🦜 Aves e Pássaros

Perdiz

Rhynchotus rufescens

Atualizado em

38 a 42 cmTamanho
700 g a 1 kgPeso
5 a 8 anosExpectativa de vida
Forte e melancólicoCanto
Campos e CerradoHabitat
Perdiz-do-campo em pé no capim do Cerrado vista de corpo inteiro

A perdiz mais conhecida no Brasil é a perdiz-do-campo (Rhynchotus rufescens), um tinamídeo campestre que vive escondido no capim alto. Apesar do nome, não é parente próxima das perdizes europeias (Perdix e Alectoris), e sim de inhambus e codornas-do-campo.

É uma ave que você quase sempre ouve antes de ver: seu canto longo e melancólico domina o amanhecer do Cerrado e dos campos do Sul. Discreta, corre agachada entre a vegetação e só levanta voo em explosão quando se sente encurralada.

Também conhecido como: Perdiz-do-campo, Perdiz-grande, Inhambu-perdiz, Red-winged Tinamou (inglês), Tinamú alirrojo (espanhol)

Explore a wiki

Galeria de fotos de Perdiz

Perdiz-do-campo em pé no capim do Cerrado vista de corpo inteiro
Perdiz-do-campo (Rhynchotus rufescens) em seu habitat de campo natural.
Close-up da cabeça e bico da perdiz
Detalhe da cabeça e do bico levemente curvo da perdiz.
Perdiz em voo mostrando as penas avermelhadas das asas
Voo curto e explosivo com primárias avermelhadas visíveis.
Ninho da perdiz no solo com ovos vináceos brilhantes
Ninho no chão com ovos vináceos característicos.
Macho de perdiz com filhotes caminhando no capim
Macho cuidando dos filhotes nidífugos que já correm após nascer.
Perdiz camuflada no capim seco mostrando plumagem críptica
Plumagem críptica que a torna quase invisível no capim.

Perfil rápido de Perdiz

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Espécie ainda ampla, mas em declínio por perda de habitat campestre.

População
Em declínio
Protegido por
Sim, protegida por lei federal contra caça e captura sem autorização

Calendário

ReproduçãoJFMAMJJASOND
Maior atividade de cantoJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
5 a 8 anos, raramente até 10
Em cativeiro autorizado
8 a 12 anos com manejo adequado

Reprodução

Maturidade sexual
10 a 12 meses
Época reprodutiva
Agosto a fevereiro, pico setembro a novembro
Tipo de ninho
Depressão no solo forrada com capim seco
Ovos por postura
3 a 9 ovos vináceos brilhantes
Incubação
19 a 21 dias, feita pelo macho
Filhotes
Nidífugos e precoces, acompanham o pai por 3 a 4 semanas

Habitat

Ambientes

  • Campos naturais
  • Cerrado aberto e campo sujo
  • Pastagens nativas com capim alto
  • Áreas agrícolas com cobertura de gramíneas

Biomas

  • Cerrado
  • Pampa
  • Caatinga (transição)
  • Mata Atlântica (áreas campestres)

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Sementes de gramíneas nativas
  • Frutos do Cerrado
  • Brotos e folhas

Outros alimentos

  • Insetos e larvas
  • Cupins e besouros
  • Pequenos vertebrados

Encontrado em 5 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Paraguai
  • Uruguai
  • Bolívia

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Tinamiformes
Família
Tinamidae
Gênero
Rhynchotus
Espécie
Rhynchotus rufescens

Resumo

  • A perdiz brasileira (Rhynchotus rufescens) é uma ave campestre de 38 a 42 cm, de plumagem marrom-avermelhada e críptica, que vive em campos e cerrados da América do Sul.
  • Tem canto forte ao amanhecer, ninho no chão com ovos vináceos brilhantes e cuidado parental exclusivo do macho, com filhotes nidífugos que já correm horas após nascer.
  • Está em declínio local por perda de campo nativo, queimadas e caça, mas ainda é classificada como Pouco Preocupante pela IUCN e tem criação proibida sem autorização do IBAMA.

Características

Ficha da espécie

FamíliaTinamidae
Origem e distribuiçãoAmérica do Sul — Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia
HabitatCampos naturais, cerrado aberto, pastagens e áreas agrícolas com vegetação alta
Tamanho (comprimento)38 a 42 cm
Envergadura60 a 75 cm
Peso700 g a 1 kg (fêmeas ligeiramente maiores)
Coresmarrombegepretocremecinzaavermelhado
Expectativa de vida5 a 8 anos na natureza; até 10 anos em cativeiro autorizado
AlimentaçãoOnívora — sementes, frutos, brotos, insetos, larvas e pequenos vertebrados
CantoAssobio longo, descendente e melancólico, emitido ao amanhecer e entardecer
Reprodução (ninho e ovos)Ninho no solo; 3 a 9 ovos vináceos a castanho-arroxeados, brilhantes
Comportamento socialSolitária ou em casal; macho incuba e cuida dos filhotes
Variedades ou subespécies3 subespécies: R. r. rufescens, R. r. catingae e R. r. pallescens

Perfil e comportamento

SociabilidadeBaixo
Intensidade do cantoAlto
InteligênciaMédio
Facilidade de criaçãoBaixo
Necessidade de espaçoMuito alto
Nível de atividadeMédio
Capacidade de imitar sonsMuito baixo

Como reconhecer a perdiz: tamanho, cores e traços que não enganam

A perdiz-do-campo mede 38 a 42 cm e pesa entre 700 g e 1 kg, com fêmeas um pouco maiores que os machos. É uma ave robusta, de pescoço curto, pernas amareladas e bico levemente curvo e alongado.

A plumagem é críptica: dorso marrom-avermelhado finamente barrado de preto e bege, peito canela com estrias pretas e barriga mais clara. Essa coloração a torna quase invisível no capim seco.

O detalhe que entrega a espécie são as primárias avermelhadas, visíveis apenas quando abre as asas para voar. Em repouso, ela parece toda marrom. O topete é curto e erétil, levantado quando a ave está alerta.

Onde vive a perdiz no Brasil e na América do Sul

No Brasil, ocorre do Maranhão e Piauí até o Rio Grande do Sul, com maior densidade no Cerrado, Campos Sulinos e áreas de transição com a Caatinga. Fora do país, está na Argentina, Paraguai, Uruguai e leste da Bolívia.

Seu habitat é o campo aberto: campo limpo, campo sujo, cerrado ralo e pastagens nativas com capim alto. Evita mata fechada, áreas alagadas e lavouras sem cobertura.

Depende de gramíneas nativas altas para se esconder e nidificar. Onde o campo é convertido em soja ou pastagem exótica baixa e manejada com fogo frequente, ela desaparece rapidamente, mesmo que ainda haja espaço aberto.

O que a perdiz come no campo

É onívora e oportunista. A base da dieta são sementes de gramíneas nativas, frutos caídos do Cerrado como lobeira e murici, brotos e folhas tenras.

Complementa com insetos, larvas, cupins, besouros e pequenos vertebrados como lagartixas. Na estação chuvosa, quando há mais insetos, a fração animal aumenta e é essencial para os filhotes.

Forrageia caminhando devagar, bicando o solo e remexendo a serrapilheira com o bico. Diferente de galinhas, não ciscam com os pés; usam apenas o bico para virar folhas e encontrar alimento.

Comportamento e canto: por que você ouve antes de ver

A perdiz é extremamente discreta. Passa o dia caminhando agachada no capim, congela quando percebe perigo e só corre ou voa no último segundo. Essa estratégia explica por que é tão difícil fotografá-la.

O canto é o melhor indicador de presença. É um assobio longo, triste e descendente, algo como uuuuu-uuu-uuu, emitido principalmente ao amanhecer e no fim da tarde. Em manhãs frias e úmidas do Cerrado, pode ser ouvido a mais de 800 metros.

É uma ave pouco social. Vive solitária ou em casal na época reprodutiva. Machos são territoriais e respondem ao canto de outros machos, o que facilita censos por playback, mas também a torna vulnerável à caça por atração sonora.

Perdiz voa? Entenda o voo curto e explosivo

Sim, mas voa mal e por pouco tempo. O voo é explosivo, ruidoso e baixo, com batidas rápidas e um planeio curto de 50 a 200 metros até cair novamente no capim.

Esse voo gasta muita energia e a deixa vulnerável a predadores aéreos, por isso ela prefere correr. Quando pressionada por cães ou máquinas agrícolas, levanta voo quase vertical, com estalo de asas característico.

As asas curtas e arredondadas e os músculos peitorais fortes são adaptados para esse arranque, não para migração. A espécie é residente e sedentária, não migra.

Reprodução, ninho no chão e filhotes que já nascem correndo

A reprodução vai de agosto a fevereiro, com pico entre setembro e novembro no Brasil central. O macho canta para atrair fêmeas e defende um território de campo.

O ninho é uma depressão simples no solo, forrada com capim seco e escondida sob touceira. A fêmea põe de 3 a 9 ovos de cor vinácea a chocolate, com casca lisa e brilhante, quase como porcelana. Essa cor é rara entre aves campestres e ajuda na camuflagem entre folhas secas.

O sistema é peculiar: a fêmea pode acasalar com mais de um macho e deixar cada ninhada para um macho diferente. É o macho que incuba por cerca de 21 dias e cuida sozinho dos filhotes. Os perdigotos são nidífugos e precoces: saem do ninho em poucas horas, já correndo e se alimentando sozinhos, mas seguindo o pai por semanas.

Diferença entre perdiz, codorna e inhambus: não confunda

No campo, três grupos são confundidos. A tabela ajuda a separar:

Característica Perdiz (Rhynchotus rufescens) Codorna-do-campo (Nothura maculosa) Inhambu-carapé (Taoniscus nanus)
Tamanho 38 a 42 cm 20 a 24 cm 15 a 17 cm
Bico Longo e levemente curvo Curto e reto Curto e fino
Voo Explosivo, primárias avermelhadas Curto e baixo, sem cor avermelhada Raro, quase só corre
Canto Assobio longo e melancólico Trinado rápido e repetido Apito fino e agudo
Ovos Vináceos brilhantes Amarelo-acastanhados com manchas Verde-oliva

A perdiz europeia verdadeira (Perdix perdix ou Alectoris rufa), da família Phasianidae, não ocorre solta no Brasil. Quando alguém fala em perdiz por aqui, quase sempre é o tinamídeo nativo.

Conservação e por que a perdiz está sumindo de algumas áreas

Globalmente está como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, mas com população em declínio. No Brasil, o problema é local e rápido: perda de campo nativo para agricultura, fogo anual e uso intensivo de agrotóxicos.

Por nidificar no chão, é extremamente sensível a roçadeiras, colheitadeiras e pisoteio de gado na época reprodutiva. Um único manejo de pasto em outubro pode destruir todos os ninhos de uma área.

A caça, ainda que ilegal, persiste por causa da carne apreciada e da facilidade de atrair machos com playback. Em estados do Sul e Sudeste, onde o campo nativo já é menos de 20% do original, avistamentos caíram drasticamente nas últimas três décadas segundo observadores do WikiAves.

É possível criar perdiz em casa? Legalidade e cuidados

Não como ave de estimação comum. Por ser silvestre nativa, sua criação, captura ou venda sem autorização é crime ambiental (Lei 9.605/98) e depende de registro no IBAMA e órgãos estaduais.

Criadores legalizados existem apenas para fins de conservação ou manejo cinegético autorizado, com exigências altas de área, alimentação e controle sanitário. Não é ave para gaiola ou quintal: precisa de muito espaço, capim alto e manejo muito específico, além de ser arisca e estressar-se facilmente perto de pessoas e cães.

Na nossa avaliação, a perdiz é uma ave para observar livre no campo, não para manter presa. O melhor jeito de ajudar é preservar campo nativo, evitar fogo na época de nidificação e denunciar caça com uso de playback.

Perguntas frequentes

Perdiz é a mesma coisa que codorna?

Não. A perdiz-do-campo (Rhynchotus rufescens, 38 a 42 cm) é bem maior que a codorna-do-campo (Nothura maculosa, 20 a 24 cm) e tem bico mais longo e curvo, além de primárias avermelhadas no voo.

Perdiz voa alto e longe?

Não. O voo é curto, baixo e explosivo, de 50 a 200 metros, usado só para escapar. Ela prefere correr e se esconder no capim.

Onde encontrar perdiz no Brasil?

Em campos naturais e cerrado aberto do Centro-Oeste, Sudeste e Sul, como interior de São Paulo, Minas, Goiás, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul, sempre em áreas com capim alto.

O que a perdiz come?

Sementes de gramíneas, frutos do Cerrado, brotos e insetos como cupins e besouros. Filhotes consomem mais proteína animal nas primeiras semanas.

Pode criar perdiz em casa? É legal?

Não sem autorização. Por ser silvestre nativa, a captura e criação exigem registro no IBAMA/órgão estadual e a venda de ave da natureza é crime ambiental.

Como é o canto da perdiz?

Um assobio longo, melancólico e descendente, emitido ao amanhecer e entardecer na época reprodutiva. É ouvido a centenas de metros no campo aberto.

Perdiz está ameaçada de extinção?

Globalmente é Pouco Preocupante (LC), mas está em declínio e já desapareceu de muitas áreas onde o campo nativo foi convertido em lavoura ou pastagem exótica.

Você sabia?

1

Ovos cor de vinho

Os ovos da perdiz são vináceos e brilhantes como porcelana, cor raríssima entre aves brasileiras, e ficam camuflados entre folhas secas do Cerrado.

2

Pai solteiro

Após a postura, a fêmea abandona o ninho e o macho assume tudo: incuba por 21 dias e guia os filhotes por semanas, enquanto ela pode formar nova ninhada com outro macho.

3

Canto que engana caçador

O canto melancólico ao amanhecer pode ser ouvido a quase 1 km em campo aberto, e caçadores ilegais usam gravações para atrair machos territoriais.

4

Voo que assusta

Quando levanta voo, faz um estalo alto de asas e mostra as penas primárias avermelhadas, um clarão ruivo que desaparece assim que pousa e volta a se esconder.

Fontes

  1. IUCN Red List - Rhynchotus rufescens
  2. WikiAves - Perdiz Rhynchotus rufescens
  3. CBRO - Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos
  4. BirdLife International

Prós e contras: Perdiz

Prós

  • Canto marcante que indica campo saudável
  • Filhotes precoces e cuidado parental interessante do macho
  • Plumagem críptica fascinante para observação e fotografia de natureza
  • Importante dispersora de sementes de gramíneas nativas

Contras

  • Muito arisca, difícil de observar de perto
  • Exige grandes áreas de campo nativo, não se adapta a quintal ou gaiola
  • Ninho no chão muito vulnerável a máquinas, fogo e pisoteio
  • Sensível à caça com playback e à perda de habitat
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a perdiz é a voz mais emblemática do campo brasileiro e um bioindicador honesto: onde ela canta, o campo ainda está vivo. Tentar transformá-la em ave de gaiola é perder exatamente o que a torna interessante — o comportamento arisco e o canto livre ao amanhecer.

Continue explorando: Aves e Pássaros

Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.