🦜 Aves e Pássaros

Irerê

Dendrocygna viduata

Atualizado em

42 a 48 cmTamanho
500 a 800 gPeso
10 a 15 anosExpectativa de vida
Assobio triplo agudoCanto
Lagoas e várzeas abertasHabitat
Irerê de corpo inteiro em pé na margem de lagoa rasa

A irerê (Dendrocygna viduata), também chamada de marreca-viuvinha, é um pato assobiador de porte médio, inconfundível pela face branca bem marcada, bico preto e peito castanho-avermelhado. Diferente da maioria dos patos, tem pernas longas, pescoço alongado e passa muito tempo em pé, além de pousar com facilidade em árvores e galhos.

É uma das aves aquáticas mais comuns e barulhentas do Brasil, presente de norte a sul em lagoas rasas, várzeas, açudes e arrozais. Vive em bandos que podem chegar a milhares de indivíduos e anuncia sua chegada com um assobio agudo de três notas, ouvido principalmente ao entardecer e durante voos noturnos.

Também conhecido como: marreca-viuvinha, viuvinha, paturi, apaçoca, White-faced Whistling Duck (inglês), Dendrocygne veuvage (francês)

Faz parte de: Aves Aquáticas, Aves Migratórias

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Galeria de fotos de Irerê

Irerê de corpo inteiro em pé na margem de lagoa rasa
Irerê adulta mostrando rosto branco e peito castanho característicos.
Retrato em close da cabeça da irerê com rosto branco e bico preto
Detalhe da face branca que distingue a irerê de outras marrecas.
Bando de irerês em voo sobre área alagada ao entardecer
Bando de irerês em voo noturno, quando o canto assobiado é mais intenso.
Irerê em seu habitat natural de várzea com capim alto
Habitat típico: lagoas rasas e várzeas com vegetação marginal.
Casal de irerês com filhotes nadando em água rasa
Casal conduz os filhotes precoces até a água após deixarem o ninho.
Irerê se alimentando filtrando água rasa
Forrageio em água rasa filtrando sementes e pequenos invertebrados.

Perfil rápido de Irerê

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Espécie com distribuição muito ampla e população numerosa e estável.

População
estável
Protegido por
não, mas protegida por lei contra captura e comércio ilegal no Brasil

Calendário

ReproduçãoJFMAMJJASOND
Deslocamentos sazonais / migração parcialJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
10 a 15 anos
Em cativeiro autorizado
até 18 anos

Reprodução

Maturidade sexual
cerca de 1 ano
Sistema social
monogâmica, forma casais estáveis
Época reprodutiva
estação chuvosa (outubro a março no Sudeste/Centro-Oeste)
Tipo de ninho
no chão entre capim alto, forrado com penugem
Ovos por ninhada
8 a 12, brancos a creme
Incubação
26 a 30 dias, casal se reveza
Cuidado parental
ambos cuidam dos filhotes por cerca de 60 dias até voarem

Habitat

Ambientes

  • lagoas rasas e banhados
  • várzeas e campos alagados
  • açudes e represas
  • arrozais irrigados
  • estuários e manguezais

Biomas

  • Amazônia
  • Cerrado
  • Mata Atlântica
  • Caatinga
  • Pampa
  • Pantanal

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • sementes de gramíneas
  • grãos de arroz

Outros alimentos

  • insetos aquáticos
  • pequenos crustáceos
  • moluscos
  • folhas e brotos tenros

Encontrado em 12 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Colômbia
  • Venezuela
  • Peru
  • Bolívia
  • Paraguai
  • África do Sul
  • Nigéria
  • Senegal
  • Quênia
  • Etiópia

Como animal de estimação

Adequação como pet
não recomendada, ave silvestre altamente gregária
Legalidade no Brasil
captura e venda da natureza são crime ambiental; criação só com autorização do IBAMA/órgão estadual
Nível de cuidado
alto, exige lago, bando, área extensa e manejo especializado

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Anseriformes
Família
Anatidae
Gênero
Dendrocygna
Espécie
Dendrocygna viduata

Resumo

  • A irerê é um pato assobiador de 42 a 48 cm, com rosto branco, bico preto e peito castanho, que vive em bandos grandes em lagoas e várzeas do Brasil e da África.
  • Alimenta-se de sementes, grãos e pequenos invertebrados aquáticos, forrageia à noite e nidifica no chão com 8 a 12 ovos cuidados pelo casal.
  • Tem canto assobiado característico, faz deslocamentos sazonais conforme as chuvas e é classificada como Pouco Preocupante, sendo protegida contra captura na natureza.

Características

Ficha da espécie

FamíliaAnatidae
Origem e distribuiçãoAmérica do Sul e África subsaariana, distribuição disjunta
HabitatLagoas rasas, várzeas, banhados, arrozais e estuários
Tamanho (comprimento)42 a 48 cm
Envergadura85 a 95 cm
Peso500 a 800 g
Coresbrancopretocastanho-avermelhadocinza
Expectativa de vida10 a 15 anos na natureza
AlimentaçãoSementes, grãos, insetos aquáticos e pequenos crustáceos
CantoAssobio agudo de três notas "wi-wi-wi"
Reprodução (ninho e ovos)Ninho no chão entre capim; 8 a 12 ovos brancos, incubação 26 a 30 dias
Comportamento socialAltamente gregária, bandos de dezenas a milhares
Variedades ou subespéciesMonotípica, sem subespécies reconhecidas

Perfil e comportamento

SociabilidadeMuito alto
Intensidade do cantoAlto
InteligênciaMédio
Facilidade de criaçãoMuito baixo
Necessidade de espaçoMuito alto
Nível de atividadeAlto
Capacidade de imitar sonsMuito baixo

Como reconhecer a irerê: tamanho, cores e marcas inconfundíveis

A irerê tem 42 a 48 cm de comprimento e pesa entre 500 e 800 g, menor que um pato-doméstico e mais esguia que a maioria das marrecas. As pernas longas e o pescoço alongado dão postura ereta, quase de ganso em miniatura.

O traço que não deixa dúvida é o rosto branco puro que contrasta com a nuca e o bico pretos. O peito é castanho-avermelhado com finas estrias pretas, os flancos são barrados de branco e preto, e o dorso é cinza-acastanhado.

Em voo, mostra faixa branca nas asas e barriga preta, além de pernas que se projetam além da cauda. Jovens são mais apagados, com rosto acinzentado e menos contraste, mas já exibem o bico escuro.

Onde vive a irerê no Brasil e no mundo

No Brasil ocorre em todos os biomas, da Amazônia ao Pampa, sendo mais numerosa no Pantanal, Nordeste e no Sul durante a safra de arroz. Prefere lagoas rasas, banhados, várzeas, açudes e arrozais com capim alto por perto.

É uma das poucas aves aquáticas com distribuição disjunta entre América do Sul e África subsaariana, sem populações intermediárias. Essa separação é natural e antiga, não resultado de introdução.

Evita rios de correnteza forte e matas fechadas. Onde há espelho-d’água aberto com vegetação marginal, a irerê aparece, inclusive em áreas urbanas com lagos de parque.

O que a irerê come e como se alimenta

A base da dieta é vegetal: sementes de gramíneas nativas e grãos de arroz, complementada com insetos aquáticos, pequenos crustáceos, moluscos e folhas tenras. Em arrozais, pode se alimentar de grãos caídos após a colheita.

Forrageia de forma diferente dos patos mergulhadores. Filtra a água rasa com o bico, cata sementes no chão úmido e, à noite, forma bandos que pastam em campos alagados. É mais ativa ao crepúsculo e à noite que durante o calor do dia.

Essa atividade noturna explica por que muitos bandos são ouvidos antes de vistos. O hábito também reduz competição com outras marrecas diurnas.

Comportamento e vida em bando: por que anda sempre em grupo

Irerê raramente anda sozinha. Vive em bandos coesos de 20 a 200 aves, que na seca podem se juntar em aglomerações de mais de mil indivíduos em poucos hectares de água.

Dentro do bando há hierarquia frouxa, mas forte sincronia. Decolam, voam em formação desordenada e pousam quase ao mesmo tempo, sempre vocalizando. Quando pousadas, mantêm vigilância coletiva: enquanto algumas comem, outras ficam com o pescoço ereto.

Outra peculiaridade é pousar em árvores. Graças aos dedos longos e garras curvas, apoia-se em galhos e até em cercas, comportamento raro entre patos brasileiros e típico do gênero Dendrocygna.

O canto assobiado que deu nome à espécie

O nome irerê é onomatopeico. O canto é um assobio agudo e melancólico de três notas, “wi-wi-wi” ou “i-re-rê”, repetido em coro pelo bando em voo.

É diferente do grasnado de patos. O som é fino, penetrante e audível a centenas de metros, o que ajuda o grupo a se manter unido em voos noturnos. Macho e fêmea cantam, com timbres ligeiramente distintos.

Durante o dia pousada, emite chamados mais curtos e suaves. À noite, o coro se intensifica e é um dos sons mais característicos de várzeas no interior do Brasil.

Reprodução, ninho e cuidado com os filhotes

A reprodução coincide com a estação chuvosa, quando há mais alimento e cobertura vegetal. No Centro-Oeste e Sudeste, o pico vai de outubro a março; no Nordeste, acompanha as chuvas locais.

O ninho é simples, no chão entre capim alto ou sob arbustos, forrado com penugem. Raramente usa ocos de árvore, ao contrário da marreca-cabocla. A postura é de 8 a 12 ovos brancos a creme, raramente até 14.

A incubação dura 26 a 30 dias e ambos os pais se revezam. Os filhotes nascem precoces, cobertos de penugem amarelada com manchas escuras, e deixam o ninho em 24 horas. O casal os guia até a água e os protege por cerca de 60 dias, até voarem.

Como diferenciar da marreca-cabocla

Característica Irerê (D. viduata) Marreca-cabocla (D. autumnalis)
Rosto Branco puro Cinza com mancha branca ao redor do bico
Bico Preto Vermelho-rosado
Peito Castanho com estrias finas Castanho uniforme
Barriga Preta Preta
Voz Assobio triplo fino Assobio mais áspero e repetido

Migração e movimentos sazonais no Brasil

A irerê não faz migração intercontinental, mas realiza deslocamentos sazonais de centenas de quilômetros em busca de água. É considerada migrante parcial e nômade conforme o regime de chuvas.

Na seca, concentra-se em grandes lagoas permanentes e açudes. Com as primeiras chuvas, dispersa-se para reproduzir em áreas temporariamente alagadas. Esses movimentos são mais evidentes no Pantanal, no interior do Nordeste e nos arrozais do Rio Grande do Sul.

Voos migratórios ocorrem principalmente à noite, em bandos barulhentos. Anilhamentos mostram indivíduos que se deslocaram mais de 500 km entre estações.

Conservação, observação e é possível criar irerê em casa?

A espécie é classificada como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população grande e estável. A adaptabilidade a arrozais e açudes ajudou a manter números altos, mesmo com a perda de banhados naturais.

As principais pressões são drenagem de áreas úmidas, uso de agrotóxicos em arrozais e caça ilegal em algumas regiões. Ainda assim, não há declínio global significativo.

Para observação, procure lagoas rasas ao entardecer. Chegue com antecedência, mantenha distância e use binóculo. O melhor momento é quando os bandos chegam vocalizando para pernoitar.

Sobre criação: irerê é ave silvestre nativa. No Brasil, manter, capturar ou vender aves da natureza sem autorização é crime ambiental (Lei 9.605/98). Criação só é legal por criadouros autorizados pelo IBAMA ou órgão estadual, e a espécie exige lago, bando e manejo especializado, não se adaptando a gaiola ou quintal pequeno. Na nossa avaliação, não é ave para criação doméstica.

Perguntas frequentes

Irerê é pato ou marreca?

É um pato assobiador do gênero Dendrocygna, popularmente chamado de marreca-viuvinha. Tem porte médio, pernas longas e hábitos mais parecidos com gansos que com patos mergulhadores.

Como diferenciar irerê de marreca-cabocla?

A irerê tem rosto branco puro e bico preto; a marreca-cabocla tem bico vermelho-rosado e rosto acinzentado. O canto da irerê é um assobio triplo mais fino e melancólico.

Onde encontrar irerê no Brasil?

Em lagoas rasas, banhados, várzeas, açudes e arrozais de todos os biomas, com maior concentração no Pantanal, Nordeste e sul do Rio Grande do Sul.

Irerê migra?

Faz deslocamentos sazonais de centenas de quilômetros conforme as chuvas e a disponibilidade de água, com voos principalmente noturnos. É considerada migrante parcial.

O que a irerê come?

Principalmente sementes de gramíneas e grãos de arroz, além de insetos aquáticos, pequenos crustáceos e moluscos filtrados em água rasa.

Pode criar irerê em casa?

Não como pet convencional. É ave silvestre nativa; manter ave da natureza sem autorização do IBAMA é crime ambiental. Só criadouros autorizados podem mantê-la, com lago e manejo em bando.

A irerê está ameaçada de extinção?

Não. É classificada como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população ampla e estável, embora sofra com drenagem de banhados e agrotóxicos.

Fatos que pouca gente sabe sobre a irerê

1

Pato que pousa em árvore

Ao contrário da maioria dos patos, a irerê tem dedos longos com garras que permitem se empoleirar em galhos, cercas e até telhados próximos à água.

2

Distribuição em dois continentes

Ocorre naturalmente na América do Sul e na África subsaariana, sem populações no meio do caminho — um dos poucos patos com essa distribuição disjunta.

3

Casal que incuba junto

Macho e fêmea se revezam na incubação dos ovos, e ambos guiam e defendem os filhotes na água, comportamento mais parecido com gansos que com patos.

4

Voo noturno barulhento

Grande parte dos deslocamentos é feita à noite, quando o bando mantém contato com assobios constantes; por isso é comum ouvi-la sem vê-la.

Fontes

  1. WikiAves - Dendrocygna viduata
  2. IUCN Red List - White-faced Whistling Duck
  3. CBRO - Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos
  4. Cornell Lab - Birds of the World

Prós e contras: Irerê

Prós

  • Muito adaptável a diferentes biomas e a áreas antropizadas como arrozais
  • Vida social rica, ideal para observação de bandos e vocalizações ao entardecer
  • Reprodução prolífica com cuidado biparental dos filhotes
  • Fácil de identificar pelo rosto branco e canto assobiado
  • População estável e amplamente distribuída

Contras

  • Não se adapta a gaiola ou quintal pequeno, precisa de lago e bando
  • Atividade noturna e vocalização forte podem incomodar em área urbana
  • Pode causar prejuízo em arrozais ao se alimentar de grãos
  • Dependente de áreas alagadas, sofre com drenagem de banhados
  • Criação exige autorização legal e manejo especializado
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a irerê é o pato mais subestimado do Brasil: menos chamativa que a marreca-cabocla, mas muito mais interessante pelo canto que entrega o bando antes da imagem e pela vida social complexa. Vale mais observá-la livre ao entardecer, em lagoas com capim alto, do que tentar mantê-la presa, onde perde justamente o que a torna especial.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.