🌳 Árvores

Ucuúba

Virola surinamensis

Atualizado em

20 a 35 m de alturaTamanho
PereneFolhagem
Moderado a rápidoCrescimento
Sol plenoLuminosidade
60 a 100 anosLongevidade
Árvore Ucuúba adulta de grande porte na várzea amazônica com tronco reto e copa densa

A Ucuúba é uma árvore nativa da Amazônia e da Mata Atlântica de várzea, do gênero Virola, da família Myristicaceae. Conhecida pela seiva vermelho-vivo que escorre do tronco quando cortado e pelas sementes envoltas em arilo vermelho, é uma das espécies mais importantes das florestas alagáveis.

De grande porte, com tronco reto e copa densa, a Ucuúba tem madeira leve e clara muito usada para compensados e caixotaria, além de sementes com alto teor de gordura usadas em cosméticos, velas e sabões. Na natureza, é fundamental para a fauna, pois seus frutos são avidamente consumidos por tucanos, araras, macacos e morcegos.

Também conhecido como: Ucuúba-da-várzea, Ucuúba-vermelha, Ucuúba-branca, Bicuíba, Virola, Ucuuba, Nutmeg amazônica

Faz parte de: Árvores de Sombra, Árvores Grandes

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Galeria de fotos de Ucuúba

Árvore Ucuúba adulta de grande porte na várzea amazônica com tronco reto e copa densa
Ucuúba adulta na várzea amazônica, onde atinge até 35 metros.
Folhas alongadas e coriáceas da Ucuúba com face inferior mais clara
Folhas perenes, alongadas e coriáceas, típicas da Ucuúba.
Tronco da Ucuúba mostrando casca fina e seiva vermelha característica
Casca fina que exsuda seiva vermelho-vivo quando cortada.
Frutos da Ucuúba abertos expondo semente com arilo vermelho oleoso
Frutos em cápsula com semente envolta em arilo vermelho.
Sementes e manteiga vegetal extraída da Ucuúba
Sementes ricas em gordura usadas para manteiga e cosméticos.
Paisagem de várzea com Ucuúbas na margem do rio e tucano na copa
Na várzea, a Ucuúba alimenta tucanos e outras aves frugívoras.
Ideal para

Ideal para quem busca restaurar áreas de várzea, margens de rios e lagos na Amazônia ou no litoral úmido e quer uma árvore nativa de crescimento rápido que atrai tucanos, araras e morcegos. Também é excelente para projetos agroflorestais, produção de óleo cosmético e para quem tem sítio ou fazenda com solo úmido e espaço amplo. É uma escolha com propósito ecológico e econômico de longo prazo, mantendo a árvore em pé para colheita de sementes por décadas.

Pode não ser ideal para

Não é ideal para calçadas, quintais pequenos, áreas urbanas secas ou regiões com geada e estiagem prolongada no Sudeste e Sul. Seu porte grande, a necessidade de solo constantemente úmido e as sementes recalcitrantes exigem espaço, água e manejo que o cultivo doméstico urbano não oferece. Também não serve para quem busca madeira de alta densidade para móveis finos ou crescimento extremamente rápido em solo seco, onde espécies como eucalipto ou sibipiruna se sairiam melhor.

Cultivo rápido

Luz
Sol pleno; heliófila desde jovem, tolera meia-sombra apenas no viveiro
Rega
Alta; solo sempre úmido, irrigação diária no viveiro e nos 2 primeiros anos em campo
Solo
Argiloso, fértil, úmido a alagável, rico em matéria orgânica, pH 4,5 a 6,5
Temperatura
22 a 30 °C; não tolera geada nem frio abaixo de 15 °C
Adubação
Matéria orgânica na cova + NPK 10-10-10 no início das chuvas nos 2 primeiros anos
Poda
Apenas limpeza de galhos secos; não requer poda de formação intensa
Propagação
Por sementes recalcitrantes semeadas em até 10 dias após a coleta; sem dormência

Perfil rápido de Ucuúba

Estado de conservação

EN
Em Perigo

Virola surinamensis está ameaçada pela exploração madeireira intensa e perda de habitat de várzea.

População
em declínio
Protegido por
Sim, com restrição de corte em mata nativa e manejo sustentável obrigatório em vários estados amazônicos

Calendário

FloraçãoJFMAMJJASOND
FrutificaçãoJFMAMJJASOND
Coleta de sementesJFMAMJJASOND
Plantio em campoJFMAMJJASOND

Habitat

Ambientes

  • Floresta de várzea
  • Igapó
  • Mata ciliar alagável
  • Floresta de terra firme úmida

Biomas

  • Amazônia
  • Mata Atlântica

Encontrado em 8 países

  • Brasil
  • Guiana
  • Suriname
  • Venezuela
  • Panamá
  • Costa Rica
  • Colômbia
  • Peru

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Magnoliophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Magnoliales
Família
Myristicaceae
Gênero
Virola
Espécie
Virola surinamensis

Resumo

  • A Ucuúba é uma árvore grande da Amazônia, de 20 a 35 metros, típica de várzeas e igapós alagáveis e facilmente reconhecida pela seiva vermelha do tronco.
  • Tem folhas coriáceas e alongadas, frutos em cápsulas que se abrem expondo sementes com arilo vermelho e oleoso, muito atrativo para aves grandes.
  • Sua madeira leve e suas sementes gordurosas têm alto valor econômico, mas a exploração intensa a colocou como espécie ameaçada em várias regiões.

Características

Ficha da árvore

Nome popularUcuúba, Ucuúba-da-várzea, Ucuúba-vermelha
Nome científicoVirola surinamensis (Rol. ex Rottb.) Warb.
Família botânicaMyristicaceae
OrigemAmazônia e América tropical (Brasil, Guianas, Venezuela, América Central)
Tamanho20 a 35 m de altura; DAP de 60 a 90 cm
CopaArredondada a piramidal, densa, 8 a 15 m de diâmetro
FolhagemPerene
CrescimentoModerado a rápido em solo úmido
LuminosidadeSol pleno; heliófila
RegaAlta; exige umidade constante, não tolera seca prolongada
SoloArgiloso, fértil, úmido a alagável; várzea e igapó
UsosMadeira leve, restauração de várzea, óleo cosmético, atrai fauna
Longevidade60 a 100 anos

Perfil e comportamento

Velocidade de crescimentoAlto
SombraAlto
Resistência à secaBaixo
Agressividade das raízesBaixo
Facilidade de cultivoMédio
Atrai faunaMuito alto

O que é a Ucuúba e por que ela se destaca

A Ucuúba não é uma espécie única, mas um nome popular para várias árvores do gênero Virola, sendo Virola surinamensis a mais conhecida e de maior importância econômica. O termo vem do tupi e já indica sua marca registrada: árvore que solta seiva vermelha.

Diferente de muitas árvores amazônicas de terra firme, a Ucuúba é uma especialista em áreas alagáveis. Ela domina várzeas, igapós e margens de rios onde o solo fica encharcado por meses. Essa adaptação a torna insubstituível para restauração de matas ciliares amazônicas.

Na nossa avaliação, a Ucuúba é subestimada fora da Amazônia. Enquanto todo mundo fala em andiroba e castanheira, é a Ucuúba que sustenta a cadeia de aves frugívoras grandes na várzea e que já foi a base da indústria de compensados no Pará e no Amapá.

Como reconhecer a Ucuúba: tronco, folhas e frutos

O jeito mais rápido de identificar é pelo tronco. Reto e cilíndrico, com casca fina cinza-acastanhada que, quando riscada, exsuda resina vermelho-vivo que oxida rapidamente. Por isso é chamada de “árvore de sangue”.

As folhas são simples, alternas, coriáceas e alongadas, com 10 a 25 cm de comprimento, verde-escuras na face superior e mais claras e levemente acinzentadas na inferior, com nervura central bem marcada. Quando jovens, têm pelos ferrugíneos que caem com a idade.

Os frutos são cápsulas subglobosas de 1,5 a 2 cm, que se abrem em duas valvas quando maduras. Dentro, há uma única semente envolta por arilo vermelho, rendado e muito oleoso. Esse contraste entre a casca verde-amarelada e o arilo vermelho é inconfundível na mata.

Ucuúba x Bicuíba: não confunda

A Bicuíba (Virola bicuhyba) ocorre na Mata Atlântica e tem folhas maiores e frutos mais alongados. A Ucuúba-da-várzea (Virola surinamensis) é amazônica, mais ligada à água e com sementes mais ricas em gordura. Ambas são Myristicaceae, mas com distribuição e usos diferentes.

Onde a Ucuúba vive no Brasil e na América

No Brasil, a Ucuúba ocorre principalmente na Amazônia Legal — Pará, Amazonas, Amapá, Acre, Rondônia, Maranhão e Roraima — e em manchas de Mata Atlântica do Nordeste até o Espírito Santo. Fora do país, vai das Guianas e Venezuela até o Panamá e Costa Rica.

Seu habitat preferencial é a floresta de várzea baixa e igapó, em terrenos que alagam sazonalmente com água branca ou preta. Também aparece em terra firme úmida, mas com menor densidade. É heliófila e pioneira em clareiras úmidas, formando agrupamentos quase homogêneos chamados ucuubais.

Ela precisa de clima quente e úmido, com temperatura média de 24 a 28 °C e precipitação acima de 1.800 mm anuais. Não tolera geada nem seca prolongada, e por isso não se adapta bem ao Centro-Sul fora de várzeas irrigadas.

Tamanho, copa e raízes: o que esperar

Em mata nativa, a Ucuúba atinge 20 a 35 metros de altura, com alguns indivíduos chegando a 40 metros em várzea preservada. O DAP (diâmetro à altura do peito) varia de 60 a 90 cm, com fuste reto de 15 a 20 metros livre de galhos.

A copa é arredondada a piramidal, densa e perene, com 8 a 15 metros de diâmetro. Oferece sombra média a densa o ano todo, já que não perde as folhas. É excelente para sombreamento em sistemas agroflorestais de várzea.

As raízes são superficiais e tabulares discretas, adaptadas a solo encharcado e com pouca aeração. A agressividade é baixa comparada a figueiras ou sibipirunas, mas o sistema radicular precisa de espaço e umidade. Não é indicada para calçadas estreitas ou sobre tubulações.

Como plantar Ucuúba: semente recalcitrante exige rapidez

A propagação é quase exclusivamente por sementes. E aqui está o ponto crítico: as sementes são recalcitrantes, ou seja, perdem a viabilidade em poucas semanas se secarem. Precisam ser semeadas logo após a coleta.

Colha frutos maduros quando a cápsula se abrir e o arilo vermelho aparecer. Remova o arilo manualmente, lave e semeie em até 7 a 10 dias. A semeadura é feita em sacos de 15 x 25 cm com substrato argiloso + areia + matéria orgânica, a 1 a 2 cm de profundidade, em meia-sombra.

A germinação ocorre em 20 a 45 dias, com taxa de 60 a 80% se a semente for fresca. Mantenha irrigação diária e 50% de sombreamento nos primeiros 3 meses. As mudas atingem 30 a 50 cm em 6 a 8 meses e já podem ir para o campo no início da estação chuvosa, de novembro a março na Amazônia.

No plantio definitivo, use espaçamento de 5 x 5 m ou 6 x 6 m para restauração, ou 10 x 10 m se o objetivo for produção de madeira. Coveie 40 x 40 x 40 cm, adube com composto orgânico e mantenha coroamento nos dois primeiros anos.

Como cuidar e onde usar a Ucuúba

Em cultivo, a Ucuúba exige sol pleno e água abundante. Nos dois primeiros anos, irrigue regularmente se não houver alagamento natural. Depois de estabelecida, tolera cheia sazonal de até 4 meses, mas sofre com déficit hídrico.

O solo ideal é argiloso, fértil, levemente ácido e úmido. Não precisa de poda de formação intensa; apenas remova galhos secos ou mal posicionados. A adubação de cobertura com NPK e matéria orgânica no início das chuvas acelera o crescimento.

Seus melhores usos são restauração de áreas de várzea degradadas, sistemas agroflorestais, arborização de parques amplos e margens de lagos e represas na região Norte e litoral úmido. A copa densa e o crescimento relativamente rápido a tornam ótima para sombra e atração de fauna, mas o porte grande inviabiliza quintais pequenos.

Madeira e óleo: os dois produtos da Ucuúba

A madeira é leve, macia e clara, com densidade de 0,35 a 0,50 g/cm³, fácil de laminar e desenrolar. Foi a principal matéria-prima para compensados, laminados, caixotaria, palitos e formas de concreto nas décadas de 1970 a 1990. Hoje seu corte em mata nativa é restrito e exige manejo sustentável.

Já as sementes contêm 55 a 65% de gordura sólida, a chamada manteiga ou sebo de Ucuúba. Rica em ácido mirístico e láurico, é usada na indústria de cosméticos, sabonetes, velas e pomadas. Comunidades ribeirinhas extraem o óleo por prensagem a frio e vendem para a indústria de cosméticos naturais.

Na medicina popular, a resina vermelha e a casca são usadas como cicatrizante e anti-inflamatório, mas o uso deve ser com cautela, pois a seiva pode ser irritante. O valor real hoje está no manejo não madeireiro do óleo, que mantém a árvore em pé e gera renda contínua.

Pragas, problemas e conservação

A Ucuúba é relativamente rústica, mas pode sofrer com lagartas desfolhadoras, brocas de sementes e fungos em viveiro se houver excesso de sombra e pouca ventilação. Em campo, o maior problema é a competição com gramíneas invasoras em áreas degradadas.

O principal risco, porém, é humano. A espécie foi intensamente explorada para laminados e entrou na lista de espécies ameaçadas em vários estados. Virola surinamensis é classificada como Em Perigo (EN) pela IUCN, com população em declínio.

Por ser nativa, seu plantio é incentivado por programas de reposição florestal e seu corte exige autorização. Ao comprar madeira ou óleo, prefira origem de manejo florestal certificado ou de cooperativas extrativistas.

Característica Virola surinamensis (Ucuúba-da-várzea) Virola sebifera (Ucuúba-vermelha)
Altura 20 a 35 m 10 a 25 m
Habitat Várzea e igapó alagável Terra firme e cerrado úmido
Folha Mais estreita, face inferior acinzentada Mais larga, ferrugínea na face inferior
Semente/óleo Mais oleosa, 60% gordura Menos oleosa, uso mais medicinal

Perguntas frequentes

Ucuúba e Virola são a mesma coisa?

Sim. Ucuúba é o nome popular para árvores do gênero Virola, da família Myristicaceae. A espécie mais comercial é a Virola surinamensis, chamada Ucuúba-da-várzea.

A Ucuúba pode ser plantada em quintal pequeno ou calçada?

Não é recomendada. Ela atinge 20 a 35 metros, precisa de solo úmido a alagável e copa ampla, sendo indicada para sítios, fazendas, parques amplos e restauração de várzea.

Quanto tempo a Ucuúba leva para dar frutos?

Em plantio, começa a frutificar entre 8 e 12 anos. Em mata nativa, a produção é anual e mais abundante em árvores com mais de 15 anos.

A seiva vermelha da Ucuúba é tóxica?

A resina pode ser irritante para pele e olhos e não deve ser ingerida. O uso medicinal tradicional existe, mas exige orientação e não substitui tratamento.

Como germinar semente de Ucuúba?

Use sementes frescas, retire o arilo vermelho e semeie em até 10 dias em substrato úmido e meia-sombra. A germinação ocorre em 20 a 45 dias.

A Ucuúba está ameaçada de extinção?

Sim. Virola surinamensis é classificada como Em Perigo (EN) pela IUCN devido à exploração madeireira e à perda de habitat de várzea, com corte restrito por lei.

Para que serve o óleo de Ucuúba?

Extraído das sementes com 55 a 65% de gordura, é usado em cosméticos, sabonetes, velas e pomadas por ser rico em ácido mirístico e ter ação emoliente.

Você sabia?

1

Sangue vegetal

A seiva vermelho-vivo da casca já foi usada por ribeirinhos como tinta natural, verniz e até como bálsamo para feridas, mas pode irritar a pele e os olhos se manuseada sem cuidado.

2

Vela que não precisa de pavio

A gordura da semente é tão consistente que comunidades amazônicas faziam velas artesanais que queimam apenas com a própria manteiga de Ucuúba, sem necessidade de cera adicional.

3

Dispersão por tucanos

Tucanos e araçaris engolem o fruto inteiro, digerem o arilo oleoso e regurgitam a semente intacta longe da árvore-mãe, sendo os principais dispersores da espécie na várzea.

4

Madeira que boia

Por ser extremamente leve e porosa, a madeira de Ucuúba boia facilmente e já foi usada para fazer jangadas, boias e miolo de portas, além de compensados para exportação.

Fontes

  1. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  2. Embrapa Florestas
  3. IUCN Red List - Virola surinamensis

Prós e contras: Ucuúba

Prós

  • Excelente para restauração de várzea e mata ciliar alagável
  • Atrai fauna nativa: tucanos, araras, macacos e morcegos
  • Produz óleo vegetal valioso sem precisar cortar a árvore
  • Crescimento moderado a rápido em solo úmido e fértil
  • Copa perene e densa, ótima para sombra em áreas amplas

Contras

  • Porte grande, inviável para áreas urbanas pequenas e calçadas
  • Exige solo constantemente úmido e não tolera seca nem geada
  • Sementes recalcitrantes perdem viabilidade em poucas semanas
  • Madeira leve e pouco durável para uso externo sem tratamento
  • Espécie ameaçada com restrição legal para corte
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a Ucuúba é a árvore mais estratégica para quem quer restaurar várzea amazônica com retorno econômico: cresce rápido em solo alagado, alimenta a fauna e produz óleo valioso sem derrubar a árvore. O erro é tratá-la como madeira barata para compensado, quando seu maior valor hoje é em pé, como fonte contínua de sementes.

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Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.