Resumo
- O faisão-prateado é um faisão asiático com macho branco-prateado de cauda longa e fêmea marrom-oliva, ambos com face vermelha nua e pernas avermelhadas.
- Vive em florestas montanas entre 300 e 2.000 metros de altitude, é terrestre, onívoro e territorial, com canto baixo e áspero usado mais para alarme.
- No Brasil sua criação é legal apenas com registro no SISPASS/Sistema de criadouro autorizado, exige viveiro amplo e manejo específico e tem status Pouco Preocupante na IUCN.
Características
Ficha da espécie
| Família | Phasianidae |
|---|---|
| Origem e distribuição | Sudeste Asiático: sul da China, Mianmar, Tailândia, Laos, Vietnã e Camboja |
| Habitat | Florestas subtropicais e temperadas montanas, bambuzais e matas secundárias de 300 a 2.000 m |
| Tamanho | Macho 90 a 125 cm (cauda 60 a 75 cm); fêmea 55 a 70 cm |
| Envergadura | 70 a 85 cm |
| Peso | Macho 1,8 a 3,2 kg; fêmea 1,1 a 1,7 kg |
| Cores | brancopretovermelhomarrom-olivacinza |
| Expectativa de vida | 10 a 12 anos na natureza; até 15 anos em cativeiro |
| Alimentação | Onívora: sementes, frutos, brotos, insetos, pequenos invertebrados |
| Canto | Grasnado áspero e assobios curtos, mais vocal ao amanhecer e em alarme |
| Reprodução | Ninho no chão; 6 a 9 ovos rosados a avermelhados; incubação 26 a 28 dias |
| Comportamento social | Territorial e poligínico; macho defende harém de 2 a 4 fêmeas na reprodução |
| Variedades ou subespécies | 15 subespécies reconhecidas, variando no grau de branco/preto no dorso do macho |
Perfil e comportamento
| Sociabilidade | Baixo |
|---|---|
| Intensidade do canto | Baixo |
| Inteligência | Médio |
| Facilidade de criação | Médio |
| Necessidade de espaço | Muito alto |
| Nível de atividade | Alto |
| Capacidade de imitar sons | Muito baixo |
Como reconhecer o faisão-prateado: dimorfismo que não deixa dúvida
O faisão-prateado é inconfundível quando adulto, mas macho e fêmea parecem espécies diferentes. O macho tem plumagem quase toda branca com finíssimas linhas pretas em V no dorso, peito e manto, que criam o efeito prateado. A cauda é longa, branca e também estriada de preto.
A cabeça é preta com topete negro e pele nua vermelha viva ao redor dos olhos, que fica mais intensa na época reprodutiva. Bico esbranquiçado, pernas e pés vermelhos e esporas afiadas nos tarsos completam o macho. A crista pode ser eriçada em exibição.
A fêmea é marrom-oliva uniforme, com ventre mais claro e finas manchas escuras, cauda bem mais curta e castanha. Também tem a face vermelha, porém menor e menos brilhante. Filhotes e jovens de ambos os sexos nascem amarronzados e só após a primeira muda o macho começa a clarear.
Diferença crucial para não confundir: o faisão-dourado (Chrysolophus pictus) tem corpo dourado e vermelho, enquanto o prateado é branco e preto. Híbridos entre os dois ocorrem em cativeiro e perdem o padrão puro.
Onde vive na natureza e onde é encontrado no Brasil
Na natureza, o faisão-prateado ocupa florestas montanas do sul da China, Mianmar, Tailândia, Laos, Vietnã e Camboja, entre 300 e 2.000 metros de altitude. Prefere mata primária com sub-bosque denso, bambuzais e clareiras úmidas, onde forrageia no chão.
É uma ave essencialmente terrestre e sedentária. Dorme empoleirada em galhos baixos e passa o dia ciscando sob a folhagem. Não migra, apenas faz deslocamentos altitudinais curtos no inverno.
No Brasil, não existe população asselvajada. Todos os exemplares são de cativeiro, mantidos por criadores ornamentais registrados, zoológicos e coleções particulares. Foi introduzido em outros países como ave ornamental e, em alguns locais como Havaí e partes da Europa, formou populações ferais, mas isso não ocorreu aqui.
Comportamento e temperamento: bonito, mas territorial
Quem espera um faisão dócil se surpreende. O faisão-prateado é arisco, vigilante e fortemente territorial, sobretudo o macho. Na época reprodutiva ele persegue outros machos, investe com as esporas e pode ser agressivo até com o tutor.
Fora da reprodução, vive em pequenos grupos familiares ou em haréns. É mais silencioso que galos domésticos, mas reage a qualquer susto com disparada rápida e voo curto e ruidoso para o poleiro. Raramente voa longas distâncias.
Em cativeiro, tolera a presença humana se criado desde filhote, mas não gosta de manuseio. Não é ave para soltura em quintal com cachorro ou gato por perto: o estresse predatório é alto e ele se fere facilmente tentando fugir contra a tela.
Canto e comunicação: discreto, mas inconfundível
O canto não é melódico. O macho emite um grasnado áspero, curto e repetido, tipo “tchack-tchack”, além de assobios finos de contato e um cacarejo de alarme quando detecta predador.
Na exibição nupcial, ele não canta alto: faz batida de asas audível, eriçamento da crista e abertura da cauda em leque lateral, rodeando a fêmea com passos laterais. A face vermelha incha e brilha como sinal visual.
Fêmeas e filhotes usam piados suaves e cliques para manter coesão enquanto forrageiam. À noite, todos permanecem em silêncio no poleiro.
O que come: onívoro de chão de mata
Na natureza, a dieta é onívora e oportunista. Cerca de 70% são sementes, frutos caídos, brotos e folhas tenras, e o restante são insetos, larvas, minhocas, pequenos caracóis e até lagartixas.
Ele cisca como uma galinha, revolvendo a serrapilheira com o bico e os pés. Em áreas de bambu, consome brotos jovens com frequência.
Em cativeiro, a base deve ser ração para fasianídeos ou para galináceos ornamentais com 18 a 20% de proteína, complementada com:
- Verduras e frutas: couve, chicória, maçã, mamão e banana em pequenos pedaços
- Proteína animal: tenébrios, grilos e ovo cozido, essenciais na reprodução e para filhotes
- Grãos e sementes: milho triturado, sorgo e painço
- Grit e cálcio: farinha de ostra e areia grossa para moela
Água limpa sempre disponível e sem oferecer pão, temperos ou alimentos salgados, que prejudicam o fígado.
Reprodução, ninho e desenvolvimento dos filhotes
O sistema é poligínico: um macho dominante corteja e acasala com 2 a 4 fêmeas em seu território. A estação reprodutiva na origem vai de março a junho; no Brasil, com fotoperíodo diferente, costuma ocorrer entre agosto e dezembro.
O ninho é extremamente simples: depressão rasa no chão, forrada com folhas secas, escondida sob arbustos ou troncos. A fêmea põe 6 a 9 ovos rosados a marrom-avermelhados, um a cada 1 ou 2 dias.
A incubação é só da fêmea e dura 26 a 28 dias. O macho não ajuda e deve ser separado se mostrar agressividade. Os filhotes são nidífugos e precoces: nascem com penugem camuflada, olhos abertos e já seguem a mãe nas primeiras horas.
Com 2 semanas já dão voos curtos para poleiros baixos. A maturidade sexual vem com 1 ano para fêmeas e 2 anos para machos, quando o macho adquire a plumagem prateada definitiva. Em cativeiro, a sobrevivência dos filhotes depende de ambiente seco, aquecido nos primeiros 15 dias e livre de verminoses.
Tabela comparativa de grupos de subespécies
| Grupo | Exemplo de subespécie | Macho | Distribuição |
|---|---|---|---|
| Norte | L. n. nycthemera | Quase todo branco, poucas estrias | Sul da China |
| Central | L. n. beaulieui | Branco com estrias pretas moderadas | Norte do Laos e Vietnã |
| Sul | L. n. annamensis | Dorso muito estriado de preto, aspecto acinzentado | Sul do Vietnã e Camboja |
Na prática de criação, a maioria das aves no Brasil são mestiças entre subespécies, sem valor taxonômico puro, mas mantêm o padrão prateado clássico.
Criação em cativeiro no Brasil: legalidade, espaço e manejo
É possível criar faisão-prateado legalmente, mas não é ave de gaiola. A criação exige registro como criadouro amador ou comercial no órgão ambiental estadual e no SISPASS/IBAMA, com anilhas, nota fiscal de origem e comprovação de plantel. Comprar ave sem documentação é crime ambiental.
O viveiro precisa ser amplo e telado: mínimo recomendado de 10 a 15 m² por casal, com 2 metros de altura, poleiros em diferentes níveis, área coberta para chuva e área de chão com terra e folhas. Machos não podem dividir o mesmo recinto.
Manejo sanitário é crítico: verminoses, coccidiose e coriza são comuns em piso úmido. Faça quarentena de aves novas, rotação de piquetes e exames de fezes semestrais. Vacinação contra bouba e Newcastle deve ser orientada por veterinário de aves.
Não é ave para apartamento, para quem tem pouco tempo ou para quem busca interação. Na nossa avaliação, o faisão-prateado funciona melhor para criadores com experiência em galináceos ornamentais que buscam uma espécie rústica e vistosa, não para tutor de primeira viagem que quer carinho diário.
Estado de conservação e principais ameaças
Globalmente, o faisão-prateado é classificado como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população grande, mas em declínio lento devido à perda de habitat.
As ameaças na natureza são desmatamento de florestas montanas, caça para consumo e captura para comércio ilegal em partes do Sudeste Asiático. Por ser cinegético em algumas regiões, sofre pressão de caça esportiva onde é introduzido.
Em cativeiro, a espécie está bem estabelecida e não depende de retiradas da natureza. Programas de zoológicos mantêm plantéis de segurança genética, mas a hibridização entre subespécies em criatórios comerciais já apagou linhagens puras em muitos países.
Curiosidades que diferenciam o faisão-prateado
Um detalhe pouco comentado é a longevidade da cauda do macho: ela pode representar mais de 60% do comprimento total e é trocada integralmente uma vez ao ano após a reprodução, ficando temporariamente mais curta e opaca.
Outro ponto é a pele facial termossensível: o vermelho fica pálido no frio e extremamente rubro no calor ou na excitação, funcionando como termômetro visual do estado da ave.
Perguntas frequentes
Faisão-prateado pode ser criado solto no quintal?
Não. Ele precisa de viveiro telado e protegido. Solto, foge com voo curto, se estressa com predadores e fica exposto a doenças de galinhas domésticas.
Qual a diferença entre macho e fêmea?
Macho é branco-prateado com estrias pretas, cauda longa e topete preto; fêmea é marrom-oliva com cauda curta castanha. Ambos têm face nua vermelha.
Faisão-prateado canta bonito?
Não. O canto é baixo, áspero e curto, tipo grasnado. A exibição é mais visual, com eriçamento da crista e abertura da cauda.
Quantos ovos bota por ano?
Uma postura de 6 a 9 ovos por estação. Em cativeiro bem manejado pode fazer 2 posturas se os ovos forem retirados para incubação artificial.
Precisa de autorização para criar no Brasil?
Sim. É necessário registro como criadouro amador ou comercial no órgão ambiental estadual/IBAMA, com aves anilhadas e com origem comprovada.
Convive bem com outros faisões ou galinhas?
Machos são incompatíveis entre si e territorialistas. Com galinhas há risco de transmissão de doenças; só com quarentena e viveiros separados.
Quanto tempo vive?
10 a 12 anos na natureza e 12 a 15 anos em cativeiro com manejo seco, alimentação correta e controle sanitário.
Você sabia?
Cauda que vale metade da ave
No macho adulto, a cauda mede 60 a 75 cm e sozinha corresponde a mais de 60% do comprimento total. Ela é usada como leque lateral na corte, não como roda como no pavão.
15 subespécies em um degradê
As 15 subespécies formam um cline norte-sul: quanto mais ao norte, mais branco o macho; quanto mais ao sul, mais estriado de preto, chegando a parecer cinza no Vietnã.
Esporas como arma
Machos têm esporas ósseas afiadas de até 2 cm nos tarsos e as usam em combates territoriais que podem causar ferimentos sérios em rivais e até no tratador.
Filhotes que dormem em poleiro com 14 dias
Diferente de galinhas domésticas, os filhotes de faisão-prateado já empoleiram com duas semanas de vida, o que exige poleiros baixos no viveiro desde cedo para evitar perdas por frio e umidade no chão.









