápidos e expõe pouco o corpo, o que dificulta a detecção.

Quando está ativo, porém, surpreende. Faz saltos verticais com o corpo reto fora d’água, piruetas e surfe na proa de embarcações, mas por poucos segundos. Grupos típicos têm 2 a 7 indivíduos, ocasionalmente agregações de até 30 a 50 para alimentação ou socialização.

A comunicação é quase toda por cliques. A ausência de assobios audíveis fez com que, por muito tempo, fosse considerado silencioso por observadores sem hidrofone de alta frequência.

Reprodução e ciclo de vida em câmera lenta

A maturidade chega entre 5 e 7 anos. A gestação dura 10 a 11 meses e resulta em um único filhote de cerca de 75 a 85 cm e 9 a 12 kg.

Os nascimentos concentram-se no verão austral, de novembro a janeiro, quando a água está ligeiramente mais quente e há mais presas. O intervalo entre filhotes é de 2 a 3 anos, ritmo lento que limita a recuperação populacional.

Filhotes permanecem colados à mãe por cerca de um ano, aprendendo rotas costeiras e áreas de caça. A longevidade estimada é de 20 a 26 anos na natureza, com base em marcas de crescimento nos dentes.

É perigoso para humanos?

Não. O golfinho-de-heaviside não oferece perigo. Não há registros de ataques, e seu tamanho pequeno e comportamento arredio tornam interações agressivas inexistentes.

O risco é o inverso. Por viver tão perto da costa e ser curioso com barcos, pode se aproximar de hélices e redes. A melhor prática é nunca tentar tocar, alimentar ou nadar em direção ao grupo.

Se estiver em embarcação, mantenha distância mínima de 100 m, reduza a velocidade e nunca intercepte a trajetória do grupo. Observação passiva é a única forma responsável.

Ameaças reais e estado de conservação

A IUCN classifica a espécie como Quase Ameaçada (NT), com tendência populacional desconhecida por falta de censos amplos. A população total é estimada em poucos milhares, fragmentada ao longo da costa.

A principal ameaça é a captura acidental em redes de emalhe e de arrasto costeiro. Como usa habitat raso e tem área de vida pequena, uma única área de pesca intensa pode afetar um grupo inteiro.

Outros impactos são ruído de embarcações e prospecção sísmica, que interferem na ecolocalização de alta frequência, além de poluição química e por plásticos e o tráfego crescente de turismo desordenado. Na Namíbia e África do Sul há regulamentação para observação, mas a fiscalização é desigual.

Característica Golfinho-de-heaviside Golfinho-de-hector (parente da N. Zelândia)
Distribuição Sudoeste da África Nova Zelândia
Dorsal Triangular Arredondada (orelha de Mickey)
Tamanho 1,2 a 1,7 m 1,2 a 1,5 m
Som Cliques a ~125 kHz, sem assobios Cliques a ~125 kHz, sem assobios

Onde observar com responsabilidade e por que ele importa

Os melhores pontos são Walvis Bay e Lüderitz, na Namíbia, e Lambert’s Bay e Cidade do Cabo, na África do Sul, sempre com operadores licenciados. Saídas ao amanhecer têm mais chance, quando o mar está mais calmo.

Na nossa avaliação, o valor do golfinho-de-heaviside vai além do carisma. Por ser endêmico e sentinela da Corrente de Benguela, sua presença indica saúde do ecossistema costeiro frio, base da pesca regional.

Escolha passeios que limitam tempo com o grupo a 20-30 minutos, não perseguem animais e desligam sonar perto deles. Se avistar da praia, use binóculo e mantenha distância. Fotos valem mais quando o animal continua seu caminho sem mudar de comportamento.

Curiosidades que pouca gente conta

Apesar do nome, não foi um marinheiro que o batizou, mas o cirurgião e colecionador Capitão Haviside, que levou o primeiro espécime ao Reino Unido no século XIX. A grafia com “heaviside” é erro histórico que permaneceu.

É um dos poucos golfinhos que não assobia. A estratégia acústica críptica provavelmente evoluiu para evitar detecção por orcas, que não ouvem bem acima de 100 kHz.

Quando salta na vertical, pode girar o corpo e reentrar quase sem espuma, comportamento chamado de “head-up leap”. É diferente do salto longo de golfinhos oceânicos e serve tanto para comunicação quanto para desalojar parasitas.

Perguntas frequentes

Qual o tamanho do golfinho-de-heaviside?

Mede de 1,2 a 1,7 m e pesa de 60 a 90 kg, sendo as fêmeas ligeiramente maiores que os machos. É um dos menores golfinhos do mundo.

Onde o golfinho-de-heaviside vive?

Apenas na costa sudoeste da África, do sul de Angola à África do Sul, com maior concentração na Namíbia e costa oeste sul-africana, em águas rasas de até 100 m.

O golfinho-de-heaviside é perigoso?

Não. Não há registros de agressão a humanos. É arredio e o risco é para ele, por proximidade com redes e barcos.

O que ele come?

Peixes de fundo como pescadas e gobies, além de lulas pequenas e crustáceos, capturados com ecolocalização de alta frequência.

Quanto tempo vive?

Entre 20 e 26 anos na natureza, atingindo maturidade sexual entre 5 e 7 anos.

Está ameaçado de extinção?

É classificado como Quase Ameaçado (NT) pela IUCN. A principal ameaça é a captura acidental em redes de pesca, além de ruído e poluição costeira.

Dá para ver o golfinho-de-heaviside no Brasil?

Não. É endêmico da África e não ocorre no Atlântico ocidental. No Brasil você observa espécies como o boto-cinza e o golfinho-rotador.

Você sabia?

1

Sem assobio, por estratégia

Emite apenas cliques de alta frequência a cerca de 125 kHz, inaudíveis para orcas e para humanos sem hidrofone especial. É um dos poucos golfinhos que não produz assobios.

2

Dono de um CEP curtíssimo

Cada indivíduo usa apenas 50 a 80 km de costa durante toda a vida, retornando às mesmas baías por anos, o que o torna extremamente fiel ao seu trecho de praia.

3

Salto de lápis

Seu salto mais típico é vertical, com o corpo reto fora d’água e reentrada quase sem respingo, diferente dos saltos em arco dos golfinhos oceânicos.

4

Fêmeas maiores que machos

Inversão incomum entre golfinhos: as fêmeas de Heaviside crescem até 1,7 m, enquanto machos raramente passam de 1,5 m, diferença visível em grupos lado a lado.

Fontes

  1. IUCN Red List
  2. NOAA Fisheries
  3. SeaLifeBase / FishBase
  4. WoRMS - World Register of Marine Species

Prós e contras: Golfinho-de-heaviside

Prós

  • Endêmico e fácil de identificar pelo padrão tricolor e dorsal triangular
  • Indicador de saúde da Corrente de Benguela
  • Comportamento acrobático com saltos verticais característicos
  • Boa oportunidade para turismo responsável embarcado na Namíbia e África do Sul
  • Baixo risco para humanos, ideal para observação educativa

Contras

  • Distribuição extremamente restrita e população pequena
  • Muito vulnerável a captura acidental em redes costeiras
  • Sensível a ruído de barcos e sísmica por usar alta frequência
  • Baixa taxa reprodutiva, com 1 filhote a cada 2 a 3 anos
  • Difícil de avistar por ser discreto e viver em grupos pequenos
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o golfinho-de-heaviside é o exemplo perfeito de especialista costeiro: pequeno, fiel a poucos quilômetros de praia e acusticamente críptico. Justamente por isso, protegê-lo exige manejo local fino, não grandes áreas oceânicas genéricas.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.