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Abalone

Haliotis spp.

Atualizado em

10 a 30 cm de conchaTamanho
200 g a 2 kgPeso
15 a 40 anosExpectativa de vida
Costões rochosos rasosHabitat
InofensivoPerigo para humanos
Abalone de concha oval achatada grudado em rocha submersa

O abalone é um molusco gastrópode marinho do gênero Haliotis, famoso pela concha achatada com fileira de furos respiratórios e interior de nácar extremamente iridescente. Ele não é um bivalve nem um caracol comum: é um parente de lesmas marinhas que vive fortemente aderido a rochas com um pé muscular poderoso.

Apesar da aparência de pedra colorida, é um animal herbívoro, de crescimento lento e vida longa, que depende de águas frias, oxigenadas e ricas em algas. São reconhecidas cerca de 57 espécies no mundo, das costas da Califórnia e Japão à Austrália e África do Sul, e quase todas sofrem com sobrepesca e pesca ilegal por causa do alto valor gastronômico.

Também conhecido como: Orelha-do-mar, Abulón, Awabi, Paua, Perlemoen, Ormeau

Faz parte de: Animais dos Recifes de Coral, Polvos, Lulas e Moluscos

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Galeria de fotos de Abalone

Abalone de concha oval achatada grudado em rocha submersa
Abalone adulto visto de cima, com fileira de furos respiratórios na concha.
Close-up da cabeça do abalone com tentáculos sensoriais
Detalhe da cabeça com tentáculos e borda do manto.
Interior iridescente da concha de abalone
Interior de nácar iridescente, característico do gênero Haliotis.
Abalone em habitat natural de costão rochoso com algas
Habitat típico: costão rochoso raso com algas pardas e vermelhas.
Abalone juvenil pequeno sobre alga calcária
Filhote recém-fixado, ainda camuflado entre algas calcárias.
Abalone se alimentando à noite raspando algas da rocha
Alimentação noturna raspando algas com a rádula.

Perfil rápido de Abalone

Estado de conservação

EN
Em Perigo

Várias espécies avaliadas como Em Perigo ou Criticamente em Perigo devido à sobrepesca e pesca ilegal.

População
em declínio
Protegido por
Sim, com pesca proibida ou por cotas rigorosas em EUA, África do Sul, Austrália e Japão

Calendário

Reprodução (desova)JFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxica
  • PessoasNão tóxica, mas pode acumular toxinas de algas se de área contaminada

Consuma apenas de origem certificada e fiscalizada.

Vida útil

Na natureza
15 a 40 anos, conforme a espécie e a temperatura da água
Em aquicultura
3 a 5 anos até tamanho comercial de 7 a 10 cm

Reprodução

Acasalamento
Sem cópula; fecundação externa com liberação sincronizada de gametas na água
Tipo de nascimento
Ovípara; larva véliger planctônica por 5 a 10 dias
Ninhada
1 a 3 milhões de óvulos por fêmea grande por desova
Maturidade sexual
2 a 7 anos, quando atinge 40 a 70% do tamanho máximo
Padrão sazonal
Desova no verão, dependente de temperatura e fotoperíodo

Habitat

Ambientes

  • Costões rochosos e lajes
  • Recifes rochosos subtidais
  • Zona entremarés com fendas e cavidades

Biomas

  • Costeiro temperado
  • Recife rochoso
  • Zona entremarés

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Algas vermelhas (Rhodophyta)
  • Algas pardas (kelps e laminárias)

Outros alimentos

  • Algas verdes
  • Diatomáceas e biofilme
  • Fragmentos de algas à deriva

Encontrado em 10 países

  • Austrália
  • Nova Zelândia
  • Japão
  • Estados Unidos
  • México
  • África do Sul
  • Coreia do Sul
  • China
  • Chile
  • Irlanda

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Mollusca
Classe
Gastropoda
Ordem
Lepetellida
Família
Haliotidae
Gênero
Haliotis
Espécie
Haliotis spp. (ex.: H. rufescens, H. midae, H. discus)

Resumo

  • Abalone é um molusco gastrópode do gênero Haliotis, com concha achatada, furos respiratórios e nácar iridescente, que vive grudado em rochas de águas frias e rasas.
  • Herbívoro e noturno, se alimenta de algas vermelhas e pardas e se reproduz por desova livre na água, com larvas que se fixam nas pedras e crescem lentamente por décadas.
  • É inofensivo para humanos, mas está entre os moluscos mais ameaçados do mundo devido à sobrepesca, ao comércio ilegal e às mudanças no oceano.

Características

Ficha da espécie

GrupoMolusco gastrópode
OrdemLepetellida
FamíliaHaliotidae
GêneroHaliotis (cerca de 57 espécies)
Origem e distribuiçãoÁguas temperadas e frias do Pacífico, Índico e Atlântico sul
Tamanho7 a 30 cm de comprimento de concha; maioria entre 10 e 20 cm
Peso200 g a 2 kg (espécies grandes como Haliotis rufescens)
Coresexterna marromesverdeadaavermelhadainterna iridescente azulverderosaprata
Profundidade0 a 40 m; mais comum entre 1 e 20 m
HabitatCostões rochosos, recifes e zona entremarés
AlimentaçãoHerbívoro: algas vermelhas e pardas
ReproduçãoOvípara com fecundação externa na água
Expectativa de vida15 a 40 anos na natureza
Estado de conservaçãoVaria de Pouco Preocupante a Criticamente em Perigo conforme a espécie

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
SociabilidadeMuito baixo
InteligênciaBaixo
VelocidadeMuito baixo
Capacidade de migraçãoMuito baixo
Importância para o ecossistema marinhoAlto

O que é o abalone e como identificá-lo na hora

O abalone não é ostra nem mexilhão. É um gastrópode de concha única, achatada e em forma de orelha, por isso o nome popular orelha-do-mar.

A identificação é quase imediata: concha oval, baixa, com 4 a 10 furos abertos em fileira perto da borda. Esses furos são respiratórios e servem para saída de água das brânquias.

Por fora, a concha é áspera, camuflada em tons de marrom, verde-oliva e vermelho cobertos por algas e cracas. Por dentro, o brilho é inconfundível: nácar espesso e iridescente em azul, verde, rosa e prata.

O animal em si tem um pé muscular enorme, largo e muito forte, que funciona como ventosa. Ao redor do pé há tentáculos sensoriais finos e olhos pequenos nas pontas. Quando perturbado, ele se contrai e gruda na rocha com força que um humano dificilmente vence sem espátula.

Onde vive: costas frias e rochas que ninguém vê

Abalones são de águas frias e temperadas, não tropicais. A maior diversidade está no Pacífico: Califórnia, México, Japão, Coreia, Austrália e Nova Zelândia, além da África do Sul.

Vivem em costões rochosos, recifes e lajes da zona entremarés até cerca de 40 m. A maioria prefere 1 a 20 m de profundidade, onde há luz para algas e fendas para se esconder de polvos e estrelas-do-mar.

Não nadam e não migram. Passam a vida no mesmo trecho de rocha, movendo-se poucos metros por noite. Durante o dia ficam imóveis em fendas; à noite saem para se alimentar.

No Brasil não há populações nativas de abalone. O que se vê aqui é produto importado congelado ou concha para artesanato, principalmente de espécies australianas e sul-africanas.

O que come e como se alimenta sem caçar

É estritamente herbívoro. A dieta base são algas vermelhas e pardas, como kelps e algas calcárias. Filhotes raspam biofilme e diatomáceas da rocha.

Ele não caça. Usa a rádula, uma língua áspera com dentículos, para raspar algas da pedra. Muitos adultos também capturam pedaços de alga à deriva que ficam presos sob o pé.

Esse hábito o torna importante para o recife: controla o crescimento de algas e recicla nutrientes. Em áreas onde o abalone desapareceu, há proliferação de algas e desequilíbrio do substrato.

Como se alimenta na prática

  • À noite, estende o pé e desliza lentamente sobre a rocha.
  • Raspa a superfície com a rádula e leva o alimento à boca ventral.
  • Algas soltas são seguradas pelo pé até serem consumidas.

Reprodução e ciclo de vida: desova na água e crescimento lento

A reprodução é por fecundação externa. Machos e fêmeas liberam óvulos e espermatozoides na água ao mesmo tempo, em eventos sincronizados.

O gatilho é ambiental: aumento da temperatura e fotoperíodo, geralmente no verão. Uma fêmea grande pode liberar milhões de óvulos em uma única desova.

A larva é planctônica por poucos dias, depois se fixa em rocha com algas calcárias e sofre metamorfose. O crescimento é extremamente lento: leva 3 a 7 anos para atingir tamanho comercial, dependendo da espécie e da oferta de alimento.

Essa lentidão explica a vulnerabilidade. Se muitos adultos são retirados, não há reposição rápida. A expectativa de vida chega a 30 a 40 anos em espécies grandes como o abalone-vermelho (Haliotis rufescens).

Comportamento: solitário, noturno e grudado

Abalone é solitário e sedentário. Não forma cardumes nem colônias. Cada indivíduo defende sua fenda, mas sem agressão direta.

É noturno para evitar predadores visuais. De dia, fica retraído. Se tocado, contrai o músculo e sela a concha contra a rocha. Essa adesão pode exercer força de até 400 vezes o peso do animal.

Seus predadores naturais são polvos, estrelas-do-mar, lontras-marinhas, peixes e caranguejos. A concha grossa e a aderência são as principais defesas. Quando virado, ele tenta se virar com o pé, mas é lento.

Não tem capacidade de migração. O deslocamento é local e depende da disponibilidade de algas. Em cativeiro, mostra forte fidelidade ao substrato.

O abalone é perigoso para humanos?

Não. É inofensivo. Não morde, não tem veneno, não ataca e não transmite toxinas próprias.

O único risco indireto é alimentar: como outros moluscos filtradores e raspadores, pode acumular toxinas de algas (como em marés vermelhas) se coletado em área contaminada. Por isso a pesca é controlada e o consumo deve vir de origem certificada.

Outro risco é físico: tentar arrancar um abalone da rocha com a mão pode causar cortes na concha e ferimentos, e mata o animal. A coleta sem licença é crime em vários países.

Por que a concha vale tanto: nácar, pérolas e confusão comum

A parte mais valorizada são duas: a carne do pé muscular, considerada iguaria na Ásia, e a concha de nácar, usada em joias, botões e instrumentos musicais.

O interior iridescente resulta de camadas microscópicas de aragonita que refratam a luz. Esse nácar é tão espesso que o abalone às vezes forma pérolas irregulares e coloridas, diferentes das pérolas redondas de ostras.

Erro comum é confundir abalone com ostra ou com náutilo. A diferença é clara: abalone tem apenas uma concha com furos; ostra tem duas valvas sem furos. Outro erro é achar que todo nácar colorido é de abalone — muitos produtos são imitação de resina.

Característica Abalone (Haliotis) Ostra perlífera
Concha Única, achatada, com furos Duas valvas, sem furos
Interior Nácar multicolorido intenso Nácar branco a prateado
Habitat Rocha exposta, águas frias rasas Fundo lodoso/arenoso, águas mais quentes
Alimentação Raspador de algas Filtrador de plâncton

Ameaças e conservação: o molusco mais furtado do mar

Quase todas as espécies comerciais declinaram. As ameaças são sobrepesca, pesca ilegal, doenças, aquecimento da água e acidificação, que enfraquece a concha.

Na Califórnia, cinco espécies são protegidas e a pesca recreativa do abalone-vermelho foi fechada por anos. Na África do Sul, o abalone-perlemoen (Haliotis midae) é alvo de máfia internacional. Na Austrália, há cotas rígidas e fazendas de cultivo.

O cultivo em aquicultura já responde por grande parte do mercado, aliviando a pressão sobre estoques selvagens, mas não substitui a função ecológica do animal no recife. No campo, a recuperação depende de repovoamento com juvenis e proteção de habitat.

Para o consumidor, na nossa avaliação, abalone selvagem não deveria ser comprado sem certificação de origem. O impacto da demanda ilegal é direto e mensurável nos censos populacionais.

Onde observar com responsabilidade

Abalone selvagem é visto com mergulho livre ou autônomo em águas frias e claras, sempre junto ao fundo rochoso. Locais clássicos são Channel Islands (Califórnia), Cape Town (África do Sul), costa sul da Austrália e Tohoku (Japão).

Observe sem tocar. Não tente desgrudar, não vire a concha e não use lanterna direta por muito tempo à noite. Em muitos lugares, tocar ou coletar sem licença gera multa alta.

Prefira observar em unidades de conservação marinha e com operadores licenciados. Se vir conchas vazias com nácar intacto, fotografe e deixe no local: elas servem de abrigo para outros organismos.

Perguntas frequentes

Abalone é peixe ou molusco?

É molusco gastrópode marinho do gênero Haliotis, da família Haliotidae. Não é peixe, nem bivalve.

Abalone tem pérola?

Pode formar pérolas irregulares de nácar colorido, mas são diferentes das pérolas redondas de ostras e são raras.

Onde o abalone vive?

Em costões rochosos e recifes de águas frias e temperadas, de 0 a 40 m de profundidade, grudado em fendas.

Abalone é perigoso?

Não. É inofensivo, sem veneno ou mordida. O risco só existe se for consumido de área com contaminação por algas tóxicas.

Por que o abalone é tão caro?

Cresce lentamente, tem alta demanda na culinária asiática, oferta selvagem restrita por cotas e grande parte vem de aquicultura controlada.

Pode coletar abalone na praia?

Na maioria dos países a coleta selvagem é proibida ou exige licença e tamanho mínimo. No Brasil não há estoque nativo para coleta.

Qual a diferença entre abalone e ostra?

Abalone tem uma concha só com furos e vive grudado em rocha raspando algas; ostra tem duas valvas sem furos e é filtradora.

Você sabia?

1

Sangue azul de verdade

O sangue do abalone é azul porque usa hemocianina com cobre para transportar oxigênio, não hemoglobina com ferro. Por isso ele tolera águas frias e pobres em oxigênio melhor que muitos moluscos.

2

Furos que contam a idade

Os furos da concha não são todos abertos ao mesmo tempo. Os mais antigos são fechados com nácar à medida que o animal cresce, e a fileira aberta funciona como chaminé para água respirada.

3

Dentes mais fortes que Kevlar

Os dentículos da rádula são reforçados com magnetita e são um dos materiais biológicos mais resistentes conhecidos, superando em dureza muitos compostos sintéticos.

4

O molusco que parou a pesca na Califórnia

O abalone-branco (Haliotis sorenseni) foi o primeiro invertebrado marinho a entrar na lista federal de espécies em perigo dos EUA, e sua pesca comercial está fechada desde 1996 sem recuperação até hoje.

Fontes

  1. IUCN Red List
  2. NOAA Fisheries
  3. WoRMS - World Register of Marine Species
  4. SeaLifeBase

Prós e contras: Abalone

Prós

  • Concha com nácar único para estudo e educação ambiental
  • Importante herbívoro que equilibra algas nos recifes
  • Carne valorizada e cultivável em aquicultura sustentável
  • Vida longa e biologia fascinante para mergulho contemplativo
  • Indicador de saúde de costões rochosos frios

Contras

  • Crescimento muito lento e baixa reposição natural
  • Altamente vulnerável à sobrepesca e ao mercado ilegal
  • Sensível ao aquecimento e à acidificação do oceano
  • Não sobrevive fora de água fria e oxigenada
  • Manejo e cultivo exigem licenciamento e controle sanitário rigoroso
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o abalone é o melhor exemplo de como valor gastronômico e beleza da concha podem levar um animal lento e sedentário ao colapso. É fascinante biologicamente, mas seu futuro depende quase todo de aquicultura bem feita e fiscalização contra o mercado ilegal.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.