🐛 Insetos

Barata-do-campo

Pycnoscelus surinamensis

Atualizado em

18 a 24 mm (adulto)Tamanho
Matéria orgânica e raízesAlimentação
5 a 7 meses, metamorfose incompletaCiclo de vida
Solo, vasos e composteirasHabitat
Muito baixo, não peçonhentaPerigo para humanos
Barata-do-campo adulta Pycnoscelus surinamensis sobre solo escuro vista de cima

A barata-do-campo é uma barata silvestre que vive enterrada no solo, em vasos, composteiras e canteiros, bem diferente da barata de esgoto ou da francesinha. Com cerca de 2 cm, corpo marrom-escuro brilhante e hábitos noturnos, ela quase nunca entra em casas e não forma infestações domésticas.

Na prática, ela é um inseto decompositor que ajuda a reciclar matéria orgânica, mas pode virar praga secundária quando em grande número ataca raízes e mudas. Entender essa diferença evita pânico e controle desnecessário com veneno dentro de casa.

Também conhecido como: Barata-de-jardim, Barata-da-areia, Barata surinamesa, Surinam cockroach (inglês), Cucaracha de Surinam (espanhol)

Faz parte de: Insetos do Brasil, Pragas de Jardim

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Galeria de fotos de Barata-do-campo

Barata-do-campo adulta Pycnoscelus surinamensis sobre solo escuro vista de cima
Adulto de barata-do-campo com corpo oval brilhante e asas que cobrem o abdômen.
Close extremo da cabeça e antenas longas da barata-do-campo
Detalhe da cabeça, olhos e antenas longas e finas.
Ninfas sem asas da barata-do-campo agrupadas sob folhas no solo
Ninfas ápteras, pretas e brilhantes, fase mais encontrada ao revirar a terra.
Barata-do-campo se enterrando em substrato úmido de vaso
Hábito fossorial: vive enterrada nos primeiros centímetros do solo.
Barata-do-campo ao lado de raízes finas de muda para comparação de tamanho
Tamanho real de 18 a 24 mm e proximidade com raízes, onde pode causar dano.
Grupo de baratas-do-campo sob pedra no jardim
Agrupamento típico sob pedras, troncos e vasos úmidos.

Perfil rápido de Barata-do-campo

Calendário

Maior atividade (adultos e ninfas)JFMAMJJASOND
Reprodução mais intensaJFMAMJJASOND
Menor atividade (frio/seca)JFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxica, não peçonhenta. Ingestão pode causar irritação gástrica leve.
  • PessoasNão tóxica, não peçonhenta. Não morde nem pica.

Risco sanitário baixo. Lave as mãos após manusear solo. Em caso de alergia respiratória ou ingestão com sintomas persistentes, procure serviço de saúde.

Vida útil

Em ambiente natural
5 a 10 meses do nascimento à morte do adulto
Em vaso/estufa
Ciclo mais curto, 5 a 7 meses, por temperatura e umidade constantes

Reprodução

Metamorfose
Incompleta (hemimetabolia)
Tipo de reprodução
Partenogênese telítoca (fêmeas geram fêmeas sem macho); sexual rara
Incubação
Vivípara: ooteca incubada internamente
Ninfas por gestação
20 a 30
Tempo até adulto
60 a 120 dias
Período reprodutivo
Ano todo em clima quente, pico na primavera e verão

Habitat

Ambientes

  • Solo fofo e úmido
  • Serapilheira e húmus
  • Vasos, jardineiras e estufas
  • Composteiras
  • Sob pedras, troncos e telhas

Biomas

  • Mata Atlântica
  • Cerrado
  • Amazônia
  • Caatinga
  • Pampa
  • Áreas urbanas ajardinadas

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Matéria orgânica em decomposição
  • Húmus e folhas secas

Outros alimentos

  • Raízes finas e radicelas
  • Tubérculos e sementes germinando
  • Restos vegetais de composteira

Encontrado em 8 países

  • Brasil
  • Suriname
  • Estados Unidos
  • México
  • Austrália
  • Índia
  • Indonésia
  • África do Sul

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Insecta
Ordem
Blattodea
Família
Blaberidae
Gênero
Pycnoscelus
Espécie
Pycnoscelus surinamensis

Resumo

  • A barata-do-campo (Pycnoscelus surinamensis) é uma barata silvestre de 18 a 24 mm que vive no solo e não infesta residências como as baratas domésticas.
  • Tem reprodução por partenogênese, ciclo incompleto e hábito noturno, alimentando-se de matéria orgânica e eventualmente de raízes tenras.
  • Não morde, não é peçonhenta e oferece risco sanitário muito menor, atuando como decompositora e só exigindo manejo quando danifica plantas.

Características

Ficha do inseto

OrdemBlattodea
FamíliaBlaberidae
Origem e distribuiçãoPantropical; presente em todo o Brasil e em regiões tropicais e subtropicais do mundo
Tamanho18 a 24 mm de comprimento; ninfas de 3 a 18 mm
Coresmarrom-escuropreto brilhantemarrom-amarelado nas bordas das asas
Asas e vooAdultos alados, voo curto e desajeitado; ninfas sem asas
AlimentaçãoDetritívora: folhas em decomposição, húmus, raízes finas e tubérculos
MetamorfoseIncompleta (hemimetabolia): ovo > ninfa > adulto
Expectativa de vidaAdulto vive 3 a 6 meses; ciclo total 5 a 10 meses
HabitatSolo fofo, serapilheira, vasos, estufas, composteiras e sob pedras
Comportamento socialGregária, noturna, fossorial (vive enterrada)
Principais predadoresPássaros, lagartixas, aranhas, formigas e besouros predadores

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
Importância para o ecossistemaAlto
Presença em casasMuito baixo
Benefício para a agriculturaMédio
Dano às plantasBaixo
Vida em grupoMédio

Como identificar a barata-do-campo e não confundir com a barata doméstica

A barata-do-campo mais comum no Brasil é Pycnoscelus surinamensis, também chamada de barata surinamesa ou barata-de-jardim. Ela tem corpo oval, brilhante, marrom-escuro a preto, com as bordas do pronoto e das asas mais claras, amareladas.

O adulto mede 18 a 24 mm, menor que a barata americana (Periplaneta americana), que passa de 40 mm. As asas cobrem todo o abdômen, mas o voo é raro e curto. As ninfas são ainda mais características: sem asas, pretas e com aspecto aveludado, lembram um bicho-de-conta alongado.

A diferença prática está no comportamento. Enquanto a barata de esgoto corre em paredes e a francesinha (Blattella germanica) se esconde em armários, a barata-do-campo vive enterrada. Se você encontrou o inseto ao revirar terra, vaso ou composto, é quase certamente ela.

  • Antenas longas e finas, maiores que o corpo, em constante movimento.
  • Pernas com espinhos adaptadas para cavar, não para escalar azulejo.
  • Cheiro fraco, sem o odor forte de infestação doméstica.
  • Não corre para dentro de casa quando exposta à luz; tenta se enterrar novamente.

Onde vive e por que aparece no jardim

É uma espécie pantropical e muito comum em todo o Brasil, do Amazonas ao Pampa. Vive em solo fofo, serapilheira, húmus, vasos, jardineiras, estufas e composteiras, geralmente nos primeiros 5 a 10 cm de profundidade.

Aparece mais na estação quente e chuvosa, quando o solo fica úmido e rico em matéria orgânica. Trocar substrato, trazer muda de viveiro ou acumular folhas em decomposição são as formas mais comuns de trazê-la para casa sem perceber.

Diferente das baratas urbanas, não coloniza esgoto, cozinha ou despensa. Se vista dentro de casa, geralmente entrou por acaso, carregada com terra ou vaso, e morre rapidamente por falta de umidade.

O que a barata-do-campo come

É detritívora e onívora oportunista. A base da dieta é matéria orgânica em decomposição: folhas, restos vegetais, húmus e esterco curtido. Esse hábito a torna uma recicladora natural do solo.

Quando a população aumenta ou falta matéria orgânica, pode roer raízes finas, radicelas, tubérculos, sementes germinando e colo de mudas. Por isso é citada como praga secundária em hortas, orquídeas, samambaias, antúrios e morango.

Não busca comida humana, não rói embalagens e não contamina alimentos como as baratas domésticas, justamente porque não transita por esgoto e lixo.

Ciclo de vida e reprodução por partenogênese

A barata-do-campo tem metamorfose incompleta. A fêmea não põe ooteca exposta; ela incuba os ovos internamente e libera ninfas vivas, cerca de 20 a 30 por gestação.

O ponto mais singular é a partenogênese telítoca: no Brasil, as populações são quase só de fêmeas que se reproduzem sem macho, gerando clones. Machos existem, mas são raríssimos por aqui. Isso permite que uma única ninfa inicie uma nova colônia em um vaso.

O desenvolvimento tem 6 a 8 ínstares. De ninfa a adulto leva 2 a 4 meses, dependendo da temperatura e umidade. Adultos vivem mais 3 a 6 meses. Em clima quente, pode haver duas gerações por ano.

Comportamento: hábitos noturnos, voo e vida no solo

É estritamente noturna e fotofóbica. Durante o dia fica imóvel e enterrada; à noite sai para se alimentar na superfície do solo. Se exposta, corre para se esconder sob folhas ou se enterra em segundos.

Apesar de alada, voa pouco e mal. Usa as asas mais para planar quando cai ou para se deslocar em noites muito úmidas e quentes. As ninfas, ápteras, nunca voam e são as mais vistas por quem mexe na terra.

Vive em agrupamentos frouxos, não em colônias organizadas. É comum encontrar dezenas sob o mesmo vaso ou tronco em decomposição, sem hierarquia ou ninho. Quando perturbada, pode liberar secreção defensiva com odor leve, mas sem risco.

Morde, transmite doença ou oferece risco para pessoas e pets?

Não morde, não pica e não é peçonhenta. O aparelho bucal é mastigador, feito para triturar matéria vegetal, e ela não ataca pessoas, cachorros ou gatos.

O risco sanitário é muito menor que o das baratas domésticas. Como não vive em esgoto, não carrega a mesma carga de bactérias. Ainda assim, como todo inseto de solo, pode transportar mecanicamente microrganismos se manuseado e depois levar a mão à boca. Lavar as mãos após jardinagem resolve.

Para pets, a ingestão acidental geralmente não causa intoxicação. Cachorros e gatos que comem uma ou duas podem ter irritação gástrica leve pela quitina e pela secreção defensiva, mas sem veneno. Se houver vômito persistente, procure veterinário. Pessoas alérgicas a baratas podem ter sensibilidade, porém a exposição domiciliar é mínima.

É praga ou aliada? O papel no ecossistema

Na nossa avaliação, a barata-do-campo é mais aliada do que praga na maioria dos jardins. Ao fragmentar folhas e revolver o solo, ela acelera a decomposição, melhora a aeração e libera nutrientes, funcionando como uma minhoca de casca dura.

Vira problema apenas em alta densidade em vasos, sementeiras e estufas, onde a falta de alimento a faz atacar raízes. O dano típico é muda que murcha sem motivo aparente, raiz roída e falha na germinação, não folhas comidas.

Também é alimento importante para fauna nativa: lagartixas, sapos, pássaros, aranhas e formigas predadoras controlam naturalmente sua população. Eliminar tudo com inseticida quebra essa cadeia e piora o problema a longo prazo.

Como conviver e quando controlar sem veneno

Na maioria dos casos, não é preciso controlar. Se são poucas e as plantas estão saudáveis, deixe-as decompor matéria orgânica. O manejo só vale quando há dano visível em mudas ou infestação em vasos.

Prefira manejo integrado e medidas culturais, sem pulverizar veneno dentro de casa:

  • Reduza abrigo e umidade excessiva: retire acúmulo de folhas, troque cobertura morta muito espessa, melhore a drenagem dos vasos.
  • Faça catação manual: à noite, com lanterna, colete adultos e ninfas e solte em área de mata ou composteira distante.
  • Troque o substrato contaminado: em vasos muito infestados, descarte a terra em saco fechado e replante com substrato novo e esterilizado.
  • Use barreiras físicas: telas em ralos de jardim e vasos com furos protegidos evitam recolonização.
  • Atraia predadores: mantenha o jardim amigável para lagartixas e pássaros, evitando inseticida de amplo espectro.

Armadilhas de queda com pote enterrado e isca de banana ou cerveja ajudam a monitorar. Não use inseticida doméstico em horta ou dentro de casa para esse inseto; além de ineficaz no solo, contamina polinizadores e o próprio alimento.

Curiosidades que pouca gente sabe

Apesar do nome, a barata-do-campo não é parente próxima das baratas de esgoto em hábito, embora seja da mesma ordem. Ela pertence à família Blaberidae, que reúne muitas baratas silvestres que não são pragas urbanas.

É uma das poucas baratas vivíparas de ocorrência comum no Brasil: a fêmea mantém os ovos dentro do corpo até eclodirem. Isso aumenta a sobrevivência das ninfas em solo úmido.

Em outros países, a mesma espécie é criada como alimento vivo para répteis e anfíbios, justamente por ser limpa, macia quando ninfa e fácil de reproduzir. Aqui, ainda é pouco conhecida nesse uso.

Barata-do-campo Barata doméstica (americana/francesinha)
Vive no solo, ao ar livre Vive dentro de casas, esgoto e armários
Não infesta cozinha Infesta cozinha e despensa
Risco sanitário baixo Risco sanitário alto
Controle com manejo do solo Controle com higiene e vedação

Perguntas frequentes

Barata-do-campo entra em casa?

Raramente. Ela vive no solo e só aparece dentro de casa se vier com terra, vaso ou muda. Não coloniza cozinha, armários ou esgoto.

Barata-do-campo voa?

O adulto tem asas e pode fazer voos curtos e desajeitados em noites quentes e úmidas, mas prefere correr e se enterrar. Ninfas não voam.

Ela transmite doença como a barata de esgoto?

O risco é muito menor, porque não transita por esgoto e lixo. Ainda assim, lave as mãos após mexer na terra e evite levar o inseto à boca.

Como acabar com barata-do-campo no vaso?

Troque o substrato, melhore a drenagem, faça catação noturna e remova excesso de matéria orgânica. Evite inseticida, que contamina a planta e mata predadores naturais.

Barata-do-campo morde ou é venenosa?

Não morde, não pica e não tem veneno. Pode liberar uma secreção defensiva com cheiro leve se manuseada, sem perigo.

Qual a diferença entre barata-do-campo e barata francesinha?

A francesinha é pequena (13 mm), clara e vive dentro de armários e cozinhas. A do campo é maior (18-24 mm), escura, brilhante e vive enterrada no solo.

Você sabia?

1

Clones sem macho

No Brasil, quase toda população de Pycnoscelus surinamensis é só de fêmeas que se reproduzem por partenogênese, sem precisar de macho.

2

Barata que nasce pronta

Ela não põe ovos no ambiente; incuba a ooteca dentro do corpo e libera ninfas vivas, já ativas para se enterrar.

3

Indicadora de solo rico

Encontrar muitas baratas-do-campo indica solo muito úmido e com excesso de matéria orgânica em decomposição, não sujeira doméstica.

4

Confundida com bicho-de-conta

As ninfas pretas e brilhantes são frequentemente confundidas com tatuzinhos-de-jardim, mas têm antenas longas e correm muito mais rápido.

Fontes

  1. Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
  2. GBIF - Global Biodiversity Information Facility
  3. Manual de Entomologia Agrícola - ESALQ/USP

Prós e contras: Barata-do-campo

Prós

  • Decompositora: recicla folhas e melhora o solo
  • Melhora aeração do substrato ao cavar galerias
  • Serve de alimento para pássaros, lagartixas e aranhas
  • Não infesta casas nem contamina alimentos como baratas domésticas
  • Indica solo rico em matéria orgânica, útil para diagnóstico

Contras

  • Em alta densidade pode roer raízes finas e mudas
  • Pode assustar quem confunde com barata doméstica
  • Difícil de eliminar só com inseticida por viver enterrada
  • Pode vir com mudas e substrato de viveiro sem ser notada
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a barata-do-campo é o exemplo perfeito de inseto injustiçado pelo nome: leva a fama das baratas domésticas sem merecer. Para a maioria dos jardins ela é uma decompositora útil e só precisa de manejo simples de solo quando ataca mudas, nunca de veneno dentro de casa.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

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Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.