Resumo
- A manteiga-de-amendoim é a Bunchosia armeniaca, arvoreta de 3 a 6 m com frutos vermelhos cuja polpa tem aroma e sabor de pasta de amendoim.
- Frutifica em 2 a 3 anos após o plantio, com pico de colheita entre dezembro e abril no Brasil, e prefere sol pleno e clima quente.
- Vai bem em quintal e em vaso grande, com rega moderada, solo fértil e bem drenado, e exige pouca poda além da formação e limpeza.
Características
Ficha da frutífera
| Nome popular | Manteiga-de-amendoim |
|---|---|
| Nome científico | Bunchosia armeniaca (Cav.) DC. |
| Família botânica | Malpighiaceae |
| Origem | América Central e noroeste da América do Sul (Andes) |
| Tamanho | 3 a 6 m em cultivo (até 10-20 m na natureza) |
| Tempo até frutificar | 2 a 3 anos (semente); 1 a 2 anos (muda enxertada/estaquia) |
| Época de frutificação | Verão a outono (dezembro a abril, com repasse) |
| Luminosidade | Sol pleno (mínimo 6 h/dia) |
| Rega | Moderada; 2 a 3 vezes por semana no estabelecimento |
| Solo | Fértil, profundo, bem drenado, pH 5,5 a 6,5 |
| Clima | Tropical e subtropical; sensível a geada forte |
| Propagação | Sementes, estaquia e alporquia |
| Cultivo em vaso | Sim, vaso de 80 a 200 litros |
| Espaçamento | 4 x 4 m a 5 x 5 m |
Perfil e comportamento
| Necessidade de sol | Muito alto |
|---|---|
| Necessidade de água | Médio |
| Facilidade de cultivo | Alto |
| Adequação a vasos | Alto |
| Produtividade | Alto |
| Resistência a pragas | Alto |
Como reconhecer a manteiga-de-amendoim de verdade
A manteiga-de-amendoim não é amendoim e nem tem amendoim dentro. O nome vem da polpa alaranjada e pastosa que cheira e tem gosto de pasta de amendoim com toque adocicado, quando o fruto está bem maduro.
O fruto é pequeno, com 2 a 3 cm, ovalado, de casca fina e brilhante que vai do verde ao vermelho-alaranjado intenso na maturação. A polpa é pouca, grudada à semente, e a semente é única, grande e não comestível.
Na planta, o que mais denuncia a espécie são as folhas verde-escuras, coriáceas e brilhantes, com um par de glândulas na base do limbo ou no pecíolo, típicas de Malpighiaceae. As flores são amarelas, pequenas e em cachos, muito visitadas por abelhas.
- Altura: arvoreta de 3 a 6 m em quintal, copa arredondada e densa.
- Casca do tronco: acinzentada, lisa quando jovem.
- Confusão comum: não confundir com Bunchosia glandulifera, nome frequentemente usado como sinônimo no comércio, nem com a grumichama ou acerola, da mesma família.
Onde plantar e qual clima ela prefere no Brasil
É uma espécie tropical de altitude baixa a média, nativa das florestas úmidas da América Central até os Andes. No Brasil se adapta melhor a clima quente e úmido, com temperatura entre 22 °C e 30 °C.
Produz bem no Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste, e no Sul em áreas sem geada forte. Geada severa queima folhas jovens e pode matar mudas novas, mas planta adulta tolera frio leve e breve.
Precisa de sol pleno o dia todo. Em meia-sombra cresce, mas frutifica pouco e os frutos ficam menos doces. Vento forte resseca os cachos, então prefira local abrigado.
Como plantar manteiga-de-amendoim do zero
A forma mais comum é por semente fresca. A semente perde viabilidade rápido, então plante em até 15 dias após retirar da polpa. Deixe secar à sombra por 1 dia e semeie a 1 a 2 cm de profundidade.
Use substrato leve com terra vegetal + areia grossa + composto orgânico (2:1:1). A germinação ocorre em 20 a 45 dias. Mantenha úmido, sem encharcar, e em meia-sombra até a muda ter 15 cm.
Plantio no local definitivo
Escolha cova de 50 x 50 x 50 cm, com 10 litros de composto curtido e 200 g de farinha de ossos. Em solo argiloso, faça drenagem com brita no fundo.
Plante no início das chuvas, de setembro a dezembro, quando a muda tem 40 a 60 cm. Regue fundo após o plantio e faça coroamento. O espaçamento ideal é 4 x 4 m para quintal.
- Estaquia e alporquia: possíveis na primavera, com ramos semilenhosos e uso de enraizador, mas pegamento é mais baixo que por semente.
- Enxertia: pouco usada comercialmente, mas antecipa a produção para 12 a 18 meses.
Luz, rega e solo ideais para frutificar bem
Luz é o fator número um. Sem 6 a 8 horas de sol direto, a planta vegeta e não carrega. Se for plantar perto de muro, deixe a copa livre para o norte e leste.
Rega: moderada e regular. No primeiro ano, 2 a 3 vezes por semana em períodos secos. Depois de estabelecida, tolera estiagem curta, mas a falta de água na floração derruba flores. Em vaso, regue quando o topo do substrato secar 2 cm.
Solo: fértil, profundo e bem drenado. Não tolera encharcamento. Faixa ideal de pH 5,5 a 6,5. Solo muito pobre gera frutos pequenos e fibrosos.
Na nossa avaliação, o erro mais comum é plantar em solo compactado e sombreado achando que, por ser rústica, vai produzir igual. Ela sobrevive, mas a colheita fica rala e sem sabor.
Quando e como colher: o ponto exato da polpa
A primeira frutificação vem com 2 a 3 anos por semente, em condições boas. Em regiões quentes pode haver duas safras leves por ano, mas a principal é de dezembro a abril.
Os frutos amadurecem de forma desuniforme no cacho. Colha quando estiverem totalmente vermelhos, levemente macios ao toque e se soltando com facilidade. Se ainda estiverem firmes e alaranjados, a pasta de amendoim não aparece.
Colha manualmente e consuma em 1 a 2 dias, pois fermentam rápido. Na geladeira duram até 4 dias. O sabor é mais intenso quando o fruto fica 24 horas em temperatura ambiente após colhido, terminando de amolecer.
- Rendimento: planta adulta bem cuidada produz 10 a 25 kg por safra em quintal.
- Uso: consumo in natura, raspando a polpa com colher, ou batida com leite, em pastas e sorvetes. A semente não se come.
Poda e adubação sem erro
A manteiga-de-amendoim frutifica nos ramos do ano, então poda drástica na época errada corta a safra. Faça poda de formação nos dois primeiros anos, deixando 3 a 4 pernadas principais a 60 cm do solo.
Depois, apenas poda de limpeza após a colheita: retire ramos secos, cruzados e ladrões da base. Desponte leve ajuda a manter a copa baixa para colheita.
Adubação: é comedida. No plantio, matéria orgânica já resolve. Na produção, aplique 2 a 3 vezes ao ano:
- Setembro (pré-florada): 5 a 10 L de composto + 100 g de NPK 10-10-10 por planta.
- Janeiro (pós-pegamento): reforço com composto e farinha de ossos.
- Maio (pós-colheita): apenas composto para recuperar.
Em vaso, adube a cada 3 meses com composto + torta de mamona ou bokashi, sem exagerar em nitrogênio, que faz muita folha e pouco fruto.
Cultivo em vaso: dá certo?
Sim, e é uma das frutíferas exóticas que melhor se adaptam a vaso grande por ter porte controlado. Use vaso de pelo menos 80 litros, ideal de 120 a 200 litros, com furos amplos e camada de drenagem.
Substrato: terra vegetal, composto, areia grossa e perlita. Mantenha em sol pleno em varanda ou laje. Em apartamento sem sol direto o dia todo, não vale a pena.
Em vaso a planta fica com 1,5 a 2,5 m e produz menos, cerca de 2 a 6 kg por safra, mas já é suficiente para consumo. Regue com mais frequência que no solo e faça adubação leve e regular. Troque 30% do substrato a cada 12 meses.
Pragas, doenças e problemas mais comuns
É considerada rústica e com poucos problemas fitossanitários quando bem nutrida e ao sol. Os casos mais vistos são:
- Cochonilhas e pulgões: em brotações novas, principalmente em vaso ou planta sombreada. Remova com jato d’água e óleo de neem.
- Mosca-das-frutas: ataca frutos muito maduros. Colha no ponto certo e não deixe frutos caídos no chão.
- Ferrugem e manchas foliares: em excesso de umidade e pouca ventilação. Melhore o espaçamento e evite molhar a copa à tarde.
Evite encharcamento prolongado, que causa podridão de raízes. Cobertura morta ajuda, mas deixe 15 cm livres ao redor do tronco.
Sabor, uso na cozinha e conservação
O grande charme é sensorial: a polpa, quando madura, é pastosa, densa e aromática, lembrando pasta de amendoim levemente adocicada com notas de batata-doce. Quando verde, é adstringente e sem graça.
Como tem pouca polpa por fruto, o uso mais inteligente é como ingrediente aromático, não como fruta de volume. Bata com banana congelada, leite ou bebida vegetal, ou misture em brigadeiro e recheios.
Para conservar, congele a polpa já raspada em potes pequenos por até 3 meses. Frutos inteiros não congelam bem porque a casca rompe. Não há registro de toxicidade da polpa madura, mas sementes não devem ser consumidas.
Perguntas frequentes
Manteiga-de-amendoim tem amendoim? Dá alergia a quem tem alergia a amendoim?
Não. O nome é só pelo aroma e sabor da polpa. Não contém amendoim, mas quem tem alergia severa deve provar com cautela e orientação, como com qualquer fruta nova.
Quanto tempo a manteiga-de-amendoim demora para dar frutos?
De semente, de 2 a 3 anos em sol pleno e solo fértil. Mudas por alporquia ou estaquia bem enraizada podem produzir em 1 a 2 anos.
Pode plantar manteiga-de-amendoim em vaso?
Sim, em vaso de 80 a 200 litros, com sol pleno o dia todo, rega regular e adubação leve. Em vaso ela fica menor e produz menos.
Como saber o ponto de colheita?
Quando o fruto está vermelho intenso, levemente macio e se solta fácil do cacho. Fruto firme e alaranjado ainda está verde e adstringente.
Precisa de outra planta para polinizar?
Não. É autocompatível, mas a presença de abelhas aumenta muito o pegamento dos frutos.
A semente se come?
Não. Consuma apenas a polpa pastosa ao redor da semente. A semente é grande, única e não é comestível.
Você sabia?
Parente da acerola
Pertence à família Malpighiaceae, a mesma da acerola e do murici. Por isso as flores amarelas e as folhas com glândulas são tão parecidas.
Polinização especializada
As flores produzem óleo, não néctar, e são polinizadas principalmente por abelhas coletoras de óleo, como as do gênero Centris.
Fruto que engana o olfato
O aroma de pasta de amendoim só aparece quando o fruto está totalmente maduro e macio. Antes disso, o sabor é adstringente e quase sem perfume.
Crescimento acelerado
Em solo fértil e com água, pode crescer 1 a 1,5 metro por ano nos dois primeiros anos, formando copa fechada rapidamente.










