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Arara-militar

Ara militaris

Atualizado em

68 a 75 cmTamanho
900 a 1.100 gPeso
50 a 60 anosExpectativa de vida
Grito alto e ásperoCanto
Florestas e cânions montanhososHabitat
Arara-militar pousada em paredão rochoso mostrando plumagem verde-oliva e testa vermelha

A arara-militar (Ara militaris) é uma arara de grande porte com plumagem predominantemente verde-oliva, testa vermelha e detalhes azuis nas asas e na cauda. Apesar do nome, não tem relação com militares: o verde lembrava o uniforme de soldados na época da sua descrição.

É uma espécie de distribuição fragmentada, que ocorre do México ao norte da Argentina, sempre associada a florestas secas, úmidas e cânions montanhosos. Vive em bandos barulhentos, nidifica em paredões rochosos e pode chegar aos 60 anos.

No Brasil a ocorrência é extremamente localizada e a espécie é classificada como Vulnerável pela IUCN, sofrendo com tráfico, desmatamento e perda de locais de nidificação.

Também conhecido como: Arara-verde-militar, Military Macaw (inglês), Guacamaya militar (espanhol), Ara militaire (francês)

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Galeria de fotos de Arara-militar

Arara-militar pousada em paredão rochoso mostrando plumagem verde-oliva e testa vermelha
Arara-militar adulta pousada, com destaque para o verde-oliva e a testa vermelha.
Retrato da cabeça da arara-militar com face nua listrada e bico forte
Detalhe da face nua com linhas pretas, característica individual da espécie.
Arara-militar em voo sobre cânion mostrando asas azuis abertas
Em voo, o azul intenso das asas e o amarelo-oliva por baixo ficam evidentes.
Bando de araras-militares em barreiro de argila se alimentando
Bando em barreiro de argila, comportamento essencial para neutralizar toxinas.
Ninho de arara-militar em fenda de penhasco com ovos brancos
Ninho típico em fenda de paredão rochoso com ovos brancos.
Arara-militar se alimentando de sementes segurando com a pata
Alimentação com sementes duras, manipuladas com bico e patas.

Perfil rápido de Arara-militar

Estado de conservação

VU
Vulnerável

Risco alto de extinção na natureza devido ao declínio populacional contínuo.

População
Decrescendo
Protegido por
CITES Apêndice I; protegida por leis nacionais em toda a distribuição

Calendário

ReproduçãoJFMAMJJASOND
Maior atividade em barreirosJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
50 a 60 anos, com alta mortalidade de filhotes no primeiro ano
Em cativeiro
55 a 65 anos com manejo adequado, dieta balanceada e espaço para voo

Reprodução

Acasalamento
Monogâmico, com par estável por várias estações
Estrutura social
Par reprodutivo dentro de bando; colônias pequenas em paredões
Padrão sazonal
Sazonal; postura entre dezembro e junho conforme a região
Tipo de nascimento
Ovíparo, ovos brancos sem manchas
Ninhada
2 a 3 ovos; geralmente 1 filhote chega a voar; incubação 26 dias; permanência no ninho ~90 dias

Habitat

Ambientes

  • Florestas secas decíduas
  • Florestas úmidas montanas
  • Bosques semidecíduos
  • Paredões rochosos e cânions
  • Bosques de galeria

Biomas

  • Floresta Tropical Sazonal
  • Mata Montana Andina
  • Caatinga arbórea e Chaco (margens)

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Sementes
  • Frutos carnosos
  • Nozes e coquinhos

Outros alimentos

  • Brotos e flores
  • Argila de barreiros

Encontrado em 8 países

  • México
  • Guatemala
  • Colômbia
  • Venezuela
  • Equador
  • Peru
  • Bolívia
  • Argentina

Como animal de estimação

Adequação
Não recomendada como pet; ave silvestre, muito vocal e que exige voo diário
Legalidade no Brasil
Criação e comércio exigem autorização do IBAMA; venda de ave capturada na natureza é crime ambiental
Nível de cuidado
Muito alto: viveiro grande, enriquecimento, dieta variada e acompanhamento veterinário especializado
Custo de aquisição
Sem comércio legal no país; adquira apenas por meio de criadouros autorizados quando houver oferta, nunca do tráfico

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Psittaciformes
Família
Psittacidae
Gênero
Ara
Espécie
Ara militaris (Linnaeus, 1766)

Resumo

  • A arara-militar é uma arara grande de 70 cm, verde com testa vermelha, face nua com finas linhas pretas e asas com azul intenso.
  • Vive em populações isoladas do México à Argentina em florestas e cânions até 3.300 m de altitude, em bandos que se comunicam com gritos ásperos e estridentes.
  • Está classificada como Vulnerável, nidifica em ocos de árvores e fendas de penhascos e depende de frutos, sementes e barreiros de argila para se alimentar.

Características

Ficha da espécie

FamíliaPsittacidae
Origem e distribuiçãoMéxico ao norte da Argentina, em populações disjuntas
HabitatFlorestas secas e úmidas, bosques semidecíduos e paredões rochosos de 600 a 3.300 m
Tamanho (comprimento)68 a 75 cm
Envergadura99 a 110 cm
Peso900 a 1.100 g
Coresverde-olivavermelhoazulamarelobranco
Expectativa de vida50 a 60 anos na natureza; até 65 em cativeiro
AlimentaçãoFrugívora e granívora
CantoSequência de grasnados altos, nasais e estridentes
Reprodução (ninho e ovos)Ninho em ocos ou fendas de penhasco; 2 a 3 ovos brancos; incubação de 26 dias
Comportamento socialGregária, vive em pares ou bandos de 10 a 30 indivíduos
Variedades ou subespécies3 subespécies: A. m. mexicana, A. m. militaris e A. m. boliviana

Perfil e comportamento

SociabilidadeMuito alto
Intensidade do cantoMuito alto
InteligênciaMuito alto
Facilidade de criaçãoMuito baixo
Necessidade de espaçoMuito alto
Nível de atividadeAlto
Capacidade de imitar sonsMédio

Como reconhecer a arara-militar: tamanho, cores e traços únicos

A arara-militar é uma das araras verdes mais fáceis de confundir, mas tem um conjunto de marcas que não deixa dúvida quando vista de perto. Mede 68 a 75 cm e pesa cerca de 1 kg, menor que a arara-vermelha e a arara-canindé, porém bem maior que qualquer maracanã.

A cor base é verde-oliva militar, mais amarelada na parte inferior. A testa e a base do bico são vermelho-vivo, as coberteiras das asas têm tom oliváceo e as rêmiges e a ponta da cauda são azul intenso. Por baixo, asas e cauda aparecem amarelo-oliva, visível em voo.

O rosto é o detalhe diagnóstico: face nua esbranquiçada com fileiras finas de penas pretas que formam linhas. Esse padrão é individual, como uma impressão digital, e muda com a idade e o humor. O bico é grande, preto-acinzentado na maxila e mais claro na base, e os olhos são amarelados com anel ocular claro. Jovens têm íris mais escura e cauda proporcionalmente mais curta.

Onde vive a arara-militar: distribuição fragmentada das Américas

Ao contrário de outras araras amazônicas de distribuição contínua, a arara-militar tem distribuição disjunta. Ocorre em manchas isoladas do México, Guatemala, Colômbia, Venezuela, Equador, Peru, Bolívia e norte da Argentina, sem populações conectadas entre si.

Essa fragmentação explica por que a espécie é rara em qualquer ponto. No Brasil há apenas registros pontuais e históricos no extremo oeste, sem população residente confirmada atualmente. O centro de abundância está nos Andes e na Sierra Madre.

Habita florestas secas decíduas, florestas úmidas montanas, bosques de galeria e cânions com paredões rochosos. É uma das poucas araras que sobe muito em altitude, sendo vista regularmente entre 600 e 2.800 m e ocasionalmente até 3.300 m. Durante o dia faz deslocamentos longos entre áreas de alimentação e dormitórios em penhascos, muitas vezes cruzando vales abertos.

O que a arara-militar come e por que visita barreiros

A dieta é essencialmente frugívora e granívora. Consome sementes de leguminosas, frutos de figueiras, mangas silvestres, coquinhos, nozes e brotos. O bico forte permite quebrar sementes muito duras que outras aves não aproveitam.

Um comportamento marcante é a visita regular a barreiros de argila, os famosos clay licks. Ali ingere argila rica em minerais que ajuda a neutralizar toxinas de frutos imaturos e a suplementar sódio, escasso longe do litoral. Esses barreiros são pontos sociais onde dezenas de indivíduos se reúnem ao amanhecer.

Em áreas agrícolas pode atacar milharais e plantios de amendoim, o que gera conflito com produtores. Na natureza, a oferta de alimento varia muito entre estação seca e chuvosa, e o bando precisa memorizar mapas extensos de árvores frutíferas dispersas.

Comportamento e canto: vida em bando e voz que atravessa o cânion

É uma espécie altamente gregária. Passa o dia em pares ou grupos familiares de 5 a 10 aves e se reúne ao entardecer em dormitórios coletivos que podem juntar 20 a 30 indivíduos em paredões. O vínculo do casal é duradouro e mantido por alisamento mútuo e alimentação compartilhada.

O canto é inconfundível e de longo alcance: grasnados ásperos, nasais e estridentes do tipo “kraak-kraak”, emitidos em voo e quando pousada. Serve para manter coesão do bando em vales amplos e para alertar sobre predadores. Não é uma grande imitadora como o papagaio-verdadeiro; em cativeiro reproduz poucos sons e com voz rouca.

Em voo, tem batida forte e direta, com cauda longa bem visível. É inteligente, curiosa e manipula objetos com patas e bico, mas também é arredia à presença humana e abandona facilmente locais com perturbação constante.

Reprodução, ninhos em penhascos e cuidado com os filhotes

A arara-militar é monogâmica e atinge maturidade sexual entre 3 e 4 anos. A estação reprodutiva varia com a latitude: no México vai de março a junho, nos Andes de dezembro a março.

Diferente da maioria das araras que depende só de ocos de árvores, ela prefere fendas e cavidades em paredões rochosos, embora também use ocos grandes de árvores emergentes quando disponíveis. Essa escolha protege contra predadores e desmatamento, mas torna os ninhos muito localizados e vulneráveis à coleta humana.

A postura é de 2 a 3 ovos brancos, incubados quase exclusivamente pela fêmea por 26 dias, enquanto o macho a alimenta. Os filhotes nascem nus e com olhos fechados, permanecem no ninho por cerca de 90 dias e continuam dependentes dos pais por meses após voarem. A taxa reprodutiva é baixa: normalmente apenas um filhote sobrevive por ninho.

Como é o ninho por dentro

Não constrói ninho elaborado. Deposita os ovos sobre detritos de madeira ou pó de rocha no fundo da cavidade. A entrada costuma ser estreita, o que dificulta o acesso de tucanos e macacos, mas não impede a ação de coletores ilegais.

A arara-militar pode ser criada em casa? Legalidade no Brasil

Não. A arara-militar é ave silvestre protegida e não existe plantel comercial legalizado no Brasil. A criação, compra ou venda sem autorização do IBAMA e dos órgãos estaduais é crime ambiental previsto na Lei 9.605/98.

Mesmo onde a espécie ocorre naturalmente, sua manutenção exige viveiro muito grande, enriquecimento ambiental constante e dieta especializada. É extremamente vocal, precisa voar diariamente e sofre muito com isolamento. Por isso, na nossa avaliação, não é ave para criação doméstica, nem para tutor de primeira viagem.

A única forma legal de ter contato é por meio de observação na natureza, zoológicos autorizados ou projetos de conservação. Aves apreendidas do tráfico jamais devem ser compradas, pois financiam a retirada de filhotes dos penhascos e a morte de adultos.

Estado de conservação e principais ameaças

A IUCN classifica a arara-militar como Vulnerável (VU), com população em declínio. Está listada no Apêndice I da CITES, que proíbe o comércio internacional de indivíduos capturados na natureza.

As ameaças se combinam: captura de filhotes para tráfico, desmatamento de florestas secas para pecuária, mineração em paredões e perda de árvores com ocos. Como nidifica em colônias pequenas e fiéis ao mesmo paredão por anos, a perturbação de um único local pode eliminar a reprodução de toda a região.

Estimativas globais apontam menos de 10.000 indivíduos maduros na natureza, divididos em subpopulações cada vez mais isoladas. Projetos no México e no Peru focam em vigilância de ninhos, educação ambiental e instalação de ninhos artificiais em penhascos, com resultados promissores onde há envolvimento comunitário.

Diferenças entre as três subespécies e confusão com outras araras verdes

Existem três subespécies reconhecidas, separadas geograficamente e por sutis diferenças de tamanho e tom de verde:

Subespécie Distribuição Tamanho médio Traço distintivo
A. m. mexicana México 70 a 75 cm Maior, verde mais escuro, mais isolada
A. m. militaris Colômbia, Venezuela, Equador, Peru 68 a 72 cm Nominal, verde-oliva clássico
A. m. boliviana Bolívia e norte da Argentina 68 a 70 cm Menor, garganta com tom mais avermelhado

A confusão mais comum é com a arara-verde-grande (Ara ambiguus) e a arara-de-leque. A arara-militar distingue-se por ser menor, sem amarelo extenso na cabeça e com azul restrito às pontas das asas, além da face com linhas pretas mais finas. A grande-verde tem bico maior e tom verde mais amarelado.

Outro erro é achar que toda arara verde é arara-militar. No Brasil, a arara-verde mais vista é a arara-vermelha (Ara chloropterus) jovem ou a maracanã-verdadeira, ambas com distribuição e vocalização diferentes. Observar a testa vermelha bem delimitada e o voo em altitude ajuda a confirmar a identificação.

Perguntas frequentes

Arara-militar ocorre no Brasil?

Há apenas registros históricos e pontuais no extremo oeste; não existe população residente estabelecida e confirmada no país atualmente.

Qual a diferença da arara-militar para a arara-verde-grande?

A militar é menor (até 75 cm), tem testa vermelha bem delimitada e menos amarelo na face; a verde-grande (Ara ambiguus) é maior, mais amarelada e tem bico mais robusto.

Arara-militar fala?

Pode imitar poucas palavras com voz rouca, mas sua capacidade de imitação é baixa comparada a papagaios; destaca-se pelos gritos altos naturais.

O que ela come na natureza?

Sementes duras, frutos, nozes e brotos, complementados com argila de barreiros para neutralizar toxinas e repor minerais.

Quanto tempo vive?

De 50 a 60 anos na natureza e até 65 anos em cativeiro com manejo adequado.

Por que está ameaçada?

Tráfico de filhotes, desmatamento de florestas secas e perturbação de paredões de nidificação fragmentaram suas populações, hoje com menos de 10.000 adultos.

Posso ter uma arara-militar legalizada?

No Brasil não há criadouros comerciais autorizados para a espécie; a captura e venda de aves da natureza é crime ambiental.

Você sabia?

1

Ninho em penhasco

Ao contrário de quase todas as araras, prefere fendas em paredões rochosos a ocos de árvores, podendo nidificar a mais de 2.000 m de altitude.

2

Barreiro como anti-veneno

A argila que consome nos barreiros não é só por minerais: ela se liga a alcaloides de sementes tóxicas e impede que sejam absorvidos.

3

Rosto único

As linhas de pequenas penas pretas sobre a face nua são individuais e funcionam como impressão digital para reconhecer cada ave.

4

Voo de altitude

É uma das poucas araras que cruza cordilheiras voando acima de 3.000 m, enfrentando ar rarefeito e correntes frias.

Fontes

  1. IUCN Red List - Ara militaris
  2. BirdLife International
  3. WikiAves
  4. Cornell Lab - Birds of the World

Prós e contras: Arara-militar

Prós

  • Inteligência alta e comportamento social fascinante para observação
  • Grande longevidade quando bem manejada em ambiente autorizado
  • Papel ecológico importante como dispersora de sementes grandes
  • Vocalização potente útil para comunicação em áreas montanhosas
  • Adaptação única a ninhos em penhascos, menos dependente de ocos escassos

Contras

  • Vulnerável à extinção e com populações fragmentadas
  • Extremamente vocal, inadequada para ambientes urbanos
  • Exige espaço enorme para voo e enriquecimento diário
  • Reprodução lenta, com apenas 1 filhote bem-sucedido por ninho em média
  • Muito sensível a perturbação humana nos locais de nidificação
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a arara-militar é o melhor exemplo de arara de montanha: discreta no verde, mas inconfundível pelo grito e pelo ninho em penhasco. Sua conservação depende menos de soltar aves e mais de proteger paredões e barreiros específicos, que são insubstituíveis.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.