🍊 Frutíferas

Eleagno-multifloro

Elaeagnus multiflora

Atualizado em

2 a 4 m de alturaTamanho
Sol plenoLuminosidade
ModeradaRega
2 a 3 anosPrimeiros frutos
FácilDificuldade
Frutos vermelhos com pintas prateadas do eleagno-multifloro inteiros e cortado ao meio sobre superfície rústica

O eleagno-multifloro (Elaeagnus multiflora) é um arbusto frutífero de 2 a 4 metros, muito ramificado e de copa arredondada, originário do leste da Ásia. É conhecido como goumi ou gumi e se destaca pelos frutos pequenos, vermelhos e salpicados de pintas prateadas, de sabor agridoce que lembra cereja com toque adstringente.

No Brasil ainda é raro, cultivado principalmente por colecionadores e descendentes de japoneses no Sul e Sudeste. Chama atenção por ser extremamente rústico, fixar nitrogênio no solo e produzir rápido, além de ter folhas com verso prateado e flores pequenas e muito perfumadas que atraem abelhas.

É uma frutífera de dupla função: produz alimento e melhora o solo ao redor, o que a torna interessante para pomares agroecológicos, cercas vivas produtivas e quintais pequenos.

Também conhecido como: Goumi, Gumi, Natsugumi, Cereja-de-goumi, Oleastro-multifloro

Faz parte de: Lista de Frutíferas

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Galeria de fotos de Eleagno-multifloro

Frutos vermelhos com pintas prateadas do eleagno-multifloro inteiros e cortado ao meio sobre superfície rústica
Frutos do eleagno-multifloro com as típicas pintas prateadas e semente única.
Folhas do eleagno-multifloro mostrando verso prateado característico
Folhas com verso prateado coberto por escamas, marca da espécie.
Arbusto de eleagno-multifloro carregado de frutos vermelhos no pomar
Arbusto produtivo em plena frutificação.
Flores pequenas creme-amareladas e perfumadas do eleagno-multifloro
Flores discretas porém muito perfumadas que atraem abelhas.
Cesta com colheita de frutos frescos de eleagno-multifloro
Colheita de goumi; frutos devem ser consumidos ou congelados rápido.
Eleagno-multifloro cultivado em vaso grande em varanda ensolarada
Cultivo em vaso grande é possível com sol pleno e boa drenagem.
Ideal para

Ideal para quem busca uma frutífera diferente, rústica e de dupla função no quintal. Funciona muito bem para quem tem solo pobre ou quer melhorar a terra sem adubo, além de colecionadores e famílias que gostam de geleias caseiras e de atrair abelhas para o pomar.

Pode não ser ideal para

Pode não ser ideal para quem tem pouco espaço interno ou mora em apartamento sem sol pleno e varanda grande, pois precisa de sol forte e de outra planta por perto para produzir bem. Também não é a melhor escolha para quem espera fruta doce como jabuticaba para comer direto do pé sem esperar a maturação completa, pois colhida antes da hora é adstringente.

Cultivo rápido

Luminosidade
Sol pleno, mínimo 6 horas de sol direto; tolera meia-sombra sem frutificar bem
Rega
Moderada; manter úmido no primeiro ano, depois regar só quando solo secar; reduzir no inverno
Solo
Leve, arenoso ou franco, bem drenado; pH 5,5 a 7,5; tolera solo pobre
Temperatura
Ideal 15 a 28 °C; precisa de frio hibernal (0 a 10 °C por algumas semanas); suporta -20 °C
Adubação
Sem nitrogênio; usar composto + fósforo e potássio no fim do inverno e após colheita
Poda
Leve, após colheita; remover ramos secos e cruzados; não podar forte no inverno
Propagação
Alporquia e estacas semilenhosas no fim do verão; sementes com estratificação fria de 60-90 dias

Perfil rápido de Eleagno-multifloro

Calendário

PlantioJFMAMJJASOND
FloraçãoJFMAMJJASOND
ColheitaJFMAMJJASOND

Encontrado em 3 países

  • Japão
  • China
  • Coreia do Sul

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Magnoliophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Rosales
Família
Elaeagnaceae
Gênero
Elaeagnus
Espécie
Elaeagnus multiflora

Resumo

  • O eleagno-multifloro é um arbusto frutífero asiático de 2 a 4 m que produz frutinhos vermelhos com pintas prateadas, agridoce e rico em licopeno.
  • Fixa nitrogênio no solo por simbiose com bactérias Frankia, frutifica em 2 a 3 anos e precisa de sol pleno e solo bem drenado para produzir bem no Brasil.
  • É rústico, pouco exigente e quase sem pragas, ideal para pomar doméstico e cultivo agroecológico, mas precisa de polinização cruzada para boa frutificação.

Características

Ficha da frutífera

Nome popularEleagno-multifloro, goumi, gumi, natsugumi
Nome científicoElaeagnus multiflora Thunb.
Família botânicaElaeagnaceae
OrigemChina, Japão e Coreia
Tamanho2 a 4 m de altura; copa de 2 a 3 m de diâmetro
Coresvermelho com pintas prateadas (fruto)prateado-esverdeado (folha)
Tempo até frutificar2 a 3 anos (muda enxertada ou alporquia); 4 a 5 anos por semente
Época de frutificaçãoOutubro a janeiro no Sudeste e Sul do Brasil
LuminosidadeSol pleno (mínimo 6 horas/dia)
RegaModerada; tolera seca após estabelecida
SoloLeve, bem drenado, pH 5,5 a 7,5; tolera solo pobre e arenoso
ClimaTemperado a subtropical; precisa de frio leve no inverno, tolera -20 °C
PropagaçãoSementes, estacas semilenhosas, alporquia e mergulhia
Cultivo em vasoPossível em vaso de 80 a 100 litros

Perfil e comportamento

Necessidade de solMuito alto
Necessidade de águaBaixo
Facilidade de cultivoAlto
Adequação a vasosMédio
ProdutividadeAlto
Resistência a pragasMuito alto

O que é e como reconhecer o eleagno-multifloro

O eleagno-multifloro é um arbusto grande ou arvoreta caducifólia que raramente passa de 4 metros. Não é uma árvore de tronco único: forma vários ramos desde a base, com casca acinzentada e pequenos espinhos em algumas variedades.

O detalhe que entrega a espécie é a folha com verso prateado. A face superior é verde-escura e lisa, a inferior é coberta por escamas prateadas que brilham ao vento. As folhas são elípticas, de 4 a 8 cm, e caem no inverno em regiões frias.

Na primavera surgem flores creme-amareladas, tubulares e muito perfumadas, de 1 cm, pendentes em grupos de 1 a 3 na axila das folhas. O perfume lembra cravo e atrai abelhas nativas e Apis.

O fruto é o ponto alto. É uma drupa oval de 1 a 1,5 cm, vermelha viva com pintas prateadas bem visíveis, como se tivesse sido salpicada. Quando madura, a polpa é suculenta, agridoce, levemente adstringente, com uma única semente estriada no centro.

Não confunda com Elaeagnus pungens ou Elaeagnus angustifolia, usadas só como ornamentais. O multiflora tem fruto maior, mais doce e pedúnculo mais longo. Outro erro comum é chamar de cereja: não é da família Rosaceae.

Quando e como frutifica no Brasil

No Brasil, a floração ocorre de agosto a outubro e a colheita de outubro a janeiro, variando com o frio. No Sul, frutifica mais tarde; no Sudeste serrano, mais cedo.

A planta é parcialmente autoestéril. Um pé sozinho até produz, mas a produção dobra com duas plantas diferentes por perto para polinização cruzada. As flores são polinizadas principalmente por abelhas.

Os frutos amadurecem de forma desuniforme no cacho. Precisam ser colhidos bem vermelhos e levemente moles ao toque. Se colhidos verdes, ficam muito adstringentes por causa dos taninos.

A produtividade de uma planta adulta bem cuidada fica entre 5 e 15 kg por safra. A frutificação começa cedo: mudas de alporquia ou estaca produzem com 2 a 3 anos, enquanto mudas de semente levam 4 a 5 anos.

Após a colheita, o fruto é perecível. Dura 2 a 3 dias na geladeira e por isso quase não é encontrado no comércio. O ideal é colher e consumir ou congelar no mesmo dia.

Onde plantar: clima, luz e solo ideais

O eleagno-multifloro precisa de sol pleno, no mínimo 6 horas diretas. Em meia-sombra cresce, mas quase não frutifica e fica estiolado.

Prefere clima temperado e subtropical. Necessita de algumas horas de frio no inverno para florescer bem, por isso produz melhor no Sul, Sudeste serrano e Centro-Oeste de altitude. Tolera geada forte e calor de até 35 °C depois de estabelecida.

O grande trunfo é a rusticidade quanto ao solo. Por fixar nitrogênio, cresce em solo pobre, arenoso e até degradado, onde outras frutíferas falham. O único ponto inegociável é a drenagem: não tolera encharcamento.

O pH ideal fica entre 5,5 e 7,5. Em solo muito argiloso, plante em camalhão ou cova elevada com mistura de areia grossa e composto orgânico.

É excelente para quebra-vento, cerca viva e consórcio. Como melhora o solo, é muito usada em sistemas agroflorestais ao lado de caquizeiros, macieiras e citros.

Como plantar eleagno-multifloro passo a passo

Escolha mudas de alporquia ou estaca se quiser frutos iguais à planta-mãe e produção precoce. Sementes precisam de estratificação a frio por 60 a 90 dias na geladeira antes de semear.

A melhor época de plantio no Brasil é o final do outono e inverno (maio a agosto), quando a muda está em dormência. Evite plantar no auge do verão com muda envasada exposta ao sol forte.

Abra cova de 50 x 50 x 50 cm. Misture à terra 10 litros de composto orgânico curtido, 200 g de farinha de ossos e areia se o solo for pesado. Não precisa de muito nitrogênio.

Plante no mesmo nível em que estava no vaso, sem enterrar o colo. Faça uma bacia ao redor e regue abundantemente após o plantio. Se plantar duas, mantenha 3 a 4 metros entre elas.

Nos primeiros 6 meses, tutore e mantenha o solo levemente úmido, mas sem encharcar. Cobertura morta com palha ajuda a manter a umidade e protege as raízes superficiais.

Como cuidar: rega, adubação e poda

Depois de pegada, a planta é tolerante à seca. Regue apenas quando o solo secar a 3 cm de profundidade. No período de frutificação, rega regular evita queda de frutos, mas excesso racha a polpa.

Adubação é simples. Por fixar nitrogênio com a bactéria Frankia nos nódulos radiculares, não precisa de adubo nitrogenado. Excesso de nitrogênio, aliás, só estimula folha e reduz fruto.

Faça duas adubações anuais: no final do inverno com composto + fósforo e potássio (farinha de ossos e cinza ou NPK 4-14-8) e após a colheita com composto para recuperar a planta.

A poda é leve. Logo após a colheita, faça poda de limpeza e de formação, removendo ramos secos, cruzados e ladrões da base. Encurte ramos muito longos para manter a copa baixa e facilitar a colheita.

Não faça poda drástica no inverno, pois remove as gemas florais. A frutificação ocorre nos ramos do ano anterior, então podas severas zeram a safra seguinte.

Cultivo em vaso e em quintais pequenos

É possível cultivar em vaso, mas a produção será menor. Use recipiente de 80 a 100 litros, com 50 cm de profundidade mínima e furos grandes de drenagem.

O substrato ideal é leve: 2 partes de terra vegetal, 1 de areia grossa e 1 de composto orgânico, com camada de argila expandida no fundo. Mantenha em local de sol pleno, como laje ou varanda norte.

Em vaso, a rega é mais frequente: 2 a 3 vezes por semana no verão, sempre checando a umidade. Adube a cada 3 meses com composto e farinha de ossos, sem exagerar.

Para quintais pequenos, conduza como arbusto de 2 metros com podas anuais ou como cerca viva produtiva. Aceita bem espaldeira junto a muro ensolarado.

Se tiver só um vaso, vale ter duas plantas em vasos separados lado a lado para garantir polinização cruzada. Abelhas precisam visitar ambas.

Pragas, doenças e a fixação de nitrogênio

É uma das frutíferas mais resistentes a pragas e doenças no Brasil. Quase não sofre com mosca-das-frutas, cochonilhas ou fungos quando bem ventilada.

Ocasionalmente pode aparecer pulgão nas brotações novas e ferrugem em locais muito úmidos e sombreados. Resolver com jato de água, poda para arejar e calda de sabão neutro costuma bastar.

O diferencial ecológico é a fixação biológica de nitrogênio. Nódulos nas raízes abrigam actinobactérias do gênero Frankia, que convertem nitrogênio do ar em forma assimilável. Isso explica por que a planta fica verde-escura mesmo em solo pobre.

Por isso, não arranque os nódulos alaranjados das raízes achando que são doença. São benéficos e melhoram o solo num raio de 1 a 2 metros, beneficiando plantas vizinhas.

Evite herbicida e capina profunda ao redor do tronco, que danificam esses nódulos superficiais. Prefira cobertura morta.

Usos do fruto, sabor e variedades

O fruto é consumido in natura quando bem maduro, mas brilha em geleias, sucos, licores e molhos agridoces para carnes. A acidez diminui muito 1 a 2 dias após colhido na geladeira.

Nutricionalmente, chama atenção pelo alto teor de licopeno — estudos apontam de 7 a 17 vezes mais que o tomate — além de vitamina C, vitamina E e flavonoides. A semente não se consome.

As variedades mais encontradas são Sweet Scarlet e Red Gem, selecionadas na Europa por frutos maiores (até 2 cm) e menos adstringentes. No Japão há a cultivar Kaplan e tipos de fruto amarelo, raros no Brasil.

A diferença entre elas está no tamanho do fruto, doçura e presença de espinhos. Sweet Scarlet é mais doce e quase sem espinhos; plantas de semente sem seleção são mais espinhosas e ácidas.

Variedade / Tipo Tamanho do fruto Sabor Observação
Sweet Scarlet 1,5 a 2,0 cm Doce, baixa adstringência Mais produtiva, poucos espinhos
Red Gem 1,2 a 1,8 cm Agridoce equilibrado Boa para geleia
Planta de semente comum 1,0 a 1,3 cm Ácido e adstringente se verde Mais rústica e espinhosa

Se comprar muda sem identificação, pergunte a origem. Mudas de semente são baratas, mas variam muito em sabor. Para consumo de mesa, prefira clones nomeados.

Perguntas frequentes

Eleagno-multifloro precisa de duas plantas para dar fruto?

Não é obrigatório, mas altamente recomendado. Sozinho frutifica pouco; com duas plantas diferentes a polinização cruzada aumenta muito a produção.

O fruto do eleagno é comestível?

Sim, totalmente comestível quando bem maduro, vermelho e macio. Verde é adstringente e desagradável.

Pode plantar eleagno-multifloro em vaso?

Pode, em vaso de 80 a 100 litros com sol pleno e drenagem perfeita, mas a produção será menor que no solo.

Quanto tempo demora para frutificar?

Mudas de alporquia ou estaca frutificam em 2 a 3 anos; mudas de semente levam 4 a 5 anos.

Precisa de frio para produzir no Brasil?

Sim, precisa de um inverno com algumas semanas de frio leve. Por isso produz melhor no Sul e Sudeste serrano.

Eleagno-multifloro tem espinhos?

Algumas plantas de semente têm espinhos curtos nos ramos; cultivares selecionadas como Sweet Scarlet são quase sem espinhos.

Como saber a hora de colher?

Quando o fruto está vermelho intenso, com pintas prateadas, levemente translúcido e se solta fácil ao toque. Se resistir, ainda não está no ponto.

Você sabia?

1

Pintas prateadas são escamas

As pintinhas prateadas do fruto e da folha são escamas peltadas que refletem luz e reduzem a perda de água, uma adaptação a solos secos e ventos fortes do litoral japonês.

2

Licopeno em níveis extremos

A polpa vermelha concentra licopeno em quantidade até 17 vezes maior que o tomate cru, o que explica a cor intensa e o interesse da planta para sucos funcionais na Ásia.

3

Perfume que engana

As flores pequenas e discretas exalam perfume forte de cravo à noite para atrair mariposas e abelhas, mas quase não aparecem em fotos porque ficam escondidas sob as folhas.

4

Parente da espinheiro-marítimo

Apesar do fruto parecer cereja, o eleagno é parente do sea buckthorn (Hippophae rhamnoides) e, como ele, fixa nitrogênio com Frankia, não com Rhizobium como as leguminosas.

Fontes

  1. Embrapa - Frutíferas
  2. Plants of the World Online - Kew
  3. Missouri Botanical Garden

Prós e contras: Eleagno-multifloro

Prós

  • Extremamente rústico e resistente a pragas e seca
  • Fixa nitrogênio e melhora o solo ao redor
  • Frutificação precoce, em 2 a 3 anos
  • Frutos ricos em licopeno e muito bons para geleias
  • Atrai abelhas com flores perfumadas

Contras

  • Fruto pequeno e perecível, não é encontrado no mercado
  • Precisa de polinização cruzada para boa produção
  • Adstringente se colhido antes da maturação completa
  • Exige sol pleno e frio hibernal, não vai bem no Norte quente
  • Mudas de cultivares superiores ainda são raras no Brasil
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o eleagno-multifloro é uma das frutíferas mais subestimadas para quintais brasileiros: rústica, bonita e útil para o solo, mas ainda tratada como curiosidade. Vale plantar não pelo volume de fruto, e sim pela combinação de precocidade, resistência e função ecológica que poucas outras oferecem.

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Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.