🍓 Frutas

Abricó

Mammea americana L.

Atualizado em

10 a 15 cm, 0,5 a 1,5 kgTamanho
Casca marrom, polpa laranjaCor
Doce, floral e almiscaradoSabor
Dez. a abr.Safra
~51 kcal/100 gCalorias
Abricó-do-Pará inteiro e cortado ao meio mostrando polpa laranja e sementes

O abricó mais conhecido no Brasil é o abricó-do-Pará (Mammea americana), fruta tropical grande, de casca marrom-clara e polpa amarelo-ouro muito aromática. Apesar do nome, não tem parentesco com o damasco (Prunus armeniaca), chamado de abricó em Portugal.

É fruta de quintal e de feira do Norte e Nordeste, raramente vista no Sudeste por ser altamente perecível e pouco transportável. Quando bem maduro, é doce e perfumado; quando verde ou mal preparado, solta látex amargo da casca que estraga a experiência.

Na nossa avaliação, o abricó é uma fruta para quem valoriza sabor marcante e cozinha regional, não para quem busca praticidade de supermercado. Vale provar in natura, mas brilha mesmo em compotas, doces e licores.

Também conhecido como: Abricó-do-Pará, Abricó-da-praia, Abricó-selvagem, Mamey apple (inglês), Mamey de Santo Domingo (espanhol), Abricot des Antilles (francês)

Faz parte de: Frutas Exóticas, Frutas tropicais

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Galeria de fotos de Abricó

Abricó-do-Pará inteiro e cortado ao meio mostrando polpa laranja e sementes
Abricó-do-Pará inteiro e cortado, com polpa amarelo-alaranjada e sementes grandes.
Close-up da polpa do abricó mostrando textura e cor laranja intensa
Detalhe da polpa firme e aromática do abricó maduro.
Abricozeiro carregado de frutos no pomar tropical
Abricozeiro com frutos grandes ainda na árvore.
Flores brancas e folhas do abricozeiro
Flores brancas perfumadas e folhas brilhantes do abricozeiro.
Cesto com abricós colhidos em feira do Norte do Brasil
Colheita de abricó em feira regional durante a safra.
Doce de abricó em calda em tigela de vidro
Doce de abricó em calda, preparo clássico paraense.

Cultivo rápido

Luz
sol pleno, tolera meia-sombra quando jovem
Clima
tropical quente e úmido; sensível a geada
Solo
arenoso a argiloso, bem drenado, pH 5,5 a 6,5
Rega
regular nos 2 primeiros anos; depois tolera estiagem curta
Propagação
sementes recém-colhidas; enxertia acelera frutificação (4 a 6 anos)

Perfil rápido de Abricó

Calendário

FloraçãoJFMAMJJASOND
Safra - ColheitaJFMAMJJASOND

Valor nutricional (100 g)

Energia
~51 kcal
Carboidratos
12,5 g
Proteínas
0,5 g
Gorduras totais
0,5 g
Fibras
3,0 g
Vitamina A (betacaroteno)
~150 mcg RAE
Vitamina C
14 mg
Potássio
170 mg
Cálcio
11 mg
Ferro
0,7 mg

Encontrado em 8 países

  • México
  • Panamá
  • Colômbia
  • Venezuela
  • Guiana
  • Brasil
  • Jamaica
  • República Dominicana

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Magnoliophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Malpighiales
Família
Calophyllaceae
Gênero
Mammea
Espécie
Mammea americana

Resumo

  • O abricó-do-Pará (Mammea americana) é uma fruta tropical grande, de casca marrom e polpa amarelo-alaranjada, doce, aromática e com látex amargo quando verde.
  • No Brasil é mais comum no Norte e Nordeste, com safra principal entre dezembro e abril, e é facilmente confundido com abricó-de-macaco e com damasco.
  • É consumido in natura bem maduro ou em forma de doce, compota e suco, e suas sementes e casca não devem ser consumidas por conterem compostos tóxicos.

Características

Ficha da fruta

Nome científicoMammea americana L.
Família botânicaCalophyllaceae (ex-Clusiaceae)
OrigemAmérica Central, Caribe e norte da América do Sul
Tamanho10 a 20 cm de diâmetro; 500 g a 1,5 kg
Corescasca marrom-claro a marrom-amareladapolpa amarelo-ouro a laranja-intenso
Sabordoce, levemente ácido, aroma floral e almiscarado
Época da safra no Brasildezembro a abril (pico no Norte e Nordeste)
Calorias por 100 g~51 kcal
Principais nutrientesfibras, vitamina A (betacaroteno), vitamina C, potássio e ferro
Como consumirin natura bem maduro, suco, doce em calda, compota e licor
Conservação3 a 5 dias em temperatura ambiente; até 7 dias refrigerado; polpa congela bem
Tipos ou variedadesnão há variedades comerciais; chamado de abricó-do-Pará, abricó-da-praia e abricó-selvagem conforme a região

Perfil e comportamento

DoçuraAlto
AcidezBaixo
SuculênciaMédio
Facilidade de encontrarBaixo
Versatilidade na cozinhaMédio

O que é o abricó e como reconhecê-lo

O abricó que você encontra em feiras do Pará, Amazonas, Maranhão e litoral nordestino é a Mammea americana, conhecida como abricó-do-Pará. É bem diferente do abricó europeu, que é o damasco.

O fruto é grande e não passa despercebido: redondo, com 10 a 20 cm, casca grossa, coriácea e levemente áspera, de cor marrom-clara a marrom-amarelada quando maduro. Pesa fácil de 500 g a mais de 1 kg, parecido com um mamão pequeno.

Por dentro, a polpa é amarelo-ouro a laranja-intenso, firme, pouco suculenta e muito aromática, envolvendo 1 a 4 sementes grandes de cor marrom-escura. Entre a casca e a polpa há uma membrana fina e amarelada que concentra látex amargo — é ela que, se não for bem retirada, amarga o doce.

Origem, onde é encontrado e por que é raro no Sudeste

A espécie é nativa das florestas tropicais da América Central e do Caribe, com distribuição natural do sul do México ao norte da América do Sul. Foi levada para o Brasil no período colonial e se adaptou muito bem ao clima quente e úmido.

Hoje a árvore — que pode chegar a 15 a 20 metros — é comum em quintais, sítios e áreas litorâneas do Norte e Nordeste, especialmente Pará, Amazonas, Amapá, Maranhão, Ceará e Bahia. No Sudeste e Sul aparece de forma pontual, quase sempre em pomares domésticos.

O sumiço nos supermercados tem motivo prático: o abricó amadurece rápido, machuca fácil e não aguenta transporte longo. A casca fina interna libera látex e a polpa fermenta em poucos dias. Por isso, quem quer provar precisa buscar feiras livres, CEASAs regionais e produtores locais na época da safra.

Qual o gosto do abricó e como ele é por dentro

Quando atinge a maturação completa, o abricó é doce, com acidez baixa e perfume intenso que lembra damasco, manga e um toque floral almiscarado. A textura é macia porém firme, mais próxima da manga-rosa firme do que da jaca ou do mamão.

Verde, ele é adstringente e amargo por causa do látex. Esse é o erro mais comum de quem prova pela primeira vez e acha a fruta intragável. O ponto certo é quando a casca cede levemente à pressão dos dedos e exala cheiro adocicado, sem manchas escuras moles.

A polpa envolve as sementes com uma membrana que não deve ser comida. As sementes são amargas e não comestíveis, e a casca externa também não se consome. Só a polpa amarelo-alaranjada é aproveitada.

Tipos e confusões: não troque de fruta

Existem três frutas diferentes chamadas de abricó no Brasil, e a troca gera muita decepção na compra.

  • Abricó-do-Pará (Mammea americana): o tema deste guia. Fruto grande, casca marrom, polpa laranja. É o verdadeiro abricó tropical.
  • Abricó-de-macaco (Couroupita guianensis): fruto enorme, redondo e pesado que cresce no tronco da árvore. Não é comestível para humanos, tem polpa fétida e é usado só como ornamental e medicinal popular.
  • Abricó / damasco (Prunus armeniaca): fruta pequena, alaranjada e aveludada de clima temperado, vendida seca ou em calda no Sul e Sudeste. Botanicamente não tem relação com o abricó-do-Pará.

Não existem variedades comerciais registradas de Mammea americana no Brasil. O que muda é o nome regional — abricó-da-praia, abricó-selvagem, abricó-grande — e pequenas variações de tamanho e cor conforme o solo e o clima. Na América Central ele é chamado de mamey apple.

Benefícios e valor nutricional: o que ele entrega de verdade

O abricó-do-Pará não é superalimento, mas é uma fruta interessante dentro de uma alimentação variada. Por 100 g de polpa fresca, entrega cerca de 51 kcal, 12 a 13 g de carboidratos e 3 g de fibras, o que ajuda na saciedade.

Seu destaque é o betacaroteno (pró-vitamina A), responsável pela cor laranja intensa, além de vitamina C, potássio, ferro e cálcio em quantidades modestas. A combinação de fibras e água contribui para o funcionamento intestinal, sem prometer efeitos terapêuticos.

Como toda fruta doce, deve ser consumida com equilíbrio por quem controla glicemia. Não há evidência de que cure doenças ou substitua tratamentos. Para dietas específicas, converse com nutricionista.

Como escolher, amadurecer e conservar sem estragar

Na feira, escolha frutos pesados para o tamanho, com casca íntegra, sem rachaduras ou áreas moles escuras. O aroma deve ser perceptível mesmo com a casca fechada. Evite frutos muito verdes, duros e sem cheiro — dificilmente amadurecem bem fora do pé.

Se comprar ainda firme, deixe 2 a 4 dias em temperatura ambiente, sobre pano ou grade, até ceder levemente ao toque. Não acelere na geladeira: o frio antes da maturação trava o amadurecimento e deixa a polpa borrachenta.

  • Maduro na geladeira: dura 5 a 7 dias inteiro, em saco perfurado na gaveta de frutas.
  • Polpa: retire toda a membrana amarelada e o látex, corte em cubos e congele por até 6 meses com um pouco de suco de limão para não escurecer.
  • Evite deixar cortado fora da geladeira por mais de 2 horas; fermenta rápido no calor.

Como consumir abricó: do in natura à compota paraense

A forma mais simples é in natura, bem maduro e gelado. Corte ao meio, retire as sementes e raspe a polpa com colher, descartando a película amarelada junto à casca. Se sentir amargor, é sinal de que a membrana não foi totalmente removida.

Na cozinha paraense, o clássico é o doce de abricó em calda: polpa em cubos cozida lentamente com açúcar e cravo, até ficar translúcida e alaranjada. Vira recheio de tortas, acompanhamento de queijos e base para sorvetes. O fruto também rende suco batido com água e limão, mousse, geleia e licor.

Para suco, bata a polpa com água gelada e coe se preferir textura mais fina. Como a polpa é densa, use proporção de 1 parte de polpa para 2 de água e adoce só depois de provar, pois o dulçor varia muito entre frutos.

Dica para não amargar

Deixe a polpa cortada de molho por 10 minutos em água com limão, escorra e só então cozinhe ou bata. Esse passo simples remove o resíduo de látex e preserva o sabor doce e floral.

Quem deve ter atenção ao consumir

Adultos saudáveis podem consumir a polpa madura sem problemas, em porções habituais de fruta. Crianças também, desde que sem sementes, sem casca e sem membrana, e em pedaços adequados para evitar engasgo.

Precisam moderar ou evitar: pessoas com alergia a látex ou a frutas da família Calophyllaceae/Clusiaceae, quem tem diabetes descompensado por causa da carga de açúcar natural, e quem tem estômago sensível — o fruto verde ou mal maduro pode causar náusea e desconforto.

Sementes, casca e folhas não são alimento. As sementes contêm compostos inseticidas (mammeínas) tradicionalmente usados como vermífugo e inseticida natural, com risco de intoxicação se ingeridas. Mantenha longe de crianças e pets.

Curiosidades que pouca gente sabe

A madeira do abricozeiro é densa e resistente a cupins, muito valorizada no Caribe para construção e postes. A árvore é usada como quebra-vento no litoral por tolerar vento, salinidade e seca moderada.

As flores são brancas e perfumadas, com estames numerosos, e atraem abelhas. O fruto leva cerca de 5 a 6 meses entre a florada e a colheita, o que explica a safra concentrada.

Na medicina popular caribenha, o látex da casca e o pó da semente já foram usados como antiparasitário e para matar piolhos, prática hoje desaconselhada pela toxicidade. O uso seguro fica restrito à polpa madura.

Perguntas frequentes

Abricó é a mesma coisa que damasco?

Não. O abricó-do-Pará é Mammea americana, fruta tropical grande. Damasco é Prunus armeniaca, fruta temperada pequena chamada de abricó em Portugal.

Como saber se o abricó está maduro?

A casca fica marrom-clara, o fruto cede levemente ao apertar e exala perfume doce. Fruto duro, verde e sem cheiro ainda não está no ponto.

Pode comer a casca e a semente do abricó?

Não. Apenas a polpa madura é comestível. Casca, membrana amarelada e sementes contêm látex e compostos tóxicos e devem ser descartadas.

Por que o doce de abricó fica amargo?

Porque a membrana fina amarelada entre a casca e a polpa não foi totalmente removida. Deixe a polpa de molho em água com limão e enxágue antes de cozinhar.

Abricó prende ou solta o intestino?

Por ter fibras e água, em porção moderada tende a ajudar o trânsito intestinal, mas o efeito varia por pessoa e não substitui orientação nutricional.

Onde encontrar abricó no Brasil?

Principalmente em feiras e mercados do Norte e Nordeste entre dezembro e abril. No Sudeste, procure CEASAs, feiras de produtores e sítios que vendem polpa congelada.

Abricó-de-macaco se come?

Não. Couroupita guianensis tem frutos grandes que nascem no tronco, com polpa de cheiro forte e não comestível. Não confunda com o abricó-do-Pará.

Você sabia?

1

Látex que amarga e protege

A casca e a membrana do abricó liberam um látex branco-amarelado rico em mammeínas. É ele que deixa a fruta verde amarga e que, na natureza, afasta insetos.

2

Semente inseticida

O pó da semente moída já foi usado no Caribe como inseticida natural contra piolhos e pulgas, mas é tóxico se ingerido e não deve ser usado em casa sem orientação.

3

Árvore de 20 metros na praia

O abricozeiro tolera vento forte, solo arenoso e maresia, por isso é plantado como árvore de sombra e quebra-vento no litoral do Nordeste.

4

Confusão que pode ser perigosa

O abricó-de-macaco (Couroupita guianensis), com frutos que nascem no tronco, não é comestível e tem cheiro desagradável. Muita gente confunde pelo nome, mas são espécies totalmente diferentes.

Fontes

  1. Embrapa - Frutas Nativas
  2. TACO - Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (Unicamp)
  3. USDA FoodData Central

Prós e contras: Abricó

Prós

  • Polpa aromática e doce quando bem madura, ótima para doces e compotas
  • Boa fonte de fibras e betacaroteno (vitamina A)
  • Polpa congela bem, permitindo uso fora da safra
  • Árvore rústica, tolera maresia, vento e solo arenoso

Contras

  • Muito perecível e difícil de transportar, por isso é raro fora do Norte/Nordeste
  • Látex da casca e membrana amarga a fruta se mal preparada
  • Sementes e casca tóxicas se ingeridas, exige cuidado no manuseio
  • Fruto grande e pesado, rende pouco suco puro e precisa ser diluído
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o abricó-do-Pará é uma fruta de nicho que compensa a busca: quando colhido no ponto e bem limpo do látex, entrega perfume e sabor que nenhum damasco importado replica. Não é fruta de geladeira de supermercado, é fruta de feira, de quintal e de doce feito com calma.

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Cacilda Massema
Escrito porCacilda MassemaEngenheira Agrônoma

Com experiência no universo das plantas, dedica-se à pesquisa e produção de conteúdos sobre cultivo, identificação de espécies, plantas ornamentais, flores, árvores e frutíferas. Partilha conhecimentos práticos sobre…

Feliciano Murene
Revisão especializadaFeliciano MureneVeterinário

Feliciano Murene é professor e criador de conteúdo. Formado em Biologia, possui cerca de 5 anos de experiência em sala de aula e atua na produção de conteúdos…

Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.