🍓 Frutas

Inajá

Attalea maripa

Atualizado em

3 a 5 cmTamanho
Amarelo-alaranjadaCor
Doce e oleosoSabor
Dez. a abr.Safra
~195 kcal/100gCalorias
Frutos de inajá inteiros e cortado ao meio mostrando polpa alaranjada e caroço

O inajá é o fruto da palmeira Attalea maripa, muito comum na Amazônia e no Cerrado amazônico. Pequeno, de casca marrom-amarelada e polpa alaranjada e oleosa, ele é consumido in natura, em sucos, vinhos e óleos pelas comunidades locais.

Apesar de pouco conhecido fora do Norte do país, o inajá chama atenção pela polpa rica em lipídios e betacaroteno e pela amêndoa comestível escondida no caroço. É uma fruta de safra curta, bastante perecível e que quase não chega ao Sudeste in natura, mas tem papel importante na alimentação e na cultura amazônica.

Também conhecido como: Inajá, Anajá, Maripá, Inajá-açu, Palmeira-anajá

Faz parte de: Frutas Exóticas, Frutas tropicais

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Galeria de fotos de Inajá

Frutos de inajá inteiros e cortado ao meio mostrando polpa alaranjada e caroço
Inajá maduro com polpa alaranjada e caroço lenhoso característico.
Close-up da casca e polpa do inajá
Detalhe da casca fina e da polpa oleosa rica em betacaroteno.
Palmeira de inajá com cachos carregados na Amazônia
Palmeira Attalea maripa com cachos que podem ter centenas de frutos.
Vinho de inajá cremoso em tigela rústica
Vinho de inajá, suco cremoso tradicional feito com a polpa batida.
Cesto com colheita de inajá em feira amazônica
Colheita de inajá na safra, quando os frutos caem em abundância.
Caroços de inajá abertos mostrando amêndoa branca oleosa
Amêndoa branca dentro do caroço, usada torrada ou para extrair óleo.
Ideal para

O inajá é ideal para quem busca frutas amazônicas energéticas e diferentes, com sabor oleoso e culturalmente rico. Funciona bem para quem quer variar fontes de fibras, carotenoides e gorduras boas dentro de uma alimentação diversa, usando a polpa em sucos cremosos ou mingaus.

Pode não ser ideal para

Pode não ser ideal para quem procura fruta leve, muito suculenta e de baixa caloria, ou para quem tem pouca tolerância a alimentos oleosos e fibrosos. Também não é prático para quem mora longe do Norte e espera encontrar o fruto fresco com facilidade, já que ele estraga em 1 a 2 dias.

Perfil rápido de Inajá

Calendário

Safra (frutificação)JFMAMJJASOND
FloraçãoJFMAMJJASOND

Valor nutricional (100 g)

Calorias
~195 kcal
Carboidratos
12 a 16 g
Proteínas
1,5 a 2,5 g
Lipídios
10 a 14 g
Fibras
5 a 7 g
Vitamina A (betacaroteno)
Alto teor
Vitamina C
15 a 25 mg
Potássio
250 a 350 mg
Cálcio
30 a 50 mg
Ferro
0,8 a 1,5 mg

Encontrado em 5 países

  • Brasil
  • Guiana
  • Suriname
  • Venezuela
  • Colômbia

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Tracheophyta
Classe
Liliopsida
Ordem
Arecales
Família
Arecaceae
Gênero
Attalea
Espécie
Attalea maripa

Resumo

  • O inajá é o fruto da palmeira Attalea maripa, de polpa alaranjada, oleosa e sabor adocicado que lembra coco e dendê.
  • De safra concentrada entre dezembro e abril na Amazônia, é rico em gorduras boas, fibras, vitamina A e potássio, com cerca de 180 a 220 kcal por 100 g de polpa.
  • Consumido fresco, em suco, mingau ou vinho fermentado, estraga rápido e por isso é mais encontrado em feiras do Norte do que no resto do Brasil.

Características

Ficha da fruta

Nome científicoAttalea maripa (Aubl.) Mart. (sin. Maximiliana maripa)
Família botânicaArecaceae (palmeiras)
OrigemAmazônia (Brasil, Guianas e norte da América do Sul)
Tamanho3 a 6 cm de comprimento, 20 a 40 g por fruto
CoresAmarelolaranjamarrom-amarelado quando maduro
SaborAdocicado suave, oleoso, com notas de coco e dendê
Época da safra no BrasilDezembro a abril, pico em janeiro e fevereiro
Calorias por 100 g (polpa)~180 a 220 kcal
Principais nutrientesLipídios, fibras, betacaroteno (pró-vitamina A), vitamina C, potássio e ferro
Como consumirIn natura, suco, vinho/mingau, óleo da polpa e amêndoa torrada
Conservação1 a 2 dias em temperatura ambiente; até 3 dias refrigerado; polpa congela por 90 dias
Tipos ou variedadesNão há variedades comerciais; há variação regional de tamanho e teor de óleo

Perfil e comportamento

DoçuraMédio
AcidezMuito baixo
SuculênciaBaixo
Facilidade de encontrarBaixo
Versatilidade na cozinhaMédio

O que é inajá e como reconhecer na hora

O inajá é o fruto da palmeira Attalea maripa, que chega a 10 a 20 metros de altura e forma cachos enormes com centenas de frutos. Cada fruto é pequeno, ovalado, com casca fina e levemente fibrosa que vai do amarelo ao marrom-alaranjado quando madura.

Por dentro, a fruta tem polpa fina, amarela a laranja-intenso, oleosa e aderida ao caroço. O caroço é lenhoso, com 1 a 2 amêndoas brancas e oleosas no interior, muito parecidas com mini-coquinhos. É essa combinação de polpa fina + caroço grande que distingue o inajá de outras palmeiras amazônicas.

Na feira, ele é vendido em cachos ou a granel, muitas vezes ainda com a casca. Quando maduro, exala cheiro suave adocicado e levemente fermentado, e a polpa mancha os dedos de laranja por causa do betacaroteno.

Onde o inajá cresce e por que é tão amazônico

A palmeira ocorre de forma espontânea em floresta de terra firme, capoeiras, pastagens e beira de estradas em toda a Amazônia Legal, do Pará e Amazonas ao Maranhão, Tocantins e Roraima. Também aparece nas Guianas, Suriname, Venezuela e Colômbia.

É uma espécie pioneira e rústica: coloniza áreas desmatadas e degradadas com facilidade, por isso é comum vê-la dominando pastos abandonados. Produz o ano todo, mas a safra comercial se concentra no período chuvoso, de dezembro a abril, quando os cachos amadurecem e caem.

Fora da região Norte, o fruto fresco quase não circula porque fermenta em 24 a 48 horas após a colheita. O que chega ao Sudeste e Centro-Oeste costuma ser polpa congelada, óleo ou artesanato feito com o caroço.

Qual é o sabor e a textura de verdade

Quem espera uma fruta suculenta como manga vai se surpreender. O inajá é pouco suculento e bastante oleoso, com textura que lembra buriti e dendê, mas mais suave. A doçura é leve, não enjoativa, com retrogosto de coco verde e amêndoa.

A polpa é fina e pastosa, precisa ser raspada do caroço com os dentes ou com colher. A amêndoa interna, quando quebrada e torrada, tem sabor de coco seco e castanha, e é onde está boa parte do óleo da fruta.

O suco tradicional, chamado de vinho de inajá, é feito batendo a polpa com água morna e coando. Fica cremoso, alaranjado e levemente espesso, muito diferente de um suco cítrico. Se deixado em repouso, separa óleo na superfície e fermenta rápido, ganhando acidez alcoólica.

Valor nutricional: o que a polpa entrega

O inajá não é uma fruta aguada e de baixa caloria. Por ser rico em lipídios, ele é energético, com cerca de 180 a 220 kcal por 100 g de polpa, valor próximo ao do açaí e do buriti.

Os destaques são gorduras insaturadas, fibras, betacaroteno (pró-vitamina A), vitamina C, potássio, cálcio e ferro. A cor laranja forte indica alto teor de carotenoides, pigmentos antioxidantes importantes para pele e visão.

A amêndoa concentra ainda mais óleo, com perfil parecido com o de coco e babaçu, rico em ácido láurico. Por isso, na Amazônia, o fruto é usado tanto como alimento quanto como fonte de óleo para cozinha e cosmética artesanal.

Porção O que esperar
100 g de polpa fresca ~195 kcal, 10 a 14 g de lipídios, 5 a 7 g de fibras
Suco (200 ml) Menos calórico por diluição, mas ainda cremoso e rico em carotenoides
Amêndoa (10 g) ~60 kcal, bem oleosa, consumo pontual

Benefícios e usos tradicionais que fazem sentido

Na alimentação amazônica, o inajá entra como fonte de energia e saciedade em períodos de safra, quando há fartura. As fibras e o óleo dão sustentação, e o betacaroteno contribui para a ingestão de vitamina A, nutriente escasso em dietas pouco variadas.

Não há promessa de cura, mas o conjunto de fibras + gorduras boas + potássio ajuda na saciedade e no funcionamento intestinal, quando consumido dentro de uma dieta equilibrada. O óleo da polpa é usado tradicionalmente para temperar peixe e mingaus.

Outro uso pouco conhecido é ecológico: a palmeira é importante para a fauna. Cutias, pacas, araras e jabutis consomem os frutos caídos e dispersam as sementes. Para comunidades ribeirinhas, o cacho seco vira artesanato e o estipe da palmeira serve como madeira temporária.

Como escolher, conservar e preparar sem errar

Escolha frutos com casca íntegra, cor amarelo-alaranjada uniforme e sem cheiro forte de fermentado. Frutos muito escuros, moles demais ou com mofo na base já passaram do ponto. Se comprar o cacho, prefira os que ainda estão firmes.

Em temperatura ambiente, o inajá dura 1 a 2 dias. Na geladeira, em pote fechado, chega a 3 dias. Para guardar, o melhor é despolpar e congelar: bata a polpa rapidamente com pouca água morna, coe se quiser e congele em porções por até 90 dias.

Formas mais comuns de consumir

  • In natura: raspe a polpa com os dentes, como se faz com o tucumã. É a forma mais simples, mas rende pouco.
  • Vinho ou mingau: polpa batida com água morna, coada e adoçada a gosto. Pode virar mingau ao adicionar farinha de mandioca.
  • Óleo: polpa aquecida libera óleo alaranjado usado para fritar ou temperar, similar ao dendê, porém mais suave.
  • Amêndoa: quebre o caroço seco com martelo e torre a amêndoa. Consuma como castanha, em pequena quantidade.

Evite bater o caroço no liquidificador sem coar: as fibras duras deixam o suco áspero e podem amargar. E não adoce em excesso, pois a graça do inajá é justamente o sabor oleoso e não muito doce.

Tipos, variedades e confusões comuns

Não existem variedades comerciais de inajá como há em manga ou laranja. O que muda é o teor de polpa e óleo conforme a região e o solo. Frutos do Pará costumam ser um pouco maiores e mais alaranjados que os do Maranhão.

A confusão mais frequente é com tucumã (Astrocaryum vulgare), pupunha (Bactris gasipaes) e buriti (Mauritia flexuosa). Todos são frutos de palmeiras amazônicas, oleosos e alaranjados, mas se diferenciam assim:

  • Inajá: fruto liso, sem espinhos na palmeira, polpa fina e caroço grande com amêndoa.
  • Tucumã: polpa mais firme e fibrosa, caroço preto e palmeira cheia de espinhos.
  • Pupunha: fruto maior, cozido antes de comer, polpa seca e amilácea.
  • Buriti: casca com escamas avermelhadas, polpa muito mais oleosa e ácida.

Outro erro é achar que inajá e açaí vêm da mesma palmeira. São gêneros diferentes, embora ambos sejam Arecaceae e dividam o mesmo bioma.

Quem deve ter atenção ao consumir

Por ser rico em lipídios e fibras, o inajá é calórico e pode pesar para quem tem digestão sensível ou precisa controlar a ingestão de gorduras. Uma porção pequena, de 50 a 100 g de polpa, já é suficiente para experimentar sem exagero.

Pessoas com alergia a coco, dendê ou outras palmeiras devem ter cautela, pois há potencial de reação cruzada. E como o fruto fermenta rápido, evite consumir frutos com cheiro alcoólico forte ou sabor azedo, sinal de deterioração.

Para crianças, ofereça a polpa bem coada e em pouca quantidade, sempre observando a aceitação, já que a textura oleosa não agrada a todos. Em caso de condições como dislipidemia, diabetes ou doença renal, converse com nutricionista antes de incluir com frequência.

Curiosidades que só quem vive na Amazônia conhece

A palmeira de inajá é chamada de “planta que avisa a chuva” em algumas comunidades, porque a queda intensa dos frutos coincide com o início do período mais chuvoso. O chão forrado de inajás maduros atrai cutias que fazem verdadeiros estoques subterrâneos.

O caroço é tão duro que é usado para fazer biojoias, botões e artesanato após polimento, substituindo o marfim vegetal em algumas regiões. Já o óleo da amêndoa, quando prensado a frio, fica muito parecido com óleo de coco e é usado em sabonetes artesanais.

Perguntas frequentes

Inajá e tucumã são a mesma fruta?

Não. Ambos são frutos de palmeiras amazônicas, mas o inajá (Attalea maripa) tem polpa mais fina e oleosa e palmeira sem espinhos, enquanto o tucumã (Astrocaryum) tem polpa mais firme e palmeira espinhosa.

Como se come inajá?

Pode raspar a polpa in natura direto do caroço ou bater a polpa com água morna para fazer o vinho/suco cremoso, coando em seguida. A amêndoa do caroço também pode ser torrada.

Qual o gosto do inajá?

Adocicado leve e oleoso, com notas de coco verde e dendê suave. Não é ácido nem muito suculento, lembra buriti de forma mais delicada.

Quando é a safra do inajá?

No Brasil, de dezembro a abril, com pico em janeiro e fevereiro, coincidindo com o período chuvoso na Amazônia.

Inajá engorda?

É uma fruta calórica, com 180 a 220 kcal por 100 g de polpa por causa dos lipídios. Em porções pequenas (50 a 100 g) cabe em dieta equilibrada, mas em excesso aumenta bastante as calorias.

Onde encontrar inajá para comprar?

Fresco em feiras e mercados do Norte, como Pará, Amazonas e Maranhão, na safra. Fora da região, é mais fácil achar polpa congelada ou óleo em lojas de produtos amazônicos.

Pode congelar inajá?

Sim. Despolpe, bata com pouca água morna se necessário e congele a polpa em potes por até 90 dias. O fruto inteiro não congela bem por causa do caroço.

Você sabia?

1

Fermenta em horas

Depois de colhido, o inajá começa a fermentar em menos de 48 horas por causa do alto teor de óleo e açúcar, por isso o vinho tradicional precisa ser feito no mesmo dia.

2

Amêndoa escondida

Dentro do caroço lenhoso há 1 a 2 amêndoas brancas com até 50% de óleo, comestíveis e muito parecidas com coco, mas que exigem martelo para quebrar.

3

Dispersão por cutias

Cutias enterram os frutos para comer depois e esquecem parte deles, sendo as principais responsáveis por espalhar a palmeira em áreas de capoeira e pastagem.

4

Palmeira pioneira

Attalea maripa é uma das primeiras palmeiras a colonizar áreas desmatadas na Amazônia, formando touceiras densas que protegem o solo enquanto a floresta se regenera.

Fontes

  1. Embrapa Amazônia Oriental
  2. TACO - Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (Unicamp)
  3. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro

Prós e contras: Inajá

Prós

  • Rico em fibras, betacaroteno e gorduras insaturadas
  • Sabor único e culturalmente importante na Amazônia
  • Palmeira rústica que ajuda na recuperação de áreas degradadas
  • Aproveitamento integral: polpa, amêndoa e óleo
  • Sacia bem mesmo em pequena porção

Contras

  • Muito perecível, fermenta em 1 a 2 dias
  • Pouco suculento e com pouca polpa por fruto
  • Difícil de encontrar fresco fora do Norte
  • Calórico, exige moderação para algumas dietas
  • Caroço muito duro dificulta o acesso à amêndoa
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o inajá é uma das frutas amazônicas mais subestimadas: menos famosa que açaí e tucumã, mas com identidade própria pelo sabor oleoso e pelo uso cultural do vinho cremoso. Vale ser preservado como alimento regional e não como superalimento da moda, respeitando sua sazonalidade curta e seu papel ecológico.

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Escrito porCacilda MassemaEngenheira Agrônoma

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Feliciano Murene é professor e criador de conteúdo. Formado em Biologia, possui cerca de 5 anos de experiência em sala de aula e atua na produção de conteúdos…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.