🦜 Aves e Pássaros

Arara-verde

Ara militaris

Atualizado em

70 a 75 cmTamanho
900 g a 1,1 kgPeso
50 a 60 anosExpectativa de vida
Alto, áspero e estridenteCanto
Florestas e paredões rochososHabitat
Arara-verde de corpo inteiro pousada em paredão rochoso com plumagem verde-oliva e testa vermelha

A arara-verde (Ara militaris) é uma das araras mais distintas das Américas, reconhecida pelo verde-oliva predominante, testa vermelha e grandes manchas azuis nas asas. Com cerca de 70 cm de comprimento, é menor que a arara-vermelha e a arara-canindé, mas mantém o porte imponente e a cauda longa típica do gênero Ara.

Vive em bandos barulhentos que percorrem longas distâncias entre áreas de alimentação e dormitórios, usando tanto florestas quanto paredões rochosos para nidificar. É uma espécie monogâmica e longeva, que pode ultrapassar 50 anos em vida livre.

No Brasil sua ocorrência é localizada e rara, enquanto é mais comum da Colômbia ao México. Está classificada como Vulnerável pela IUCN devido à perda de habitat e ao tráfico para criação ilegal.

Também conhecido como: Arara-militar, Arara-verde-grande, Military Macaw (inglês), Guacamaya militar (espanhol)

Explore a wiki

Galeria de fotos de Arara-verde

Arara-verde de corpo inteiro pousada em paredão rochoso com plumagem verde-oliva e testa vermelha
Arara-verde adulta exibindo porte grande e cauda longa.
Close da cabeça da arara-verde mostrando face nua clara e bico curvo
Detalhe da face nua e do bico poderoso da arara-verde.
Arara-verde em voo sobre cânion com asas abertas
Em voo, o contraste entre verde, azul e amarelo fica evidente.
Bando de araras-verdes em habitat natural de floresta seca e paredões
Bando social em habitat de floresta seca e paredões.
Arara-verde se alimentando de frutos de palmeira
Alimentação baseada em sementes duras e frutos de palmeiras.
Ninho da arara-verde em fenda de paredão rochoso com ovos brancos
Ninho típico em fenda de rocha, com 2 a 3 ovos brancos.

Perfil rápido de Arara-verde

Estado de conservação

VU
Vulnerável

Espécie com população pequena e em declínio por desmatamento e tráfico.

População
Em declínio
Protegido por
Sim, protegida por lei no Brasil e listada na CITES Apêndice I

Vida útil

Na natureza
50 a 60 anos
Em cativeiro autorizado
60 a 65 anos

Reprodução

Acasalamento
Monogâmico, par estável por anos
Estrutura social
Par dentro de bando de 10 a 30 indivíduos
Padrão sazonal
Sazonal; jan-mai no norte, nov-mar no sul
Tipo de nascimento
Ovíparo, ovos brancos sem manchas
Ninhada
2 a 3 ovos; incubação 26 dias; filhotes voam com 85 a 95 dias

Habitat

Ambientes

  • Florestas tropicais úmidas
  • Florestas secas decíduas
  • Cânions e paredões rochosos
  • Caatinga arbórea e matas de galeria

Biomas

  • Mata Atlântica
  • Caatinga
  • Amazônia (ocorrência marginal)
  • Cerrado

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Sementes duras e castanhas
  • Frutos de palmeiras
  • Legumes de angico e jatobá

Outros alimentos

  • Flores e brotos
  • Milho e amendoim em áreas agrícolas
  • Argila de barreiros

Encontrado em 8 países

  • México
  • Guatemala
  • Colômbia
  • Venezuela
  • Equador
  • Peru
  • Bolívia
  • Argentina

Como animal de estimação

Adequação
Baixa para pet; silvestre, muito vocal e exigente
Legalidade no Brasil
Protegida; só com anilha e nota de criadouro autorizado pelo IBAMA; captura na natureza é crime
Nível de cuidado
Muito alto; viveiro grande, enriquecimento e veterinário de aves
Custo de aquisição
Oferta legal raríssima e restrita a criadouros autorizados

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Psittaciformes
Família
Psittacidae
Gênero
Ara
Espécie
Ara militaris (Linnaeus, 1766)

Resumo

  • A arara-verde é uma arara de porte grande, com 70 a 75 cm, plumagem verde-oliva, testa vermelha e asas com azul intenso.
  • Vive em bandos sociais nas Américas, do México à Argentina, nidificando em ocos de árvores e fendas de paredões rochosos.
  • É espécie Vulnerável, ameaçada por desmatamento e captura ilegal, e sua criação como pet no Brasil é proibida sem autorização do IBAMA.

Características

Ficha da espécie

FamíliaPsittacidae
Origem e distribuiçãoDo México à Argentina; no Brasil ocorrência restrita e rara
HabitatFlorestas úmidas, florestas secas decíduas e cânions rochosos entre 500 e 2.000 m de altitude
Tamanho (comprimento)70 a 75 cm
Envergadura99 a 110 cm
Peso900 g a 1,1 kg
Coresverde-olivavermelhoazulamarelopreto
Expectativa de vida50 a 60 anos em vida livre; até 65 em cativeiro autorizado
AlimentaçãoGranívora e frugívora
CantoGritos altos, ásperos e repetidos, audíveis a mais de 1 km
Reprodução (ninho e ovos)Ninho em oco ou fenda de rocha; 2 a 3 ovos brancos; incubação 26 dias
Comportamento socialVive em pares ou bandos de 10 a 30 indivíduos, monogâmica
Variedades ou subespécies3 subespécies: A. m. militaris, A. m. mexicana e A. m. boliviana

Perfil e comportamento

SociabilidadeMuito alto
Intensidade do cantoMuito alto
InteligênciaMuito alto
Facilidade de criaçãoMuito baixo
Necessidade de espaçoMuito alto
Nível de atividadeAlto
Capacidade de imitar sonsMédio

Como reconhecer a arara-verde: tamanho, cores e bico

A arara-verde não é toda verde. O verde-oliva militar cobre cabeça, dorso e peito, mas a testa e a base do bico são vermelho-vivo, bem delimitadas. As grandes coberteiras das asas e a cauda são azul-turquesa intenso, com penas centrais da cauda avermelhadas na base.

O rosto tem pele nua esbranquiçada com finas linhas de penas pretas, menos extensa que na arara-canindé. O bico é grande, curvo e preto-acinzentado, com mandíbula inferior mais clara, e os olhos são amarelados nos adultos. Pés zigodáctilos cinza-escuros completam o conjunto.

Com 70 a 75 cm e 900 g a 1,1 kg, é nitidamente menor que a arara-vermelha (cerca de 90 cm) e mais esguia. A cauda longa e pontiaguda representa quase metade do comprimento total. Em voo, destaca-se o contraste entre o verde do corpo e o azul e amarelo da parte inferior das asas.

Onde vive a arara-verde no Brasil e nas Américas

A distribuição vai do México ao norte da Argentina, passando por Guatemala, Colômbia, Venezuela, Equador, Peru e Bolívia. No Brasil, é de ocorrência restrita e localizada, com registros históricos no interior do Nordeste e na Amazônia ocidental, sempre em baixa densidade.

Ocupa florestas úmidas, florestas secas decíduas, caatinga arbórea e cânions com paredões rochosos, geralmente entre 500 e 2.000 metros de altitude. Diferente de muitas araras que dependem só de ocos de árvores, ela usa com frequência fendas e cavidades em penhascos, o que permite colonizar áreas áridas.

Os bandos fazem deslocamentos diários de até 30 km entre dormitórios e áreas de alimentação. Não é migratória de longa distância, mas realiza movimentos sazonais curtos conforme a frutificação. Avistá-la exige ir a cânions preservados ao amanhecer, quando os grupos saem ruidosamente dos dormitórios.

O que a arara-verde come na natureza

É essencialmente granívora e frugívora. A base são sementes duras, castanhas, frutos de palmeiras, legumes de angico e jatobá, e nozes que só um bico com pressão de centenas de quilos consegue quebrar. Complementa com polpa de frutos, flores e brotos na estação chuvosa.

Como outros psitacídeos, visita regularmente barreiros de argila, onde ingere solo rico em minerais. Esse comportamento ajuda a neutralizar toxinas de sementes imaturas e a suplementar sódio. Em áreas agrícolas pode consumir milho e amendoim, o que gera conflito com produtores.

Filhotes são alimentados com alimento regurgitado e pré-digerido pelos pais, rico em gordura. A oferta de alimento influencia diretamente o sucesso reprodutivo: em anos de seca e pouca semente, muitos casais sequer tentam nidificar.

Comportamento e vida em bando

Vive em pares monogâmicos estáveis que se mantêm dentro de bandos de 10 a 30 indivíduos, podendo formar aglomerações maiores em dormitórios. O par voa sempre próximo, faz alisamento mútuo de penas e vocaliza em dueto.

É extremamente inteligente e curiosa, capaz de usar o bico como terceira pata para escalar e manipular objetos. Em vida livre passa grande parte do dia forrageando, interagindo e explorando. O nível de atividade é alto pela manhã e no fim da tarde.

À noite, recolhe-se em dormitórios coletivos em paredões ou árvores altas, onde dezenas de indivíduos se apertam lado a lado. Essa estratégia dilui o risco de predação por gaviões e jaguatiricas. Na nossa avaliação, é uma das araras mais coesas socialmente, mantendo laços que duram a vida toda.

Voz e comunicação: como é o canto da arara-verde

O canto não é melódico. São gritos ásperos, anasalados e muito altos, do tipo “kraa-kraa”, repetidos em sequência e audíveis a mais de um quilômetro em cânions. Servem para manter contato em voo, alertar sobre predadores e reforçar o vínculo do par.

Cada indivíduo tem variações sutis de timbre, e pares desenvolvem chamados de contato exclusivos. Em cativeiro autorizado, pode aprender a imitar palavras soltas, mas sua capacidade de imitação é inferior à do papagaio-verdadeiro e da arara-canindé, com voz mais rouca e vocabulário limitado.

Em bandos, a intensidade sonora é extrema ao amanhecer e ao entardecer. Para quem busca silêncio, essa é uma espécie incompatível com apartamento. Na natureza, esse barulho é justamente o que permite localizá-la antes mesmo de vê-la.

Reprodução, ninhos em paredões e filhotes

A reprodução é sazonal e monogâmica, com casais que se formam por muitos anos. No norte da América do Sul ocorre entre janeiro e maio; nas populações mais ao sul, entre novembro e março. A corte inclui voos sincronizados, oferta de alimento e vocalizações suaves.

O ninho é instalado em oco de árvore grande ou, mais tipicamente, em fenda de paredão rochoso de difícil acesso, a até 20 metros de altura. A fêmea põe 2 a 3 ovos brancos, raramente 4, e incuba por cerca de 26 dias, enquanto o macho a alimenta e defende o território.

Os filhotes nascem com olhos fechados e penugem esparsa, permanecem no ninho por 85 a 95 dias e só voam bem após três meses. Mesmo depois de voar, ficam meses com os pais aprendendo rotas de alimentação. A taxa reprodutiva é baixa: em média, apenas um filhote por ninho chega a voar, o que torna a espécie sensível à perda de adultos.

Diferenças entre arara-verde e outras araras

Confundir arara-verde com arara-vermelha ou com maracanãs é comum. A tabela ajuda na identificação rápida em campo.

Espécie Tamanho Cor predominante Traço distintivo
Arara-verde (Ara militaris) 70-75 cm Verde-oliva Testa vermelha pequena, face com linhas pretas finas
Arara-vermelha (Ara chloropterus) 85-90 cm Vermelho Face nua com linhas vermelhas, asas verde e azul
Arara-canindé (Ara ararauna) 80-85 cm Azul e amarelo Peito amarelo vivo, sem vermelho na testa
Maracanã-verdadeira (Primolius maracana) 38-43 cm Verde com vermelho Bem menor, bico preto menor, sem azul extenso na cauda

Outro ponto é o habitat: a arara-verde é a única grande Ara que nidifica regularmente em rocha. Se o ninho está em penhasco árido, a chance de ser militaris é alta. Já arara-vermelha e canindé preferem ocos de árvores em florestas mais úmidas.

É possível ter arara-verde em casa? Legalidade no Brasil

Não é pet de compra livre. A arara-verde é espécie silvestre protegida e consta em listas de ameaça. No Brasil, capturar, manter ou vender indivíduos da natureza é crime ambiental previsto na Lei 9.605/98.

A criação só é legal quando o animal provém de criadouro comercial autorizado pelo IBAMA ou órgão estadual, com anilha fechada, nota fiscal e cadastro no sistema oficial. Esses criadouros são raros para esta espécie, e a oferta é extremamente limitada. A maioria das aves anunciadas na internet sem documentação é de origem ilegal.

Mesmo com origem legal, exige viveiro grande (mínimo 4 metros de comprimento), enriquecimento diário, dieta variada e acompanhamento veterinário especializado. É barulhenta, destrutiva e vive décadas, demandando planejamento de longo prazo. Para a maioria dos tutores, inclusive de primeira viagem, não é uma escolha adequada.

Conservação e ameaças

A IUCN classifica a arara-verde como Vulnerável (VU), com população total estimada entre 10 mil e 20 mil indivíduos maduros e tendência de declínio. As três subespécies sofrem pressões diferentes, mas todas em queda.

As principais ameaças são desmatamento para agricultura e pecuária, perda de árvores com ocos e de paredões intactos, captura de filhotes para tráfico e conflitos por predação de milharais. Por ter ninhada pequena e maturidade tardia (reproduz a partir dos 3 a 4 anos), a reposição é lenta.

Medidas eficazes incluem proteção de cânions de nidificação, instalação de ninhos artificiais em rocha, fiscalização contra tráfico e programas de educação ambiental com comunidades locais. Onde essas ações foram aplicadas, como em reservas no México e na Colômbia, houve estabilização de alguns núcleos. No Brasil, a raridade exige censo e proteção integral dos poucos sítios remanescentes.

Perguntas frequentes

Arara-verde está em extinção?

É classificada como Vulnerável pela IUCN, com população em declínio. Não está extinta, mas corre risco se o desmatamento e o tráfico continuarem.

Qual a diferença entre arara-verde e arara-vermelha?

A verde tem 70 a 75 cm e cor verde-oliva com testa vermelha pequena; a vermelha tem 85 a 90 cm e corpo predominantemente vermelho com asas verde-azuladas.

Arara-verde fala?

Pode imitar algumas palavras com voz rouca, mas imita menos que papagaios e arara-canindé. Sua vocalização natural são gritos altos e ásperos.

Onde a arara-verde vive no Brasil?

Tem ocorrência rara e localizada, com registros pontuais no Nordeste e oeste da Amazônia, associada a matas e cânions rochosos preservados.

O que a arara-verde come?

Sementes duras, castanhas, frutos de palmeiras e legumes de árvores nativas, além de flores e argila de barreiros para complementar minerais.

Posso criar arara-verde em casa?

Só se vier de criadouro autorizado pelo IBAMA, com anilha e nota fiscal. Comprar ave capturada na natureza é crime ambiental.

Quanto tempo vive uma arara-verde?

De 50 a 60 anos em vida livre e até 65 anos em cativeiro autorizado com manejo adequado.

Fatos surpreendentes sobre a arara-verde

1

Ninho em penhasco

Ao contrário da maioria das araras, prefere fendas em paredões rochosos verticais, onde predadores como macacos têm acesso muito mais difícil que em ocos de árvores.

2

Barreiro de argila

Visita barrancos de argila para comer terra. O hábito ajuda a neutralizar alcaloides de sementes tóxicas e fornece sais minerais ausentes na dieta de frutos.

3

Voo em par sincronizado

Casais voam com batidas de asa sincronizadas e mantêm contato vocal constante. Se um se perde, o outro circula gritando até reencontrar o parceiro.

4

Longevidade que atravessa gerações

Pode viver mais de 60 anos em cativeiro autorizado. Há registros de indivíduos que acompanharam o mesmo tutor da juventude à velhice.

Fontes

  1. IUCN Red List - Ara militaris
  2. BirdLife International
  3. WikiAves
  4. CBRO - Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos

Prós e contras: Arara-verde

Prós

  • Inteligência alta e vínculo forte com o par e o bando
  • Beleza singular com verde-oliva, testa vermelha e azul intenso
  • Adaptação única a paredões rochosos, além de florestas
  • Longevidade alta, acompanhando décadas
  • Ótima para observação de aves e ecoturismo em cânions preservados

Contras

  • Vocalização muito alta, inadequada para apartamento
  • Exigência de espaço grande e enriquecimento constante
  • Reprodução lenta, sensível à perda de adultos
  • Criação legal raríssima e burocracia do IBAMA
  • Conflito com agricultura quando consome milharais
Nossa opinião

A arara-verde é o melhor exemplo de como uma arara pode adaptar-se a paredões áridos, não só à floresta fechada, e isso a torna única entre as grandes Aras. Na nossa avaliação, sua conservação depende menos de soltura e mais de proteger cânions de nidificação e frear o tráfico de filhotes, sem o que populações pequenas desaparecem em poucos anos.

Continue explorando: Aves e Pássaros

Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.