🦜 Aves e Pássaros

Estorninho

Sturnus vulgaris

Atualizado em

19 a 22 cmTamanho
60 a 95 gPeso
2 a 3 anos na naturezaExpectativa de vida
Variado e miméticoCanto
Urbano e campos abertosHabitat
Estorninho-comum adulto com plumagem pintada pousado em fio

O estorninho-comum (Sturnus vulgaris) é um pássaro de tamanho pequeno e plumagem escura salpicada de pintas claras, famoso pelo canto variado e pela capacidade de imitar sons. Na época reprodutiva o bico fica amarelo intenso e a plumagem ganha brilho esverdeado e arroxeado.

Nativo da Eurásia, foi introduzido em todos os continentes e hoje é uma das aves mais numerosas do mundo. No Brasil ainda é raro e localizado, mas chama atenção justamente pelo comportamento social extremo e pelas revoadas sincronizadas conhecidas como murmurações.

Também conhecido como: Estorninho-comum, Estorninho-europeu, European Starling, Étourneau sansonnet, Estornino pinto

Faz parte de: Aves Migratórias

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Galeria de fotos de Estorninho

Estorninho-comum adulto com plumagem pintada pousado em fio
Estorninho-comum com plumagem de inverno salpicada de pintas brancas.
Close da cabeça do estorninho mostrando bico amarelo e brilho metálico
Detalhe da cabeça: bico amarelo na primavera e brilho esverdeado.
Revoada de estorninhos em murmuração ao pôr do sol
Murmuração: voo sincronizado de milhares de estorninhos.
Estorninho se alimentando no solo sondando a grama
Estorninho sondando o solo em busca de larvas e insetos.
Ninho de estorninho em cavidade com ovos azul-claros
Ninho em cavidade com ovos azul-pálidos característicos.
Estorninho jovem com plumagem marrom acinzentada
Jovem estorninho ainda sem pintas e sem brilho metálico.

Perfil rápido de Estorninho

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

População global muito grande e amplamente distribuída.

População
estável
Protegido por
Não; manejado como invasor onde foi introduzido

Calendário

ReproduçãoJFMAMJJASOND
Muda de penasJFMAMJJASOND
Migração/Dispersão (Hemisfério Norte)JFMAMJJASOND
Dormitórios de invernoJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
2 a 3 anos em média, mortalidade alta no primeiro ano
Em cativeiro
Até 15 a 20 anos com manejo adequado
Maturidade sexual
1 ano de idade

Reprodução

Acasalamento
Monogâmico social, mas machos podem ser poligínicos
Estrutura social
Colonial frouxa, ninhos próximos em cavidades
Padrão sazonal
Primavera, 1 a 2 ninhadas por estação
Tipo de nascimento
Ovíparo, ovos azul-claros
Ninhada
4 a 6 ovos; incubação 12 a 14 dias; filhotes deixam o ninho com 21 a 23 dias

Habitat

Ambientes

  • Campos abertos
  • Pastagens
  • Pomares e parreirais
  • Parques urbanos
  • Centros urbanos e áreas industriais

Biomas

  • Campos temperados
  • Áreas urbanas
  • Zonas agrícolas

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Insetos e larvas
  • Frutos e bagas

Outros alimentos

  • Sementes
  • Grãos
  • Restos alimentares humanos

Encontrado em 12 países

  • Reino Unido
  • França
  • Alemanha
  • Espanha
  • Portugal
  • Estados Unidos
  • Canadá
  • Argentina
  • Brasil
  • Austrália
  • Nova Zelândia
  • África do Sul

Como animal de estimação

Adequação
Não recomendado como pet; ave silvestre e muito ativa
Legalidade no Brasil
Exige autorização do IBAMA; captura e comércio de silvestres sem licença é crime ambiental
Nível de cuidado
Alto; precisa de viveiro grande, enriquecimento e dieta variada
Observação
Prefira observar livre; não solte aves criadas em cativeiro na natureza

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Aves
Ordem
Passeriformes
Família
Sturnidae
Gênero
Sturnus
Espécie
Sturnus vulgaris

Resumo

  • O estorninho-comum tem 19 a 22 cm, plumagem preta com pintas brancas no inverno e bico amarelo na primavera, além de canto mimético.
  • Vive em bandos grandes, forma murmurações de milhares de aves e se adaptou a cidades, campos e áreas agrícolas em quase todo o mundo.
  • Onívoro e muito inteligente, é considerado praga invasora nas Américas por competir com aves nativas e danificar cultivos.

Características

Ficha da espécie

FamíliaSturnidae
Origem e distribuiçãoEurásia; introduzido na América do Norte, América do Sul, África do Sul, Austrália e Nova Zelândia
HabitatCampos, pastagens, pomares, cidades e zonas costeiras
Tamanho (comprimento)19 a 22 cm
Envergadura37 a 42 cm
Peso60 a 95 g
Corespretoverde metálicoroxo metálicobrancomarromamarelo (bico)
Expectativa de vida2 a 3 anos na natureza, até 15 anos em cativeiro
AlimentaçãoOnívora (insetos, frutos, sementes)
CantoAssobios, estalos e imitação de outras aves e sons urbanos
Reprodução (ninho e ovos)Ninho em cavidades; 4 a 6 ovos azul-claros; incubação 12 a 14 dias
Comportamento socialExtremamente gregário, bandos de centenas a milhares
Variedades ou subespécies12 subespécies reconhecidas (ex: S. v. vulgaris, S. v. faroensis)

Perfil e comportamento

SociabilidadeMuito alto
Intensidade do cantoAlto
InteligênciaMuito alto
Facilidade de criaçãoBaixo
Necessidade de espaçoAlto
Nível de atividadeMuito alto
Capacidade de imitar sonsMuito alto

Como identificar o estorninho: tamanho, plumagem e bico que mudam

O estorninho-comum é um pássaro compacto de 19 a 22 cm e 60 a 95 g, com asas triangulares e cauda curta. De longe parece preto, mas de perto revela brilho verde-metálico e roxo-metálico nas costas e no peito.

O detalhe que mais confunde é a mudança sazonal. No inverno a plumagem é densamente salpicada de pintas brancas em forma de coração, que são as pontas claras das penas novas. No verão, com o desgaste, o pássaro fica quase todo escuro e brilhante.

O bico também muda. Fica amarelo-limão na primavera, fase reprodutiva, e escurece para cinza-escuro no outono e inverno. Pernas são rosadas a avermelhadas e os olhos são escuros. Macho e fêmea são muito parecidos, com o macho ligeiramente mais brilhante e com base do bico azulada.

Onde vive o estorninho e por que chegou ao Brasil

Nativo da Europa e Ásia temperada, o estorninho ocupa hoje quase todo o Hemisfério Norte e áreas introduzidas no Sul. A expansão foi ajudada pelo homem: em 1890, 60 a 100 aves foram soltas no Central Park, em Nova York, por Eugene Schieffelin, que queria introduzir todas as aves citadas por Shakespeare.

Dessa soltura, a população norte-americana passou de 200 milhões de indivíduos e se espalhou até o Alasca e o México. Na América do Sul há registros na Argentina desde os anos 1980 e no Brasil a partir dos anos 2000, sobretudo no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e áreas urbanas do Sudeste, ainda de forma localizada.

Habita campos abertos, pastagens, pomares, parques urbanos e centros de cidades. Evita florestas densas. Dorme em dormitórios coletivos que podem reunir milhares a centenas de milhares de aves em prédios, pontes e bosques.

O que o estorninho come na cidade e no campo

É onívoro oportunista. Na primavera e verão consome principalmente insetos e larvas capturados no chão com o bico aberto em forma de pinça, técnica chamada de sondagem. Besouros, lagartas, moscas e minhocas são a base.

No outono e inverno muda para frutos, bagas, sementes e restos humanos. Uvas, cerejas, azeitonas, figos e grãos são muito procurados, o que gera conflito com agricultores. Em cidades frequenta lixeiras, praças e comedouros.

  • Alimento preferido: larvas de tipulídeos e besouros de solo
  • Frutos mais consumidos: uva, cereja, mirtilo e sabugueiro
  • Estratégia: forrageia em bando, caminhando rápido e sondando o solo

Canto, imitação e inteligência: o que torna o estorninho único

O canto não é melódico como o de um sabiá. É uma mistura de assobios, estalos, rangidos e gorjeios em sequência rápida, com pausas curtas. Cada macho tem repertório próprio e canta empoleirado no alto para defender território.

A fama vem da capacidade de imitar. Um estorninho pode copiar mais de 20 espécies de aves, além de sons humanos, alarmes de carro, celulares e apitos. Em cativeiro, alguns aprendem palavras com clareza surpreendente, rivalizando com papagaios.

É uma das aves passeriformes mais inteligentes. Estudos mostram resolução de problemas, reconhecimento de padrões e aprendizado por observação. Essa inteligência explica a adaptação rápida a ambientes urbanos e a dificuldade de manejo onde é invasor.

Murmuração: o balé aéreo de milhares de estorninhos

A murmuração é o voo sincronizado de milhares de estorninhos antes de pousar para dormir. O bando se move como uma nuvem líquida, fazendo curvas fechadas sem colisões.

Cada ave reage apenas às 6 ou 7 vizinhas mais próximas, não ao bando inteiro. Essa regra simples cria o efeito coletivo. O comportamento serve para confundir predadores como falcões e para trocar informação sobre dormitórios e áreas de alimentação.

As maiores murmurações na Europa reúnem mais de 100 mil aves e duram até 30 minutos ao pôr do sol. Vídeos desse fenômeno são um dos espetáculos naturais mais compartilhados do mundo.

Reprodução, ninhos e filhotes

O estorninho nidifica em cavidades: ocos de árvores, telhados, caixas-ninho e buracos em postes. Compete agressivamente por esses locais e pode expulsar pica-paus e andorinhas.

O macho constrói a base do ninho com capim seco e decora com folhas verdes e flores, que teriam função de repelir parasitas. A fêmea completa o forro. A postura é de 4 a 6 ovos azul-pálidos e brilhantes, incubados por 12 a 14 dias, principalmente pela fêmea.

Os filhotes nascem cegos e com penugem rala. São alimentados por ambos os pais e deixam o ninho com 21 a 23 dias, mas continuam sendo alimentados por mais uma semana. Pode haver 1 a 2 ninhadas por ano, e o sucesso é alto em áreas urbanas.

Diferenças entre filhote e adulto

Filhotes e jovens do primeiro ano são marrom-acinzentados uniformes, sem pintas e sem brilho metálico, com bico escuro. Só após a primeira muda, no final do verão, ganham a plumagem adulta pintada.

Migração e ciclo anual

Na maior parte da Europa é migrador parcial. Populações do norte migram para o sul no outono, enquanto as do sul são residentes. O deslocamento é em bandos grandes e durante o dia.

O ciclo é bem marcado: primavera para reprodução, verão para muda das penas, outono para dispersão e inverno em dormitórios coletivos. No Brasil, por ser introduzido recentemente, ainda não há padrão migratório definido, com movimentos locais em busca de alimento.

Período Comportamento Detalhe
Março a Junho Reprodução Machos cantam e defendem cavidades
Julho a Agosto Muda Plumagem nova com muitas pintas brancas
Setembro a Novembro Migração/Dispersão Bandos se deslocam para o sul
Dezembro a Fevereiro Dormitórios de inverno Murmurações ao entardecer

Estorninho pode ser criado em casa? Legalidade no Brasil

Não é ave de estimação no Brasil. Por ser espécie exótica silvestre, sua criação exige autorização do IBAMA e de órgãos estaduais, e a captura de aves na natureza é crime ambiental previsto na Lei 9.605/98.

Mesmo onde é permitido em outros países, o estorninho não é indicado para iniciantes. É barulhento, muito ativo, precisa de viveiro grande, suja bastante e exige enriquecimento constante. Soltar um estorninho criado em cativeiro é prejudicial, pois reforça a invasão biológica.

Na nossa avaliação, a melhor forma de conviver com ele é observando livre na natureza ou em centros urbanos, sem tentar mantê-lo engaiolado. Se encontrar filhote caído, o correto é acionar órgão ambiental, não levar para casa.

Conservação: comum na Europa, praga invasora nas Américas

Globalmente é classificado como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população estimada em mais de 300 milhões de indivíduos e tendência estável na área nativa. Na Europa, porém, algumas populações rurais estão em declínio por uso de pesticidas.

Onde foi introduzido, o problema é o oposto. Nos EUA é considerado uma das piores espécies invasoras, causando prejuízos milionários à agricultura e competindo por ninhos com aves nativas como o pássaro-azul. Na Austrália e Nova Zelândia também é manejado.

No Brasil ainda não há manejo oficial, mas pesquisadores alertam para monitoramento, já que a espécie tem alto potencial invasor e se beneficia de áreas urbanas e agrícolas.

Perguntas frequentes

Estorninho existe no Brasil?

Sim, mas ainda é raro e localizado. Há registros no Sul e Sudeste desde os anos 2000, como espécie exótica introduzida, sem população grande como nos EUA.

Estorninho imita a voz humana?

Sim. É um dos melhores imitadores entre os passeriformes e pode aprender palavras e sons urbanos com clareza, embora não seja tão falante quanto papagaios.

Qual a diferença entre estorninho de inverno e de verão?

No inverno tem muitas pintas brancas e bico escuro; no verão fica preto brilhante com reflexos verdes e roxos e bico amarelo. É a mesma ave com plumagem desgastada.

O que é murmuração de estorninhos?

É o voo sincronizado de milhares de estorninhos ao entardecer, formando desenhos no céu para se proteger de predadores antes de dormir.

Estorninho pode ser criado em gaiola?

No Brasil, só com autorização do IBAMA por ser silvestre exótico. Não é recomendado: precisa de muito espaço, faz sujeira e seu canto alto incomoda em apartamento.

Estorninho traz prejuízo?

Sim, onde é invasor. Consome uvas, cerejas e grãos em bandos grandes e compete por cavidades com aves nativas, causando perdas agrícolas.

Quanto tempo vive um estorninho?

Na natureza vive em média 2 a 3 anos, mas em cativeiro pode chegar a 15 anos ou mais.

Fatos surpreendentes sobre o estorninho

1

O estorninho de Shakespeare

A população de 200 milhões nos EUA descende de cerca de 60 aves soltas em 1890 no Central Park por um admirador de Shakespeare que queria ter todas as aves citadas pelo poeta na América.

2

Bico que funciona como pinça

Ele enfia o bico fechado no solo e só então abre com força para afastar a terra e expor larvas, técnica rara entre pássaros e que explica por que anda sondando gramados.

3

Pintas que somem sozinhas

As pintas brancas de inverno não caem por muda, elas se desgastam. As pontas claras das penas vão se quebrando até o verão, quando o pássaro fica escuro e brilhante sem trocar de pena.

4

Imitador de até 20 vozes

Um único macho pode imitar gaviões, gaivotas, cães latindo e até toques de celular para parecer mais experiente e atrair fêmeas, que preferem machos com repertório maior.

Fontes

  1. IUCN Red List - Sturnus vulgaris
  2. BirdLife International
  3. WikiAves
  4. Cornell Lab - All About Birds

Prós e contras: Estorninho

Prós

  • Canto extremamente variado e capacidade de imitar outras aves e sons
  • Inteligência alta e fácil adaptação a cidades
  • Espetáculo natural das murmurações em bando
  • Controle natural de insetos e larvas no solo
  • Muito resistente e de fácil observação em áreas abertas

Contras

  • Espécie invasora que compete com aves nativas por ninhos
  • Pode causar prejuízos em parreirais e pomares
  • Muito barulhento e suja bastante quando em dormitórios urbanos
  • Não indicado como ave de gaiola, exige viveiro grande
  • Pode formar bandos enormes difíceis de manejar
Nossa opinião

O estorninho é a prova de que ave comum pode ser extraordinária: feio de longe e lindo de perto, barulhento sozinho e hipnótico em bando. Na nossa avaliação, seu maior valor está na observação livre das murmurações, não na gaiola, e o Brasil deveria monitorá-lo cedo antes que vire praga como nos EUA.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.