🦜 Aves e Pássaros

Quero-quero

Vanellus chilensis

Atualizado em

32 a 38 cmTamanho
250 a 425 gPeso
10 a 15 anosExpectativa de vida
Alto e estridenteCanto
Campos abertos e áreas urbanasHabitat
Quero-quero em pé no gramado mostrando peito preto, barriga branca e pernas vermelhas

O quero-quero (Vanellus chilensis) é uma das aves mais conhecidas e ouvidas do Brasil. De porte médio, pernas longas e peito preto bem marcado, ele vive em campos abertos, pastagens, praias e até dentro de cidades, sempre aos pares ou em pequenos grupos.

Famoso pelo canto alto que parece dizer “quero-quero” e pelo comportamento extremamente territorial, defende o ninho no chão com voos rasantes e gritos que alertam toda a vizinhança. É impossível passar despercebido onde ele está.

Também conhecido como: Tetéu, Tero-tero, Tero, Tero-real, Ave-sentinela, Southern Lapwing (inglês), Tero común (espanhol)

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Galeria de fotos de Quero-quero

Quero-quero em pé no gramado mostrando peito preto, barriga branca e pernas vermelhas
Quero-quero adulto em campo aberto, com peito preto e topete característico.
Close da cabeça do quero-quero com bico vermelho e preto e topete fino
Detalhe da cabeça: bico bicolor e topete preto na nuca.
Quero-quero em voo com asas abertas sobre o campo
Em voo, exibe o padrão preto e branco marcante das asas.
Ninho de quero-quero no chão com três ovos camuflados
Ninho simples no solo com ovos oliva bem camuflados.
Filhotes de quero-quero ao lado do adulto no gramado
Filhotes precoces já caminham horas após nascer.
Quero-quero em postura de defesa territorial com asas abertas
Comportamento territorial: voos rasantes para expulsar intrusos.

Perfil rápido de Quero-quero

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

População ampla, estável e em expansão em áreas abertas e urbanas.

População
estável
Protegido por
sim

Calendário

ReproduçãoJFMAMJJASOND
Pico de posturaJFMAMJJASOND
Cuidado com filhotesJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
10 a 15 anos, com registros de até 20 anos em anilhamento
Em cativeiro
Não se aplica; espécie silvestre não mantida como pet

Reprodução

Sistema
Monogâmico territorial, casal defende área fixa
Ninho
Depressão rasa no solo, em campo aberto com visibilidade
Ovos
3 a 4 ovos oliva com manchas pretas, 26 a 28 dias de incubação
Filhotes
Precoces e nidífugos, caminham horas após nascer e seguem os pais
Maturidade
1 ano de idade

Habitat

Ambientes

  • Campos naturais e pastagens
  • Várzeas e banhados
  • Restingas e praias
  • Gramados urbanos, campos de futebol e aeroportos
  • Margens de rios e açudes

Biomas

  • Pampa
  • Cerrado
  • Mata Atlântica (áreas abertas)
  • Caatinga (áreas abertas)
  • Pantanal
  • Amazônia (bordas e áreas antropizadas)

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Insetos terrestres (besouros, gafanhotos, formigas, cupins)
  • Minhocas e larvas

Outros alimentos

  • Pequenos moluscos e crustáceos
  • Girinos e peixinhos
  • Sementes e pequenos frutos

Encontrado em 12 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Uruguai
  • Chile
  • Paraguai
  • Bolívia
  • Colômbia
  • Peru
  • Venezuela
  • Equador
  • Guiana
  • Suriname

Como animal de estimação

Adequação como pet
Não recomendado; ave silvestre territorial e barulhenta
Legalidade no Brasil
Protegida por lei; criação só com autorização do IBAMA/CETAS, venda de ave da natureza é crime ambiental
Nível de cuidado
Muito alto; exige área aberta extensa, não se adapta a gaiola ou viveiro pequeno
Observação responsável
Ideal para observação em campo (birdwatching) com binóculos e distância do ninho

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Charadriiformes
Família
Charadriidae
Gênero
Vanellus
Espécie
Vanellus chilensis (Molina, 1782)

Resumo

  • O quero-quero é uma ave campestre de 32 a 38 cm, com peito preto, dorso cinza-acastanhado e um topete fino na nuca, famosa pelo canto estridente que lhe deu o nome.
  • Vive em campos abertos, pastagens, várzeas e áreas urbanas de quase toda a América do Sul, faz ninho simples no chão e defende ovos e filhotes com ataques aéreos até contra gaviões e cachorros.
  • É espécie silvestre protegida por lei, não pode ser criada como pet sem autorização e tem papel importante no controle de insetos e pequenos invertebrados.

Características

Ficha da espécie

FamíliaCharadriidae
Origem e distribuiçãoAmérica do Sul, do norte da Colômbia ao sul do Chile e Argentina
HabitatCampos, pastagens, várzeas, praias, aeroportos e áreas urbanas gramadas
Tamanho (comprimento)32 a 38 cm
Envergadura55 a 62 cm
Peso250 a 425 g
Corespretobrancocinzacastanhovermelho (bicopernas)
Expectativa de vida10 a 15 anos na natureza
AlimentaçãoInsetívora e onívora oportunista
CantoGrito forte, repetido e agudo: “te-ro, te-ro” ou “quero-quero”
Reprodução (ninho e ovos)Ninho no chão; 3 a 4 ovos camuflados, incubação de 26 a 28 dias
Comportamento socialMonogâmico, territorial e muito vocal; vive em casais ou bandos pequenos
Subespécies4 reconhecidas (V. c. chilensis, cayennensis, lampronotus e fretensis)

Perfil e comportamento

SociabilidadeAlto
Intensidade do cantoMuito alto
InteligênciaAlto
Facilidade de criaçãoMuito baixo
Necessidade de espaçoMuito alto
Nível de atividadeAlto
Capacidade de imitar sonsMuito baixo

Como reconhecer o quero-quero sem erro

O quero-quero é inconfundível quando você aprende a olhar para três marcas principais. O peito e a garganta são pretos bem definidos, contrastando com a barriga branca. O dorso é cinza-acastanhado com brilho esverdeado nas asas, e a cabeça tem um topete fino e preto na nuca que parece um penacho.

O bico é curto, com base vermelha e ponta preta, e as pernas são longas e vermelhas, adaptadas para correr em campo aberto. Em voo, chama atenção a ampla mancha branca e preta nas asas e o voo batido, lento e barulhento.

Um detalhe que poucos notam: o quero-quero tem um esporão ósseo vermelho na dobra da asa. Ele usa essa estrutura como arma em disputas territoriais e para afugentar predadores. Não é venenoso, mas o golpe pode machucar.

Onde vive e por que está em todo lugar

O quero-quero é uma ave de áreas abertas. Ocorre em campos naturais, pastagens, várzeas alagáveis, restingas, praias, margens de rios e, cada vez mais, em gramados urbanos, campos de futebol, aeroportos e condomínios.

Sua distribuição cobre quase toda a América do Sul, do norte da Colômbia e Venezuela até a Terra do Fogo, na Argentina e no Chile. No Brasil está presente em todos os estados, sendo mais abundante no Sul, Sudeste e Centro-Oeste. É uma das poucas aves nativas que se beneficiou do desmatamento e da expansão de pastagens.

Ele evita mata fechada. Precisa de visibilidade ampla para detectar predadores e de solo exposto para fazer o ninho. Por isso, áreas recém-roçadas ou queimadas atraem casais rapidamente.

Quatro subespécies e suas diferenças

Existem quatro subespécies de Vanellus chilensis. No Brasil predomina V. c. lampronotus, ao norte do Rio Amazonas ocorre V. c. cayennensis, mais clara no dorso. No sul do Chile e Argentina vive V. c. chilensis, maior e com mais preto na face, e na Patagônia austral a V. c. fretensis, menor e mais pálida.

Subespécie Região Traço distintivo
V. c. lampronotus Centro e leste do Brasil ao norte da Argentina Coloração intermediária, topete evidente
V. c. cayennensis Norte da Amazônia e Guianas Dorso mais acastanhado claro
V. c. chilensis Chile e oeste da Argentina Mais preto na garganta e face
V. c. fretensis Patagônia austral Menor e mais acinzentada

O canto que deu nome à ave

O nome popular vem da onomatopeia do seu grito. O canto mais comum é um “tero-tero”, “tejo” ou “quero-quero” estridente, repetido e muito alto, ouvido a centenas de metros. É emitido tanto em voo quanto no chão, de dia e à noite se houver perturbação.

O quero-quero é um sentinela natural. Qualquer intruso — pessoa, cachorro, gato, gavião ou trator — dispara uma sequência de alarmes que alerta outras aves e mamíferos. Por isso, em fazendas, muita gente sabe que há alguém chegando quando os quero-queros começam a gritar.

Na nossa avaliação, é a ave com o alarme mais eficiente dos campos brasileiros. Não é um canto melodioso para apreciar, é um sistema de alerta territorial que funciona. Quem espera um pássaro canoro vai se frustrar.

O que o quero-quero come no campo e na cidade

A dieta é predominantemente insetívora. Ele caminha com passos rápidos, para, inclina a cabeça e bica o solo. Captura besouros, gafanhotos, formigas, cupins, larvas, minhocas e pequenos moluscos. Em áreas alagadas, pega girinos e peixinhos.

É um oportunista. Em gramados urbanos consome lagartas de gramado e formigas cortadeiras. Em áreas agrícolas, segue tratores para pegar insetos expostos pela aração. Também se alimenta de sementes e pequenos frutos quando há escassez de presas.

  • Principal: insetos terrestres e minhocas
  • Complementos: pequenos crustáceos, anfíbios, sementes e restos vegetais
  • Técnica: forrageio visual no solo, com corridas curtas e botes precisos

Essa alimentação faz dele um controlador natural de pragas de pastagem, um dos motivos pelos quais pecuaristas toleram e até valorizam sua presença, apesar do barulho.

Comportamento territorial: a ave que ataca até gavião

O quero-quero é monogâmico e extremamente territorial na época reprodutiva. O casal defende uma área de 1 a 3 hectares com voos rasantes, gritos e, se necessário, ataques com o esporão da asa. Ele não hesita em investir contra carcarás, gaviões, cachorros, cavalos e pessoas.

Fora da reprodução, pode formar bandos de 10 a 30 indivíduos para dormir e forragear, mas mantém hierarquia e vigilância coletiva. Um indivíduo fica em alerta enquanto outros se alimentam.

Um comportamento clássico é a estratégia de distração. Se um predador se aproxima dos ovos, um dos adultos se afasta mancando e arrastando a asa como se estivesse ferido, atraindo o inimigo para longe do ninho. Quando o predador segue a isca, a ave voa de volta.

Reprodução, ninho no chão e filhotes que já saem correndo

A reprodução no Brasil ocorre principalmente entre junho e dezembro, com pico de agosto a outubro. O ninho é uma depressão rasa no solo, às vezes forrada com gravetos e capim seco, sempre em local aberto com boa visibilidade.

A fêmea põe 3 a 4 ovos de cor oliva com manchas pretas e marrons, perfeitamente camuflados com o capim seco e pedras. A incubação dura 26 a 28 dias e é dividida entre macho e fêmea, que se revezam com grande agressividade contra intrusos.

Os filhotes são nidífugos e precoces: nascem cobertos de penugem, de olhos abertos e, em poucas horas, já caminham e seguem os pais para se alimentar. Ficam sob cuidado intenso por cerca de 4 a 6 semanas, aprendendo a se esconder agachados no capim quando os pais dão o alarme. A taxa de predação é alta, por isso a defesa feroz é vital.

É possível criar quero-quero em casa? Entenda a lei

Não. O quero-quero é ave silvestre nativa protegida pela Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/98). Capturar, manter em cativeiro, transportar ou comercializar sem autorização do IBAMA ou órgão estadual é crime, com multa e detenção.

Além da questão legal, ele não se adapta à criação doméstica. Precisa de muito espaço aberto, não canta como ave de gaiola, estressa-se em viveiro e torna-se agressivo. Não existe criação comercial legalizada para pet, apenas centros de reabilitação e zoológicos autorizados.

Se você encontrou um filhote aparentemente abandonado, o mais provável é que os pais estejam por perto vigiando. Não recolha. Afaste-se e observe de longe. Se estiver ferido, acione o órgão ambiental local ou um CETAS.

Estado de conservação e relação com o ser humano

O quero-quero é classificado como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população estável e em expansão em áreas antropizadas. Sua adaptabilidade a pastagens e cidades o protege, ao contrário de muitas aves campestres que declinam.

Os principais riscos são locais: atropelamentos, predação por cachorros soltos, roçada de ninhos em gramados e aeroportos e uso de agrotóxicos que reduzem insetos. Em aeroportos, é considerado risco para aviação e manejado com técnicas de afugentamento.

Culturalmente, é ave símbolo do Uruguai e do estado do Rio Grande do Sul, presente em brasões, músicas folclóricas e no imaginário do pampa. Seu grito é trilha sonora do campo e, para quem vive no interior, sinônimo de alerta e de território defendido.

Perguntas frequentes

Quero-quero ataca pessoas?

Sim, quando alguém se aproxima do ninho ou dos filhotes. Ele faz voos rasantes, grita alto e pode golpear com o esporão da asa, mas raramente causa ferimento grave.

Onde o quero-quero faz o ninho?

No chão, em uma depressão rasa no meio do capim baixo ou solo exposto, sem esconderijo. Os ovos camuflados ficam vulneráveis, por isso a defesa é tão agressiva.

O que significa quando o quero-quero canta à noite?

Geralmente indica que foi perturbado por predador, pessoa ou luz artificial. É um alarme territorial, não um canto noturno regular.

Quero-quero pode ser criado em casa?

Não. É ave silvestre protegida por lei e sua captura ou compra da natureza é crime ambiental. Só pode ser mantido com autorização do IBAMA em casos de reabilitação.

O que o quero-quero come?

Principalmente insetos, minhocas e larvas que captura no solo, além de pequenos invertebrados e sementes de forma oportunista.

Qual a diferença entre macho e fêmea?

São muito parecidos. O macho tende a ser ligeiramente maior e com topete um pouco mais longo, mas a distinção segura exige observação do comportamento ou medições.

Quero-quero migra?

Não faz migração longa. Faz deslocamentos locais conforme oferta de alimento e alagamento, mas permanece o ano todo na mesma região.

Você sabia?

1

O esporão que vira arma

Na dobra da asa o quero-quero tem um esporão ósseo avermelhado de até 1 cm, usado para golpear predadores em voos rasantes. Em disputas entre machos, os golpes podem arrancar penas.

2

Finge estar ferido

Para salvar os ovos, o adulto se afasta do ninho arrastando a asa e mancando, simulando uma ave machucada. Quando o predador o segue, ele voa e volta ao ninho.

3

Ovos invisíveis

Os 3 a 4 ovos são verde-oliva com manchas escuras que se confundem com pedras e capim seco. Mesmo a poucos passos, é difícil achá-los sem pisar.

4

Sentinela de fazenda

Pecuaristas usam o alarme do quero-quero como aviso natural de intrusos. O grito coletivo pode ser ouvido a mais de 500 metros e alerta até outras espécies.

Fontes

  1. IUCN Red List - Vanellus chilensis
  2. WikiAves - Quero-quero
  3. CBRO - Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos
  4. BirdLife International

Prós e contras: Quero-quero

Prós

  • Sentinela natural extremamente eficiente contra intrusos
  • Controla insetos e pragas de pastagens e gramados
  • Muito adaptável, ocorre até em áreas urbanas
  • Fácil de observar e identificar em campo
  • População estável e de baixo risco de extinção

Contras

  • Canto muito alto e estridente pode incomodar vizinhos
  • Extremamente territorial e agressivo na época reprodutiva
  • Faz ninho no chão e fica vulnerável a pisoteio e cachorros
  • Não pode ser criado legalmente como pet
  • Pode oferecer risco em pistas de aeroportos
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o quero-quero é a ave campestre mais subestimada do Brasil: barulhenta demais para quem busca canto, mas insubstituível como sentinela ecológica e controladora de insetos. Tentar silenciá-lo ou removê-lo de gramados é perder um aliado gratuito do campo.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.