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Urutau

Nyctibius grandis / Nyctibius griseus

Atualizado em

33 a 54 cmTamanho
145 a 620 gPeso
10 a 14 anosExpectativa de vida
Grave e melancólicoCanto
Florestas e bordas de mataHabitat
Urutau-grande pousado imóvel em toco de árvore mostrando camuflagem

O urutau é uma ave noturna famosa por desaparecer à vista de todos. Durante o dia fica imóvel como um toco quebrado, com plumagem que imita casca e líquens, e só revela sua presença ao anoitecer com um canto grave e melancólico que assombrou lendas indígenas.

No Brasil ocorrem cinco espécies do gênero Nyctibius, sendo o urutau-comum (Nyctibius griseus) e o urutau-grande (Nyctibius grandis) os mais conhecidos. Não constrói ninho, põe um único ovo sobre um galho ou toco e caça insetos em voos curtos e silenciosos.

É uma ave silvestre estritamente protegida por lei, que não deve ser criada em casa. Sua melhor forma de observação é na natureza, com respeito e distância, ao entardecer em bordas de mata.

Também conhecido como: Mãe-da-lua, Mãe-da-lua-gigante, Urutauí, Chora-lua, Kua-kua (tupi)

Faz parte de: Aves da Amazônia

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Galeria de fotos de Urutau

Urutau-grande pousado imóvel em toco de árvore mostrando camuflagem
Urutau-grande camuflado como toco seco, sua principal defesa.
Close do rosto do urutau-comum com olhos grandes amarelos e bico largo
Detalhe dos olhos grandes e da boca larga adaptada para caçar insetos.
Urutau em voo noturno caçando mariposa com asas abertas
Voo curto e silencioso para capturar insetos no ar.
Urutau em seu habitat natural na floresta amazônica
Habitat típico em borda de mata amazônica.
Ovo único do urutau equilibrado sobre galho sem ninho
Reprodução sem ninho: um único ovo sobre o galho.
Filhote de urutau com penugem clara camuflado no galho
Filhote com penugem que imita fungo ou líquen na casca.

Perfil rápido de Urutau

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Espécies de ampla distribuição, mas dependentes de floresta contínua.

População
estável com declínio local onde há desmatamento
Protegido por
Sim, por lei federal de fauna silvestre

Calendário

ReproduçãoJFMAMJJASOND
Maior atividade de cantoJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
10 a 14 anos; sedentário e solitário, fiel ao mesmo poleiro diurno por meses
Em cativeiro
Não se aplica; não sobrevive bem fora da natureza e sua manutenção é ilegal sem autorização científica

Reprodução

Acasalamento
Monogâmico sazonal, com duetos ao entardecer
Estrutura social
Casal isolado, sem colônia
Padrão sazonal
Agosto a dezembro na maior parte do Brasil, variando com a região
Tipo de nascimento
Ovíparo, 1 ovo por postura
Ninhada
1 ovo branco manchado; incubação 30-33 dias; filhote voa com 40-50 dias

Habitat

Ambientes

  • Florestas úmidas primárias e secundárias
  • Matas de galeria e bordas de mata
  • Capoeiras altas e parques com árvores maduras

Biomas

  • Amazônia
  • Mata Atlântica
  • Cerrado
  • Pantanal
  • Caatinga arborizada

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Insetos voadores noturnos (besouros, mariposas, cupins alados)

Outros alimentos

  • Grilos
  • Cigarras
  • Pequenos gafanhotos

Encontrado em 12 países

  • Brasil
  • Colômbia
  • Peru
  • Venezuela
  • Equador
  • Bolívia
  • Guiana
  • Suriname
  • Panamá
  • Costa Rica
  • México
  • Argentina

Como animal de estimação

Adequação como pet
Não adequado; ave silvestre estritamente noturna e solitária
Legalidade no Brasil
Criação doméstica proibida; apenas criadouros científicos com autorização do IBAMA/órgão estadual
Nível de cuidado
Extremamente alto e incompatível com ambiente doméstico
Observação responsável
Prefira observar na natureza, à distância e sem playback excessivo

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Nyctibiiformes
Família
Nyctibiidae
Gênero
Nyctibius
Espécie
Nyctibius grandis, N. griseus e outras

Resumo

  • O urutau é uma ave noturna de camuflagem extrema que imita um toco de árvore para se esconder de predadores durante o dia.
  • Seu canto grave, longo e descendente é um dos mais marcantes da mata brasileira e deu origem a lendas como a da mãe-da-lua.
  • No Brasil vive em quase todos os biomas, põe apenas um ovo sem fazer ninho e se alimenta quase só de insetos caçados em voo.

Características

Ficha da espécie

FamíliaNyctibiidae
Origem e distribuiçãoDo México ao Brasil e norte da Argentina; presente em todo o Brasil
HabitatFlorestas úmidas, matas de galeria, capoeiras e bordas de mata
Tamanho33 a 38 cm (N. griseus) e 48 a 54 cm (N. grandis)
Envergadura70 a 95 cm
Peso145 a 260 g (N. griseus) e 360 a 620 g (N. grandis)
Corescinzamarrombegebrancopretoferrugem
Expectativa de vida10 a 14 anos na natureza
AlimentaçãoInsetívora (besouros, mariposas, cupins)
CantoAssobio grave descendente, com 4 a 8 notas melancólicas
ReproduçãoSem ninho; 1 ovo branco com manchas sobre galho ou toco
Comportamento socialSolitário, noturno e extremamente críptico
Variedades ou subespécies5 espécies no Brasil, com 2 subespécies em N. griseus

Perfil e comportamento

SociabilidadeMuito baixo
Intensidade do cantoMuito alto
InteligênciaAlto
Facilidade de criaçãoMuito baixo
Necessidade de espaçoMuito alto
Nível de atividadeBaixo
Capacidade de imitar sonsMuito baixo

Como reconhecer o urutau: o toco que respira

O urutau não chama atenção pelas cores, e sim pela camuflagem perfeita. Sua plumagem mistura tons de cinza, marrom, bege e branco com pintas e estrias que imitam casca, musgo e líquen.

Durante o dia ele fica totalmente imóvel, com o corpo ereto, bico apontado para cima e olhos entreabertos. Nessa postura, parece a ponta quebrada de um galho. A cauda longa e as asas que ultrapassam o corpo ajudam a quebrar a silhueta.

Os olhos são enormes, amarelos ou alaranjados, adaptados para enxergar no escuro. O bico é curto e largo, com uma boca desproporcionalmente grande que se abre como uma rede para capturar insetos em voo.

Detalhe que poucos notam

O urutau possui uma fenda nas pálpebras inferiores que permite enxergar mesmo com os olhos aparentemente fechados. Assim, ele monitora predadores sem se mexer. As narinas e a boca são cercadas por cerdas sensoriais que ajudam na caça noturna.

O canto fantasmagórico que criou lendas

O canto é a forma mais fácil de encontrar o urutau. É um assobio grave, longo e descendente, com 4 a 8 notas que vão perdendo força, como um lamento. No urutau-grande, o volume é tão alto que pode ser ouvido a mais de 1 km na mata fechada.

Cada espécie tem uma variação. O urutau-comum (N. griseus) emite um “pú… pú… pú-pú-pú” melancólico ao entardecer e ao amanhecer. Já o urutau-grande (N. grandis) solta um “uá… uá… uá” mais rouco e espaçado, que muita gente confunde com choro humano.

Por isso surgiram nomes como mãe-da-lua e urutauí. Em várias regiões, o canto era interpretado como aviso de morte ou lamento de mãe que perdeu o filho, mito registrado desde os cronistas coloniais e ainda vivo no interior.

  • Horário: canta principalmente ao crepúsculo e em noites de lua cheia.
  • Função: marca território e atrai parceiro; macho e fêmea cantam em dueto na época reprodutiva.
  • Erro comum: confundir com corujas. O urutau não pia nem grasna, ele assobia de forma limpa e descendente.

Onde vive o urutau no Brasil e nas Américas

O gênero Nyctibius ocorre do México ao norte da Argentina, e no Brasil está presente em todos os estados. É mais comum na Amazônia e na Mata Atlântica, mas aparece também no Cerrado, Caatinga arborizada e Pantanal, sempre onde há árvores altas e bordas de mata.

Prefere florestas primárias e secundárias, matas de galeria e capoeirões. Não vive em campo aberto nem em áreas urbanas densas, mas pode aparecer em parques urbanos grandes, chácaras e fazendas com mata preservada.

É uma ave residente e sedentária. Não migra. Passa meses no mesmo poleiro diurno, um galho seco ou toco a 3 a 15 metros de altura, voltando a ele todos os dias se não for perturbada.

O que o urutau come e como caça no escuro

O urutau é quase exclusivamente insetívoro. Sua dieta é baseada em besouros, mariposas, cupins alados, grilos e cigarras. O urutau-grande pode capturar besouros grandes e até pequenos gafanhotos.

Caça por “poleiro e investida”. Fica pousado em um galho exposto, atento, e faz voos curtos, rápidos e silenciosos para abocanhar a presa no ar. Volta ao mesmo poleiro para engolir o inseto inteiro. A boca enorme e elástica funciona como uma armadilha.

Não caça no chão e raramente persegue presas por muito tempo. Em noites de revoada de cupins, um único indivíduo pode capturar dezenas de insetos em poucas horas, ajudando no controle natural de pragas.

Reprodução sem ninho: o ovo equilibrado no toco

A reprodução do urutau é uma das mais minimalistas entre as aves. Ele não constrói ninho. A fêmea põe um único ovo branco com manchas lilás e marrons diretamente sobre uma depressão natural de um galho grosso, toco quebrado ou forquilha, sem nenhum forro.

O ovo fica equilibrado pela própria forma do galho e pela postura dos pais. Macho e fêmea se revezam na incubação por cerca de 30 a 33 dias, sempre imóveis e camuflados. Se o observador chegar muito perto, o adulto não foge de imediato, confiando na camuflagem.

O filhote nasce coberto de penugem branca acinzentada e já imita a textura da casca. Fica com os pais por 40 a 50 dias até voar, mas continua por perto por mais algumas semanas aprendendo a caçar. A taxa reprodutiva é baixíssima: um filhote por ano, no máximo.

Espécie no Brasil Tamanho médio Região principal Traço distintivo
Urutau-grande (N. grandis) 48-54 cm Amazônia e Mata Atlântica Maior de todos, canto rouco e grave
Urutau-comum (N. griseus) 33-38 cm Todo o Brasil Mais urbano, cauda barrada
Urutau-de-asa-branca (N. leucopterus) 26-29 cm Mata Atlântica do Sudeste Menor, mancha branca na asa
Urutau-ferrugem (N. bracteatus) 21-25 cm Amazônia Cor ferrugem intensa, o menor
Urutau-de-cauda-longa (N. aethereus) 42-48 cm Amazônia e Mata Atlântica Cauda muito longa e barrada

Comportamento e vida noturna: por que ele não se mexe

O urutau é solitário e estritamente noturno. Passa o dia em torpor vigilante, com metabolismo baixo e movimentos mínimos. Só pisca lentamente. Essa imobilidade é sua principal defesa contra gaviões, macacos e humanos.

Ao anoitecer, estica o pescoço, boceja, faz preening rápido e sai para caçar. É pouco vocal fora da época reprodutiva e raramente interage com outras aves. Não forma bandos nem defende território de forma agressiva, apenas com canto.

Na nossa avaliação, o erro mais comum de quem tenta fotografar o urutau é chegar perto demais durante o dia. A ave pode abandonar o poleiro se for tocada ou cercada, e o ovo ou filhote ficam expostos ao sol e a predadores. Observar a distância, com binóculo, é a postura correta.

É possível ter urutau em casa? Legalidade e cuidados

Não. O urutau é ave silvestre nativa e sua criação sem autorização é crime ambiental pela Lei 9.605/98. A venda de aves capturadas na natureza é ilegal e o IBAMA e órgãos estaduais só autorizam criadouros científicos ou conservacionistas, nunca criação doméstica dessa espécie.

Além da questão legal, o urutau não se adapta ao cativeiro. Precisa de espaço amplo para voos de caça, dieta exclusiva de insetos vivos noturnos e poleiros altos e isolados. Em gaiola, desenvolve estresse extremo, para de se alimentar e morre em poucos dias.

Quem encontra um urutau ferido ou um filhote no chão deve acionar o órgão ambiental local ou CETAS e não tentar alimentar ou manter em casa. Na maioria dos casos, o filhote não está abandonado, os pais estão por perto e camuflados.

Conservação e ameaças: silencioso, mas não imune

Globalmente, as espécies de urutau são classificadas como Pouco Preocupantes (LC) pela IUCN, por terem distribuição ampla. No entanto, populações locais estão em declínio onde há desmatamento intenso, especialmente para o urutau-de-asa-branca e o urutau-ferrugem, mais dependentes de mata contínua.

As principais ameaças são perda de habitat, corte de árvores com poleiros tradicionais, atropelamentos noturnos e perseguição por superstição. Em algumas regiões, o canto ainda é visto como mau agouro e a ave é morta.

A conservação depende da manutenção de florestas e de árvores isoladas com tocos secos. Projetos de observação de aves têm ajudado a mudar a percepção, transformando o medo em admiração e gerando renda com turismo de observação noturna.

Como observar o urutau sem perturbá-lo

A melhor chance é ao entardecer, em bordas de mata ou trilhas com árvores altas. Procure um galho seco quebrado em forma de “V” a média altura. Com binóculo, veja se há uma silhueta um pouco mais clara que a casca.

Use lanterna com luz vermelha e mantenha distância mínima de 15 metros. Não use flash, não bata palmas para fazê-lo cantar e não divulgue a localização exata do poleiro em redes sociais. O playback excessivo do canto estressa a ave e pode atrair predadores ao ninho.

Se ouvir o canto, fique parado e em silêncio. O urutau costuma cantar do mesmo poleiro por várias noites seguidas na época reprodutiva, entre agosto e dezembro na maior parte do Brasil.

Perguntas frequentes

Urutau é coruja?

Não. Apesar de noturno, pertence à família Nyctibiidae, diferente das corujas (Strigidae e Tytonidae). Tem hábitos e anatomia distintos, como ausência de garras fortes e disco facial.

Por que o urutau fica parado o dia todo?

É sua estratégia de defesa. Imóvel e com plumagem que imita casca, ele se torna invisível para predadores diurnos como gaviões.

O canto do urutau traz mau agouro?

Não. É apenas a vocalização territorial da ave. A superstição vem do som melancólico, mas não há qualquer relação com morte ou azar.

Onde encontrar urutau no Brasil?

Em bordas de mata em quase todo o país, com maior chance na Amazônia e Mata Atlântica, ao entardecer, pousado em tocos secos.

Quantos ovos o urutau põe?

Apenas um por temporada, sem ninho, equilibrado sobre um galho ou toco. Macho e fêmea revezam a incubação.

Posso criar urutau em casa?

Não. É ave silvestre protegida por lei e não se adapta ao cativeiro. Criar ou comprar sem autorização do IBAMA é crime ambiental.

O urutau está ameaçado de extinção?

As espécies mais amplas são classificadas como Pouco Preocupantes (LC), mas populações que dependem de mata contínua sofrem com o desmatamento.

Fatos surpreendentes sobre o urutau

1

Enxerga de olhos fechados

Possui uma fenda na pálpebra inferior que funciona como uma fresta, permitindo ver predadores mesmo quando parece estar dormindo imóvel no toco.

2

Boca maior que a cabeça

Quando abre o bico para caçar, a abertura chega a 8 cm de largura no urutau-grande, formando uma rede que engole mariposas inteiras em pleno voo.

3

Filhote fantasiado de fungo

O filhote nasce com penugem branca que imita fezes de ave ou fungo na casca, e fica tão imóvel quanto os pais para não ser detectado.

4

Canto que enganou naturalistas

Por séculos o canto do urutau foi atribuído a outros animais, e o explorador Alexander von Humboldt descreveu o som como o mais melancólico que já ouviu nas florestas da América do Sul.

Fontes

  1. IUCN Red List - Nyctibius
  2. WikiAves - Urutau
  3. CBRO - Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos
  4. BirdLife International

Prós e contras: Urutau

Prós

  • Camuflagem mais impressionante entre as aves brasileiras
  • Canto único e marcante, fácil de identificar à noite
  • Excelente controlador natural de insetos noturnos
  • Fiel ao poleiro, permitindo observação responsável recorrente
  • Símbolo cultural forte do folclore brasileiro

Contras

  • Extremamente sensível à perturbação humana no poleiro
  • Taxa reprodutiva muito baixa, apenas um filhote por ano
  • Dependente de árvores maduras e mata preservada
  • Não se adapta a cativeiro e não pode ser criado como pet
  • Pode abandonar ovo ou filhote se for muito assediado por visitantes
Nossa opinião

O urutau é a prova de que no Brasil a camuflagem pode ser mais impressionante que a cor. Na nossa avaliação, poucas aves oferecem uma experiência de observação tão memorável quanto ouvir seu canto ao anoitecer e só depois perceber que ele estava ali o tempo todo, a poucos metros.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 20.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.