🍓 Frutas

Bacupari

Garcinia gardneriana

Atualizado em

2 a 4 cmTamanho
Amarelo-alaranjadoCor
Doce com acidezSabor
Dez. a mar.Safra
~65 kcal/100gCalorias
Frutos de bacupari inteiros e cortado ao meio mostrando polpa branca e sementes

O bacupari é uma fruta nativa do Brasil, pequena, redonda e de casca fina amarelo-alaranjada, com polpa branca, translúcida e muito suculenta que envolve 1 a 2 sementes grandes. O sabor é doce com acidez marcante, lembra levemente manga verde e mexerica, e se come ao natural sugando a polpa.

Pertence à família Clusiaceae e ocorre sobretudo na Mata Atlântica, do Nordeste ao Sul, além de áreas de Cerrado e Amazônia. A árvore, de 6 a 15 metros, é conhecida pelo látex amarelado e pela frutificação no verão, quando o bacupari aparece em feiras locais, quintais e áreas de extrativismo.

Também conhecido como: Bacupari, Bacopari, Bacupari-mirim, Bacuri-mirim, Mangostão-amarelo, Achachairu (em parte da Amazônia, para espécies próximas)

Faz parte de: Frutas Exóticas, Frutas tropicais

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Galeria de fotos de Bacupari

Frutos de bacupari inteiros e cortado ao meio mostrando polpa branca e sementes
Bacupari maduro: casca amarelo-alaranjada e polpa branca translúcida.
Close-up da casca fina e brilhante do bacupari
Casca fina e brilhante indica maturação ideal.
Árvore de bacupari carregada de frutos na Mata Atlântica
Bacuparizeiro na Mata Atlântica durante a safra de verão.
Flores brancas e folhas brilhantes do bacuparizeiro
Floração perfumada que atrai abelhas nativas.
Cesto de bacupari recém-colhido na feira
Colheita de bacupari: safra curta e regional.
Polpa de bacupari com sementes em tigela de vidro
Polpa suculenta que se suga diretamente da semente.

Perfil rápido de Bacupari

Calendário

FloradaJFMAMJJASOND
Safra / ColheitaJFMAMJJASOND

Valor nutricional (100 g)

Calorias
~65 kcal
Carboidratos
~15 g
Fibras
~1,2 g
Proteínas
~0,6 g
Gorduras totais
~0,5 g
Vitamina C
~20 mg
Potássio
~150 mg
Cálcio
~12 mg

Encontrado em 3 países

  • Brasil
  • Paraguai
  • Bolívia

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Magnoliophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Malpighiales
Família
Clusiaceae
Gênero
Garcinia
Espécie
Garcinia gardneriana

Resumo

  • O bacupari (Garcinia gardneriana) é uma fruta nativa brasileira de 2 a 4 cm, casca amarelo-alaranjada e polpa branca agridoce que se suga da semente.
  • Tem safra curta no verão, de dezembro a março, é pouco encontrada fora das regiões produtoras e estraga rápido após colhida.
  • É consumida in natura e em sucos, geleias e licores, mas exige cuidado com a resina amarga da casca e com o caroço aderido à polpa.

Características

Ficha da fruta

Nome científicoGarcinia gardneriana (sin. Rheedia gardneriana, Garcinia brasiliensis)
Família botânicaClusiaceae (Guttiferae)
OrigemMata Atlântica brasileira (leste do Brasil)
Tamanho2 a 4 cm de diâmetro, 5 a 15 g por fruto
Coresamareloamarelo-alaranjadolaranja-claro
SaborDoce-ácido, suculento, levemente resinoso
Época da safra no BrasilDezembro a março (pico em janeiro e fevereiro)
Calorias por 100 g~60 a 70 kcal
Principais nutrientesVitamina C, fibras, potássio e compostos fenólicos
Como consumirIn natura (polpa sugada), sucos, geleias, licores e sorvetes
Conservação2 a 3 dias na geladeira; polpa congela por até 6 meses
Tipos ou variedadesBacupari-comum, bacupari-mirim (Garcinia intermedia), bacupari-açu

Perfil e comportamento

DoçuraMédio
AcidezAlto
SuculênciaMuito alto
Facilidade de encontrarBaixo
Versatilidade na cozinhaMédio

O que é bacupari e como reconhecer sem confundir

O bacupari é uma fruta nativa pequena e arredondada, com casca fina, lisa e brilhante que vai do amarelo-claro ao laranja-alaranjado quando madura. Por dentro, a polpa é branca, translúcida e gelatinosa, envolvendo 1 a 2 sementes oblongas e grandes em relação ao fruto.

O jeito certo de comer é sugar a polpa diretamente da semente, como se faz com pitomba ou mangostão. A casca e a película que envolve a semente soltam um látex amarelado e amargo que gruda nos dedos e amarga a boca, por isso não se morde o fruto inteiro.

Na nossa avaliação, o erro mais comum é comprar bacupari verde achando que vai amadurecer em casa como banana. Ele não amadurece bem fora do pé: colhido verde fica adstringente e sem suco. Procure frutos com casca levemente macia ao toque e perfume adocicado.

Origem, onde cresce e onde encontrar hoje

A espécie Garcinia gardneriana é nativa da Mata Atlântica, com ocorrência natural do sul da Bahia e Minas Gerais até o Rio Grande do Sul, avançando para o Cerrado e bordas da Amazônia. A árvore, de 6 a 15 metros, tem copa piramidal, folhas opostas e brilhantes e tronco com resina amarela característica da família.

Hoje o bacupari é encontrado sobretudo por extrativismo e quintais, em feiras de produtores do Sudeste e Sul no verão, em áreas de restinga e em sistemas agroflorestais. Não há cultivo comercial em larga escala, o que explica a oferta curta e regional.

Fora da safra, a forma mais fácil de provar é a polpa congelada vendida por pequenos produtores de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Se você mora no Centro-Oeste ou Nordeste, pergunte por nomes regionais como bacopari ou bacupari-do-mato.

Sabor, textura e como se come de verdade

O sabor é agridoce equilibrado, com doçura leve e acidez viva que lembra tangerina com toque de manga verde. A textura é muito suculenta e escorregadia, quase como gel, que derrete na boca e solta bastante caldo.

Para consumir in natura, lave, rompa a casca com as unhas ou faca e puxe a polpa com a semente. Chupe sem mastigar a semente, que é amarga e adere à polpa. Descarte a casca, pois além da resina, ela é fina e sem rendimento.

Uma dica prática: deixe os frutos 10 minutos na geladeira antes de comer. Gelado, o bacupari fica mais firme e menos enjoativo, e a resina incomoda menos.

Tipos, variedades e parentes próximos

O nome bacupari agrupa várias Garcinia nativas, mas a mais comercializada é a G. gardneriana. Existem outras que aparecem como bacupari no mercado regional:

  • Bacupari-mirim (Garcinia intermedia): menor, até 2,5 cm, casca mais amarela, polpa mais ácida. Comum na Amazônia e no Cerrado.
  • Bacupari-açu ou bacuri-mirim (Garcinia brasiliensis em parte da literatura): fruto um pouco maior, até 4,5 cm, árvore mais robusta.
  • Bacupari-de-cerrado (Salacia crassifolia em algumas regiões): não é Garcinia, apesar do nome popular igual. Polpa menos suculenta.

É diferente de bacuri (Platonia insignis), amazônico, grande e de polpa aromática intensa, e de mangostão (Garcinia mangostana), asiático e roxo. Todos são da mesma família Clusiaceae, por isso a confusão e o látex amarelo em comum.

Fruta Tamanho Cor da casca Polpa
Bacupari 2 a 4 cm Amarelo-alaranjado Branca, translúcida, agridoce
Bacuri 7 a 12 cm Amarelo-marrom Branca-amarelada, muito aromática
Mangostão 5 a 7 cm Roxo-escuro Branca, doce e delicada

Valor nutricional: o que tem em 100 g sem exageros

Por ser fruta silvestre pouco analisada, os valores variam entre lotes. Em média, 100 g de polpa fresca têm 60 a 70 kcal, cerca de 15 g de carboidratos, 1 g de fibras e 15 a 30 mg de vitamina C, além de potássio e pequenas quantidades de cálcio e ferro.

O destaque são os compostos fenólicos e xantonas, antioxidantes naturais da família Clusiaceae, e a boa quantidade de água, que explica a suculência. Não é fonte relevante de proteína ou gordura.

Na prática, o bacupari entra como fruta fresca para hidratação e variedade, não como suplemento. Quem precisa controlar açúcar deve considerar a frutose natural e consumir porções pequenas, como 10 a 15 frutos por vez.

Benefícios e quem deve ter mais atenção

Por ser rico em água, fibras e vitamina C, o consumo moderado ajuda na hidratação e no aporte de antioxidantes dentro de uma alimentação variada. A acidez também estimula a salivação e pode deixar sucos e sobremesas mais leves sem muito açúcar.

A casca e a resina contêm substâncias amargas e adstringentes que podem irritar estômago sensível se consumidas em excesso. Crianças pequenas devem comer sempre com supervisão por causa das sementes grandes e escorregadias, com risco de engasgo.

Pessoas com gastrite, refluxo ou síndrome do intestino irritável tendem a tolerar pior frutas mais ácidas como bacupari em jejum. Quem tem alergia a látex vegetal deve provar pouca quantidade na primeira vez. Em caso de condição de saúde específica, converse com nutricionista.

Como escolher, conservar e congelar

Na banca, escolha frutos inteiros, sem rachaduras escuras ou vazamento de resina. A casca deve estar amarelo-alaranjada uniforme, levemente brilhante e com perfume doce. Frutos muito duros estão verdes; muito moles e com manchas marrons já passaram do ponto.

Em temperatura ambiente dura 1 a 2 dias. Na geladeira, em pote fechado com papel-toalha, vai a 2 a 3 dias. Lave só na hora de consumir para não acelerar o apodrecimento.

Para congelar, retire a polpa com a semente, bata rapidamente com pouca água se quiser, ou congele a polpa já separada em saquinhos porcionados. Dura até 6 meses no freezer e funciona muito bem para suco, geleia e caipirinha. Não congele o fruto inteiro com casca, pois amarga.

Como usar na cozinha sem desperdiçar

O uso mais valorizado é in natura, gelado, como aperitivo de verão. Para preparações, a polpa rende suco coado, mas o melhor aproveitamento é pulsar no liquidificador com água gelada e coar para separar as sementes, sem bater demais para não liberar amargor.

  • Suco e suchá: bata polpa com água e capim-limão ou hortelã. Adoce pouco, a acidez já equilibra.
  • Geleia: leve polpa coada com açúcar 1:0,7 e um pouco de limão até ponto de colher. A pectina natural é baixa, então não espere geleia muito firme.
  • Sorvete e mousse: misture polpa coada a leite condensado e creme de leite gelados e leve para gelar.
  • Licor e caipirinha: macere a polpa com cachaça branca e açúcar por 15 dias, ou amasse 6 a 8 frutos na coqueteleira com gelo.

Evite cozinhar a polpa em fogo alto por muito tempo: o sabor delicado perde perfume e fica mais ácido. Prefira adicionar no final das receitas.

Curiosidades, história e confusões comuns

O bacuparizeiro era chamado pelos Tupi de bacupari, que significa fruto de cerca ou fruto que se apanha ao redor, referência ao hábito de coletar os frutos caídos ao redor da árvore. No interior, ainda se diz que onde tem bacupari, tem abelha: a floração branca e perfumada, entre setembro e novembro, é muito visitada por abelhas nativas.

Um fato pouco conhecido é que a casca e as sementes têm alto teor de resina amarela usada antigamente como corante e para fechar pequenos cortes em uso popular, mas sem comprovação científica e com risco de irritação. Não use a resina na pele sem orientação.

Outra curiosidade é que o bacupari já foi mais comum em pomares domésticos do litoral paulista e paranaense, mas perdeu espaço para frutas comerciais. Hoje, projetos de restauração da Mata Atlântica voltaram a plantar a espécie porque ela alimenta aves e mamíferos e cresce bem em solo arenoso de restinga.

Por fim, não confunda bacupari com bacopari, bacurpari ou escropari vendidos online: muitas vezes são a mesma espécie com grafias diferentes, mas às vezes são Garcinia distintas com sabor e tamanho diferentes. Sempre confirme o nome científico com o produtor se for comprar muda.

Perguntas frequentes

Bacupari e bacuri são a mesma fruta?

Não. Bacupari (Garcinia gardneriana) é pequeno, de 2 a 4 cm e polpa branca translúcida agridoce. Bacuri (Platonia insignis) é grande, de 7 a 12 cm, muito aromático e típico da Amazônia.

Como comer bacupari sem amargar?

Abra a casca e sugue só a polpa branca presa à semente, sem morder a casca ou a película da semente, que soltam resina amarga amarela.

Pode comer a semente do bacupari?

Não é recomendado. A semente é grande, aderida à polpa e amarga, além de oferecer risco de engasgo, principalmente para crianças.

Quando é a safra do bacupari?

No Brasil, de dezembro a março, com pico em janeiro e fevereiro. Fora desse período, encontra-se quase só como polpa congelada.

Bacupari prende ou solta o intestino?

Em porção moderada, as fibras e a água ajudam o trânsito intestinal, mas o excesso, somado à acidez e à resina, pode irritar estômagos sensíveis.

Como conservar bacupari por mais tempo?

Na geladeira por 2 a 3 dias em pote fechado. Para mais tempo, congele só a polpa coada ou com a semente em porções por até 6 meses.

Bacupari pode ir para suco e geleia?

Sim. Para suco, pulse a polpa com água e coe. Para geleia, cozinhe a polpa coada com açúcar e limão, mas sem ferver demais para não perder o aroma.

Você sabia?

1

Parente do mangostão

Bacupari e mangostão são do mesmo gênero Garcinia, por isso a polpa branca e segmentada e o látex amarelo são tão parecidos, embora o sabor do bacupari seja mais ácido.

2

Fruta que não amadurece fora do pé

Diferente de banana e abacate, o bacupari colhido verde não completa a maturação e permanece adstringente, por isso só vale colher quando já está amarelo-alaranjado e perfumado.

3

Árvore melífera

A floração entre setembro e novembro atrai muitas abelhas nativas sem ferrão, e apicultores valorizam o bacuparizeiro como pasto apícola de primavera.

4

Dispersão por animais

Na Mata Atlântica, aves, micos e morcegos são os principais dispersores: engolem a polpa e eliminam as sementes grandes, ajudando a regenerar a floresta.

Fontes

  1. Embrapa - Frutas Nativas
  2. TACO - Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (Unicamp)
  3. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro

Prós e contras: Bacupari

Prós

  • Sabor agridoce único e muito suculento, ótimo gelado
  • Fruta nativa da Mata Atlântica que valoriza a biodiversidade
  • Boa para sucos, geleias, sorvetes e drinks com pouca adição de açúcar
  • Rica em água, vitamina C e antioxidantes naturais
  • Polpa congela bem e permite consumo fora da safra

Contras

  • Safra curta e difícil de encontrar fora do Sudeste/Sul
  • Estraga em 2 a 3 dias e não amadurece bem fora do pé
  • Resina amarga da casca pode amargar a preparação se manuseada errado
  • Sementes grandes e escorregadias exigem atenção com crianças
  • Poucos dados nutricionais padronizados por ser fruta extrativista
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o bacupari é uma das frutas nativas mais subestimadas do Brasil: suculenta e perfumada, mas prejudicada pela safra curta e pela resina que exige jeito para comer. Vale buscá-la congelada fora de época e priorizar o consumo in natura, onde ela mostra personalidade própria em vez de tentar imitar polpas mais doces.

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Cacilda Massema
Escrito porCacilda MassemaEngenheira Agrônoma

Com experiência no universo das plantas, dedica-se à pesquisa e produção de conteúdos sobre cultivo, identificação de espécies, plantas ornamentais, flores, árvores e frutíferas. Partilha conhecimentos práticos sobre…

Feliciano Murene
Revisão especializadaFeliciano MureneVeterinário

Feliciano Murene é professor e criador de conteúdo. Formado em Biologia, possui cerca de 5 anos de experiência em sala de aula e atua na produção de conteúdos…

Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.