🦜 Aves e Pássaros

Juriti-pupu

Leptotila verreauxi

Atualizado em

28 a 30 cmTamanho
128 a 190 gPeso
5 a 7 anos na naturezaExpectativa de vida
Grave em duas notas "pu-pu"Canto
Bordas de mata e capoeirasHabitat
Juriti-pupu de corpo inteiro empoleirada em galho baixo mostrando plumagem marrom e peito rosado

A Juriti-pupu (Leptotila verreauxi) é uma pomba nativa das Américas, extremamente comum no Brasil, reconhecida pelo canto grave em duas notas que parece dizer "pu-pu". Discreta e terrícola, passa a maior parte do tempo caminhando no chão da mata em busca de sementes.

Apesar da aparência simples em tons de marrom, cinza e rosado, tem detalhes que a distinguem de outras juritis, como a ponta branca nas penas externas da cauda e o anel ocular azulado. É uma das pombas mais ouvidas do que vistas, com voz que marca o amanhecer e o entardecer em áreas rurais e urbanas.

Também conhecido como: Juriti-de-testa-branca, Pomba-juriti, Juriti-piranga (regional), White-tipped Dove (inglês), Paloma arroyera (espanhol)

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Galeria de fotos de Juriti-pupu

Juriti-pupu de corpo inteiro empoleirada em galho baixo mostrando plumagem marrom e peito rosado
Juriti-pupu adulta empoleirada, com porte médio e cauda de pontas brancas.
Close da cabeça da Juriti-pupu mostrando testa clara e anel ocular azulado
Detalhe da cabeça com testa esbranquiçada e anel ocular azul-acinzentado.
Juriti-pupu em voo mostrando parte inferior ruiva das asas e pontas brancas da cauda
Em voo baixo, o flash branco da cauda e o ruivo sob as asas são diagnósticos.
Juriti-pupu forrageando no chão da mata entre folhas secas
Forrageio terrícola típico, ciscando folhas em busca de sementes caídas.
Ninho frágil da Juriti-pupu com dois ovos brancos em forquilha de arbusto
Ninho em plataforma rala de gravetos com postura de dois ovos brancos.
Casal de Juriti-pupu no chão em área de capoeira
Casal em seu habitat preferido: borda de mata e capoeira.

Perfil rápido de Juriti-pupu

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

População ampla, estável e adaptável a ambientes alterados.

População
estável
Protegido por
Lei de Proteção à Fauna (Lei 5.197/67) e Lei de Crimes Ambientais (9.605/98)

Calendário

ReproduçãoJFMAMJJASOND
Pico de cantoJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
5 a 7 anos, com mortalidade alta no primeiro ano; adultos territoriais podem passar de 8 anos
Em cativeiro autorizado
Até 12 anos com dieta adequada e espaço para forrageio no chão

Reprodução

Acasalamento
Monogâmico, com vínculo duradouro do casal e defesa de território por canto
Estrutura social
Casal isolado; sem colônias
Padrão sazonal
Reproduz o ano todo com pico de agosto a março no Brasil
Tipo de nascimento
Ovíparo
Ninhada
2 ovos brancos; incubação 14 a 15 dias; filhotes saem com 14 a 16 dias

Habitat

Ambientes

  • Bordas de mata
  • Capoeiras e matas secundárias
  • Cerradão e caatinga arbórea
  • Matas de galeria e restingas
  • Parques, sítios e quintais arborizados

Biomas

  • Amazônia
  • Caatinga
  • Cerrado
  • Mata Atlântica
  • Pantanal
  • Pampa

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Sementes caídas de gramíneas e árvores pioneiras
  • Frutos carnosos pequenos caídos (embaúba, figos, Myrtaceae)

Outros alimentos

  • Grit mineral
  • Pequenos invertebrados ingeridos acidentalmente

Encontrado em 12 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Bolívia
  • Colômbia
  • México
  • Estados Unidos
  • Paraguai
  • Peru
  • Venezuela
  • Equador
  • Guiana
  • Panamá

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Columbiformes
Família
Columbidae
Gênero
Leptotila
Espécie
Leptotila verreauxi (Bonaparte, 1855)

Resumo

  • A Juriti-pupu é uma pomba de 28 a 30 cm, de peito rosado e pontas brancas na cauda, famosa pelo canto grave em duas notas "pu-pu".
  • Vive em bordas de mata, capoeiras, cerrados, caatinga e quintais de quase todo o Brasil, do Texas à Argentina, sempre no chão em busca de sementes e frutos.
  • Faz ninho frágil em forma de plataforma e põe 2 ovos brancos, com reprodução ao longo do ano e pico entre setembro e março no Brasil. É classificada como Pouco Preocupante pela IUCN.

Características

Ficha da espécie

FamíliaColumbidae
Origem e distribuiçãoDas Américas, do sul do Texas e México até o sul do Brasil e Argentina
HabitatBordas de mata, capoeiras, cerradões, caatinga arbórea, restingas e áreas rurais/urbanas arborizadas
Tamanho (comprimento)28 a 30 cm
Envergadura38 a 45 cm
Peso128 a 190 g
Coresmarrom-oliváceocinzarosadobrancoazul-acinzentado (anel ocular)
Expectativa de vida5 a 7 anos na natureza; até 12 anos em cativeiro autorizado
AlimentaçãoGranívora e frugívora (sementes e frutos caídos)
CantoSequência grave e oca "pu... pu", repetida com intervalos longos
Reprodução (ninho e ovos)Ninho plataforma frágil de gravetos; 2 ovos brancos; incubação 14 a 15 dias
Comportamento socialSolitária ou em casal; raramente em pequenos grupos; terrícola e territorial
Variedades ou subespécies13 a 14 subespécies reconhecidas; no Brasil L. v. brasiliensis e L. v. decipiens são as principais

Perfil e comportamento

SociabilidadeBaixo
Intensidade do cantoAlto
InteligênciaMédio
Facilidade de criaçãoMuito baixo
Necessidade de espaçoMédio
Nível de atividadeMédio
Capacidade de imitar sonsMuito baixo

Como reconhecer a Juriti-pupu: tamanho, cores e traços que não enganam

A Juriti-pupu é uma pomba de tamanho médio, entre 28 e 30 cm, mais robusta que uma rolinha e menor que uma pomba-doméstica. O corpo é alongado, com cauda relativamente longa e pernas avermelhadas bem visíveis quando caminha no chão.

A coloração é o primeiro filtro para não confundir. O dorso é marrom-oliváceo, a cabeça e a nuca são acinzentadas e o peito tem um tom rosado-vináceo suave que clareia para branco no ventre. As asas mantêm o marrom uniforme, sem manchas.

Três detalhes fecham a identificação:

  • Pontas brancas na cauda: as três penas externas de cada lado terminam em branco puro, muito visível quando a ave levanta voo.
  • Anel ocular nu azul-acinzentado: fino e discreto, diferente do vermelho vivo da Juriti-gemedeira (Leptotila rufaxilla).
  • Testa esbranquiçada: mais clara que o topo da cabeça, o que rendeu o nome em inglês White-tipped Dove.

Em voo, a Juriti-pupu mostra um padrão característico: batida de asas rápida e ruidosa, voo baixo e curto entre moitas, com lampejo ruivo sob as asas. Macho e fêmea são muito parecidos, com a fêmea ligeiramente mais opaca.

O canto em duas notas que deu nome à espécie

O nome “pupu” é onomatopeico. O canto é uma sequência grave, oca e melancólica, como um “pu… pu” ou “u-pup” repetido com pausas de 2 a 4 segundos.

É um dos cantos mais fáceis de reconhecer no interior do Brasil porque não acelera nem varia muito. Enquanto outras pombas emitem séries apressadas, a Juriti-pupu mantém o ritmo lento e ventriloquo, difícil de localizar.

Ela canta mais ao amanhecer e no final da tarde, empoleirada a média altura, escondida na folhagem. Na época reprodutiva, o macho pode cantar por minutos seguidos para marcar território. Em áreas urbanas arborizadas, é comum ouvir o canto mesmo sem ver a ave.

Onde vive a Juriti-pupu no Brasil e nas Américas

A distribuição é amplíssima. Ocorre do sul dos Estados Unidos (Texas) e México até a Argentina e todo o Brasil, sendo uma das pombas nativas de maior alcance continental.

No Brasil está presente em todos os estados. Prefere bordas de mata, capoeiras, matas secundárias, cerradões, caatinga arbórea, restingas e matas de galeria. Evita o interior fechado de mata primária densa e áreas totalmente abertas sem árvores.

É uma espécie adaptável. Colonizou com facilidade sítios, chácaras, parques urbanos e quintais com árvores frutíferas, desde que haja chão com serapilheira para forragear. Vive do nível do mar até cerca de 2.000 m de altitude nos Andes.

Diferente de pombas migratórias, é residente e territorial o ano todo. Não faz migrações longas, apenas deslocamentos curtos em busca de alimento e água na seca.

O que a Juriti-pupu come na natureza

A dieta é essencialmente granívora e frugívora terrícola. Ela caminha lentamente no chão, ciscando folhas secas com o bico para expor sementes.

Consome sementes caídas de gramíneas, leguminosas e árvores pioneiras, além de frutos carnosos pequenos caídos, como os de embaúba, figueiras e Myrtaceae. Eventualmente ingere pequenos caramujos e larvas, mas em proporção mínima.

Como outras Columbidae, ingere grit (pequenos grãos de areia) para auxiliar a moela na trituração. Também bebe água diariamente, geralmente em bebedouros naturais no chão, sugando sem levantar a cabeça, típico das pombas.

Em áreas agrícolas, pode frequentar restos de milho e sorgo no chão, mas não forma bandos grandes em plantações como a pomba-asa-branca. A busca é quase sempre solitária ou em casal.

Comportamento e vida social: discreta no chão, fiel ao território

A Juriti-pupu é solitária ou vista em casal. Não forma bandos, e mesmo onde é abundante cada casal mantém distância. Quando assustada, prefere correr entre a vegetação a voar longe.

É extremamente arredia à aproximação humana, embora tolere presença a poucos metros se estiver acostumada a quintais. O comportamento mais típico é caminhar com passos curtos, balançando a cabeça para frente e para trás, e congelar ao perceber movimento.

O macho é territorial e responde ao canto do vizinho com canto e voos curtos de exibição, sem combates físicos prolongados. O casal é monogâmico e mantém o território por anos, o que explica por que o mesmo quintal tem sempre “a mesma juriti” cantando.

Diferença para a Juriti-gemedeira

A confusão mais comum no Brasil é com a Juriti-gemedeira (Leptotila rufaxilla). A Juriti-pupu tem anel ocular azulado e canto em duas notas separadas; a gemedeira tem anel vermelho e canto descendente gemido em uma frase só. A pupu também tem testa mais branca e peito menos avermelhado.

Reprodução, ninho e cuidado com os filhotes

A reprodução pode ocorrer o ano todo, mas no Brasil concentra-se de agosto a março, com pico entre setembro e janeiro. Em regiões com estação seca marcada, acompanha o início das chuvas.

O ninho é uma plataforma frágil e rala de gravetos secos, quase transparente visto por baixo, construída a 1 a 6 m de altura em arbustos, árvores baixas ou cipós. Parece mal-acabado, mas sustenta bem os ovos.

A postura é invariavelmente de 2 ovos brancos e elípticos. A incubação dura 14 a 15 dias, com revezamento do casal, embora a fêmea passe mais tempo no ninho. Os filhotes nascem com penugem rala e são alimentados com leite de papo, secreção nutritiva produzida no papo dos pais.

Os jovens deixam o ninho com cerca de 14 a 16 dias, ainda com voo fraco, e continuam sendo alimentados no chão por mais uma semana. O casal pode fazer 2 a 3 posturas por temporada se houver alimento, reutilizando ou não o mesmo local.

Juriti-pupu pode ser criada em casa? O que diz a lei

Não. A Juriti-pupu é ave silvestre nativa protegida por lei. Capturar, manter em gaiola, comprar ou vender indivíduos retirados da natureza é crime ambiental (Lei 9.605/98).

A criação só seria possível por meio de criadouros autorizados pelo IBAMA ou órgão estadual, com anilha e comprovação de origem legal, o que é extremamente raro para esta espécie. Ela não é considerada ave doméstica como calopsita ou canário.

Além da questão legal, é uma ave que não se adapta bem ao cativeiro doméstico: estressa-se facilmente, exige espaço para forragear no chão e não tem comportamento de interação com tutor. A melhor forma de conviver com ela é atraí-la para o quintal com árvores frutíferas, água limpa e chão com folhas, para observação livre.

Estado de conservação e principais ameaças

A Juriti-pupu é classificada como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN/BirdLife, com população estável e em ampla expansão em áreas antropizadas. É uma das pombas mais numerosas das Américas.

Justamente por ser comum, sofre pressões pouco percebidas. As principais são caça para alimentação em áreas rurais, captura eventual para gaiola e atropelamentos em estradas vicinais, onde forrageia na borda.

O desmatamento total a prejudica, mas o desmatamento parcial e a formação de capoeiras até a favorecem. O maior risco a longo prazo é a perda de sub-bosque e de fontes de água no chão devido à pecuária intensiva e ao uso de herbicidas que eliminam sementes nativas.

Manter corredores de mata, cercas vivas e bebedouros no chão são medidas simples que ajudam a espécie e toda a comunidade de aves terrícolas.

Subespécies e variações geográficas

A espécie possui 13 a 14 subespécies ao longo das Américas, com variação sutil de tamanho e tonalidade. No Brasil predominam duas:

Subespécie Distribuição no Brasil Traço distintivo
L. v. brasiliensis Leste e centro do Brasil, da Amazônia oriental ao Sul Mais acastanhada no dorso, peito rosado mais intenso
L. v. decipiens Oeste da Amazônia e Pantanal Mais pálida e acinzentada, com testa mais branca
L. v. verreauxi (nominal) Norte da América do Sul, fora do Brasil central Tom intermediário, referência para comparação

Essa variação explica por que fotos de Juriti-pupu do Nordeste podem parecer mais claras que as do Sudeste, sem deixar de ser a mesma espécie.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre Juriti-pupu e Juriti-gemedeira?

A Juriti-pupu tem anel ocular azul-acinzentado e canto em duas notas graves separadas (pu-pu); a Juriti-gemedeira tem anel vermelho e canto gemido descendente em frase única. A pupu também tem testa mais esbranquiçada.

Onde a Juriti-pupu faz o ninho?

Em arbustos ou árvores baixas, de 1 a 6 m de altura, numa plataforma rala de gravetos onde põe 2 ovos brancos.

O que a Juriti-pupu come?

Principalmente sementes e frutos pequenos caídos no chão da mata, além de grit mineral para digestão.

A Juriti-pupu canta à noite?

Não. Ela canta ao amanhecer e ao entardecer, e eventualmente durante o dia na época reprodutiva, mas não à noite.

Pode criar Juriti-pupu em gaiola?

Não. É ave silvestre nativa protegida por lei; manter ou comprar ave capturada na natureza é crime ambiental. Só criadouros autorizados pelo IBAMA podem criar, e isso é raro para a espécie.

A Juriti-pupu está ameaçada de extinção?

Não. É classificada como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população estável e distribuição muito ampla.

Quanto tempo vive a Juriti-pupu?

De 5 a 7 anos na natureza e até 12 anos em cativeiro autorizado com manejo adequado.

Você sabia?

1

O voo entrega a identidade

Mesmo sem ver as cores, dá para reconhecer a Juriti-pupu pelo voo baixo e barulhento com flash branco na cauda e tom ruivo sob as asas, diferente do voo silencioso de outras pombas pequenas.

2

Canto ventríloquo

O canto grave e oco se espalha de forma difusa na mata, o que confunde o ouvinte sobre a direção exata da ave. É uma estratégia para cantar exposta sem ser facilmente localizada por predadores.

3

Ninho quase invisível

O ninho é tão ralo que, visto de baixo contra o céu, os ovos brancos podem ser vistos através dos gravetos. Apesar da fragilidade aparente, raramente desmonta porque fica bem ancorado em forquilhas.

4

Fidelidade ao local

Casais anilhados em estudos de campo retornaram ao mesmo território por até 4 anos seguidos, cantando do mesmo poleiro ao amanhecer, mesmo após queimadas leves na área.

Fontes

  1. WikiAves - Juriti-pupu
  2. BirdLife International / IUCN Red List
  3. CBRO - Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos
  4. Cornell Lab of Ornithology - Birds of the World

Prós e contras: Juriti-pupu

Prós

  • Canto grave característico fácil de identificar
  • Muito adaptável a capoeiras e quintais arborizados
  • População estável e amplamente distribuída
  • Útil para dispersão de sementes no chão da mata
  • Ótima espécie para observação de aves iniciantes

Contras

  • Extremamente arisca, não se aproxima facilmente
  • Ninho frágil vulnerável a predadores e ventos
  • Confundida com outras juritis por leigos
  • Alvo de caça e captura ilegal em algumas regiões
  • Não se adapta ao convívio em gaiola doméstica
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a Juriti-pupu é a pomba mais subestimada do Brasil: comum demais para chamar atenção, mas exemplar para entender adaptação a bordas de mata. Vale observá-la pelo canto e pelo forrageio no chão, não pela tentativa de gaiola, onde perde todo o comportamento natural.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

Última revisão em 20.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.