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Lagarta-maruca

Maruca vitrata

Atualizado em

15 a 20 mm (lagarta); 22 a 27 mm de envergadura (mariposa)Tamanho
Flores, botões e vagens de leguminosasAlimentação
Metamorfose completa em 25 a 35 diasCiclo de vida
Lavouras e hortas tropicais e subtropicaisHabitat
Não pica, não queima e não é venenosaPerigo para humanos
Mariposa adulta da lagarta-maruca Maruca vitrata com asas abertas

A lagarta-maruca é a fase larval da mariposa Maruca vitrata, conhecida também como broca-das-vagens. Com apenas 15 a 20 mm, ela consegue inutilizar flores e vagens de feijão-comum, feijão-caupi, soja e guandu ao se alimentar por dentro dos botões florais.

Apesar do tamanho pequeno, é uma das pragas mais importantes de leguminosas no Brasil e em regiões tropicais do mundo. O adulto é uma mariposa discreta de hábitos noturnos, mas é a lagarta que causa o prejuízo, tecendo teias e broqueando as estruturas reprodutivas da planta.

Não pica, não queima e não transmite doenças para pessoas ou pets, porém exige atenção de quem planta feijão em horta ou lavoura. Entender seu ciclo rápido e seus sinais ajuda a controlar sem uso excessivo de veneno.

Também conhecido como: Broca-das-vagens, Broca-da-vagem-do-feijão, Maruca, Bean pod borer (inglês), Spotted pod borer (inglês)

Faz parte de: Insetos do Brasil, Insetos Voadores, Pragas de Jardim

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Galeria de fotos de Lagarta-maruca

Mariposa adulta da lagarta-maruca Maruca vitrata com asas abertas
Adulto de Maruca vitrata, mariposa noturna que origina a lagarta-maruca.
Close extremo da cabeça da lagarta-maruca mostrando pintas pretas
Detalhe da cabeça marrom e das pintas pretas típicas da lagarta-maruca.
Lagarta-maruca dentro de botão floral de feijão com teia de seda
Lagarta abrigada em teia entre flores de feijão-caupi, seu dano característico.
Ciclo de vida da lagarta-maruca com ovo, lagarta, pupa e mariposa
Ciclo completo da Maruca vitrata: ovo, lagarta, pupa e adulto.
Lagarta-maruca perfurando vagem jovem de feijão
Vagem jovem perfurada pela lagarta-maruca para consumir as sementes.
Lagarta-maruca ao lado de folha de feijão para comparação de tamanho
Tamanho real da lagarta-maruca, de 15 a 20 mm quando desenvolvida.

Perfil rápido de Lagarta-maruca

Calendário

Maior atividade (floração e ataque)JFMAMJJASOND
Postura de ovosJFMAMJJASOND
Presença da mariposa adultaJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxica
  • PessoasNão tóxica

Não possui cerdas urticantes nem veneno. Contato pode causar irritação mecânica leve em pele sensível. Risco real é resíduo de agrotóxico em vagens atacadas.

Vida útil

Na natureza
25 a 35 dias do ovo ao adulto; adulto vive 6 a 14 dias

Reprodução

Metamorfose
Completa: ovo, lagarta (5 ínstares), pupa e adulto
Acasalamento
Noturno; fêmea libera feromônio e põe ovos 1 a 2 dias após a cópula
Ovos
80 a 200 ovos por fêmea, isolados em botões e folhas jovens; eclosão em 2 a 4 dias
Pupa
Casulo de seda entre flores secas ou no solo; dura 6 a 9 dias
Sazonalidade no Brasil
Ano todo no Norte e Nordeste; pico de agosto a março no Centro-Sul, na floração do feijão

Habitat

Ambientes

  • Lavouras de feijão e soja
  • Hortas domésticas com leguminosas
  • Bordas de mata e capoeiras com guandu e crotalária
  • Áreas de cultivo irrigado

Biomas

  • Mata Atlântica
  • Cerrado
  • Caatinga
  • Amazônia
  • Pampa

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Flores e botões florais de feijão-caupi e feijão-comum

Outros alimentos

  • Vagens jovens e sementes em formação
  • Flores de soja, guandu, ervilha e fava

Encontrado em 7 países

  • Brasil
  • Colômbia
  • Nigéria
  • Índia
  • Tailândia
  • Estados Unidos
  • Austrália

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Insecta
Ordem
Lepidoptera
Família
Crambidae
Gênero
Maruca
Espécie
Maruca vitrata

Resumo

  • A lagarta-maruca é a larva da mariposa Maruca vitrata, praga de leguminosas que ataca flores e vagens por dentro.
  • Mede de 15 a 20 mm, tem corpo esbranquiçado a esverdeado com pintas escuras e tece teia nas inflorescências para se proteger.
  • Não oferece perigo para humanos e pets, mas causa grande dano agrícola e exige manejo integrado com controle cultural e biológico.

Características

Ficha do inseto

OrdemLepidoptera
FamíliaCrambidae
Origem e distribuiçãoPantropical; muito comum em todo o Brasil
TamanhoLagarta: 15 a 20 mm; adulto: 22 a 27 mm de envergadura
Coresbranco-esverdeadomarrom-claropreto (pintas)begemarrom (adulto)
Asas e voo2 pares de asas; voo noturno, baixo e rápido
AlimentaçãoFitófaga; flores e vagens de leguminosas
MetamorfoseCompleta (ovo, lagarta, pupa, adulto)
Expectativa de vidaAdulto: 6 a 14 dias; ciclo total: 25 a 35 dias
HabitatLavouras, hortas, bordas de mata e áreas com feijão e soja
Comportamento socialSolitária; lagartas podem ocorrer agrupadas na mesma inflorescência
Principais predadoresVespas parasitoides, joaninhas, crisopídeos e pássaros

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
Importância para o ecossistemaBaixo
Presença em casasMuito baixo
Benefício para a agriculturaMuito baixo
Dano às plantasMuito alto
Vida em grupoBaixo

Como identificar a lagarta-maruca e a mariposa adulta

A lagarta-maruca não é uma espécie de lagarta que queima. É a larva da mariposa Maruca vitrata, também citada como Maruca testulalis. Reconhecer as duas fases evita confusão com lagartas urticantes.

A lagarta recém-eclodida é quase transparente, de cor branco-creme, e passa a verde-clara a bege com a alimentação. O detalhe mais característico são as pintas pretas bem marcadas em cada segmento do corpo, com um pelo fino e claro saindo de cada pinta. Cabeça marrom-escura e corpo levemente achatado.

Quando totalmente desenvolvida, mede 15 a 20 mm e já tece um abrigo de seda. A mariposa adulta é pequena e discreta: 22 a 27 mm de envergadura, asas anteriores marrons com uma mancha branca translúcida e asas posteriores brancas com borda marrom. Voa à noite e raramente é vista durante o dia, escondida na folhagem.

Onde vive e por que é tão comum no Brasil

A Maruca vitrata tem distribuição pantropical e está presente em todas as regiões do Brasil, com maior pressão no Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste onde se planta feijão-caupi e feijão-comum. Ocorre o ano todo em clima quente, mas explode na estação chuvosa.

Vive em lavouras, hortas domésticas, áreas de soja, guandu, crotalária e até em feijão-de-corda espontâneo à beira de estradas. Não invade casas e não forma colônias urbanas. O adulto migra facilmente entre talhões, por isso um plantio vizinho infestado serve de fonte constante.

Em biomas, é mais frequente na Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga, justamente onde há cultivo intensivo de leguminosas. Em áreas frias do Sul, a população cai no inverno e volta a crescer na primavera.

O que a lagarta-maruca come: hospedeiros preferidos

É uma praga oligófaga de leguminosas (Fabaceae). Não come folhas de forma significativa. O alvo são as estruturas reprodutivas: botões florais, flores abertas e vagens em formação.

  • Feijão-caupi (feijão-de-corda) e feijão-comum: hospedeiros principais no Brasil.
  • Soja, guandu, feijão-fava, ervilha e crotalária: hospedeiros secundários importantes.
  • Em menor escala, pode usar amendoim e leucena quando não há outra vagem disponível.

A lagarta perfura o botão floral, entra e consome anteras, ovário e pétalas por dentro, deixando excrementos úmidos e fios de seda. Em vagens novas, faz um furo lateral e rói as sementes em desenvolvimento. Uma única lagarta pode destruir 3 a 6 flores antes de empupar.

Ciclo de vida e reprodução: de ovo a mariposa em 30 dias

O ciclo é de metamorfose completa e muito rápido no calor, o que explica surtos repentinos.

  • Ovo: fêmea põe 80 a 200 ovos isolados ou em pequenos grupos na face inferior de folhas jovens, brácteas e botões. São brancos e achatados, eclodem em 2 a 4 dias.
  • Lagarta: passa por 5 ínstares em 12 a 18 dias. Nos dois primeiros ínstares se alimenta raspando flores; depois broqueia e se esconde em teia.
  • Pupa: empupa dentro de um casulo de seda entre folhas secas, flores murchas ou no solo superficial por 6 a 9 dias.
  • Adulto: mariposa vive 6 a 14 dias, acasala à noite e inicia nova postura já no segundo dia.

Em temperatura de 28 °C, o ciclo completo fecha em 25 a 30 dias, permitindo até 8 gerações por ano no Nordeste. É por isso que a ausência de flores por algumas semanas quebra a sequência.

Comportamento e danos: como ela destrói flores e vagens

O comportamento mais típico é tecer uma teia rala unindo flores, botões e folhas jovens. Dentro desse abrigo, a lagarta se alimenta protegida de predadores e de pulverizações. Ao abrir uma inflorescência atacada, você encontra pétalas coladas, fezes escuras granuladas e um furo de entrada na base do botão.

Os danos são três: queda prematura de flores, vagens tortas e chochas e grãos broqueados com porta de entrada para fungos. Em feijão-caupi, perdas de 30% a 70% da produção são relatadas quando não há controle na floração. Em horta doméstica, o sintoma é a planta florescer muito e não vingar vagem.

A lagarta é solitária, mas várias podem ocupar a mesma inflorescência quando a infestação é alta. Não tem comportamento de migração em massa como lagartas militares; o deslocamento é feito pela mariposa adulta.

Pica ou é venenosa? Riscos para pessoas e pets

Não pica, não morde, não tem cerdas urticantes e não é venenosa. A lagarta-maruca pode ser manuseada, mas o contato direto pode causar irritação leve em pele muito sensível por causa dos pelos finos, sem gravidade.

Para cachorros, gatos e outros pets, a ingestão acidental de uma lagarta em uma vagem não causa intoxicação. O risco maior é indireto: resíduos de inseticida aplicado de forma incorreta na horta. Se houver suspeita de ingestão com veneno, procure um veterinário.

Para humanos, não há necessidade de atendimento médico por contato com a lagarta. Lave as mãos após manusear plantas atacadas e descarte vagens muito perfuradas, pois podem conter fungos.

Papel no ecossistema: praga ou benéfica?

Na nossa avaliação, a lagarta-maruca é essencialmente praga agrícola, sem papel relevante como polinizadora ou decompositora. O adulto até visita flores à noite, mas não é polinizador eficiente.

Ela serve de alimento para inimigos naturais importantes, como as vespas Trichogramma e Apanteles, que parasitam ovos e lagartas, além de tesourinhas, joaninhas e pássaros. Preservar esses predadores é parte do controle.

Em vegetação nativa, a população se mantém baixa e não causa desequilíbrio. O problema surge em monocultivo e plantio escalonado de feijão, onde há alimento contínuo e poucos inimigos naturais.

Como conviver e controlar sem veneno desnecessário

O controle mais eficaz começa antes da lagarta aparecer. Como a mariposa prefere flores, o manejo deve focar na floração.

  • Controle cultural: faça rotação de culturas e evite plantar feijão em sequência na mesma área. Remova e destrua restos de flores e vagens atacadas; não deixe no chão. Antecipe ou atrase a semeadura para escapar do pico populacional.
  • Monitoramento: vistorie 2 vezes por semana na floração, abrindo 10 a 20 inflorescências por talhão. Se encontrar mais de 5% de flores com teia e fezes, é sinal de ação.
  • Controle biológico: preserve predadores evitando inseticida de amplo espectro. Em áreas maiores, a liberação de Trichogramma para parasitar ovos é recomendada por técnicos da Embrapa.
  • Barreira física em horta: use tela anti-inseto fina (voil) sobre as fileiras na floração e retire para polinização manual se necessário. Catação manual das inflorescências com teia funciona em poucos canteiros.

Se precisar de inseticida, prefira produtos seletivos à base de Bacillus thuringiensis (Bt kurstaki), que afeta apenas lagartas e poupa abelhas quando aplicado ao entardecer. Não recomendamos doses ou marcas; consulte um engenheiro agrônomo e respeite o período de carência. Nunca pulverize com flores abertas durante o dia para não atingir polinizadores.

Curiosidades que pouca gente sabe sobre a Maruca vitrata

A lagarta-maruca tem hábitos que a diferenciam de outras brocas de vagem. Um deles é a preferência por flores ainda fechadas: ela entra pelo cálice e consome primeiro o ovário, por isso a flor cai sem abrir e o produtor nem percebe a causa.

Outro ponto pouco comentado é a resistência a muitos inseticidas piretroides já documentada em populações da Ásia e da África, o que reforça a necessidade de manejo integrado no Brasil para não selecionar indivíduos resistentes.

Apesar de ser praga, a espécie é objeto de estudo para feromônio sexual: pesquisadores já identificaram o composto que a fêmea libera para atrair machos à noite, usado em armadilhas de monitoramento que não matam abelhas.

Característica Lagarta-maruca (Maruca vitrata) Lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis)
Onde ataca Flores e vagens por dentro Folhas, desfolha
Sinal Flores coladas com teia e fezes Folhas rendilhadas
Cor Esverdeada com pintas pretas Verde a marrom sem pintas marcadas
Risco para pessoas Nenhum Nenhum

Perguntas frequentes

Lagarta-maruca queima ou pica?

Não. Ela não tem cerdas urticantes, não pica e não é venenosa. Pode ser retirada com a mão, mas lave as mãos depois.

Como saber se minha plantação tem lagarta-maruca?

Abra as flores e procure flores coladas com teia fina, fezes escuras granuladas e furos na base do botão. Flores que caem sem abrir são o primeiro alerta.

Qual planta a lagarta-maruca mais ataca?

Feijão-caupi (feijão-de-corda) e feijão-comum são os preferidos, seguidos por soja, guandu e ervilha.

Como acabar com a lagarta-maruca sem veneno?

Remova flores com teia, faça rotação de culturas, use tela anti-inseto na horta e preserve inimigos naturais. Em casos maiores, Bt kurstaki aplicado ao entardecer é a opção mais seletiva, com orientação técnica.

A mariposa da lagarta-maruca é perigosa?

Não. O adulto é uma mariposa noturna pequena que não morde, não pica e não transmite doenças.

Quanto tempo vive a lagarta-maruca?

A fase de lagarta dura 12 a 18 dias. O ciclo completo de ovo a mariposa leva 25 a 35 dias no calor.

Lagarta-maruca ataca dentro de casa?

Não. Ela só ocorre onde há leguminosas em floração. Não infesta despensa, roupas ou paredes.

Você sabia?

1

Entra pela porta dos fundos

A lagarta prefere perfurar a base do botão floral, onde a pétala encontra o cálice, e come a flor de dentro para fora. Por isso muitas flores caem fechadas sem sinal externo evidente.

2

Teia que engana veneno

Ela une 3 a 5 flores com fios de seda e vive dentro do ninho. Essa teia reduz o contato com inseticidas de contato e é o motivo de pulverizações mal feitas falharem.

3

Viajante intercontinental

Maruca vitrata ocorre na África, Ásia, Américas e Oceania. Estudos genéticos indicam que populações de continentes diferentes são quase idênticas, sinal de dispersão recente ligada ao comércio de sementes.

4

Armadilha de feromônio

A fêmea libera à noite o feromônio (E,E)-10,12-hexadecadienal para atrair machos. Armadilhas com esse composto capturam só machos de Maruca e ajudam a decidir a hora exata de controlar, sem afetar abelhas.

Fontes

  1. Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
  2. GBIF - Global Biodiversity Information Facility
  3. Universidade de São Paulo - ESALQ / Entomologia Agrícola

Prós e contras: Lagarta-maruca

Prós

  • Não oferece risco para pessoas, cachorros e gatos
  • Fácil de identificar pela teia nas flores e pintas pretas
  • Controle cultural e biológico funciona bem em hortas
  • Serve de alimento para inimigos naturais úteis
  • Monitoramento simples evita uso desnecessário de inseticida

Contras

  • Causa perda alta em feijão se não controlada na floração
  • Escondida dentro da flor, escapa de pulverizações mal feitas
  • Ciclo muito rápido permite várias gerações por ano
  • Pode atacar soja, guandu e outras leguminosas além do feijão
  • Populações já mostram resistência a alguns inseticidas
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a lagarta-maruca é o melhor exemplo de praga pequena com dano grande: ignorada até a floração, quando já comprometeu a safra. Para horta doméstica, vale mais prevenir com rotação e catação do que correr para veneno. Em lavoura, monitoramento de flores com teia é mais decisivo que calendário fixo de pulverização.

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Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

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Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.