🦜 Aves e Pássaros

Arara-canindé

Ara ararauna

Atualizado em

80 a 90 cmTamanho
900 g a 1,3 kgPeso
50 a 70 anosExpectativa de vida
Grito forte e roucoCanto
Veredas e florestasHabitat
Arara-canindé empoleirada em galho de buriti mostrando plumagem azul e amarela

A arara-canindé (Ara ararauna) é a arara azul e amarela mais conhecida do Brasil, inconfundível pelo dorso azul-turquesa, peito amarelo-ouro e rosto branco com linhas pretas finas. Mede de 80 a 90 cm e pesa mais de 1 kg, sendo uma das maiores psitacídeas das Américas.

Vive em pares fiéis ou pequenos bandos em veredas de buriti, matas de galeria, cerradões e bordas da Amazônia, do Panamá ao sul do Brasil. Extremamente inteligente e barulhenta, usa gritos que alcançam quilômetros para manter contato com o parceiro e depende de ocos de árvores velhas para se reproduzir.

Também conhecido como: Arara-amarela, Arara-de-barriga-amarela, Blue-and-yellow Macaw (inglês), Guacamayo azul y amarillo (espanhol), Ara bleu et jaune (francês)

Faz parte de: Aves da Amazônia

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Galeria de fotos de Arara-canindé

Arara-canindé empoleirada em galho de buriti mostrando plumagem azul e amarela
Arara-canindé adulta exibindo o contraste azul e amarelo característico.
Close da cabeça da arara-canindé com rosto branco listrado e bico preto
Detalhe do rosto branco com linhas pretas únicas de cada indivíduo.
Arara-canindé em voo com asas abertas sobre o Cerrado
Voo com asas largas mostra o azul por cima e amarelo por baixo.
Casal de arara-canindé em vereda de buritis no Pantanal
Habitat típico: veredas de buriti e matas de galeria.
Arara-canindé se alimentando de coquinho de buriti
Alimentação baseada em coquinhos de palmeiras que só seu bico quebra.
Ninho de arara-canindé em oco de árvore com ovos e filhotes
Ninho em oco de árvore velha com 2 a 3 ovos brancos.
Detalhe da plumagem azul e amarela da arara-canindé
Textura das penas azuis do dorso e amarelas do peito.
Ideal para

Ideal para criadores experientes com sítio ou casa com viveiro grande, que buscam uma ave extremamente inteligente, afetiva e longeva para companhia diária. Funciona para quem tem rotina estável, tempo para interação e tolerância a barulho e sujeira.

Pode não ser ideal para

Não é indicada para apartamento, famílias que ficam fora o dia todo ou tutores de primeira viagem. O grito muito alto incomoda vizinhos, o bico destrói móveis e portas, e a necessidade de espaço, enriquecimento e veterinário especializado exige dedicação e custo contínuo.

Como cuidar

Recinto
Viveiro mínimo de 4 m de comprimento, com poleiros grossos de madeira natural e área coberta
Alimentação
Ração extrusada para psitacídeos grandes + castanhas, coquinhos de palmeiras e frutas variadas
Estimulação
Troncos para roer, brinquedos destrutíveis, banhos de sol e interação social de horas por dia
Saúde
Consultas periódicas com veterinário de aves, higiene rigorosa e controle de psitacose e aspergilose

Perfil rápido de Arara-canindé

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Espécie amplamente distribuída e ainda comum em grande parte da Amazônia, Cerrado e Pantanal.

População
Em declínio local por desmatamento e tráfico
Protegido por
Sim, protegida por lei; comércio só via criadouros autorizados

Calendário

ReproduçãoJFMAMJJASOND
Cuidado com filhotes no ninhoJFMAMJJASOND
Maior vocalizaçãoJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
50 a 60 anos
Em cativeiro
60 a 70 anos com manejo e veterinário adequados

Reprodução

Maturidade sexual
3 a 4 anos
Época reprodutiva
Agosto a janeiro, pico de setembro a novembro
Tipo de ninho
Oco de árvore alta ou palmeira morta, sem forro
Ovos por ninhada
2 a 3 ovos brancos
Incubação
26 a 28 dias, feita pela fêmea
Filhotes no ninho
85 a 90 dias até o primeiro voo

Habitat

Ambientes

  • Veredas de buriti
  • Matas de galeria e cerradões
  • Matas de várzea e bordas amazônicas
  • Palmeirais e áreas alagáveis do Pantanal

Biomas

  • Amazônia
  • Cerrado
  • Pantanal
  • Mata Atlântica (norte)

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Coquinhos de buriti, inajá, bacaba e tucumã
  • Castanha-do-pará e sementes de jatobá
  • Polpa de frutos de palmeiras

Outros alimentos

  • Frutas como pequi e manga
  • Flores e brotos
  • Argila de barreiros como suplemento mineral

Encontrado em 12 países

  • Brasil
  • Panamá
  • Colômbia
  • Venezuela
  • Equador
  • Peru
  • Bolívia
  • Guiana
  • Suriname
  • Guiana Francesa
  • Paraguai
  • Argentina

Como animal de estimação

Adequação
Apenas para tutores experientes com muito espaço e tempo
Legalidade no Brasil
Permitida só com ave de criadouro autorizado pelo IBAMA, com anilha e nota fiscal; captura na natureza é crime
Nível de cuidado
Muito alto: viveiro grande, enriquecimento diário e veterinário de aves
Custo de aquisição
Alto e burocrático, exige registro e comprovação de origem legal

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Psittaciformes
Família
Psittacidae
Gênero
Ara
Espécie
Ara ararauna (Linnaeus, 1758)

Resumo

  • Arara-canindé é a arara azul e amarela de 80 a 90 cm, com rosto branco listrado de preto e bico preto curvo muito forte.
  • Vive em pares monogâmicos em veredas de buriti, Cerrado, Pantanal e Amazônia, alimentando-se sobretudo de coquinhos de palmeiras.
  • Pode viver 50 a 60 anos na natureza e até 70 em cativeiro, mas só pode ser criada com origem legal em criadouro autorizado pelo IBAMA.

Características

Ficha da espécie

FamíliaPsittacidae
Origem e distribuiçãoDo Panamá ao Brasil, Bolívia e Paraguai
HabitatVeredas de buriti, matas de galeria, cerradões e bordas amazônicas
Tamanho (comprimento)80 a 90 cm
Envergadura100 a 115 cm
Peso900 g a 1.300 g
Coresazulamarelobrancopretoverde-oliva
Expectativa de vida50 a 60 anos na natureza, até 70 em cativeiro
AlimentaçãoCoquinhos de palmeiras, castanhas e frutos
CantoGritos altos, ásperos e repetitivos
Reprodução (ninho e ovos)Oco de árvore; 2 a 3 ovos brancos; incubação 26 a 28 dias
Comportamento socialMonogâmica, vive em pares ou bandos de até 20 indivíduos
Variedades ou subespéciesNenhuma; espécie monotípica

Perfil e comportamento

SociabilidadeMuito alto
Intensidade do cantoMuito alto
InteligênciaMuito alto
Facilidade de criaçãoBaixo
Necessidade de espaçoMuito alto
Nível de atividadeAlto
Capacidade de imitar sonsAlto

Como reconhecer a arara-canindé: tamanho, cores e rosto listrado

A arara-canindé é azul na parte superior e amarelo-ouro na parte inferior, com testa verde-azulada, garganta preta e bico preto enorme e curvo. O detalhe que não deixa dúvida é o rosto branco com finas linhas de penas pretas, como se fossem listras desenhadas à mão.

Essas linhas são únicas para cada indivíduo, funcionam como impressão digital e ficam avermelhadas quando a ave está excitada, porque a pele fina deixa ver o fluxo de sangue. A íris é amarelo-clara nos adultos e escura nos filhotes, e a cauda longa azul ajuda no equilíbrio durante o voo.

Com 80 a 90 cm de comprimento e 900 g a 1,3 kg, ela é menor que a arara-vermelha, mas maior que a maioria dos papagaios. Em voo, as asas largas mostram azul por cima e amarelo por baixo, um contraste visível a centenas de metros.

Onde vive a arara-canindé no Brasil e nas Américas

A distribuição vai do Panamá e Colômbia até o Brasil central, Amazônia, Pantanal e norte do Paraguai. No Brasil é mais comum no Cerrado, Amazônia e Pantanal, especialmente onde há buritizais e matas de galeria.

Prefere veredas de buriti (Mauritia flexuosa), cerradões, matas de várzea e bordas de floresta, sempre perto de água. Evita interior de mata fechada muito densa e áreas totalmente desmatadas, mas se adapta a paisagens em mosaico com palmeiras isoladas.

É sedentária e não migratória, mas faz deslocamentos diários de até 30 km entre dormitório, área de alimentação e barreiros de argila. Em regiões como o Pantanal e o Jalapão, é fácil vê-la em pares pousados no topo de buritis mortos.

O que a arara-canindé come na natureza

A base da dieta são coquinhos e sementes de palmeiras, sobretudo buriti, inajá, bacaba, tucumã e bocaiuva. O bico exerce mais de 150 kgf de pressão e quebra coquinhos que poucos animais conseguem abrir.

Complementa com castanha-do-pará, pequi, jatobá, manga e frutos do Cerrado, além de flores e brotos na entressafra. Como outras araras, visita regularmente barreiros de argila para ingerir minerais que neutralizam toxinas das sementes e ajudam na digestão.

Em áreas urbanas, pode aparecer em coqueiros e mangueiras, mas depender de alimento humano enfraquece a dieta e a expõe a atropelamentos e choques elétricos. Na natureza, um casal passa até 6 horas por dia forrageando e carrega sementes no bico para comer no poleiro.

Comportamento, inteligência e por que grita tanto

Vive em pares monogâmicos que duram a vida toda e, fora da época reprodutiva, forma bandos de 6 a 20 aves para dormir e se alimentar. O casal voa sempre próximo, faz voos sincronizados e troca carícias com o bico no poleiro.

É uma das aves mais inteligentes do país: resolve problemas, usa o pé como mão, aprende sequências e imita sons com boa clareza, embora não fale tanto quanto o papagaio-verdadeiro. Precisa de estímulo constante; sem isso, desenvolve estresse e arranca penas.

O grito é alto, rouco e pode ser ouvido a 2 km. Serve para manter o casal unido em voo, alertar o bando e marcar território. No amanhecer e no fim da tarde a vocalização aumenta, o que torna a espécie inadequada para apartamento.

Reprodução, ninhos em ocos e cuidado com os filhotes

A reprodução no Brasil central ocorre de agosto a janeiro, com pico entre setembro e novembro. O ninho é sempre em oco de árvore alta, muitas vezes buriti-morto, jatobá ou manduvi, a 5 a 15 metros do solo. Não carrega material: põe direto sobre o pó de madeira do oco.

A fêmea põe 2 a 3 ovos brancos e incuba por 26 a 28 dias, enquanto o macho a alimenta e defende o território. Os filhotes nascem cegos e com penugem branca, ganham penas azuis e amarelas com 30 dias e só saem do oco com 85 a 90 dias.

Os pais continuam alimentando os jovens por mais 2 a 3 meses após o primeiro voo. A fidelidade ao oco é alta: o mesmo casal pode usar o mesmo buraco por anos seguidos, por isso a derrubada de árvores velhas é tão prejudicial. A maturidade sexual chega aos 3 a 4 anos.

A arara-canindé pode ser criada em casa? Legalidade e exigências

No Brasil, capturar, comprar ou manter arara da natureza é crime ambiental. A criação só é legal com ave nascida em criadouro comercial autorizado pelo IBAMA, com anilha fechada, nota fiscal e registro no sistema oficial.

Mesmo legalizada, não é ave para iniciantes. Precisa de viveiro de no mínimo 4 m x 2 m x 2 m, com poleiros de madeira natural, troncos para roer, banho de sol diário e 3 a 4 horas de interação social. Ração extrusada para psitacídeos grandes deve ser a base, complementada com castanhas, frutas e coquinhos.

Na nossa avaliação, a arara-canindé só faz sentido para quem tem espaço, tempo, vizinhos tolerantes ao barulho e acesso a veterinário de aves. Vive 60 anos ou mais, suja muito, destrói objetos com o bico e exige enriquecimento diário para não desenvolver distúrbios comportamentais.

Estado de conservação e principais ameaças

A IUCN classifica a arara-canindé como Pouco Preocupante (LC), por ainda ter população grande e distribuição ampla. A tendência, porém, é de declínio local onde há desmatamento e captura para tráfico.

As maiores ameaças são perda de ocos por corte de árvores velhas, queimadas no Cerrado e Pantanal, e o tráfico de filhotes. Cada ninho saqueado retira 2 a 3 aves que demorariam anos para serem repostas, já que a espécie tem baixa taxa reprodutiva.

Projetos de caixas-ninho e proteção de manduvis no Pantanal mostraram aumento de ocupação em poucos anos, provando que a oferta de cavidades é o gargalo. Manter buritis mortos em pé e fiscalizar o comércio ilegal são medidas mais eficazes que a criação solta sem critério.

Diferença entre arara-canindé, arara-vermelha e arara-azul

Muita gente confunde as três araras grandes do Brasil, mas a identificação é simples quando se olha rosto e cor predominante.

Espécie Cor principal Rosto Tamanho médio
Arara-canindé (Ara ararauna) Azul em cima, amarelo embaixo Branco com linhas pretas finas 85 cm
Arara-vermelha (Ara chloropterus) Vermelha com asas verdes e azuis Branco com linhas vermelhas 90 cm
Arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus) Azul-escuro uniforme Anel amarelo ao redor do olho e bico 100 cm

A canindé é a única com peito amarelo intenso e dorso azul-claro sem vermelho. A arara-vermelha tem peito vermelho e rosto com linhas vermelhas, enquanto a arara-azul é toda azul-escura e bem maior, com bico preto e faixa amarela na face.

Outra pista é a voz: a canindé tem grito mais áspero e curto, a vermelha mais grave e a azul um chamado mais gutural. Em campo, ver o casal voando em sincronia sobre veredas já indica canindé no Cerrado e Pantanal.

Perguntas frequentes

Arara-canindé fala?

Imita palavras e sons com boa clareza, mas fala menos que o papagaio-verdadeiro. Aprende assobios, risadas e frases curtas quando há interação diária.

Qual a diferença entre arara-canindé e arara-azul?

A canindé é azul em cima e amarela embaixo com rosto branco listrado; a arara-azul-grande é toda azul-escura, maior (até 1 m) e tem anel amarelo ao redor do olho.

Quanto tempo vive uma arara-canindé?

De 50 a 60 anos na natureza e até 70 anos em cativeiro com alimentação e veterinário adequados.

É legal ter arara-canindé em casa?

Só se for comprada de criadouro autorizado pelo IBAMA, com anilha fechada e nota fiscal. Comprar ave capturada na natureza é crime ambiental.

O que a arara-canindé come?

Principalmente coquinhos de buriti, inajá, bacaba e castanhas, além de frutas do Cerrado e ração extrusada quando em cativeiro.

Onde encontrar arara-canindé no Brasil?

Mais fácil no Pantanal, Cerrado e Amazônia, em veredas de buriti e matas de galeria. No Pantanal é comum vê-la em pares no topo de árvores secas.

Arara-canindé está ameaçada de extinção?

Não globalmente; é classificada como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, mas sofre declínio local por desmatamento, queimadas e tráfico de filhotes.

Você sabia?

1

Rosto que cora

A pele branca do rosto da arara-canindé fica rosada quando ela está excitada ou irritada, porque o fluxo de sangue aumenta sob a pele fina, revelando o estado emocional à distância.

2

Casal que não se separa

Pares de arara-canindé voam com as asas quase se tocando e passam horas fazendo carinho com o bico um no outro; se um morre, o outro pode ficar anos sem formar novo casal.

3

Engenheira de ocos

Ela não escava o ninho, mas escolhe ocos já existentes e pode ampliar a entrada roendo a madeira podre com o bico, adaptando buracos pequenos para caber toda a família.

4

Barreiro de argila

Bandos descem diariamente a barrancos de argila para comer terra rica em minerais, um comportamento que neutraliza toxinas de sementes e que reúne dezenas de araras ao mesmo tempo.

Fontes

  1. IUCN Red List - Ara ararauna
  2. WikiAves - Arara-canindé
  3. CBRO - Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos
  4. BirdLife International

Prós e contras: Arara-canindé

Prós

  • Inteligência altíssima e forte vínculo com o tutor
  • Beleza inconfundível e voo elegante
  • Longevidade que permite companhia por décadas
  • Indicadora de ambiente saudável com palmeiras e ocos preservados

Contras

  • Grito muito alto que incomoda vizinhos e inviabiliza apartamento
  • Exige viveiro grande e enriquecimento diário
  • Vive 60+ anos e demanda compromisso de longo prazo
  • Bico extremamente forte que destrói objetos e exige manejo experiente
  • Criação legal é burocrática e de custo elevado
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a arara-canindé é a porta de entrada mais carismática para entender a crise dos ocos no Cerrado: sem árvores velhas em pé, não há ninho e não há arara. É uma espécie que impressiona pela inteligência e fidelidade do casal, mas que cobra espaço, silêncio dos vizinhos e 60 anos de compromisso.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.