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Aranha-de-porão

Pholcus phalangioides

Atualizado em

7 a 10 mm de corpoTamanho
InofensivaPerigo para humanos
Sem importância médicaVeneno
1 a 3 anosExpectativa de vida
Interior de casas e porõesHabitat
Aranha-de-porão Pholcus phalangioides pendurada de cabeça para baixo em teia irregular no canto do teto

A aranha-de-porão (Pholcus phalangioides) é uma aranha pequena de corpo alongado e pernas extremamente longas e finas, facilmente reconhecida pendurada de cabeça para baixo em teias desorganizadas nos cantos de tetos, porões e banheiros.

Apesar do mito de que seria uma das aranhas mais venenosas do mundo, ela é inofensiva para humanos e animais domésticos. Seu veneno não tem importância médica e sua picada, raríssima, causa apenas dor local leve. É uma aliada no controle de pragas por caçar mosquitos, moscas e até outras aranhas.

Também conhecido como: Aranha-pernalonga, Aranha de porão, Aranha-tremedeira, Daddy long-legs spider (inglês), Faucheux (francês)

Faz parte de: Aranhas de Casa, Aranhas Inofensivas

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Galeria de fotos de Aranha-de-porão

Aranha-de-porão Pholcus phalangioides pendurada de cabeça para baixo em teia irregular no canto do teto
Aranha-de-porão adulta em sua posição típica no centro da teia.
Close dos olhos e quelíceras da aranha-de-porão
Detalhe dos olhos e quelíceras pequenas da aranha-de-porão.
Aranha-de-porão vibrando rapidamente na teia como defesa
Comportamento de vibração que a deixa borrada na teia.
Fêmea de aranha-de-porão carregando ooteca com ovos nas quelíceras
Fêmea carregando a ooteca translúcida com cerca de 20 a 30 ovos.
Aranha-de-porão enrolando mosquito capturado na teia
Captura de mosquito, uma de suas presas mais comuns.
Detalhe das pernas longas e abdômen alongado da aranha-de-porão
Pernas finas e abdômen cilíndrico característicos da espécie.

Perfil rápido de Aranha-de-porão

Estado de conservação

NE
Não Avaliada

Espécie cosmopolita e sinantrópica, não avaliada pela IUCN por ser abundante em ambientes urbanos.

População
estável
Protegido por
não

Calendário

Maior atividade dentro de casasJFMAMJJASOND
Pico reprodutivoJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsBaixa
  • PessoasBaixa

Veneno sem importância médica. Picada rara causa apenas dor local leve e passageira. Não é considerada aranha de importância médica no Brasil.

Vida útil

Na natureza
1 a 3 anos (em interiores protegidos)
Em áreas urbanas
Vive exclusivamente dentro de casas em climas frios; em cavernas e construções em climas quentes

Reprodução

Acasalamento
Na teia, com vibração do macho; risco de canibalismo se a corte falhar
Ovos por ooteca
20 a 30 ovos rosados em saco translúcido carregado nas quelíceras
Incubação
14 a 21 dias
Maturidade sexual
8 a 12 meses após eclosão
Tipo de desenvolvimento
Ovípara, sem cuidado parental após dispersão dos filhotes

Habitat

Ambientes

  • interior de residências
  • porões e garagens
  • banheiros e cantos de teto
  • cavernas e troncos ocos (habitat natural original)

Biomas

  • Área antrópica (urbana)
  • Cosmopolita - ocorre em todos os biomas brasileiros dentro de casas

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • mosquitos e pernilongos
  • moscas e traças
  • outras aranhas

Outros alimentos

  • formigas
  • pequenos besouros
  • insetos voadores capturados na teia

Encontrado em 10 países

  • Brasil
  • Portugal
  • Estados Unidos
  • Argentina
  • Chile
  • Espanha
  • França
  • Reino Unido
  • Alemanha
  • Austrália

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Arachnida
Ordem
Araneae
Família
Pholcidae
Gênero
Pholcus
Espécie
Pholcus phalangioides (Fuesslin, 1775)

Resumo

  • A aranha-de-porão é a Pholcus phalangioides, de corpo de 7 a 10 mm e pernas que chegam a 5 cm, que vive em teias irregulares dentro de casas.
  • Seu veneno não é perigoso para humanos ou pets e ela raramente pica, mesmo quando manuseada.
  • É predadora de insetos e de outras aranhas, incluindo a aranha-marrom, e ajuda a controlar pragas domésticas sem oferecer risco.

Características

Ficha da aranha

OrdemAraneae
FamíliaPholcidae
Origem e distribuiçãoCosmopolita, originária da região Paleártica; presente em todo o Brasil
Tamanho (corpo)7 a 10 mm (fêmeas), 6 a 8 mm (machos)
Envergadura das pernasAté 45 a 50 mm
Coresbegemarrom-clarocinza-clarotranslúcido
TeiaIrregular, desorganizada, em forma de lençol frouxo
AlimentaçãoInsetos, mosquitos, moscas e outras aranhas
VenenoPresente, sem importância médica para humanos
HabitatCantos de teto, porões, banheiros, garagens, atrás de móveis
AtividadeNoturna e crepuscular
Expectativa de vida1 a 3 anos
ReproduçãoOvípara, 20 a 30 ovos por ooteca carregada nas quelíceras

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
AgressividadeMuito baixo
Presença em casasMuito alto
Utilidade no controle de pragasMuito alto
Tamanho da teiaBaixo
Facilidade de criação em cativeiroMuito baixo

Como identificar a aranha-de-porão sem confundir

A Pholcus phalangioides tem corpo pequeno, alongado e quase translúcido, com 7 a 10 mm nas fêmeas. O que realmente chama atenção são as pernas finíssimas e desproporcionalmente longas, que podem ter 5 vezes o comprimento do corpo.

A coloração é bege-acinzentada a marrom-clara, com uma mancha mais escura no cefalotórax que lembra um violino borrado. O abdômen é cilíndrico, alongado e levemente acinzentado. Ela tem 8 olhos agrupados em dois grupos laterais de três e dois centrais menores, mas são difíceis de ver a olho nu.

Confunde-se muito com a aranha-marrom (Loxosceles) e com opiliões. A diferença é clara: a aranha-de-porão fica pendurada de cabeça para baixo no centro da teia, com pernas esticadas, e nunca no chão. Opiliões não fazem teia e têm corpo único, sem cintura. Loxosceles tem pernas curtas, corpo mais robusto e não faz teia suspensa no teto.

Onde vive e por que está em toda casa no Brasil

É uma espécie sinantrópica e cosmopolita, encontrada em todos os estados brasileiros e em praticamente qualquer cidade do mundo. Prefere ambientes internos, escuros, úmidos e pouco perturbados: cantos de teto, atrás de cortinas, porões, banheiros, garagens e vãos de janela.

Não cava toca nem vive em plantas. Sua distribuição global se deve ao transporte passivo pelo comércio humano e à capacidade de viver o ano todo dentro de casas, sem depender de clima externo. Em regiões frias ela sobrevive apenas em interiores aquecidos.

No Brasil, a ocorrência é maior durante todo o ano dentro de casa, com leve aumento populacional nos meses quentes e úmidos, quando há mais insetos disponíveis. É a aranha mais comum em residências urbanas, ao lado da aranha de canto.

Teia desorganizada e técnica de caça por vibração

A teia da aranha-de-porão não é geométrica. É um lençol irregular, frouxo e emaranhado, sem padrão, construído em cantos altos. Ela não usa a teia para voar ou como armadilha pegajosa potente, mas como plataforma sensorial.

A caça é por vibração. Quando uma presa toca os fios, ela se aproxima rapidamente, lança seda à distância com as pernas longas e enrola a vítima antes de picar. Essa estratégia permite capturar presas muito maiores que ela.

Se ameaçada, faz um comportamento único: gira e vibra o corpo com extrema rapidez na teia, ficando borrada e quase invisível para predadores. Esse tremor, chamado de whirling, é diagnóstico da família Pholcidae e não ocorre em aranhas perigosas.

Predadora de outras aranhas

Um fato pouco divulgado é que Pholcus é araneofágica. Ela invade teias de outras aranhas, imita vibrações de presa e, quando a dona se aproxima, a ataca. Estudos em laboratório mostram predação bem-sucedida sobre Loxosceles intermedia (aranha-marrom) e até sobre aranhas maiores.

Isso não significa que ela elimine infestações, mas explica por que casas com muitas aranhas-de-porão costumam ter menos aranhas de canto. Ela também consome mosquitos, pernilongos, moscas e traças.

Veneno e picada: a aranha-de-porão é perigosa?

Não. A aranha-de-porão não é perigosa para humanos, cachorros ou gatos. Ela possui veneno para imobilizar presas pequenas, mas as glândulas são diminutas e o veneno não tem importância médica. O mito de que seria a aranha mais venenosa do mundo e que suas quelíceras não perfuram pele humana é falso.

As quelíceras até conseguem perfurar pele fina, mas a picada é extremamente rara. Ela é tímida, foge ao toque e só morde se espremida contra a pele. Quando ocorre, o quadro é de dor leve, vermelhidão local e coceira passageira, sem necrose, sem efeitos sistêmicos e sem necessidade de soro.

Não há registro de acidentes graves por Pholcus phalangioides no Brasil segundo o Instituto Butantan e o Ministério da Saúde. Ela não está na lista de aranhas de importância médica, que inclui Phoneutria (armadeira), Loxosceles (marrom) e Latrodectus (viúva-negra).

O que fazer em caso de picada

  • Lave o local com água e sabão e mantenha limpo.
  • Use compressa fria para aliviar dor e não esprema ou sugue o local.
  • Se houver dor persistente, inchaço que aumenta ou reação alérgica, procure atendimento médico e, se possível, leve a aranha em pote fechado sem se arriscar.
  • Não use receitas caseiras, pomadas sem orientação ou torniquete.

Reprodução, ooteca e ciclo de vida

O acasalamento ocorre na própria teia, com o macho vibrando os fios para sinalizar. A fêmea produz uma ooteca quase transparente com 20 a 30 ovos rosados, que ela carrega presa nas quelíceras o tempo todo, diferente da maioria das aranhas que esconde o saco.

Ela carrega os ovos por 2 a 3 semanas até a eclosão. Os filhotes permanecem poucos dias na teia materna e depois se dispersam. O desenvolvimento até a fase adulta leva de 8 a 12 meses, com várias mudas.

A longevidade é alta para uma aranha pequena: 1 a 3 anos em ambiente interno protegido, com fêmeas vivendo mais que machos. Machos adultos têm pedipalpos bulbosos evidentes e abdômen mais fino.

O que ela come e seu papel no ecossistema doméstico

É uma predadora generalista e oportunista. Sua dieta inclui dípteros (mosquitos e moscas), pequenos besouros, formigas, traças e outras aranhas. Consegue ficar semanas sem se alimentar, consumindo a própria teia para reciclar proteínas.

Dentro de casa, funciona como controle biológico gratuito. Uma única fêmea pode capturar dezenas de mosquitos por mês. Por não usar agrotóxicos e não contaminar alimentos, é considerada benéfica por entomologistas.

Na natureza, habitaria cavernas, troncos ocos e sob pedras, mas hoje seu nicho principal é o ambiente urbano. Não causa danos a plantas, móveis ou estruturas.

Como conviver e quando remover com segurança

Na nossa avaliação, a melhor convivência é deixar a aranha onde está se ela estiver em canto alto e fora de passagem. Ela não infesta, não faz colônias grandes e mantém a população de insetos baixa. Remover todas pode aumentar mosquitos e aranhas-marrons.

Se precisar retirar, não use veneno ou chinelo. O método mais seguro é copo e papel: coloque um copo sobre a aranha e deslize um papel por baixo, solte em área externa coberta ou garagem. Evite aspirador, que mata e espalha ovos.

Para evitar excesso sem matar:

  • Reduza presas: instale telas em janelas e vede frestas para diminuir mosquitos.
  • Limpe teias antigas com vassoura seca a cada 2 a 3 semanas, sem inseticida.
  • Controle umidade em porões e banheiros, onde ela se reproduz melhor.
  • Mantenha camas afastadas da parede e sacuda roupas guardadas por muito tempo, cuidado útil contra qualquer aranha.

Curiosidades que poucos conhecem sobre a Pholcus

A aranha-de-porão tem autotomia: se uma perna fica presa, ela a solta e continua viva com sete pernas, mas não regenera completamente. Por isso é comum ver exemplares mancos em casas.

Ela não tem pulmões foliáceos bem desenvolvidos como aranhas grandes; respira por um sistema traqueal simples, o que limita seu tamanho corporal. E apesar das pernas longas, caminha de forma desajeitada fora da teia, quase tropeçando.

Outro detalhe específico: machos e fêmeas vibram o abdômen de forma diferente quando cortejam, e a fêmea pode comer o macho se ele não vibrar corretamente. Canibalismo sexual ocorre, mas é menos frequente que em viúvas-negras.

Perguntas frequentes

Aranha-de-porão é venenosa?

Sim, tem veneno para presas, mas sem importância médica para humanos e pets. A picada é rara e causa apenas dor leve local.

Qual a diferença entre aranha-de-porão e aranha-marrom?

A de porão tem pernas muito longas e finas e fica no teto em teia desorganizada. A marrom tem pernas curtas, corpo marrom uniforme e se esconde em roupas e atrás de móveis, sem teia suspensa.

Aranha-de-porão come aranha-marrom?

Sim. Pholcus phalangioides é predadora de outras aranhas e pode capturar e matar Loxosceles, mas não garante controle total da infestação.

Preciso matar a aranha-de-porão que está no meu banheiro?

Não é necessário. Se não atrapalha, deixe-a; ela reduz mosquitos. Se precisar remover, use copo e papel e solte em outro local coberto.

Por que ela balança tanto na teia quando encosto?

É um comportamento de defesa chamado whirling. Ela vibra rapidamente para ficar borrada e confundir predadores.

Aranha-de-porão é a mesma que opilião pernalonga?

Não. Opiliões não são aranhas, não fazem teia e têm corpo único sem cintura. A aranha-de-porão faz teia e tem dois segmentos corporais bem separados.

Você sabia?

1

Vibração que a deixa invisível

Quando tocada, ela gira o corpo a até 30 oscilações por segundo na teia, ficando borrada e confundindo predadores e humanos.

2

Carrega os ovos na boca

A fêmea segura a ooteca com as quelíceras durante toda a incubação, carregando os 20 a 30 ovos para onde vai, até eclodirem.

3

Caça aranha-marrom

Pholcus invade teias de Loxosceles, imita vibração de presa e mata a dona da teia à distância com suas pernas longas, sem entrar em contato direto.

4

Mito do veneno mortal

O mito de que seria a aranha mais venenosa do mundo surgiu de um programa de TV nos anos 70 e foi desmentido pelo Instituto Butantan e pela Universidade da Califórnia.

Fontes

  1. Instituto Butantan
  2. World Spider Catalog
  3. GBIF - Global Biodiversity Information Facility

Prós e contras: Aranha-de-porão

Prós

  • Totalmente inofensiva para humanos e pets
  • Excelente controle natural de mosquitos, moscas e outras aranhas
  • Não faz teia grande ou pegajosa que suja a casa
  • Extremamente comum e fácil de conviver, não exige cuidados
  • Ajuda a reduzir aranhas de importância médica como a marrom

Contras

  • Teias em cantos de teto podem dar aspecto de casa mal cuidada
  • Perda de pernas com facilidade deixa exemplares com aparência frágil
  • Pode assustar pessoas com aracnofobia mesmo sendo inofensiva
  • Acúmulo de teias velhas retém poeira se não houver limpeza periódica
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a aranha-de-porão é a aranha doméstica mais injustiçada do Brasil: inofensiva, discreta e útil, sofre com o mito do super-veneno. Vale mantê-la nos cantos altos da casa como controle natural de pragas, removendo apenas quando em excesso.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

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Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.