Resumo
- O Cardeal-do-sul é o Paroaria coronata, pássaro de 18 a 19 cm com topete e cabeça vermelhos, dorso cinza e ventre branco, comum no Sul e Centro-Oeste do Brasil.
- Vive em campos abertos, savanas, bordas de mata e áreas urbanas, alimenta-se de sementes, frutos e insetos e tem canto melodioso e territorial usado para demarcar área.
- Não pode ser capturado na natureza: só é legal ter a ave com origem em criadouro autorizado e anilhada; na IUCN é classificada como Pouco Preocupante, mas é muito traficada.
Características
Ficha da espécie
| Família | Thraupidae |
|---|---|
| Origem e distribuição | Centro-sul da América do Sul: Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia; introduzido no Havaí e Porto Rico |
| Habitat | Campos abertos, savana, caatinga arbustiva, borda de matas, parques e áreas rurais |
| Tamanho (comprimento) | 18 a 19 cm |
| Envergadura | 26 a 30 cm |
| Peso | 28 a 42 g |
| Cores | vermelhocinzabrancopreto |
| Expectativa de vida | 12 a 15 anos na natureza; até 25 anos em cativeiro autorizado |
| Alimentação | Granívora e frugívora, complementa com insetos |
| Canto | Sequência melodiosa de assobios claros, mais intenso no período reprodutivo |
| Reprodução (ninho e ovos) | Ninho em forma de taça; 2 a 4 ovos branco-esverdeados com manchas marrons; incubação 12 a 13 dias |
| Comportamento social | Monogâmico e territorial; vive em pares ou bandos de 4 a 8 fora da reprodução |
| Subespécies | Nenhuma reconhecida (monotípica) |
Perfil e comportamento
| Sociabilidade | Alto |
|---|---|
| Intensidade do canto | Alto |
| Inteligência | Médio |
| Facilidade de criação | Baixo |
| Necessidade de espaço | Alto |
| Nível de atividade | Alto |
| Capacidade de imitar sons | Baixo |
Como reconhecer o Cardeal-do-sul: tamanho, cores e topete inconfundível
O Cardeal-do-sul mede 18 a 19 cm e pesa entre 28 e 42 g, um pássaro de tamanho pequeno a médio, mas muito vistoso. A cabeça, o topete e a garganta são de um vermelho vivo e uniforme, sem máscara preta, o que já o separa de outros cardeais brasileiros.
O dorso, as asas e a cauda são cinza-azulados, enquanto o peito e a barriga são brancos bem definidos. O bico é claro, quase esbranquiçado ou rosado, e as pernas são escuras. Macho e fêmea são praticamente idênticos, com a fêmea ligeiramente mais opaca.
O filhote nasce bem diferente: cabeça e topete amarronzados, sem vermelho. A coloração vermelha só aparece por completo após a primeira muda, entre 6 e 10 meses. Esse detalhe evita confusão com fêmeas adultas de outras espécies.
Onde vive e onde encontrar no Brasil
A distribuição natural vai do centro do Brasil até a Patagônia. No Brasil ocorre com mais frequência no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás, além de partes de São Paulo e Minas Gerais.
Prefere campos abertos, savanas, espinilhos, bordas de mata ciliar e áreas antropizadas. Não é ave de floresta densa. Por isso é comum em fazendas, praças urbanas, margens de rodovias e arredores de açudes, onde pousa em arbustos baixos e cercas.
É residente e não migratório na maior parte da área, mas faz deslocamentos locais conforme oferta de sementes. Fora do continente, foi introduzido com sucesso no Havaí e em Porto Rico, onde se estabeleceu em áreas urbanas.
O que o Cardeal-do-sul come na natureza
É essencialmente granívoro. A base da dieta são sementes de gramíneas, como capins nativos, braquiária e sementes de plantas pioneiras. Complementa com frutos pequenos, brotos e insetos, especialmente na época de criação dos filhotes.
Forrageia no chão, em pares ou pequenos grupos, catando sementes caídas. Também visita arbustos frutíferos e comedouros quando há oferta. A captura de lagartas e besouros fornece proteína para os filhotes em crescimento.
Em cativeiro autorizado, a dieta precisa replicar essa variedade: mix de sementes, farinhada, frutas e proteína animal. Dieta só de girassol causa obesidade e deficiência de vitaminas, um erro muito comum.
Canto, comportamento e vida em bando
O canto é um dos traços mais apreciados: uma sequência de assobios claros, melodiosos e repetidos, emitidos do topo de arbustos ou fios. Machos cantam para demarcar território e atrair fêmea, com pico ao amanhecer na estação reprodutiva.
Fora da reprodução, é sociável e pouco arisco. Forma bandos familiares de 4 a 8 indivíduos que se mantêm próximos e se comunicam com chamados curtos de contato. Na época de nidificação, o casal fica fortemente territorial e expulsa intrusos, inclusive outras espécies de Paroaria.
Tem voo ondulado e pouso ereto, com o topete frequentemente eriçado quando excitado. É uma ave confiante, que permite aproximação moderada, o que infelizmente facilita a captura ilegal com alçapão.
Reprodução, ninho e cuidado com os filhotes
A estação reprodutiva no Brasil vai de setembro a fevereiro, com pico entre outubro e dezembro. É monogâmico e o casal defende o território juntos.
O ninho é uma taça rasa e bem acabada feita de gravetos finos, raízes e capim, forrada com material macio, construída a 2 a 5 metros do solo em arbustos densos ou árvores baixas. A fêmea põe 2 a 4 ovos branco-esverdeados com pintas marrons e cinzas.
A incubação dura 12 a 13 dias e é feita principalmente pela fêmea, enquanto o macho vigia e alimenta a parceira. Os filhotes nascem com penugem rala e ficam no ninho por cerca de 13 a 15 dias, sendo alimentados por ambos os pais. Podem fazer 2 a 3 posturas por temporada se houver alimento.
Diferença entre Cardeal-do-sul, Cardeal-do-nordeste e Cardeal-amarelo
Confundir os cardeais é comum, mas há marcas claras. O Cardeal-do-sul (Paroaria coronata) tem cabeça toda vermelha, sem preto ao redor do bico, e bico claro.
O Cardeal-do-nordeste ou Galo-de-campina (Paroaria dominicana), da Caatinga, também tem cabeça vermelha, mas com topete menor e bico preto na parte superior. Já o Cardeal-amarelo (Gubernatrix cristata), ameaçado de extinção, é amarelo-oliváceo com topete preto e não tem vermelho na cabeça.
| Espécie | Nome científico | Tamanho | Traço distintivo |
|---|---|---|---|
| Cardeal-do-sul | Paroaria coronata | 18-19 cm | Cabeça toda vermelha, bico claro, dorso cinza |
| Cardeal-do-nordeste | Paroaria dominicana | 17-18 cm | Cabeça vermelha, bico preto por cima, endêmico da Caatinga |
| Cardeal-de-goiás | Paroaria baeri | 16-17 cm | Cabeça vermelha com bico amarelo intenso, do Cerrado |
| Cardeal-amarelo | Gubernatrix cristata | 20 cm | Amarelo com topete preto, sem vermelho |
Na nossa avaliação, essa comparação é a forma mais rápida de identificar corretamente no campo e evitar compra de ave errada ou ilegal.
Pode criar Cardeal-do-sul em casa? O que diz a lei brasileira
Não é permitido capturar, comprar ou manter Cardeal-do-sul retirado da natureza. A venda de aves silvestres sem origem comprovada é crime ambiental previsto na Lei 9.605/98, com multa e apreensão.
A única forma legal é adquirir a ave de criadouro comercial ou amador autorizado pelo IBAMA ou órgão estadual, com anilha fechada inviolável, nota fiscal e cadastro no SISPASS. Mesmo assim, exige manejo correto, viveiro espaçoso e acompanhamento veterinário.
Para quem quer apenas apreciar, a melhor opção é a observação livre e o turismo de observação de aves. Comedouros com sementes nativas e água fresca em áreas rurais atraem o Cardeal-do-sul sem necessidade de gaiola, e permitem ouvir o canto no contexto natural.
Estado de conservação e principais ameaças
Globalmente, o Cardeal-do-sul é classificado como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população considerada estável e ampla distribuição. No Brasil, é comum e adaptável, inclusive em áreas urbanas do Sul.
As ameaças reais são captura ilegal para gaiola, tráfico e uso de agrotóxicos que reduzem sementes e insetos. Em algumas regiões, a coleta de filhotes no ninho ainda pressiona populações locais, mesmo que a espécie não esteja ameaçada como um todo.
Projetos de fiscalização, educação ambiental e incentivo à criação legalizada com anilhas ajudam a reduzir a pressão. Manter habitat de campo nativo e evitar o uso de alçapões são medidas diretas que qualquer proprietário rural pode adotar.
Como observar e fotografar sem atrapalhar
Procure o Cardeal-do-sul no início da manhã, pousado em pontos altos como mourões, fios ou topo de arbustos. Ele costuma cantar exposto, o que facilita a localização pelo som.
Mantenha distância de pelo menos 10 metros do ninho e evite playback excessivo do canto, que estressa o casal e atrai predadores. Binóculo 8×42 e lente 300 mm já rendem ótimos registros sem interferência.
Anote data, local e comportamento e contribua com plataformas de ciência cidadã como WikiAves. Esses registros ajudam a mapear a expansão da espécie para o norte, que vem sendo notada na última década.
Perguntas frequentes
Cardeal-do-sul é o mesmo que Galo-de-campina?
Não. O Galo-de-campina é o Cardeal-do-nordeste (Paroaria dominicana), endêmico da Caatinga e com bico preto por cima. O Cardeal-do-sul (Paroaria coronata) tem bico claro e ocorre no Sul e Centro-Oeste.
Qual o tamanho do Cardeal-do-sul?
Mede de 18 a 19 cm de comprimento e pesa entre 28 e 42 g, com envergadura de 26 a 30 cm.
O que o Cardeal-do-sul come?
Principalmente sementes de gramíneas, complementadas com frutos pequenos, brotos e insetos, sobretudo para alimentar os filhotes.
Pode criar Cardeal-do-sul em gaiola?
Só se a ave vier de criadouro autorizado pelo IBAMA, com anilha fechada e documentação. Capturar ou comprar ave da natureza é crime ambiental.
Quanto tempo vive o Cardeal-do-sul?
Vive de 12 a 15 anos na natureza e pode chegar a 20-25 anos em cativeiro autorizado com manejo adequado.
Como é o canto do Cardeal-do-sul?
É uma sequência melodiosa de assobios claros e fortes, repetidos do alto de poleiros, mais intensa de setembro a fevereiro, na época reprodutiva.
Onde encontrar Cardeal-do-sul no Brasil?
É mais fácil no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, em campos abertos, bordas de mata, fazendas e parques urbanos.
Você sabia?
Não é um cardeal de verdade
Apesar do nome, não pertence à família Cardinalidae dos cardeais norte-americanos, e sim à Thraupidae, a mesma dos sanhaços. O nome vem só da semelhança do vermelho da cabeça com o barrete dos cardeais da Igreja.
Topete que funciona como sinal
O topete vermelho é eriçado quando o pássaro está alerta, cantando ou em disputa territorial. É um sinal visual importante entre machos e para a fêmea avaliar o parceiro.
Canto que atravessa a cidade
Em áreas urbanas do pampa, o macho escolhe poleiros altos como antenas e telhados para cantar. O som claro se propaga bem em campo aberto e pode ser ouvido a mais de 100 metros.
Filhote sem vermelho
Os jovens nascem com cabeça marrom-acinzentada e só adquirem o vermelho vivo após a muda do primeiro ano. Muita gente acha que é outra espécie ou fêmea, mas é apenas a plumagem juvenil.









