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Ararajuba

Guaruba guarouba

Atualizado em

34 cmTamanho
250 a 310 gPeso
25 a 35 anosExpectativa de vida
Agudo e estridenteCanto
Floresta amazônicaHabitat
Ararajuba de corpo inteiro pousada em galho mostrando plumagem amarelo-ouro e pontas das asas verdes

A ararajuba é um psitacídeo endêmico do Brasil impossível de confundir quando adulta: corpo quase todo amarelo-ouro intenso com pontas das asas verdes e bico claro rosado. É a única espécie do gênero Guaruba e uma das aves mais ameaçadas da Amazônia por desmatamento e tráfico.

Altamente social e barulhenta, vive em bandos familiares que defendem o ninho de forma cooperativa, algo raro entre papagaios. Na natureza ocorre apenas no norte do Pará e Maranhão, e sua criação em casa só é legal se vier de criadouro autorizado pelo IBAMA.

Também conhecido como: Guaruba, Arara-amarela, Guarouba, Golden Parakeet, Golden Conure

Faz parte de: Aves da Amazônia

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Galeria de fotos de Ararajuba

Ararajuba de corpo inteiro pousada em galho mostrando plumagem amarelo-ouro e pontas das asas verdes
Ararajuba adulta com plumagem amarelo-ouro característica e bico claro.
Close da cabeça da ararajuba mostrando bico rosado e anel ocular branco
Detalhe da cabeça: bico rosado e anel ocular branco sem penas.
Ararajuba em voo sobre a floresta amazônica com asas abertas
Ararajuba em voo exibindo o contraste entre amarelo e verde das asas.
Bando de ararajubas se alimentando de frutos de palmeira na Amazônia
Bando se alimentando de frutos de palmeira, base da dieta na natureza.
Ninho de ararajuba dentro de oco de árvore alta com ovos brancos
Ninho em oco de árvore alta, onde põe de 2 a 4 ovos brancos.
Filhote de ararajuba com plumagem esverdeada em transição para amarelo
Filhote esverdeado antes da muda para o amarelo-ouro definitivo.

Perfil rápido de Ararajuba

Estado de conservação

VU
Vulnerável

População pequena e em declínio por desmatamento e captura ilegal.

População
Em declínio
Protegido por
Sim - CITES Anexo I e protegida por lei no Brasil

Calendário

ReproduçãoJFMAMJJASOND
Pico de vocalização e atividade socialJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
20 a 30 anos
Em cativeiro
Até 35 anos com manejo adequado

Reprodução

Maturidade sexual
3 a 4 anos
Época reprodutiva
Novembro a fevereiro (estação chuvosa)
Tipo de ninho
Oco de árvore alta e isolada, 15 a 30 m de altura
Ovos por postura
2 a 4 ovos brancos
Incubação
28 a 30 dias, feita pela fêmea
Filhotes
Nidícolas, saem do ninho com 55 a 65 dias; cuidado cooperativo pelo bando

Habitat

Ambientes

  • Floresta de terra firme
  • Mata secundária alta
  • Bordas de clareiras e capoeiras altas

Biomas

  • Amazônia

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Frutas de palmeiras (açaí, bacaba, buriti)
  • Sementes e castanhas

Outros alimentos

  • Flores
  • Brotos
  • Milho e bagas em áreas cultivadas

Encontrado em 1 país

  • Brasil

Como animal de estimação

Pode ter em casa?
Apenas de criadouro autorizado pelo IBAMA, com anilha e nota fiscal
Legalidade
Captura e comércio sem autorização são crime ambiental (Lei 9.605/98)
Nível de cuidado
Alto: viveiro grande, interação diária e veterinário de aves
Adequação
Não indicada para iniciantes, crianças pequenas ou apartamento

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Psittaciformes
Família
Psittacidae
Gênero
Guaruba
Espécie
Guaruba guarouba

Resumo

  • A ararajuba é um psitacídeo de 34 cm amarelo-ouro com pontas das asas verdes, endêmico da Amazônia paraense e maranhense e única espécie do gênero Guaruba.
  • Vive em bandos de 4 a 20 indivíduos, é frugívora, muito vocal e se reproduz de forma cooperativa em ocos de árvores altas entre novembro e fevereiro.
  • Classificada como Vulnerável pela IUCN, sofre com desmatamento e tráfico, e sua criação doméstica só é permitida com anilha e nota de criadouro autorizado pelo IBAMA.

Características

Ficha da espécie

FamíliaPsittacidae
Origem e distribuiçãoEndêmica do Brasil – norte do Pará, oeste do Maranhão e sul do Amazonas
HabitatFloresta de terra firme, matas secundárias altas e bordas de clareiras
Tamanho (comprimento)34 cm em média
Envergadura45 a 50 cm
Peso250 a 310 g
Coresamarelo-ouroverdebrancorosa-claro
Expectativa de vida20 a 30 anos na natureza, até 35 em cativeiro
AlimentaçãoFrugívora e granívora
CantoGritos agudos, rápidos e repetidos, audíveis a longa distância
Reprodução (ninho e ovos)Oco de árvore alta; 2 a 4 ovos brancos; incubação de 28 a 30 dias
Comportamento socialAltamente gregária, vive em bandos de 4 a 20 com cuidado cooperativo da prole
Variedades ou subespéciesNenhuma – espécie monotípica, única do gênero Guaruba

Perfil e comportamento

SociabilidadeMuito alto
Intensidade do cantoMuito alto
InteligênciaMuito alto
Facilidade de criaçãoMuito baixo
Necessidade de espaçoMuito alto
Nível de atividadeMuito alto
Capacidade de imitar sonsBaixo

Como reconhecer a ararajuba: tamanho, cores e bico

A ararajuba adulta é inconfundível. Mede cerca de 34 cm de comprimento e pesa entre 250 e 310 g, tamanho médio entre um periquito e uma arara pequena. O corpo é quase todo amarelo-ouro intenso, com as pontas das asas e parte das coberteiras verdes.

O bico é claro, rosado ou cor de chifre, diferente do bico preto da maioria dos psitacídeos amazônicos. Ao redor dos olhos há um anel periocular branco e sem penas, bem evidente, e os pés são rosados. A cauda é longa e amarela.

O filhote não nasce amarelo. Nos primeiros meses a plumagem é predominantemente verde-oliva com manchas amarelas, e só entre 10 e 18 meses troca para o amarelo-ouro definitivo. Essa mudança confunde muita gente que acha ter visto outra espécie. Não há dimorfismo sexual visível: macho e fêmea são idênticos.

Onde vive a ararajuba na natureza

A ararajuba é endêmica do Brasil e tem uma das distribuições mais restritas entre os psitacídeos. Ocorre principalmente no norte do Pará, oeste do Maranhão e extremo sul do Amazonas, ao sul do rio Amazonas e a leste do rio Madeira.

Habita floresta de terra firme alta, matas secundárias antigas e bordas de clareiras, sempre perto de árvores frutíferas e de ocos grandes para nidificar. Evita áreas alagadas e florestas muito fragmentadas. Historicamente ia do Amapá ao Maranhão, mas desapareceu de boa parte da área por desmatamento.

É ave de dossel e de meia-altura, que se desloca em bandos barulhentos entre árvores de alimentação e dormitórios. Avistamentos fora da Amazônia são sempre de aves oriundas de cativeiro.

O que a ararajuba come na mata e no viveiro

Na natureza é essencialmente frugívora e granívora. A base são frutos de palmeiras como açaí, bacaba, buriti e tucumã, além de bacuri, muruci, ingá, mangaba e sementes de leguminosas. Complementa com flores, néctar e brotos.

Tem papel importante como dispersora de sementes: carrega frutos no bico para comer em poleiros distantes e derruba sementes intactas. Em áreas agrícolas pode visitar milharais e pomares, o que aumenta o conflito com humanos.

Em cativeiro autorizado a dieta precisa reproduzir essa variedade: mix de frutas tropicais, sementes, castanhas do Pará e ração extrusada para psitacídeos, sempre com suplementação de cálcio. Semente de girassol pura ou alimentação humana causa deficiência nutricional grave.

Comportamento e canto: por que é tão barulhenta e social

A ararajuba é uma das aves mais sociais do Brasil. Vive em bandos familiares de 4 a 20 indivíduos que dormem, forrageiam e defendem território juntos. O vínculo é tão forte que o bando inteiro ataca predadores perto do ninho.

O canto é agudo, estridente e repetitivo, descrito como “krii-krii-krii”. É usado para manter o bando coeso em voo e pode ser ouvido a mais de 1 km na mata fechada. Em viveiro, vocaliza mais ao amanhecer e entardecer. Não é boa imitadora de voz humana, diferente de papagaios do gênero Amazona.

  • Inteligência alta: resolve problemas simples, usa o pé para segurar alimento e tem forte memória espacial de árvores frutíferas.
  • Voo rápido e ondulado: bate asas de forma ágil entre as copas, com cauda longa servindo de leme.
  • Defesa cooperativa: todos os adultos do bando alimentam e protegem os filhotes, não apenas os pais.

Reprodução, ninhos e filhotes

A reprodução é cooperativa e sazonal, concentrada na estação chuvosa, de novembro a fevereiro. O casal é monogâmico, mas conta com 1 a 3 ajudantes do bando que auxiliam na defesa e alimentação.

Nidifica em ocos profundos de árvores altas e isoladas, como castanheiras e angelins, a 15 a 30 metros do solo. A fêmea põe 2 a 4 ovos brancos e incuba por 28 a 30 dias, enquanto o macho e os ajudantes trazem alimento.

Os filhotes são nidícolas e nascem sem penas, com olhos fechados. Permanecem no ninho por 55 a 65 dias e continuam sendo alimentados pelo grupo por semanas após saírem. A maturidade sexual vem só aos 3 a 4 anos, o que torna a reposição populacional lenta.

É possível ter ararajuba em casa? Legalidade e cuidados no Brasil

Não. A ararajuba é ave silvestre protegida por lei. Capturar, comprar ou manter sem autorização é crime ambiental previsto na Lei 9.605/98, com multa e apreensão. A única forma legal é adquirir de criadouro comercial autorizado pelo IBAMA ou órgão estadual, com ave anilhada, microchipada e nota fiscal.

Mesmo legalizada, não é ave para iniciantes. Exige viveiro grande (mínimo 3 m de comprimento), interação social diária, enriquecimento ambiental e veterinário especializado em aves. Criada isolada em gaiola pequena desenvolve estresse, automutilação de penas e gritos excessivos.

Na nossa avaliação, a ararajuba funciona melhor como espécie para observação na natureza e conservação do que como pet de apartamento. Quem busca psitacídeo para casa tem opções domésticas legalizadas e mais adaptadas, como calopsita e periquito-australiano.

Estado de conservação: por que está vulnerável

A ararajuba é classificada como Vulnerável (VU) na Lista Vermelha da IUCN, com população estimada entre 10 mil e 20 mil indivíduos maduros e tendência de queda. Já foi considerada Em Perigo até 2013.

As principais ameaças são desmatamento da Amazônia para pecuária e soja, perda de árvores com ocos para ninho e captura para tráfico. Por ser amarela e dócil, foi muito visada no comércio ilegal nas décadas de 1970 e 1980. A fragmentação também isola bandos e reduz o sucesso reprodutivo.

Está no Anexo I da CITES e é protegida por lei no Brasil. Unidades como a Floresta Nacional do Tapajós e projetos de reprodução em cativeiro para reintrodução são essenciais. O turismo de observação de aves tem ajudado a dar valor econômico à floresta em pé.

Ararajuba, arara e periquito: não confunda

O nome popular causa confusão. Apesar de chamada de arara, a ararajuba não é arara do gênero Ara.

Espécie Tamanho Cor principal Bico Traço distintivo
Ararajuba (Guaruba guarouba) 34 cm Amarelo-ouro com pontas verdes Claro rosado Anel ocular branco grande, única do gênero
Jandaia-verdadeira (Aratinga jandaya) 30 cm Cabeça amarela, corpo verde e laranja Preto Peito alaranjado, ocorre na Caatinga
Arara-amarela (Ara ararauna) 85 cm Azul e amarelo Preto grande Muito maior, face com linhas pretas

Outro erro comum é achar que toda ave amarela na Amazônia é ararajuba. Filhotes de ararajuba são esverdeados e podem ser confundidos com jandaias, mas o bico claro e o amarelo que surge primeiro na cabeça entregam a espécie.

Perguntas frequentes

Ararajuba é arara ou periquito?

Tecnicamente é um periquito grande, da família Psittacidae. Apesar do nome, não pertence ao gênero Ara das araras verdadeiras; está no gênero exclusivo Guaruba.

Onde a ararajuba vive no Brasil?

É endêmica da Amazônia oriental, principalmente no Pará e oeste do Maranhão, em florestas de terra firme. Não ocorre naturalmente em outras regiões.

Quanto tempo vive uma ararajuba?

Vive de 20 a 30 anos na natureza e pode chegar a 35 anos em cativeiro com manejo e veterinário adequados.

Pode criar ararajuba em casa? É legal?

Só se for comprada de criadouro autorizado pelo IBAMA, com anilha e nota fiscal. Ave sem origem comprovada é ilegal e configura crime ambiental.

O que a ararajuba come?

Frutas de palmeiras como açaí e bacaba, além de bacuri, muruci, sementes e castanhas. Em cativeiro precisa de frutas variadas e ração extrusada.

Ararajuba fala ou imita?

Quase nada. Tem canto agudo e estridente para comunicação do bando, mas imita muito pouco a voz humana, diferente de papagaios.

Por que a ararajuba está ameaçada?

Está classificada como Vulnerável pela IUCN devido ao desmatamento, perda de árvores com ocos para ninho e captura histórica para tráfico.

Você sabia?

1

Única do seu gênero

A ararajuba é a única espécie do gênero Guaruba. O nome vem do tupi guarajúba, que significa pássaro amarelo, e já foi Aratinga guarouba até estudos genéticos a separarem.

2

Berçário coletivo

É um dos poucos papagaios com reprodução cooperativa verdadeira: até 3 ajudantes do bando, geralmente filhos de anos anteriores, revezam na alimentação dos filhotes e na defesa do ninho.

3

Amarelo que demora

Filhotes nascem quase verdes e só ficam totalmente amarelo-ouro após a primeira muda completa, entre 10 e 18 meses. Antes disso são frequentemente confundidos com outras jandaias.

4

Ave-símbolo do Pará

É considerada ave-símbolo do estado do Pará e já estampou campanhas contra o tráfico de animais silvestres por ser endêmica e tão visada pelo comércio ilegal.

Fontes

  1. IUCN Red List - Guaruba guarouba
  2. WikiAves - Ararajuba
  3. BirdLife International
  4. CBRO - Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos

Prós e contras: Ararajuba

Prós

  • Plumagem amarelo-ouro única e de fácil identificação quando adulta
  • Altamente social e inteligente, com comportamento cooperativo raro
  • Importante dispersora de sementes da Amazônia
  • Vive muitos anos quando bem manejada em criadouro legalizado
  • Símbolo forte para conservação da floresta amazônica

Contras

  • Vulnerável à extinção e com distribuição muito restrita
  • Canto agudo e muito alto, inadequado para apartamento
  • Criação legal exige viveiro grande, tempo e autorização do IBAMA
  • Maturidade tardia e baixa taxa reprodutiva dificultam a recuperação
  • Filma e tráfico ainda pressionam populações selvagens
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a ararajuba é um caso raro de psitacídeo que vale mais solto do que na gaiola: sua beleza extrema a tornou vítima do próprio sucesso. Proteger ocos de nidificação e frear o desmatamento no Pará é mais eficaz que qualquer projeto de criação isolado.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.