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Borboleta-pavão

Aglais io

Atualizado em

50 a 62 mm de envergaduraTamanho
Néctar (adulta) e urtiga (lagarta)Alimentação
Metamorfose completa, 4 fasesCiclo de vida
Prados, bosques e jardins temperadosHabitat
Não pica, inofensivaPerigo para humanos
Borboleta-pavão com asas abertas mostrando os quatro ocelos em forma de olho

A borboleta-pavão (Aglais io) é uma das borboletas diurnas mais reconhecidas da Europa e da Ásia temperada, famosa pelos quatro grandes ocelos que lembram olhos de pavão na face superior das asas. Pertence à família Nymphalidae e chama atenção pelo contraste entre o vermelho-amarronzado intenso e os detalhes em azul, amarelo e preto.

Apesar do nome popular no Brasil, ela não ocorre naturalmente por aqui e costuma ser confundida com espécies brasileiras como Anartia jatrophae. É totalmente inofensiva, não pica nem é venenosa, e tem um ciclo de vida curioso: passa o inverno hibernando como adulta escondida em sótãos, troncos ocos e galpões.

Também conhecido como: Borboleta pavão-europeia, Borboleta olho-de-pavão, Peacock butterfly (inglês), Paon-du-jour (francês), Tagpfauenauge (alemão), Anartia jatrophae é outra espécie chamada pavão no Brasil

Faz parte de: Insetos Benéficos, Insetos Polinizadores, Insetos Voadores

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Galeria de fotos de Borboleta-pavão

Borboleta-pavão com asas abertas mostrando os quatro ocelos em forma de olho
Borboleta-pavão adulta com os quatro ocelos característicos bem visíveis.
Close extremo da cabeça, olhos e antenas da borboleta-pavão
Detalhe da cabeça com olhos compostos e antenas clavadas.
Borboleta-pavão em voo sobre flores do campo
Voo rápido e ágil durante visita a flores para néctar.
Lagartas pretas espinhosas da borboleta-pavão em folha de urtiga
Lagartas gregárias pretas com espinhos se alimentando de urtiga.
Pupa crisálida da borboleta-pavão pendente em caule de urtiga
Crisálida pendente com pontos dourados antes da emergência.
Borboleta-pavão com asas fechadas mostrando camuflagem marrom
Face inferior críptica que imita folha seca quando em repouso.

Perfil rápido de Borboleta-pavão

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Espécie comum e amplamente distribuída, sem risco global de extinção.

População
estável
Protegido por
não

Calendário

Atividade dos adultosJFMAMJJASOND
Postura e lagartasJFMAMJJASOND
Hibernação como adultoJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxica
  • PessoasNão tóxica

Não pica nem tem veneno. Lagarta com espinhos não urticantes; manuseio pode causar leve irritação mecânica.

Vida útil

Na natureza
Adulto hibernante 11 a 12 meses; geração de verão 2 a 4 semanas como adulto ativo

Reprodução

Acasalamento
Após hibernação, machos territoriais patrulham e cortejam fêmeas ao sol na primavera
Postura
Massa de 100 a 500 ovos verde-claros na face inferior de urtigas
Desenvolvimento
Ovos 7-14 dias; lagarta 21-28 dias; pupa 10-14 dias
Gerações por ano
1 a 2, dependendo da latitude; segunda geração hiberna como adulta
Estrutura social
Lagartas gregárias no início, adultos solitários e territoriais

Habitat

Ambientes

  • Bosques claros e clareiras
  • Prados e sebes com urtigas
  • Jardins, parques e pomares
  • Áreas urbanas floridas

Biomas

  • Floresta temperada
  • Pradaria temperada
  • Zonas agrícolas e urbanas da Europa e Ásia

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Néctar de flores (buddleia, cardo, trevo, salgueiro, dente-de-leão)

Outros alimentos

  • Seiva fermentada e suco de frutas caídas (adultos)
  • Folhas de urtiga-comum e lúpulo (lagartas)

Encontrado em 10 países

  • Reino Unido
  • França
  • Alemanha
  • Espanha
  • Itália
  • Polônia
  • Suécia
  • Rússia
  • Turquia
  • Japão

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Insecta
Ordem
Lepidoptera
Família
Nymphalidae
Gênero
Aglais
Espécie
Aglais io (Linnaeus, 1758)

Resumo

  • A borboleta-pavão (Aglais io) é identificada pelos quatro ocelos em forma de olho de pavão sobre fundo vermelho-ferrugem, com envergadura de 50 a 62 mm.
  • Vive em bosques claros, prados, jardins e parques da Europa e Ásia temperada, hiberna como adulta e não ocorre naturalmente no Brasil.
  • É polinizadora na fase adulta e inofensiva para humanos e pets; suas lagartas pretas e espinhosas se alimentam quase exclusivamente de urtigas e vivem em grupo.

Características

Ficha do inseto

OrdemLepidoptera
FamíliaNymphalidae
Origem e distribuiçãoEuropa e Ásia temperada até o Japão; ausente naturalmente no Brasil
TamanhoEnvergadura 50 a 62 mm; corpo 20 a 25 mm
Coresvermelho-ferrugemmarrompretoazulamarelobrancocreme
Asas e vooAsas com 4 ocelos; voo rápido, ágil e diurno
AlimentaçãoAdulto: néctar; lagarta: folhas de urtiga (Urtica dioica)
MetamorfoseCompleta (ovo, lagarta, pupa, adulto)
Expectativa de vidaAdulto 11 a 12 meses (inclui hibernação); sem hibernar, 2 a 4 semanas
HabitatBosques claros, prados, jardins, parques e áreas urbanas floridas
Comportamento socialAdulto solitário e territorial; lagartas gregárias
Principais predadoresAves, aranhas, vespas e morcegos

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
Importância para o ecossistemaAlto
Presença em casasMuito baixo
Benefício para a agriculturaAlto
Dano às plantasMuito baixo
Vida em grupoBaixo

Como identificar a borboleta-pavão sem confundir

A identificação é quase imediata quando as asas estão abertas. A face superior é vermelho-ferrugem intenso com quatro ocelos grandes — um em cada asa — formados por anéis concêntricos de azul, preto, amarelo e branco que imitam olhos.

A borda das asas é recortada e marrom-escura, com manchas claras próximas à ponta das asas anteriores. Quando fechada, a borboleta desaparece: a face inferior é marrom-escura quase preta, com veios que imitam folha seca.

O corpo é compacto e peludo, com antenas clavadas e seis pernas, das quais o primeiro par é reduzido, típico de Nymphalidae. A envergadura varia de 50 a 62 mm, tamanho médio para borboletas diurnas europeias.

No Brasil, o erro mais comum é confundir com a Anartia jatrophae, também chamada de borboleta-pavão-branca, que é cinza-clara com ocelos menores e ocorre de fato por aqui. A verdadeira Aglais io não tem populações selvagens estabelecidas no território brasileiro.

Onde vive e por que quase não é vista no Brasil

A distribuição natural cobre toda a Europa, da Inglaterra à Rússia, e a Ásia temperada até o Japão, entre o nível do mar e cerca de 2.500 m de altitude. Prefere áreas com flores abundantes e urtigas por perto.

Seu habitat típico inclui bosques claros, clareiras, prados, sebes, pomares, parques urbanos e jardins. É uma espécie sinantrópica moderada: visita cidades floridas, mas não vive dentro de casas.

No Brasil ela só aparece em borboletários, coleções e criações controladas. Não há registro de população asselvajada porque depende de inverno frio para hibernar e de Urtica dioica como planta hospedeira principal.

Quando vista na natureza europeia, costuma pousar em buddleias, cardos, salgueiros e frutíferas em dias ensolarados. No outono, procura frestas de muros, sótãos e troncos ocos para hibernar.

O que come em cada fase da vida

A dieta muda completamente entre lagarta e adulto. A lagarta é quase monófaga e se alimenta de urtiga-comum (Urtica dioica) e, em menor escala, de lúpulo (Humulus lupulus).

As lagartas jovens raspam a face inferior das folhas em grupo, depois consomem a folha inteira. Essa especialização explica por que a borboleta é comum onde há terrenos baldios com urtigas.

O adulto é nectarívoro generalista. Usa a espirotromba para sugar néctar de cardos, buddleia, trevo, salgueiro, dente-de-leão e árvores frutíferas. No fim do verão também se alimenta de seiva fermentada e suco de frutas caídas.

Essa alimentação dupla a torna polinizadora útil na primavera e no verão, transportando pólen entre flores enquanto busca energia para voo e reprodução.

Ciclo de vida e reprodução: da postura gregária à hibernação adulta

Apresenta metamorfose completa em quatro etapas: ovo, lagarta, pupa e adulto. Na maior parte da Europa há uma a duas gerações por ano.

Após a hibernação, machos territoriais patrulham áreas ensolaradas entre março e maio. O acasalamento ocorre logo após a fêmea emergir da hibernação.

A fêmea põe até 500 ovos verde-claros em massa compacta na face inferior de urtigas. Os ovos eclodem em 1 a 2 semanas.

  • Lagarta: preta brilhante com pontos brancos e espinhos ramificados pretos, atinge 35 a 42 mm. Vive em grupo nas primeiras fases, dispersando-se depois. Dura 3 a 4 semanas.
  • Pupa (crisálida): verde-acinzentada ou marrom, pendente, com pontos metálicos dourados. Dura 10 a 14 dias.
  • Adulto: emerge no verão. A geração de verão reproduz-se de imediato; a geração de fim de verão acumula reservas e hiberna de outubro a março em abrigo escuro e frio.

A hibernação como adulto é o traço mais singular: poucas borboletas europeias passam o inverno assim, o que permite que a pavão seja uma das primeiras a voar na primavera, antes mesmo de muitas flores abrirem.

Como voa e como se defende com os olhos falsos

O voo é rápido, potente e irregular, com batidas fortes intercaladas por planeios curtos. Machos são altamente territoriais e expulsam outras borboletas de poleiros ensolarados.

A defesa principal é o mimetismo de olhos. Ao ser atacada por uma ave, ela abre bruscamente as asas e expõe os quatro ocelos, que imitam olhos de vertebrado e assustam o predador por frações de segundo.

Se a ameaça persiste, ela complementa com exibição sonora: esfrega as asas e produz um sibilo audível, além de mostrar a face inferior críptica e fechar as asas para sumir contra cascas e folhas secas.

As lagartas, por sua vez, se defendem pela vida em grupo e coloração de advertência. O preto com espinhos sugere impalatabilidade, e o agrupamento dilui o risco individual.

Borboleta-pavão pica, é venenosa ou causa alergia?

Não pica, não morde e não possui veneno. Adultos não têm ferrão nem aparelho bucal para picar; alimentam-se apenas sugando líquidos.

As lagartas têm espinhos ramificados, mas não são urticantes como taturanas. O contato pode causar leve irritação mecânica em pele muito sensível, sem risco sistêmico.

Para humanos e pets, o risco é praticamente nulo. A única recomendação é não manusear lagartas e adultos com as mãos úmidas, para não danificar as escamas das asas e não provocar dermatite de contato leve.

Em caso de ingestão acidental por cães ou gatos, não há toxicidade relevante. Ainda assim, observe e procure orientação veterinária se houver vômito, pois qualquer inseto pode causar desconforto gástrico.

Qual o papel dela no ecossistema: polinizadora ou praga?

É considerada inseto benéfico e polinizador. Adultos visitam muitas flores e contribuem para a polinização cruzada de plantas silvestres e cultivadas.

As lagartas não são praga agrícola. Ao se alimentarem quase exclusivamente de urtigas, não atacam hortaliças, frutíferas ou grãos. Pelo contrário, ajudam a controlar urtigas em áreas naturais.

Serve também como presa importante para aves insetívoras, aranhas e morcegos, integrando a cadeia alimentar temperada. Sua abundância é usada como bioindicador de ambientes floridos e pouco poluídos por pesticidas.

Por isso, programas de manejo na Europa recomendam manter faixas de urtigas em bordas de cultivo e evitar inseticidas de amplo espectro durante o pico de voo, entre junho e agosto.

Curiosidades e erros comuns sobre a borboleta-pavão

Um erro frequente é achar que os ocelos são olhos de verdade. São manchas de escamas coloridas sem função visual, selecionadas por pressão de predação.

Outro mito é que ela vive apenas algumas semanas. Na verdade, a geração hibernante vive 11 a 12 meses, um dos ciclos mais longos entre borboletas diurnas europeias.

Muita gente tenta criá-la no Brasil soltando adultos comprados. Além de ser ilegal sem autorização, não há clima nem planta hospedeira adequada para estabelecimento, e a soltura pode introduzir patógenos.

Para atrair borboletas nativas parecidas por aqui, o caminho é plantar lantana, verbena e maracujá e manter áreas sem veneno, em vez de buscar a espécie europeia.

Perguntas frequentes

Borboleta-pavão existe no Brasil?

A verdadeira Aglais io não ocorre naturalmente no Brasil. Aqui o nome é usado para Anartia jatrophae e outras Nymphalidae. A europeia só aparece em borboletários.

Borboleta-pavão pica ou é venenosa?

Não. Adultos não picam nem têm veneno e lagartas não são urticantes. É inofensiva para pessoas e pets.

O que a lagarta da borboleta-pavão come?

Quase exclusivamente folhas de urtiga-comum (Urtica dioica) e às vezes lúpulo. Não ataca hortas ou lavouras.

Quanto tempo vive a borboleta-pavão?

A geração que hiberna vive 11 a 12 meses. A geração de verão vive 2 a 4 semanas como adulta ativa.

Como atrair borboletas parecidas no Brasil?

Plante flores ricas em néctar como lantana, verbena e buddleia, mantenha áreas sem pesticida e preserve plantas hospedeiras nativas.

Por que ela tem olhos nas asas?

Os quatro ocelos imitam olhos de predador e assustam aves no momento do ataque, aumentando a chance de fuga.

Você sabia?

1

Hiberna como adulta

Enquanto a maioria das borboletas passa o inverno como pupa, a pavão hiberna como adulta por até 6 meses em sótãos e troncos ocos, podendo viver quase um ano.

2

Sibila quando ameaçada

Ao ser perturbada em seu abrigo de inverno, esfrega as asas e emite um sibilo audível para assustar predadores, comportamento raro entre borboletas diurnas.

3

Postura em massa de 500 ovos

A fêmea coloca até 500 ovos empilhados na face inferior de uma única folha de urtiga; as lagartas pretas com espinhos vivem juntas até a terceira troca de pele.

4

Quatro olhos que não veem

Os ocelos azuis das asas não têm função visual, mas imitam olhos de coruja e fazem aves insetívoras recuarem no primeiro ataque.

Fontes

  1. GBIF - Aglais io
  2. Butterfly Conservation UK
  3. Embrapa - Borboletas e polinização

Prós e contras: Borboleta-pavão

Prós

  • Polinizadora eficiente de flores silvestres e de jardim
  • Totalmente inofensiva, não pica e não é praga agrícola
  • Fácil de identificar pelos 4 ocelos característicos
  • Bioindicadora de ambiente saudável e com pouca poluição
  • Ciclo com hibernação adulta fascinante para educação ambiental

Contras

  • Não ocorre naturalmente no Brasil, não pode ser observada livre na natureza local
  • Dependente de urtigas, planta pouco comum em jardins brasileiros
  • Adultos hibernantes precisam de abrigo frio, inviável em clima tropical
  • Pode ser confundida com espécies brasileiras e gerar identificação errada
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a borboleta-pavão é o melhor exemplo de como beleza e estratégia defensiva caminham juntas: os ocelos não são enfeite, são sobrevivência. Para o leitor brasileiro, o valor está em reconhecê-la corretamente e valorizar as nossas equivalentes nativas, sem tentar importar uma espécie temperada que não pertence ao nosso ecossistema.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

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Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.