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Arara-azul-de-lear

Anodorhynchus leari

Atualizado em

70 a 75 cmTamanho
940 a 950 gPeso
30 a 50 anosExpectativa de vida
Alto e metálicoCanto
Caatinga baianaHabitat
Arara-azul-de-lear empoleirada em galho seco na Caatinga mostrando plumagem azul-turquesa

A arara-azul-de-lear é uma arara de porte grande e cor azul-turquesa intensa, endêmica da Caatinga do interior da Bahia. Menor e mais esverdeada que a arara-azul-grande, ela se reconhece pelo amarelo-pálido na base do bico e pelo anel amarelo suave ao redor dos olhos.

Toda a população selvagem vive em apenas duas áreas: o Raso da Catarina e o Boqueirão da Onça. Altamente social e barulhenta, depende quase totalmente do coquinho da palmeira licuri para se alimentar e dorme em paredões de arenito. Já foi considerada extinta na natureza e hoje é símbolo da conservação da Caatinga.

Também conhecido como: Arara-de-lear, Arara-azul-pequena, Lear's Macaw (inglês), Ara de Lear (espanhol)

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Galeria de fotos de Arara-azul-de-lear

Arara-azul-de-lear empoleirada em galho seco na Caatinga mostrando plumagem azul-turquesa
Arara-azul-de-lear adulta com coloração azul-turquesa característica.
Close da cabeça da arara-azul-de-lear mostrando bico preto e mancha amarela
Detalhe da cabeça com bico forte e mancha amarelo-pálida na base.
Arara-azul-de-lear em voo sobre cânions de arenito da Caatinga
Voo potente entre os paredões onde dorme e nidifica.
Bando de araras-azuis-de-lear no paredão de arenito ao entardecer
Dormitório coletivo em paredão de arenito no Raso da Catarina.
Arara-azul-de-lear se alimentando de coquinho de licuri
Alimentação quase exclusiva de coquinhos de licuri.
Ninho da arara-azul-de-lear em cavidade de paredão com ovo
Ninho em cavidade natural de arenito, com 1 a 2 ovos por postura.

Perfil rápido de Arara-azul-de-lear

Estado de conservação

EN
Em Perigo

População pequena e restrita a duas áreas da Caatinga, ainda vulnerável ao tráfico e à perda do licuri.

População
Em crescimento
Protegido por
Sim, protegida por lei federal e por unidades de conservação na Bahia

Calendário

ReproduçãoJFMAMJJASOND
Pico de frutificação do licuriJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
30 a 50 anos, vivendo em bandos e dormindo em paredões de arenito
Em cativeiro autorizado
Até 60 anos, com manejo especializado e dieta controlada

Reprodução

Acasalamento
Monogâmico, par fiel por várias estações
Estrutura social
Colonial nos dormitórios, pares isolados nos ninhos
Padrão sazonal
Sazonal, de novembro a maio (estação chuvosa)
Tipo de nascimento
Ovíparo, ovos brancos em cavidade de rocha
Ninhada
1 a 2 ovos, geralmente 1 filhote sobrevive, incubação 28-29 dias

Habitat

Ambientes

  • Paredões e cânions de arenito
  • Caatinga arbórea com palmeiras de licuri
  • Áreas de transição Caatinga-agreste

Biomas

  • Caatinga

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Coquinho de licuri (Syagrus coronata)

Outros alimentos

  • Flores de baraúna
  • Frutos de umbu e pinha-brava
  • Milho de roças
  • Sementes de pinhão

Encontrado em 1 país

  • Brasil

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Psittaciformes
Família
Psittacidae
Gênero
Anodorhynchus
Espécie
Anodorhynchus leari

Resumo

  • A arara-azul-de-lear é uma arara de 70 a 75 cm, azul-turquesa com base do bico amarelada, endêmica da Caatinga baiana.
  • Vive em bandos nos cânions do Raso da Catarina e Boqueirão da Onça e alimenta-se quase exclusivamente de coquinhos de licuri.
  • Está classificada como Em Perigo, com cerca de 2.500 indivíduos na natureza, e sua criação como pet é proibida por lei.

Características

Ficha da espécie

FamíliaPsittacidae
Origem e distribuiçãoEndêmica do Brasil, norte da Bahia (Raso da Catarina e Boqueirão da Onça)
HabitatCaatinga arbórea e cânions com paredões de arenito
Tamanho (comprimento)70 a 75 cm
Envergadura90 a 100 cm
Peso940 a 950 g
Coresazul-turquesaazul-esverdeadoamarelo-pálido
Expectativa de vida30 a 50 anos na natureza, até 60 em cativeiro
AlimentaçãoCoquinhos de licuri (Syagrus coronata), frutos, flores e milho
CantoGrasnados altos, roucos e metálicos
Reprodução (ninho e ovos)Ninho em cavidade de paredão, 1 a 2 ovos, incubação de 28 a 29 dias
Comportamento socialVive em bandos, monogâmica, dorme em colônias nos paredões
Variedades ou subespéciesNão possui subespécies

Perfil e comportamento

SociabilidadeMuito alto
Intensidade do cantoAlto
InteligênciaMuito alto
Facilidade de criaçãoMuito baixo
Necessidade de espaçoMuito alto
Nível de atividadeAlto
Capacidade de imitar sonsMédio

Como reconhecer a arara-azul-de-lear: tamanho, cores e diferenças

A arara-azul-de-lear tem 70 a 75 cm de comprimento e pesa em torno de 940 a 950 g, bem menor que a arara-azul-grande, que passa de 90 cm e 1,5 kg. A plumagem é azul-turquesa intenso, com tons mais esverdeados na cabeça e mais escuros nas asas e cauda.

O detalhe que entrega a espécie é a mancha amarelo-pálida na base da mandíbula e o anel periocular amarelo-claro bem discreto. O bico é grande, preto e extremamente forte, adaptado para quebrar coquinhos duros.

Muita gente confunde com a arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus). A de Lear é menor, tem azul mais esverdeado e amarelo menos vivo no rosto. Já a extinta arara-azul-pequena (Anodorhynchus glaucus) era ainda mais acinzentada e não ocorre mais na natureza.

Espécie Tamanho Cor predominante Detalhe do rosto
Arara-azul-de-lear 70-75 cm Azul-turquesa esverdeado Amarelo-pálido discreto
Arara-azul-grande 95-100 cm Azul-cobalto profundo Amarelo-vivo forte
Arara-azul-pequena 70 cm Azul-acinzentado pálido Amarelo bem claro

Onde vive: o refúgio exclusivo da Caatinga baiana

É uma das aves de distribuição mais restrita do mundo. Toda a população selvagem vive apenas no nordeste da Bahia, em duas áreas: a Estação Biológica de Canudos e o Raso da Catarina e, mais recentemente, o Boqueirão da Onça.

O habitat combina dois elementos inseparáveis: paredões de arenito com cavidades para dormir e nidificar, e Caatinga arbórea com palmeiras de licuri para comer. Os dormitórios ficam em cânions de até 100 metros de altura, onde dezenas a centenas de araras se reúnem ao entardecer.

Fora desses cânions, ela percorre diariamente até 60 km para chegar aos licurizais. Não migra. É residente o ano todo, mas faz deslocamentos diários entre dormitório e áreas de alimentação.

O que come: a dependência quase total do licuri

Cerca de 90% da dieta na natureza é composta por coquinhos da palmeira licuri (Syagrus coronata). O bico quebra a casca lenhosa com facilidade e a língua manipula a polpa oleosa.

Quando o licuri escasseia, complementa com flores de baraúna, frutos de pinha-brava, umbu, pinhão e milho de roças próximas. Essa flexibilidade é pequena e explica por que a destruição dos licurizais afeta diretamente a espécie.

Filhotes em ninho são alimentados com licuri regurgitado pelos pais. Em programas de conservação, o monitoramento da frutificação do licuri é usado para prever sucesso reprodutivo.

Comportamento e vida em bando: barulhenta, fiel e inteligente

Vive em bandos coesos de 10 a 30 indivíduos, que podem se juntar em centenas nos dormitórios. É monogâmica e mantém o par por muitos anos, com forte vínculo e cuidado mútuo de penas.

É extremamente inteligente e social. Aprende rotas, reconhece parceiros pela voz e usa vocalizações diferentes para alerta, coesão do bando e contato entre casal. Em cativeiro autorizado, demonstra grande capacidade de resolver problemas e manipular objetos.

Durante o dia, o bando se divide em grupos menores para forragear e se reúne no fim da tarde. O voo é potente, direto e alto, com batidas lentas e planeios entre os cânions.

Canto e comunicação: como ela se faz ouvir nos cânions

O canto é um grasnado alto, rouco e metálico, audível a mais de 1 km nos cânions. Não é melódico como o de um sabiá, mas é complexo.

Usa chamados de contato curtos quando voa em bando e gritos de alarme ásperos quando detecta predadores como gaviões. Pares trocam duetos suaves dentro da cavidade do ninho.

A intensidade vocal aumenta ao amanhecer e ao entardecer, nos deslocamentos entre dormitório e alimentação. É menos imitadora que papagaios, mas pode reproduzir sons e palavras com treinamento.

Reprodução, ninhos nos paredões e cuidado com os filhotes

A reprodução coincide com a estação chuvosa, de novembro a maio, quando o licuri é mais abundante. O ninho é feito em cavidade natural ou escavada no arenito, geralmente a dezenas de metros de altura, inacessível a predadores.

A fêmea põe 1 a 2 ovos brancos, incubados por 28 a 29 dias principalmente por ela, enquanto o macho alimenta a parceira. A taxa de eclosão é baixa e é comum apenas um filhote sobreviver.

Os filhotes ficam no ninho por cerca de 3 meses e depois ainda dependem dos pais por meses para aprender a quebrar licuri. A maturidade sexual chega entre 5 e 7 anos. A fidelidade ao mesmo paredão de nidificação é alta entre anos.

Por que quase desapareceu: história da redescoberta e ameaças

Descrita em 1856 a partir de peles de cativeiro, a espécie ficou mais de 120 anos sem registro confiável na natureza e foi considerada extinta. Só em 1978 o ornitólogo Helmut Sick redescobriu a população no Raso da Catarina.

Nos anos 1980 restavam cerca de 60 indivíduos na natureza. As causas do colapso foram captura para tráfico, destruição do licuri para carvão e pasto, e caça. O licuri demora 10 anos para frutificar, então a perda é lenta para se recuperar.

Outra ameaça é a colisão com linhas de transmissão e a escassez de cavidades por erosão e ocupação humana. Por ser tão concentrada geograficamente, uma seca severa ou incêndio pode afetar toda a população.

Conservação hoje: o que está salvando a espécie

De 60 aves nos anos 1980, a população chegou a cerca de 2.500 indivíduos em 2023 segundo contagens do ICMBio e parceiros. O crescimento veio de proteção dos dormitórios, fiscalização contra tráfico e plantio de licuri.

Ações-chave incluem guarda dos paredões por brigadistas, instalação de ninhos artificiais em arenito, manejo de licurizais e educação ambiental com comunidades locais. O turismo de observação controlado em Canudos gera renda e incentivo para proteger.

Em cativeiro, o programa de reprodução em criadouros autorizados mantém população de segurança genética. Solturas são avaliadas com muito critério para evitar doenças e hibridação.

É possível ter uma arara-azul-de-lear em casa? Legalidade

Não. A arara-azul-de-lear é ave silvestre ameaçada e protegida por lei. A captura, compra ou venda de indivíduos da natureza é crime ambiental no Brasil.

Só instituições autorizadas pelo IBAMA e ICMBio podem manter a espécie para conservação e pesquisa. Não existe criação comercial legal para tutor doméstico como ocorre com calopsita ou periquito.

Quem deseja ajudar pode apoiar projetos de conservação, visitar de forma responsável a região de Canudos com guias credenciados e nunca comprar aves sem origem comprovada e anilha do órgão ambiental.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre arara-azul-de-lear e arara-azul-grande?

A de Lear tem 70 a 75 cm e azul mais esverdeado com amarelo-pálido no bico, enquanto a grande tem 95 a 100 cm e azul-cobalto com amarelo vivo e mais extenso.

Onde vive a arara-azul-de-lear na natureza?

Apenas no interior da Bahia, no Raso da Catarina (Canudos, Jeremoabo) e no Boqueirão da Onça, em cânions de arenito cercados por Caatinga com licuri.

O que a arara-azul-de-lear come?

Quase 90% da dieta é coquinho de licuri. Complementa com flores, frutos da Caatinga e ocasionalmente milho.

A arara-azul-de-lear está em extinção?

Sim, é classificada como Em Perigo (EN) pela IUCN, mas a população cresceu de cerca de 60 nos anos 1980 para aproximadamente 2.500 hoje graças a projetos de conservação.

Pode criar arara-azul-de-lear em casa?

Não. É crime ambiental capturar ou comprar da natureza. Só criadouros científicos autorizados pelo IBAMA/ICMBio podem mantê-la para conservação.

Quanto tempo vive a arara-azul-de-lear?

Vive de 30 a 50 anos na natureza e pode chegar a 60 anos em cativeiro autorizado com manejo adequado.

Quando ela se reproduz?

Entre novembro e maio, na estação chuvosa. Faz ninho em cavidades de paredões de arenito e põe 1 a 2 ovos.

Fatos surpreendentes

1

Redescoberta após um século

Ficou 122 anos conhecida apenas por exemplares de museu até Helmut Sick encontrar o bando selvagem em 1978, no interior da Bahia.

2

Quebra-coquinhos especialista

Consegue exercer mais de 30 kg de pressão com o bico para estalar o coquinho de licuri, que tem casca quase tão dura quanto madeira.

3

Dormitório em condomínio vertical

Centenas de araras dormem lado a lado em fendas do mesmo paredão de arenito, voltando todo entardecer exatamente para a mesma cavidade.

4

Fiel ao licuri

Em anos de pouca frutificação do licuri, a reprodução despenca, mostrando como uma única palmeira regula o destino da espécie.

Fontes

  1. IUCN Red List - Anodorhynchus leari
  2. ICMBio - Plano de Ação para Conservação da Arara-azul-de-lear
  3. WikiAves - Arara-azul-de-lear
  4. BirdLife International

Prós e contras: Arara-azul-de-lear

Prós

  • Endêmica do Brasil e símbolo da Caatinga
  • Inteligente, social e de voo impressionante
  • População em recuperação graças à conservação
  • Ótima espécie-bandeira para turismo de observação responsável
  • Fidelidade ao local facilita monitoramento e proteção

Contras

  • Distribuição extremamente restrita e vulnerável
  • Dependência quase total de uma única palmeira (licuri)
  • Não pode ser criada como pet, exige autorização especial
  • Sensível a tráfico, desmatamento e secas prolongadas
  • Reprodução lenta, com apenas 1 filhote por ano na maioria dos casos
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a arara-azul-de-lear é o caso mais eloquente de como uma única planta pode sustentar uma ave inteira. Protegê-la exige menos falar de gaiolas e mais falar de licuri, paredão e gente da Caatinga.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.