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Pato-real

Anas platyrhynchos

Atualizado em

50–65 cmTamanho
0,9–1,6 kgPeso
5–10 anosExpectativa de vida
Quá-quá alto da fêmeaCanto
Lagos, rios e parques urbanosHabitat
Casal de pato-real macho e fêmea à beira do lago

O pato-real (Anas platyrhynchos) é o pato selvagem mais conhecido e estudado do mundo. Nativo do Hemisfério Norte, deu origem a quase todas as raças de pato doméstico, exceto o pato-mudo, e hoje ocorre como espécie introduzida em parques e lagos de diversas cidades brasileiras.

É inconfundível pelo forte dimorfismo sexual: o macho tem cabeça verde-metálica, bico amarelo e anel branco no pescoço, enquanto a fêmea é toda malhada de marrom para camuflagem. Onívoro, adaptável e migratório em parte da sua área, frequenta desde tundras e banhados até fontes urbanas, onde se aproxima facilmente das pessoas.

Também conhecido como: Pato-selvagem, Mallard, Canard colvert, Stockente, Ánade real

Faz parte de: Aves Aquáticas, Aves Migratórias

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Galeria de fotos de Pato-real

Casal de pato-real macho e fêmea à beira do lago
Casal de pato-real: macho com cabeça verde-metálica e fêmea malhada marrom.
Retrato da cabeça do pato-real macho com cabeça verde e bico amarelo
Detalhe da cabeça verde iridescente e bico amarelo do macho.
Pato-real em voo mostrando o espelho azul da asa
Em voo, o espelho azul-violeta com bordas brancas fica evidente.
Bando de patos-reais nadando em área alagada natural
Habitat natural: lagos rasos e banhados com vegetação.
Pato-real se alimentando com cabeça submersa e cauda para cima
Técnica de alimentação típica: mergulha só a cabeça para filtrar plantas.
Ninho de pato-real no solo com ovos creme-esverdeados
Ninho no solo forrado com penugem, com até 13 ovos.
Fêmea de pato-real com filhotes nadando em fila
Filhotes nidífugos seguem a mãe poucas horas após nascer.

Perfil rápido de Pato-real

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

População muito grande e amplamente distribuída, sem risco global de extinção.

População
Estável
Protegido por
Não ameaçado globalmente; caça regulamentada em alguns países

Calendário

Reprodução (Hemisfério Norte)JFMAMJJASOND
Muda de eclipseJFMAMJJASOND
Migração de outonoJFMAMJJASOND
Migração de primaveraJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
5 a 10 anos, raramente até 20
Em cativeiro
10 a 20 anos com manejo adequado

Reprodução

Sistema de acasalamento
Monogâmico sazonal; pares formados no outono/inverno
Época reprodutiva
Março a julho no Hemisfério Norte
Local do ninho
Solo, entre vegetação densa perto da água
Ovos por ninhada
8 a 13 ovos creme-esverdeados
Incubação
27 a 28 dias, só pela fêmea
Filhotes
Nidífugos e precoces; voam com 52–60 dias

Habitat

Ambientes

  • Lagos
  • Rios de baixa correnteza
  • Banhados e brejos
  • Estuários e lagoas costeiras
  • Represas e açudes
  • Parques urbanos com espelho d'água

Biomas

  • Zonas úmidas temperadas
  • Taiga e tundra
  • Estepe e campos alagados
  • Áreas urbanas

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Sementes e grãos
  • Plantas aquáticas e algas

Outros alimentos

  • Insetos e larvas aquáticas
  • Moluscos e crustáceos
  • Girinos e pequenos peixes
  • Frutos e raízes

Encontrado em 10 países

  • Estados Unidos
  • Canadá
  • Reino Unido
  • França
  • Alemanha
  • Rússia
  • Japão
  • China
  • Austrália
  • Nova Zelândia

Como animal de estimação

Adequação
Forma selvagem não é pet; forma doméstica é criada para ornamentação e produção
Legalidade no Brasil
Forma selvagem exige autorização do IBAMA; forma doméstica não exige, mas soltura na natureza é crime ambiental
Nível de cuidado
Moderado a alto; precisa de água para nadar, área seca e proteção contra predadores
Observação
Não compre aves capturadas na natureza; adquira apenas de criadouros legalizados

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Anseriformes
Família
Anatidae
Gênero
Anas
Espécie
Anas platyrhynchos

Resumo

  • O pato-real é o pato selvagem mais abundante do Hemisfério Norte e ancestral de quase todos os patos domésticos.
  • Machos têm cabeça verde-metálica e bico amarelo, fêmeas são marrons malhadas; ambos têm espelho azul-violeta na asa.
  • Vive em lagos, rios e áreas urbanas, é onívoro, migratório ao norte e pode viver mais de 10 anos na natureza.

Características

Ficha da espécie

FamíliaAnatidae
Origem e distribuiçãoNativa do Hemisfério Norte; introduzida na América do Sul, Austrália e Nova Zelândia
HabitatLagos, rios, banhados, estuários, represas e parques urbanos
Tamanho (comprimento)50–65 cm
Envergadura81–98 cm
Peso0,9–1,6 kg (machos até 10% maiores)
Coresverde-metálicobrancocastanhocinzaazul-violetalaranjapretoamarelo
Expectativa de vida5–10 anos na natureza; até 20 anos em cativeiro
AlimentaçãoOnívora
CantoFêmea emite quá-quá alto; macho emite som rouco e abafado
Reprodução (ninho e ovos)Ninho no solo; 8–13 ovos creme-esverdeados; incubação de 27–28 dias
Comportamento socialGregário fora da reprodução; forma bandos de dezenas a centenas
Variedades ou subespécies2 subespécies selvagens + forma doméstica (Anas platyrhynchos domesticus)

Perfil e comportamento

SociabilidadeMuito alto
Intensidade do cantoMédio
InteligênciaAlto
Facilidade de criaçãoAlto
Necessidade de espaçoAlto
Nível de atividadeAlto
Capacidade de imitar sonsMuito baixo

Como reconhecer o pato-real: o dimorfismo que não deixa dúvida

O pato-real é o exemplo clássico de dimorfismo sexual entre os patos. Não há como confundir macho e fêmea na plumagem de reprodução.

O macho tem cabeça e pescoço verde-metálico iridescente, anel branco estreito na base do pescoço, peito castanho-avermelhado, corpo cinza-claro e bico amarelo-esverdeado com ponta preta. Duas penas centrais da cauda são enroladas para cima, marca registrada da espécie.

A fêmea é toda marrom malhada de bege e preto, com bico laranja manchado de preto e uma listra escura que atravessa o olho. Essa coloração críptica a camufla perfeitamente no ninho. Ambos os sexos têm o espelho azul-violeta com bordas brancas nas asas, visível em voo, e patas laranja vivo.

Característica Macho reprodutivo Fêmea
Cabeça Verde-metálica brilhante Marrom estriada com listra ocular
Bico Amarelo uniforme Laranja com manchas pretas
Peito Castanho escuro Marrom claro malhado
Cauda Penas centrais enroladas Reta e malhada

Um detalhe pouco conhecido: no verão, após a reprodução, o macho entra em eclipse. Ele perde as penas verdes e fica quase idêntico à fêmea por cerca de 4 semanas, quando troca todas as penas de voo e fica incapaz de voar.

Onde vive o pato-real e por que ele está em quase todo lugar

Nativo da América do Norte, Europa e Ásia, o pato-real é o pato de distribuição mais ampla do mundo. Ocorre do Ártico ao norte do México e do norte da África ao Japão.

Habita qualquer corpo d’água doce ou salobra: lagos, rios de corrente lenta, banhados, brejos, estuários, represas e até fontes e espelhos d’água em centros urbanos. É uma das poucas aves aquáticas que se adaptou completamente à cidade.

No Brasil não é nativo, mas aparece como espécie introduzida ou asselvajada em parques urbanos do Sul e Sudeste, principalmente a forma doméstica que volta ao estado selvagem. Não forma populações migratórias aqui, ao contrário do Hemisfério Norte.

O que o pato-real come na natureza e na cidade

É onívoro e oportunista. Sua dieta muda conforme a estação e o local, o que explica seu sucesso.

Na natureza consome sementes, grãos, plantas aquáticas, algas, raízes e complementa com proteína animal: insetos, larvas, caramujos, pequenos crustáceos e girinos. Filtra a água com o bico lamelado, mas também pasta em terra firme como um ganso.

Nas cidades, aprende rápido a pedir pão, milho e ração. Esse hábito, porém, é prejudicial. Pão causa deficiência nutricional e polui a água, favorecendo doenças como botulismo. O ideal, se for alimentar, é oferecer grãos, ervilhas ou ração específica para aves aquáticas em pequena quantidade.

  • Técnica típica: faz o “plantio” – mergulha só a cabeça e o pescoço, com a cauda para cima, para alcançar plantas submersas.
  • Filhotes: nas primeiras semanas comem quase só insetos aquáticos para crescer rápido.
  • Inverno: aumenta o consumo de sementes e grãos para acumular gordura para a migração.

Comportamento e vida social: o pato mais adaptável que existe

Fora da época reprodutiva, o pato-real é altamente gregário. Forma bandos que podem passar de 100 indivíduos para se alimentar e dormir juntos, o que oferece proteção contra predadores.

É diurno e muito vigilante, mas se habitua à presença humana em poucas semanas. Em parques, perde o medo e se aproxima a poucos metros. Apesar disso, mantém hierarquia por bicadas e perseguições, principalmente entre machos.

Considerado muito inteligente para um pato, aprende rotas, horários de alimentação e reconhece tutores ou tratadores. Estudos de campo mostram que memoriza áreas de alimentação a mais de 30 km do dormitório.

Voz e comunicação: quem faz o quá-quá?

O famoso quá-quá alto e repetido é exclusivo da fêmea. É um chamado de contato e alarme que pode ser ouvido a quase 1 km em área aberta.

O macho não faz quá-quá. Ele emite um som rouco, baixo e nasal, tipo “rheb-rheb”, além de assobios suaves durante a corte. Essa diferença vocal é a forma mais segura de sexar a espécie sem ver a plumagem.

Na corte, o macho faz exibições elaboradas: estica o pescoço, joga água com o bico e assobia, enquanto a fêmea incita com chamados altos e mergulhos provocativos.

Reprodução, ninhos e filhotes: do namoro ao primeiro voo

A estação reprodutiva no Hemisfério Norte vai de março a julho. Os pares se formam no outono e inverno, mas o acasalamento efetivo ocorre na primavera. São monogâmicos sazonais: ficam juntos só até a fêmea começar a incubar.

O ninho é feito pela fêmea no solo, entre vegetação densa, a até algumas centenas de metros da água. Ela forra uma depressão rasa com folhas secas e penugem que arranca do próprio peito. Põe de 8 a 13 ovos creme-esverdeados, um por dia.

A incubação dura 27 a 28 dias e é feita só pela fêmea. O macho a abandona e se junta a outros machos para a muda. Os filhotes são nidífugos: nascem cobertos de penugem, de olhos abertos e deixam o ninho poucas horas após secarem.

  • Filhotes: seguem a mãe em fila e já filtram alimento sozinhos, mas dependem dela para aquecimento e proteção por 50–60 dias.
  • Primeiro voo: ocorre com cerca de 52–60 dias. A mortalidade no primeiro mês é alta, mais de 50% por predação.
  • Maturidade: reproduz já no primeiro ano de vida.

Migração e ciclo anual: quem migra e quem fica

Populações do norte (Canadá, Escandinávia, Sibéria) são migratórias de longa distância. Viajam em forma de V à noite, podendo cobrir 800 a 1.200 km em uma única etapa com vento favorável.

Populações do sul da Europa, Estados Unidos e áreas urbanas são residentes ou migratórias parciais. Se a água não congela e há alimento, permanecem o ano todo. É por isso que patos-reais são vistos no inverno em lagos de Londres ou Nova York.

O ciclo anual é rígido: reprodução na primavera, muda completa no verão, engorda no outono e migração ou agrupamento no inverno. A muda das penas de voo deixa a ave vulnerável, por isso ela se esconde em vegetação densa.

Pato-real no Brasil e a relação com o pato doméstico

O pato-real selvagem não ocorre naturalmente no Brasil. O que vemos por aqui é a forma doméstica (Anas platyrhynchos domesticus), da qual descendem raças como Pequim, Rouen, Khaki Campbell e Runner.

Esses patos domésticos, quando soltos em lagos urbanos, voltam a cruzar entre si e com patos selvagens fugidos, gerando aves de plumagem variável: brancas, malhadas, pretas ou com cabeça verde parcial. São frequentemente confundidos com o pato-real puro.

Diferente do pato-mudo (Cairina moschata), que é nativo da América do Sul e deu origem ao pato crioulo, o pato-real tem bico mais achatado, corpo mais leve e não tem carúnculas vermelhas no rosto.

Conservação: comum, mas não sem problemas

Globalmente é classificado como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população estimada em mais de 19 milhões de indivíduos e tendência estável.

A abundância esconde dois riscos. O primeiro é a hibridização: o pato-real cruza com mais de 40 espécies de patos, inclusive ameaçadas como o pato-havaiano e o pato-de-laysan, diluindo o patrimônio genético delas.

O segundo é a poluição genética por soltura de domésticos. Em muitos países, patos domésticos asselvajados competem e transmitem doenças para populações selvagens. Por isso, órgãos ambientais desaconselham soltar patos domésticos na natureza.

Caça regulamentada é permitida em parte da Europa e América do Norte, mas a espécie compensa com alta taxa reprodutiva. A maior ameaça local é a perda de zonas úmidas e a contaminação por chumbo de munições antigas.

Perguntas frequentes

Pato-real e pato-doméstico são a mesma espécie?

Sim. O pato-doméstico é a forma domesticada do pato-real (Anas platyrhynchos domesticus). A diferença é de seleção artificial para cor, tamanho e produção.

Como diferenciar macho e fêmea de pato-real?

O macho reprodutivo tem cabeça verde-metálica, anel branco no pescoço e bico amarelo; a fêmea é marrom malhada com bico laranja manchado. Só a fêmea faz o quá-quá alto.

Pato-real existe no Brasil?

A forma selvagem pura não é nativa, mas a forma doméstica asselvajada é comum em lagos e parques urbanos do Sul e Sudeste, onde foi introduzida.

O pato-real migra?

Populações do norte do Hemisfério Norte migram longas distâncias no outono. Populações do sul e urbanas são residentes e não migram se houver água e alimento.

O que o pato-real come?

É onívoro: sementes, plantas aquáticas, grãos, insetos, caramujos e crustáceos. Filtra alimento na água e pasta em terra firme.

Quanto tempo vive um pato-real?

Vive em média 5 a 10 anos na natureza e pode passar de 20 anos em cativeiro. A mortalidade de filhotes no primeiro ano é muito alta.

Pode criar pato-real em casa?

A criação da forma selvagem exige autorização do IBAMA e não é recomendada. A forma doméstica pode ser criada legalmente, mas precisa de lago, espaço e manejo adequado.

Você sabia?

1

Ancestral de quase todos os patos domésticos

Com exceção do pato-mudo sul-americano, todas as raças domésticas — de Pequim a Runner — descendem do pato-real. A domesticação começou há mais de 2.000 anos na China.

2

Hibridiza com dezenas de espécies

O pato-real pode cruzar e gerar filhotes férteis com mais de 40 espécies diferentes de patos, um recorde entre as aves aquáticas e um problema para a conservação de patos raros.

3

Macho fica igual à fêmea por um mês

Durante a muda de eclipse no verão, o macho perde o verde-metálico e fica marrom malhado como a fêmea. Nesse período ele não voa e se esconde para não ser predado.

4

Só a fêmea faz quá-quá

O clássico quá-quá alto que associamos a patos é exclusivo da fêmea. O macho emite apenas um grasnado rouco e baixo, quase um sussurro.

Fontes

  1. IUCN Red List - Anas platyrhynchos
  2. BirdLife International
  3. Cornell Lab of Ornithology - All About Birds
  4. WikiAves

Prós e contras: Pato-real

Prós

  • Extremamente adaptável a climas e habitats diferentes
  • Fácil de observar e identificar, ideal para iniciantes em birdwatching
  • Alta taxa reprodutiva e população global estável
  • Base genética para raças domésticas produtivas e ornamentais
  • Ajuda a controlar insetos aquáticos e dispersar sementes

Contras

  • Hibridiza com espécies ameaçadas e dilui genética nativa
  • Forma doméstica asselvajada compete com aves locais
  • Pode transmitir doenças como gripe aviária em aglomerações urbanas
  • Depende de zonas úmidas que estão em declínio global
  • Alimentação com pão em parques causa problemas nutricionais e poluição
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o pato-real é a porta de entrada perfeita para observar aves aquáticas: comum, confiante e fácil de identificar, mas com biologia surpreendentemente complexa. Subestimado por ser abundante, ele revela como adaptabilidade e convivência com humanos podem ser tanto trunfo quanto ameaça genética para outras espécies.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.