Resumo
- A Taquaruçu é a Albizia niopoides, árvore nativa semidecídua de 15 a 20 m, de copa ampla e crescimento rápido muito usada para sombra e recuperação ambiental.
- Reconhece-se pela casca acinzentada que descasca em placas, folhas bipinadas miúdas e flores em pompons branco-creme que atraem abelhas e pássaros.
- Prefere sol pleno e solos bem drenados, tolera seca moderada depois de estabelecida e não é indicada para calçadas estreitas ou quintais muito pequenos.
Características
Ficha da árvore
| Nome popular | Taquaruçu |
|---|---|
| Nome científico | Albizia niopoides (Spruce ex Benth.) Burkart |
| Família botânica | Fabaceae (Mimosoideae) |
| Origem | América do Sul – nativa do Brasil |
| Tamanho | 15 a 20 m de altura (até 25 m em mata alta), DAP 40 a 70 cm |
| Copa | Ampla, aberta e arredondada, 8 a 12 m de diâmetro |
| Folhagem | Semidecídua a decídua na seca |
| Crescimento | Rápido (1 a 1,5 m/ano nos primeiros anos) |
| Luminosidade | Sol pleno |
| Rega | Moderada; tolera estiagem após estabelecida |
| Solo | Bem drenado, fértil a médio; tolera solos arenosos e pedregosos |
| Usos | Sombra, recuperação ambiental, melífera, madeira leve para caixotaria |
| Longevidade | 60 a 80 anos |
Perfil e comportamento
| Velocidade de crescimento | Muito alto |
|---|---|
| Sombra | Alto |
| Resistência à seca | Médio |
| Agressividade das raízes | Médio |
| Facilidade de cultivo | Alto |
| Atrai fauna | Muito alto |
O que é a Taquaruçu e como reconhecê-la sem confundir
A Taquaruçu é Albizia niopoides, árvore nativa da família Fabaceae conhecida também como angico-branco, farinha-seca e gurucaia-branca. Não é bambu, apesar do nome lembrar taquara.
O reconhecimento começa pela casca. Ela é cinza-clara a acastanhada, lisa quando jovem e depois se solta em placas finas e irregulares, deixando manchas mais claras. Esse descascamento é a marca mais fácil em campo.
As folhas são bipinadas, compostas por muitos folíolos pequenos (6 a 12 pares de pinas), de textura fina e cor verde-clara. De longe, a copa parece rendada e leve, bem diferente do angico-vermelho, que tem folíolos maiores e mais escuros.
Tamanho, copa e raízes: onde cabe e onde não cabe
Em mata ciliar e floresta estacional, a Taquaruçu atinge 15 a 20 m de altura, podendo chegar a 25 m em condições ótimas. Em áreas mais secas e solos rasos, fica entre 8 e 12 m.
A copa é ampla, aberta e arredondada, com 8 a 12 m de diâmetro em árvores isoladas. É excelente para sombra rala e fresca, que filtra o sol sem escurecer totalmente.
As raízes são superficiais e bem distribuídas, com agressividade moderada. Não costuma levantar calçadas como figueiras ou sibipirunas, mas não é indicada para calçadas estreitas, sobre muros ou perto de tubulações. Deixe pelo menos 5 a 6 m de recuo de construções.
Folhas, flores e frutos: o ciclo ao longo do ano
A Taquaruçu é semidecídua. Perde boa parte das folhas no auge da estação seca e brota novamente com as primeiras chuvas, com folhas novas avermelhadas.
A floração ocorre de outubro a dezembro, com inflorescências em forma de pompons branco-creme de 1 a 1,5 cm, formadas por muitos estames. São discretas de perto, mas chamam atenção pelo perfume suave e pelo zumbido de abelhas.
Os frutos são vagens achatadas, marrom-claras, de 8 a 12 cm, que amadurecem entre junho e agosto. Cada vagem tem 6 a 10 sementes achatadas com pleurograma (linha em forma de U) bem visível. Quando secas, se abrem e liberam sementes levadas pelo vento a curtas distâncias.
Como diferenciar na prática
- Taquaruçu (Albizia niopoides): casca clara descascante, folíolos miúdos, flores creme em pompom, vagem fina e clara.
- Gurucaia / angico-vermelho (Parapiptadenia rigida): casca mais escura e áspera, folíolos maiores, flores amarelo-esverdeadas, madeira mais densa e avermelhada.
- Angico-preto (Anadenanthera colubrina): tronco com acúleos quando jovem e vagem muito mais grossa e escura.
Onde a Taquaruçu ocorre naturalmente no Brasil
É uma espécie de ampla distribuição. Ocorre da Amazônia ao Pampa, com maior frequência na Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga e matas ciliares do Pantanal.
Prefere florestas estacionais semideciduais, matas de galeria e capoeirões, até cerca de 1.200 m de altitude. É pioneira de clareiras e beira de mata, por isso coloniza rápido áreas degradadas.
No campo, é comum vê-la isolada em pastagens, onde foi mantida pelos pecuaristas pela sombra rala que não mata o capim e pela queda de folhas que aduba o solo.
Como plantar Taquaruçu do jeito certo
Plante no início da estação chuvosa, entre outubro e janeiro na maior parte do Brasil. Mudas de 40 a 60 cm já têm bom pegamento.
Escolha sol pleno e solo bem drenado. Coveie 40 x 40 x 40 cm, misture composto orgânico e, se o solo for muito argiloso, adicione areia grossa para drenar. A espécie tolera solos pobres e até pedregosos, mas não suporta encharcamento prolongado.
A propagação é por sementes. Elas têm dormência leve; a escarificação mecânica leve ou água quente a 80°C por 1 minuto aumenta a germinação de 40% para mais de 70%. Semeie a 1 cm de profundidade e mantenha úmido até 15 dias.
Espaçamento recomendado: 5 x 5 m para reflorestamento e 8 a 10 m entre árvores isoladas para sombra. Irrigue 2 vezes por semana nos primeiros 3 meses se não chover.
Como cuidar: luz, rega, solo e poda
Depois de estabelecida, a Taquaruçu é rústica e de baixa manutenção. Precisa de sol o dia todo; à meia-sombra cresce estiolada e com copa falhada.
Rega é necessária só no primeiro ano. Depois, tolerância moderada à seca, mas perde mais folhas em estiagens longas. Em solos muito férteis e úmidos, cresce ainda mais rápido, porém com madeira menos densa.
Adubação não é exigente. Uma cobertura anual com composto ou esterco curtido na projeção da copa basta. Por ser fixadora de nitrogênio (associação com bactérias do gênero Rhizobium), ela mesma enriquece o solo ao redor.
Poda deve ser apenas de formação e limpeza no período seco, retirando galhos baixos ou secos. Não faça poda drástica; a cicatrização é lenta e a árvore rebrota desordenada.
Usos da madeira, sombra e recuperação ambiental
A madeira é leve a moderadamente densa (0,55 a 0,65 g/cm³), clara, macia e fácil de trabalhar. É usada para caixotaria, forros, compensados, lenha e carvão, mas não para estruturas que exigem alta durabilidade, pois tem baixa resistência a fungos e cupins quando exposta.
O grande valor hoje é ambiental. Por ser pioneira de crescimento rápido e fixadora de nitrogênio, é uma das mais plantadas em restauração de mata ciliar, sistemas agroflorestais e sombreamento de pastagens. Em 2 a 3 anos já forma cobertura e atrai fauna.
Na apicultura, é melífera de destaque. A floração curta, mas abundante, fornece pólen e néctar na primavera, quando poucas nativas estão floridas. Na fazenda, sua sombra rala é preferida porque permite o crescimento do pasto sob a copa, diferente de espécies de sombra densa.
Pragas, problemas comuns e o que evitar
É uma árvore sadia, mas pode ter lagartas desfolhadoras e serradores em plantios jovens, além de cochonilhas em mudas sombreadas. O controle costuma ser manual ou com poda dos ramos afetados.
Em solos encharcados, pode ocorrer podridão de raízes e gomose. Evite plantar em baixadas que alagam ou com irrigação excessiva.
Dois erros comuns: plantar muito perto de casas e fiação achando que é árvore pequena, e confundir a muda com angico-vermelho e esperar madeira dura avermelhada. Confira sempre a casca e o tamanho dos folíolos antes de comprar.
Taquaruçu é nativa e protegida? O que diz a lei
Sim, é nativa do Brasil e não é exótica invasora. Não está na lista oficial de espécies ameaçadas, mas como nativa, seu corte em vegetação nativa depende de autorização ambiental estadual.
Em área urbana ou plantada, o manejo é mais simples, mas sempre consulte a prefeitura para supressão. Para reflorestamento, é espécie recomendada pela Embrapa Florestas para recomposição de Reserva Legal e APP por seu rápido recobrimento.
Na nossa avaliação, a Taquaruçu só faz sentido se você tem espaço. Ela entrega sombra rápida e ajuda o solo, mas não é árvore para calçada ou quintal de 5 metros.
Perguntas frequentes
Taquaruçu é a mesma coisa que angico?
Não. Taquaruçu é Albizia niopoides (angico-branco), diferente do angico-vermelho (Parapiptadenia rigida) e do angico-preto (Anadenanthera colubrina). A casca clara descascante e os folíolos miúdos são as diferenças mais visíveis.
Qual o tamanho que a Taquaruçu atinge?
Em média 15 a 20 m de altura e copa de 8 a 12 m de diâmetro. Em solos férteis e úmidos pode chegar a 25 m, enquanto em áreas secas fica menor.
Taquaruçu pode ser plantada na calçada?
Não é recomendada para calçadas estreitas ou sob fiação. Prefira parques, praças amplas, sítios e fazendas, com recuo mínimo de 5 a 6 m de construções.
A Taquaruçu perde folhas no inverno?
Sim, é semidecídua. Perde boa parte das folhas na estação seca (junho a setembro) e rebrota com as chuvas.
Quanto tempo demora para dar sombra?
Com crescimento de 1 a 1,5 m por ano nos primeiros anos, já forma sombra rala útil em 2 a 3 anos se plantada a sol pleno e com água no primeiro ano.
A madeira da Taquaruçu é boa?
É leve e macia, boa para caixotaria, forros e lenha, mas pouco durável ao tempo e a cupins. Não é madeira nobre para móveis externos sem tratamento.
Como fazer muda de Taquaruçu?
Por sementes. Faça escarificação leve ou imersão rápida em água quente a 80°C, semeie a 1 cm de profundidade e mantenha úmido. A germinação ocorre em 8 a 15 dias.
Você sabia?
Casca que descasca como papel
O tronco solta placas finas e papiráceas que deixam manchas claras. Essa característica, chamada de ritidoma esfoliante, ajuda a identificar a Taquaruçu mesmo sem folhas.
Fixadora de nitrogênio discreta
Apesar de não ter nódulos vistosos como o feijão, ela se associa a bactérias do solo e pode incorporar mais de 30 kg de nitrogênio por hectare ao ano, melhorando o pasto ao redor.
Sementes com marca em U
Cada semente tem um pleurograma, uma linha em forma de U bem nítida na superfície. É a impressão da lente da semente e facilita a identificação em laboratório.
Nome que confunde com bambu
Taquaruçu vem do tupi taquara-açu (taquara grande), mas a árvore não tem parentesco com bambus. O nome veio da semelhança da casca clara com a coloração de algumas taquaras.










