🌳 Árvores

Guaritá

Astronium graveolens

Atualizado em

15 a 25 m de alturaTamanho
SemidecíduaFolhagem
Moderado a lentoCrescimento
Sol plenoLuminosidade
80 a 120 anosLongevidade
Árvore guaritá adulta isolada mostrando tronco reto e copa ampla

O guaritá (Astronium graveolens) é uma árvore nativa da América tropical, muito presente na Mata Atlântica estacional e no Cerrado. Conhecida também como gonçalo-alves, se destaca pela casca que descama em placas e deixa o tronco manchado de tons claros, rosados e acinzentados, além da copa ampla e densa.

De crescimento moderado a lento, atinge 15 a 25 m em áreas abertas e pode passar de 30 m na mata, com madeira extremamente dura, pesada e resistente. É semidecídua, perde folhas na seca e floresce entre julho e setembro, com frutos secos em forma de hélice que giram ao cair e são dispersos pelo vento.

Também conhecido como: Gonçalo-alves, Aroeirão, Guarabu, Muiracatiara, Chibatão, Guaritá-do-cerrado

Faz parte de: Árvores de Sombra, Árvores Grandes, Árvores Ornamentais

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Galeria de fotos de Guaritá

Árvore guaritá adulta isolada mostrando tronco reto e copa ampla
Guaritá adulto com porte alto e copa arredondada.
Folhas e flores do guaritá em close
Folhas compostas brilhantes e panícula de flores do guaritá.
Tronco e casca manchada do guaritá
Casca marmorizada que descama em placas finas.
Copa do guaritá vista de baixo
Copa densa que proporciona sombra média a intensa.
Frutos secos do guaritá com sépalas em forma de hélice
Frutos em hélice dispersos pelo vento.
Guaritá em paisagem rural ampla
Guaritá em área rural, onde atinge seu porte ideal.
Ideal para

Ideal para quem dispõe de espaço amplo, como sítios, fazendas, chácaras e praças, e procura uma árvore nativa de sombra generosa, casca ornamental e vida longa com pouca exigência após os primeiros anos. Também é excelente para projetos de restauração da Mata Atlântica e do Cerrado e para quem cria abelhas nativas, já que floresce na seca e oferece pólen quando poucas espécies estão floridas.

Pode não ser ideal para

Pode não ser ideal para calçadas estreitas, quintais pequenos ou plantio sob fiação elétrica, pois atinge mais de 15 m e forma copa larga que exige espaço e pode conflitar com estruturas urbanas. Também não é a melhor escolha para quem busca sombra imediata ou tem pouco tempo para cuidar de mudas nos dois primeiros anos, já que o crescimento é moderado a lento e a fase jovem precisa de irrigação e proteção contra formigas.

Cultivo rápido

Luz
Sol pleno; tolera meia-sombra apenas na fase muito jovem
Rega
2x por semana na seca nos 2 primeiros anos; depois apenas em estiagens prolongadas
Solo
Profundo, bem drenado, fértil, pH 5,5 a 6,8; não tolera encharcamento
Temperatura
Tropical e subtropical; sensível a geadas fortes quando jovem
Adubação
Cobertura anual com composto orgânico no início das chuvas; dispensável após adulta
Poda
Apenas formação para fuste único; adulta só remove galhos secos na seca
Propagação
Por sementes frescas, sem dormência; semear logo após a coleta, germinação em 15 a 30 dias

Perfil rápido de Guaritá

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Espécie amplamente distribuída, mas localmente rara devido à exploração madeireira.

População
decrescente
Protegido por
Corte restrito em mata nativa por legislação florestal brasileira

Calendário

FloraçãoJFMAMJJASOND
FrutificaçãoJFMAMJJASOND
Queda de folhasJFMAMJJASOND
Plantio de mudasJFMAMJJASOND

Habitat

Biomas

  • Mata Atlântica
  • Cerrado
  • Caatinga

Encontrado em 9 países

  • Brasil
  • México
  • Panamá
  • Costa Rica
  • Colômbia
  • Venezuela
  • Bolívia
  • Paraguai
  • Argentina

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Tracheophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Sapindales
Família
Anacardiaceae
Gênero
Astronium
Espécie
Astronium graveolens Jacq.

Resumo

  • Guaritá (Astronium graveolens) é árvore nativa semidecídua de 15 a 25 m, da família Anacardiaceae, com tronco marmorizado e copa ampla e densa.
  • Floresce na seca (julho a setembro) e frutifica até novembro com frutos em hélice dispersos pelo vento, atraindo abelhas nativas e pássaros.
  • Tem madeira nobre muito densa e durável, foi intensamente explorada e hoje é mais indicada para parques, fazendas e restauração florestal do que para calçadas pequenas.

Características

Ficha da árvore

Nome popularGuaritá
Nome científicoAstronium graveolens Jacq.
Família botânicaAnacardiaceae
OrigemAmérica tropical – do México ao Brasil
Tamanho15 a 25 m (até 35 m na mata)
CopaAmpla, arredondada, 8 a 12 m de diâmetro
FolhagemSemidecídua (queda na seca)
CrescimentoModerado a lento (0,6 a 1 m/ano na fase jovem)
LuminosidadeSol pleno
RegaModerada nos 2 primeiros anos; baixa após estabelecida
SoloProfundo, bem drenado, fértil, pH 5,5 a 6,8
UsosPaisagismo, sombra, reflorestamento, madeira nobre, apicultura
LongevidadeAlta, 80 a 120 anos

Perfil e comportamento

Velocidade de crescimentoBaixo
SombraAlto
Resistência à secaAlto
Agressividade das raízesBaixo
Facilidade de cultivoMédio
Atrai faunaAlto

Como reconhecer o guaritá sem confundir com aroeira

O guaritá (Astronium graveolens) é uma árvore de tronco reto e casca manchada, que descama em placas finas deixando manchas claras, acinzentadas e rosadas. Esse padrão marmorizado é a marca mais fácil para identificá-lo, mesmo sem folhas.

As folhas são compostas pinadas, com 5 a 8 pares de folíolos brilhantes, elípticos e de margem levemente ondulada, medindo 20 a 35 cm no total. Quando amassadas, exalam cheiro resinoso, típico da família Anacardiaceae, a mesma da manga e do caju.

Diferente da aroeira-vermelha (Schinus terebinthifolia), o guaritá tem porte arbóreo alto, folíolos maiores e não forma arbusto. E diferente do gonçalo-alves-do-cerrado (Astronium fraxinifolium), tem folíolos glabros e frutos com cálix mais longo em forma de hélice.

  • Tronco: casca fina que solta em placas, aspecto malhado bem visível.
  • Folha: composta, folíolos brilhantes e cheiro de terebintina ao amassar.
  • Fruto: seco, com 5 sépalas papiráceas em estrela que viram hélice.
  • Cheiro: madeira recém-cortada com odor forte de manga verde.

Onde o guaritá vive no Brasil e por que ficou raro

É uma espécie de ampla distribuição americana, do México e América Central até o Paraguai e norte da Argentina. No Brasil ocorre em quase todo o território, com maior frequência na Mata Atlântica estacional, Cerradão e transições com Caatinga.

Prefere matas semidecíduas e matas de galeria, em solos profundos e bem drenados, entre 100 e 1.200 m de altitude. Aparece como emergente ou no dossel, raramente em áreas alagadas ou de solo raso.

Ficou raro perto de centros urbanos porque sua madeira nobre foi intensamente explorada no século XX para móveis, tacos, vigas e construção naval. Hoje ainda é encontrada em reservas e fragmentos, mas com densidade baixa, de 1 a 3 indivíduos por hectare nas áreas mais preservadas.

É considerada pioneira tardia a clímax: precisa de luz na fase jovem, mas tolera sombreamento parcial depois e vive décadas no dossel competindo por luz.

Tamanho, copa e raízes: o que esperar na prática

Em área aberta o guaritá atinge 15 a 25 m de altura e 40 a 80 cm de DAP (diâmetro do tronco). Na mata fechada pode passar de 30 m, com fuste reto de até 15 m livre de galhos.

A copa é ampla, arredondada e densa, com 8 a 12 m de diâmetro em árvores adultas isoladas. Oferece sombra média a densa, excelente para parques e fazendas, mas grande demais para calçadas estreitas.

As raízes são pivotantes e profundas, pouco agressivas em comparação a ficus ou flamboyant. Não costuma levantar calçada quando plantada com berço profundo e a mais de 4 m de muros e construções.

O crescimento é moderado a lento: cerca de 0,6 a 1 m por ano nos primeiros 5 anos com irrigação e solo fértil, depois desacelera. A forma definitiva aparece após 8 a 12 anos.

Folhas, flores e frutos: o ciclo ao longo do ano

O guaritá é semidecíduo: perde grande parte das folhas no auge da seca, de junho a agosto, e brota rapidamente antes das chuvas, com folhas novas avermelhadas muito ornamentais.

A floração ocorre de julho a setembro, em panículas terminais de flores pequenas, amarelo-esverdeadas e muito perfumadas. Apesar de discretas, atraem abelhas nativas como jataí, arapuá e mamangavas, sendo importante fonte de pólen na entressafra.

Os frutos amadurecem de setembro a novembro e são secos, com uma semente envolvida por cálix acrescido de 5 sépalas papiráceas. Ao se soltar, gira como hélice e pode ser levado pelo vento a mais de 30 m da árvore-mãe.

Essa dispersão anemocórica explica por que a espécie coloniza clareiras e bordas de mata com eficiência, mesmo com baixa densidade de árvores matrizes.

Madeira do guaritá: beleza, peso e por que foi tão cobiçada

A madeira é o maior atrativo e também a causa do declínio. É muito densa (0,85 a 1,00 g/cm³), dura e resistente a fungos e cupins, com cerne castanho-escuro rajado de preto e alburno amarelado bem contrastante.

Quando serrada, exala cheiro forte de terebintina ou manga verde, daí o epíteto graveolens (cheiro forte). É tão pesada que peças secas chegam a afundar na água nos primeiros meses após o corte.

Foi amplamente usada para móveis de luxo, tacos, vigas, embarcações e instrumentos musicais. Hoje seu corte em mata nativa é restrito por leis estaduais e federais, e o uso deve vir de manejo sustentável ou plantios.

Para o paisagismo, essa dureza é vantagem: tronco resistente a ventos e galhos que raramente quebram, mesmo em temporais.

Como plantar guaritá do jeito certo

Plante no início da estação chuvosa (outubro a dezembro), com muda de 60 cm a 1 m. Escolha local com sol pleno e solo profundo, bem drenado, levemente ácido a neutro (pH 5,5 a 6,8).

Abra berço de 60 x 60 x 60 cm, misture 30% de composto orgânico e corrija acidez se necessário. Mantenha espaçamento mínimo de 8 x 8 m de outras árvores grandes e 5 m de muros, casas e fiações.

A propagação é exclusivamente por sementes, que perdem viabilidade rápido. Semeie logo após a coleta, sem necessidade de quebra de dormência, em substrato arenoso mantido úmido. A germinação ocorre em 15 a 30 dias, com taxa de 60 a 80% quando a semente é fresca.

Nos primeiros 2 anos, irrigue 2 vezes por semana na seca e mantenha coroamento de 80 cm sem mato. Tutoramento é recomendado até a muda passar de 1,5 m.

Cuidados, pragas e problemas mais comuns

Depois de estabelecido (após 2 a 3 anos), o guaritá é muito rústico e tolerante à seca. Não exige adubação frequente: uma cobertura anual com composto orgânico no início das chuvas é suficiente.

A poda deve ser apenas de formação nos primeiros anos, para conduzir um fuste único. Árvores adultas dispensam poda, exceto para remover galhos secos ou mal posicionados na seca, quando a copa está mais rala.

Pragas são raras, mas podem ocorrer lagartas desfolhadoras e cochonilhas em mudas estressadas. Formigas cortadeiras atacam folhas jovens e devem ser controladas no entorno do plantio.

Evite solos encharcados ou compactados: o principal problema é podridão de raízes por falta de drenagem. Em áreas urbanas, não plante sob fiação, pois a altura final ultrapassa 15 m e exigirá podas drásticas.

Usos no paisagismo, na apicultura e na restauração

No paisagismo, o guaritá funciona como árvore de sombra e destaque para parques, fazendas, sítios e praças amplas. A casca ornamental e a copa cheia garantem interesse visual o ano todo, mesmo na seca.

É excelente para reflorestamento e restauração de Mata Atlântica e Cerrado, por atrair fauna e tolerar solos de fertilidade média. Seus frutos alimentam pássaros e seus ocos abrigam abelhas nativas.

Na apicultura, a floração na seca é estratégica: fornece pólen e néctar quando poucas árvores florescem, sustentando colmeias de abelhas nativas sem ferrão.

Por ser de crescimento mais lento, não é indicada para quem busca sombra imediata. Para efeito rápido, combine com pioneiras de crescimento rápido e deixe o guaritá como árvore definitiva do projeto.

Uso Recomendação prática
Parques e fazendas Excelente, sombra densa e baixa manutenção
Calçada estreita (<3 m) Evitar, copa e altura incompatíveis
Recuperação ambiental Muito indicada, atrai dispersores
Arborização sob fiação Não indicada

Perguntas frequentes

Guaritá e gonçalo-alves são a mesma árvore?

Sim. Guaritá é um dos nomes populares de Astronium graveolens, também chamado de gonçalo-alves, aroeirão e guarabu. O nome varia por região.

Guaritá serve para calçada?

Não é recomendado para calçadas estreitas ou sob fiação, pois atinge 15 a 25 m e copa de 8 a 12 m. É ideal para parques, praças amplas, sítios e fazendas.

Quanto tempo demora para dar sombra?

Com solo fértil e irrigação na fase jovem, cresce 0,6 a 1 m por ano nos primeiros anos e forma sombra útil após 4 a 6 anos, com copa definitiva após 8 a 12 anos.

Quando o guaritá floresce e frutifica?

Floresce de julho a setembro, na seca, e frutifica de setembro a novembro. Os frutos em forma de hélice são dispersos pelo vento.

A raiz do guaritá quebra calçada?

É de raiz pivotante e pouco agressiva, com baixo risco quando plantada com berço profundo e a mais de 4 m de construções. O problema maior é falta de espaço para a copa.

Como fazer muda de guaritá?

Por sementes frescas, semeadas logo após a coleta em substrato arenoso úmido. Germinam em 15 a 30 dias com 60 a 80% de sucesso se a semente não for armazenada.

Guaritá perde as folhas no inverno?

Sim, é semidecídua. Perde boa parte das folhas entre junho e agosto e brota com folhas avermelhadas antes das chuvas.

Você sabia?

1

Hélice natural

O fruto seco tem 5 sépalas em forma de estrela que funcionam como hélice e fazem a semente girar ao cair, permitindo que o vento a leve a mais de 30 m da árvore-mãe.

2

Cheiro que dá nome

O epíteto graveolens significa 'cheiro forte' em latim, referência ao odor de terebintina e manga verde que a madeira exala ao ser cortada.

3

Casca que troca de roupa

A casca descama em placas finas e deixa manchas claras, rosadas e acinzentadas, criando um tronco marmorizado único que facilita a identificação mesmo sem folhas.

4

Madeira que afunda

Com densidade de até 1,00 g/cm³, a madeira seca do guaritá pode afundar na água e é tão dura que exige ferramentas especiais, motivo pelo qual foi chamada de pau-ferro em algumas regiões.

Fontes

  1. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  2. Embrapa Florestas
  3. IUCN Red List - Astronium graveolens

Prós e contras: Guaritá

Prós

  • Sombra densa e copa ornamental o ano todo
  • Casca marmorizada muito decorativa
  • Extremamente rústica e tolerante à seca após estabelecida
  • Atrai abelhas nativas e pássaros, ótima para restauração
  • Madeira nobre muito durável e resistente a cupins

Contras

  • Crescimento moderado a lento, não dá sombra imediata
  • Porte grande incompatível com calçadas pequenas e fiação
  • Sementes perdem viabilidade rápido, exigem semeadura imediata
  • Muda jovem sensível a formigas e geadas fortes
  • Queda de folhas e frutos na seca exige limpeza periódica
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o guaritá é uma das nativas mais elegantes para sombra definitiva, mas exige planejamento: não é árvore para improviso em calçada. Se você tem espaço e paciência para os primeiros anos, entrega uma copa nobre e uma história de madeira que poucas espécies oferecem.

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Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.