🐟 Peixes

Peixe-lua

Mola mola

Atualizado em

até 3,3 m e 2.300 kgTamanho
salgada (oceânico)Tipo de água
20 a 30 anosExpectativa de vida
dócil e solitárioTemperamento
não criado em aquárioDificuldade
Peixe-lua adulto visto de lado em oceano aberto, corpo em forma de disco

O peixe-lua (Mola mola) é o maior peixe ósseo do planeta, famoso pelo corpo achatado em forma de disco e pela ausência de cauda verdadeira. Pode ultrapassar 3 metros de comprimento e 2 toneladas, mas se alimenta quase só de organismos gelatinosos como águas-vivas.

Vive em oceanos tropicais e temperados ao redor do mundo e aparece com frequência na superfície, deitado de lado para se aquecer ao sol — comportamento que lhe deu o nome em inglês, sunfish. No Brasil ocorre em mar aberto, principalmente no Sudeste e Sul, embora raramente seja visto por mergulhadores.

Apesar do tamanho impressionante, é dócil, solitário e totalmente inadequado para aquário. Está classificado como Vulnerável pela IUCN devido à captura acidental, poluição plástica e confusão com lixo flutuante.

Também conhecido como: Peixe-lua-comum, Mola-mola, Sunfish (inglês), Poisson-lune (francês), Mondfisch (alemão), Pesce luna (italiano)

Faz parte de: Peixes de Água Salgada

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Galeria de fotos de Peixe-lua

Peixe-lua adulto visto de lado em oceano aberto, corpo em forma de disco
Peixe-lua adulto em mar aberto, com corpo em disco e clavus truncado.
Close da cabeça do peixe-lua mostrando boca pequena e pele áspera
Detalhe da cabeça: boca pequena e pele grossa e áspera.
Peixe-lua deitado de lado na superfície do mar tomando sol
Comportamento de basking: deitado de lado na superfície para se aquecer.
Larva espinhosa do peixe-lua com poucos milímetros
Larva de peixe-lua com espinhos, totalmente diferente do adulto.
Peixe-lua em estação de limpeza com peixes limpadores
Em estações de limpeza, peixes menores removem parasitas da pele.
Comparação entre espécies de peixe-lua mostrando diferenças no clavus
Diferenças no clavus ajudam a distinguir as espécies de peixe-lua.

Perfil rápido de Peixe-lua

Estado de conservação

VU
Vulnerável

Espécie com alto risco de extinção na natureza devido ao declínio populacional.

População
Em declínio
Protegido por
Sem proteção específica no Brasil; protegida por restrições de bycatch em algumas pescarias internacionais

Vida útil

Na natureza
20 a 30 anos, com registros de até 10 anos em aquários oceânicos de grande porte
Em cativeiro
Raramente mantido; poucos aquários no mundo (Japão, EUA) conseguem abrigar juvenis por poucos anos

Reprodução

Tipo de reprodução
Ovípara com fecundação externa em mar aberto
Estrutura social
Solitária; encontros apenas para desova
Fecundidade
Até 300 milhões de ovos por desova, de ~1 mm cada
Desenvolvimento
Larvas planctônicas espinhosas de 2 mm; crescimento de até 60 milhões de vezes até adulto
Maturidade sexual
6 a 7 anos, com cerca de 1,5 a 1,8 m

Habitat

Ambientes

  • Oceano aberto pelágico
  • Zona epipelágica (0-200 m) com mergulhos mesopelágicos até 600 m
  • Bordas de plataforma continental e áreas de ressurgência
  • Proximidades de recifes para estações de limpeza

Biomas

  • Marinho pelágico
  • Oceano Atlântico
  • Oceano Pacífico
  • Oceano Índico

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Águas-vivas
  • Salpas
  • Ctenóforos
  • Sifonóforos

Outros alimentos

  • Lulas pequenas
  • Crustáceos pelágicos
  • Larvas de peixes
  • Pequenos peixes

Encontrado em 12 países

  • Brasil
  • Estados Unidos
  • Japão
  • Portugal
  • Espanha
  • Austrália
  • África do Sul
  • Reino Unido
  • México
  • Chile
  • Indonésia
  • França

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Actinopterygii
Ordem
Tetraodontiformes
Família
Molidae
Gênero
Mola
Espécie
Mola mola

Resumo

  • O peixe-lua (Mola mola) é o maior peixe ósseo do mundo, com corpo em disco, sem cauda verdadeira e peso que pode passar de 2.000 kg.
  • Vive em oceanos tropicais e temperados, nada em mar aberto e se alimenta principalmente de águas-vivas, salpas e outros organismos gelatinosos.
  • É uma espécie solitária, extremamente prolífica e classificada como Vulnerável, ameaçada por pesca acidental e ingestão de plástico.

Características

Ficha da espécie

Nome científicoMola mola (Linnaeus, 1758)
FamíliaMolidae
OrigemOceanos Atlântico, Pacífico e Índico – águas tropicais e temperadas
Tipo de águaSalgada (pelágico oceânico)
Tamanho2,5 a 3,3 m de comprimento; até 4,2 m de altura (nadadeira a nadadeira)
Peso adulto1.000 a 2.300 kg (recorde de 2.744 kg registrado)
Expectativa de vida20 a 30 anos na natureza
Corescinzaprateadobrancomanchado
AlimentaçãoCarnívora gelatinófaga (águas-vivas, salpas, ctenóforos)
ReproduçãoOvípara com fecundação externa; até 300 milhões de ovos por desova
ConservaçãoVulnerável (VU) pela IUCN

Perfil e comportamento

Facilidade de criaçãoMuito baixo
AgressividadeMuito baixo
SociabilidadeMuito baixo
Nível de atividadeBaixo
Exigência com a qualidade da águaMuito alto
Adequação a aquários pequenosMuito baixo

O que é o peixe-lua e como reconhecê-lo na hora

O peixe-lua é um peixe ósseo da ordem Tetraodontiformes, a mesma dos baiacus e peixes-porco. O nome científico Mola mola vem do latim mola, que significa mó de moinho, pelo formato arredondado e áspero.

Você o reconhece de longe porque ele não tem corpo alongado nem cauda. O que parece ser a cauda é na verdade o clavus, uma estrutura truncada formada pela fusão de raios das nadadeiras dorsal e anal. O corpo termina de forma abrupta, como se tivesse sido cortado.

Outros sinais inconfundíveis são as duas nadadeiras enormes e triangulares (dorsal e anal) que batem sincronizadas como remos, a pele grossa e cheia de muco sem escamas verdadeiras, e a boca pequena e protrátil com dentes fundidos em forma de bico. Adultos não têm bexiga natatória.

Tamanho e aparência: o maior peixe ósseo do planeta

Nenhum outro peixe ósseo chega perto do peixe-lua. Indivíduos comuns medem 1,8 a 2,5 metros, mas exemplares grandes passam de 3,3 metros de comprimento e 4,2 metros de altura contando as nadadeiras. O peso médio fica entre 1.000 e 1.500 kg.

O recorde pesado e bem documentado foi de um exemplar de 2.744 kg capturado nos Açores em 2021, considerado o maior peixe ósseo já registrado. Para comparação, isso equivale a um rinoceronte adulto.

Filhotes são completamente diferentes. Nascem com 2 a 3 mm, cobertos de espinhos estrelados e com cauda normal. Só depois de crescerem perdem os espinhos e desenvolvem o disco característico. A pele do adulto é cinza-prateada, áspera e com camada de muco espessa, frequentemente manchada e com parasitas visíveis.

  • Corpo: disco alto, comprimido lateralmente, sem pedúnculo caudal.
  • Nadadeiras: dorsal e anal muito altas, peitorais pequenas e arredondadas.
  • Olhos e boca: pequenos em relação ao corpo, boca incapaz de fechar totalmente.
  • Esqueleto: leve e cartilaginoso em partes, o que ajuda a manter a flutuabilidade sem bexiga natatória.

Onde vive o peixe-lua e onde aparece no Brasil

O peixe-lua é cosmopolita em mares tropicais e temperados, entre aproximadamente 60°N e 50°S. Ocorre nos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico, sempre em águas oceânicas abertas, mas se aproxima da costa para se alimentar e para buscar estações de limpeza.

Prefere a zona epipelágica (0 a 200 m) e faz mergulhos regulares até 400 a 600 metros onde a água é fria, voltando à superfície para se reaquecer. Esse vai e vem térmico é essencial porque ele perde calor rapidamente.

No Brasil, os registros se concentram no Sudeste e Sul, especialmente em São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, onde correntes frias trazem águas-vivas. Aparece também no Nordeste em anos de maior influência da Corrente do Brasil. É raro em mergulho recreativo porque vive longe da costa e se assusta com facilidade.

Espécie de peixe-lua Como diferenciar Distribuição
Mola mola (peixe-lua comum) Clavus com 8 a 9 raios e borda ondulada, corpo mais arredondado Atlântico e Pacífico temperados
Mola alexandrini (peixe-lua do sul) Clavus com protuberância e mancha na base, maior porte médio Hemisfério Sul, mais comum no Pacífico
Masturus lanceolatus Clavus com projeção pontiaguda no centro Tropical, mais raro e oceânico

O que o peixe-lua come e por que importa para o oceano

A dieta é quase toda gelatinosa. O prato principal são águas-vivas, salpas, ctenóforos e sifonóforos, que têm pouquíssima caloria. Para sustentar um corpo de uma tonelada, ele precisa comer quantidades enormes.

Análises de estômago e rastreamento por satélite mostram que um adulto pode consumir até 20% do seu peso em presas gelatinosas por dia quando há bloom de águas-vivas. Complementa com lulas pequenas, crustáceos, larvas de peixes e pequenos peixes capturados em profundidade.

Esse hábito tem papel ecológico relevante. Ao controlar populações de águas-vivas, o peixe-lua ajuda a equilibrar cadeias alimentares pelágicas que ficam desreguladas com sobrepesca e aquecimento. Quando ele ingere sacolas plásticas confundidas com águas-vivas, morre por obstrução — um dos motivos da mortalidade atual.

Como nada, respira e se comporta na superfície

O nado do peixe-lua é único. Em vez de ondular o corpo, ele bate as nadadeiras dorsal e anal ao mesmo tempo, como um pinguim subaquático. É lento na superfície (cerca de 3 km/h), mas ágil em mergulho vertical.

Passa muito tempo deitado de lado na superfície, com uma nadadeira fora d’água. Esse comportamento, chamado basking, serve para reaquecimento após mergulhos frios e para atrair aves marinhas que removem parasitas da pele. Mais de 40 espécies de parasitas já foram descritas nele, um dos recordes entre peixes.

É solitário e dócil. Não forma cardumes, não defende território e não ataca humanos. Quando ameaçado, pode dar saltos pesados para tentar desalojar parasitas ou mergulhar rapidamente. Peixes-lua frequentemente visitam estações de limpeza em recifes, onde peixes limpadores e até gaivotas retiram parasitas da pele e das brânquias.

Reprodução: a desova mais prolífica entre os vertebrados

A reprodução é ovípara com fecundação externa em mar aberto. Não há cuidado parental. Macho e fêmea liberam gametas na água e os ovos ficam à deriva como plâncton.

Uma única fêmea pode liberar até 300 milhões de ovos por desova, o maior número conhecido entre todos os vertebrados. Cada ovo tem cerca de 1 mm. A taxa de sobrevivência é mínima, mas compensa pela quantidade.

As larvas planctônicas de 2 mm têm corpo espinhoso e nadam ativamente. Crescem de forma explosiva: podem aumentar 60 milhões de vezes de peso do nascimento à fase adulta, uma das maiores taxas de crescimento do reino animal. A maturidade sexual ocorre com cerca de 6 a 7 anos, quando já têm mais de 1,5 metro.

Ameaças, conservação e por que está vulnerável

A IUCN classifica o peixe-lua como Vulnerável (VU) com população em declínio. Não é alvo principal de pesca, mas sofre alta captura acidental (bycatch) em redes de emalhe, espinhel e cerco, especialmente para atum e peixe-espada.

Outras ameaças são ingestão de plástico confundido com águas-vivas, colisões com embarcações quando está na superfície e parasitose intensa que debilita indivíduos já estressados. Em algumas regiões da Ásia ainda há consumo da carne e uso na medicina tradicional, embora a carne possa acumular toxinas.

No Brasil não há proteção específica para a espécie, mas ela se beneficia de normas gerais contra pesca oceânica predatória e de áreas marinhas protegidas. Na nossa avaliação, o maior gargalo é a falta de dados: por ser oceânico e solitário, censos são difíceis e a mortalidade real é subestimada. Evitar plásticos de uso único e apoiar pesca com dispositivos de redução de bycatch são medidas com efeito direto.

Erros comuns e curiosidades que poucos sabem

Muita gente confunde peixe-lua com tubarão quando vê a nadadeira na superfície. A diferença é simples: o peixe-lua mostra uma nadadeira que balança de um lado para o outro, enquanto tubarões cortam a água em linha reta com a dorsal rígida.

Outro erro é achar que ele é um peixe preguiçoso e inútil. Na verdade, mergulha a mais de 600 metros, tolera água de 10 °C e migra milhares de quilômetros seguindo blooms de águas-vivas, com rotas rastreadas por satélite entre o Japão e o Havaí.

Apesar do tamanho, seu cérebro é minúsculo em proporção ao corpo e a medula espinhal é curta, terminando antes da metade do corpo — os nervos seguem por longos filamentos. E ao contrário do que parece, não é um baiacu gigante: embora seja parente, não infla e não possui tetrodotoxina letal em níveis perigosos para predadores como orcas e leões-marinhos, que o predam.

Perguntas frequentes

Peixe-lua é perigoso para humanos?

Não. É dócil, não morde nem ataca. O único risco é colisão acidental com embarcações quando está na superfície.

Qual o tamanho máximo do peixe-lua?

Até 3,3 m de comprimento e 4,2 m de altura com as nadadeiras, pesando mais de 2.000 kg. O recorde documentado é de 2.744 kg.

Peixe-lua tem cauda?

Não tem cauda verdadeira. No lugar há o clavus, uma estrutura truncada que funciona como leme.

O que o peixe-lua come?

Principalmente águas-vivas, salpas e ctenóforos, além de lulas pequenas e crustáceos capturados em mergulhos profundos.

Onde encontrar peixe-lua no Brasil?

Em mar aberto do Atlântico, com mais registros no Sudeste e Sul (SP, RJ, SC, RS) em áreas de ressurgência e correntes frias.

Peixe-lua pode ser criado em aquário?

Não. É pelágico, gigante e migrador. Apenas dois ou três aquários oceânicos no mundo mantêm juvenis temporariamente.

Por que o peixe-lua fica de lado na superfície?

Para se reaquecer após mergulhos em água fria e para que aves marinhas e peixes limpadores removam parasitas da pele.

Fatos surpreendentes sobre o peixe-lua

1

Sem cauda de verdade

O peixe-lua não tem nadadeira caudal. No lugar dela há o clavus, uma aba truncada formada pela fusão das nadadeiras dorsal e anal, que funciona como leme.

2

Recorde de ovos entre vertebrados

Uma fêmea pode liberar até 300 milhões de ovos em uma única desova. É a maior fecundidade conhecida entre peixes ósseos e vertebrados em geral.

3

Banho de sol para se aquecer

Depois de mergulhar a 600 metros em água gelada, ele sobe e fica deitado de lado na superfície com a nadadeira exposta para se reaquecer e para que aves removam parasitas.

4

Crescimento explosivo

Da larva de 2 mm ao adulto de mais de 1.000 kg, o peixe-lua pode aumentar 60 milhões de vezes de peso, uma das maiores taxas de crescimento do reino animal.

Fontes

  1. FishBase - Mola mola
  2. IUCN Red List - Mola mola
  3. ICMBio / Ministério do Meio Ambiente
  4. Ocean Sunfish Research - Large Pelagics Research Center

Prós e contras: Peixe-lua

Prós

  • Maior peixe ósseo do mundo, de observação única em mar aberto
  • Dócil e sem risco para mergulhadores
  • Importante controlador de populações de águas-vivas
  • Indicador de saúde oceânica e de correntes produtivas
  • Comportamento de banho de sol facilmente identificável na superfície

Contras

  • Vulnerável à extinção e em declínio populacional
  • Morre com ingestão de plástico confundido com água-viva
  • Alta captura acidental em pesca oceânica
  • Não pode ser mantido em aquário ou criação doméstica
  • Parasitose intensa e sensível a variações de temperatura
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o peixe-lua é um dos peixes mais mal compreendidos do oceano: parece desajeitado na superfície, mas é um migrador de profundidade altamente especializado. Sua conservação depende menos de protegê-lo diretamente e mais de reduzir plástico no mar e bycatch na pesca oceânica.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.