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Guaco

Mikania glomerata Spreng. (e Mikania laevigata Sch.Bip. ex Baker)

Atualizado em

2 a 4 m como trepadeiraTamanho
Sol pleno a meia-sombraLuminosidade
Moderada, solo úmidoRega
PereneCiclo de vida
Fácil a moderadaDificuldade
Guaco adulto trepando em treliça de madeira no jardim com folhas verdes em forma de coração

O guaco é uma trepadeira perene nativa da Mata Atlântica, famosa pelo aroma adocicado de baunilha que exala quando as folhas são amassadas ou secas. As duas espécies oficiais no Brasil, Mikania glomerata e Mikania laevigata, são usadas há séculos como expectorante e fazem parte da Farmacopeia Brasileira.

De crescimento rápido e vigoroso, pode ultrapassar 3 metros em poucos meses se tiver suporte para subir. É uma planta de sol pleno a meia-sombra, rústica e muito produtiva, ideal para cercas, pérgolas e caramanchões, mas que exige podas regulares para não dominar o espaço.

Apesar da fama medicinal, não é uma planta para uso improvisado. A cumarina, seu princípio ativo, exige dose e preparo corretos e tem contraindicações importantes, por isso o cultivo doméstico deve focar na colheita segura e no uso sempre orientado por profissional de saúde.

Também conhecido como: guaco-cheiroso, guaco-de-cheiro, erva-de-cobra, cipó-guaco, guaco-liso, heartleaf hempvine (inglês)

Faz parte de: Plantas para Jardim, Plantas para Vasos, Plantas Trepadeiras

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Galeria de fotos de Guaco

Guaco adulto trepando em treliça de madeira no jardim com folhas verdes em forma de coração
Guaco adulto cobrindo treliça; note as folhas opostas e o caule volúvel.
Close-up das folhas do guaco mostrando nervuras e pecíolo
Detalhe da folha de guaco com nervuras palmadas e base hastada.
Floração do guaco com pequenos capítulos brancos em cacho
Floração branca do guaco entre agosto e novembro.
Guaco cultivado em vaso grande com tutor em varanda ensolarada
Guaco em vaso grande precisa de tutor alto e sol direto.
Propagação do guaco por estacas em bandeja de mudas
Estaquia de guaco: estacas de 15 a 20 cm enraízam em 20 a 30 dias.
Folhas secas de guaco armazenadas em pote de vidro escuro
Folhas secas à sombra mantêm aroma de baunilha por meses.
Ideal para

Guaco é ideal para quem busca uma trepadeira medicinal produtiva e de crescimento rápido para cobrir cercas e pérgolas, com manejo simples e colheitas frequentes. Funciona muito bem para quem tem quintal com sol pleno e gosta de fitoterapia com orientação profissional. Também agrada quem quer atrair polinizadores, já que a floração branca é muito visitada por abelhas nativas na primavera.

Pode não ser ideal para

Pode não ser ideal para quem tem pouco espaço, varanda sombreada ou não pode fazer podas regulares, pois sem controle o guaco domina vasos e canteiros vizinhos. Também não é indicado para casas com crianças pequenas ou pets que mordem plantas sem supervisão, nem para quem busca uso medicinal sem acompanhamento, devido às contraindicações da cumarina.

Cultivo rápido

Luz
Sol pleno a meia-sombra; mínimo 4 horas de sol direto para bom teor de cumarina
Rega
Moderada; 2 a 3 vezes por semana no verão, reduzindo no inverno; solo levemente úmido
Solo
Fértil, leve e bem drenado, rico em matéria orgânica; pH 5,5 a 6,5
Temperatura
Ideal 18 °C a 28 °C; sensível a geada forte e a frio abaixo de 5 °C
Adubação
Composto orgânico ou húmus a cada 45-60 dias na primavera-verão; evitar excesso de nitrogênio
Poda
Mensal na estação quente; condução no tutor e colheita de até 1/3 dos ramos por vez
Propagação
Estacas de 15-20 cm com 2-3 nós; enraizamento em 20-30 dias à meia-sombra

Perfil rápido de Guaco

Calendário

Plantio (estaquia)JFMAMJJASOND
Poda de limpezaJFMAMJJASOND
FloraçãoJFMAMJJASOND
Colheita de folhasJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsPotencialmente tóxica
  • PessoasUso medicinal com contraindicações

Contém cumarina; evitar em grávidas, lactantes, crianças <2 anos e quem usa anticoagulantes. Para pets, ingestão em quantidade pode causar irritação e alteração de coagulação; busque veterinário.

Habitat

Ambientes

  • bordas de mata, capoeiras, cercas e áreas úmidas bem iluminadas
  • jardins, quintais e vasos grandes com tutor em regiões subtropicais e tropicais

Biomas

  • Mata Atlântica
  • Cerrado
  • Pampa

Encontrado em 4 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Paraguai
  • Uruguai

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Magnoliophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Asterales
Família
Asteraceae
Gênero
Mikania
Espécie
Mikania glomerata Spreng.

Resumo

  • Guaco é a trepadeira nativa Mikania glomerata/laevigata, perene e de crescimento rápido, reconhecida pelo cheiro de cumarina que lembra baunilha e pelas folhas em forma de lança.
  • Precisa de sol pleno a meia-sombra, solo fértil e úmido, rega regular e tutor para subir, com propagação fácil por estacas e colheita de folhas a partir do 4º mês.
  • É planta medicinal expectorante com uso tradicional e oficial em xarope, mas contém cumarina e não deve ser usada por grávidas, lactantes e pessoas com problemas hepáticos sem orientação médica.

Características

Ficha da planta

Nome popularGuaco, guaco-cheiroso, erva-de-cobra, cipó-guaco
Nome científicoMikania glomerata Spreng. (sin. Mikania laevigata)
Família botânicaAsteraceae
OrigemAmérica do Sul – Mata Atlântica (Brasil)
Tipo de plantaTrepadeira volúvel perene, medicinal
Ciclo de vidaPerene
Tamanho2 a 4 m de comprimento (até 6 m sem poda)
LuminosidadeSol pleno a meia-sombra (mín. 4 h de sol)
RegaModerada, manter solo levemente úmido
SoloFértil, leve, bem drenado, rico em matéria orgânica, pH 5,5 a 6,5
Temperatura18 °C a 28 °C; não tolera geada forte
PropagaçãoEstacas de ramo e sementes
Toxicidade para petsPotencialmente tóxica se ingerida em quantidade; consultar veterinário

Perfil e comportamento

Necessidade de luzAlto
Necessidade de águaMédio
Facilidade de cultivoAlto
Adequação a vasosMédio
Resistência a pragasAlto
Tolerância ao frioBaixo
Tolerância ao calorMuito alto
Valor ornamentalMédio

Como reconhecer o guaco verdadeiro e não confundir com outras trepadeiras

O guaco oficial vendido em farmácias corresponde a duas espécies muito parecidas: Mikania glomerata e Mikania laevigata. Ambas são trepadeiras volúveis, com caule fino, flexível e estriado, que se enrola no suporte e forma moitas densas. A diferença está na folha.

Mikania glomerata tem folhas opostas, com base em forma de coração ou hastada e pecíolo curto, enquanto Mikania laevigata tem folhas mais lanceoladas, brilhantes e com base menos recortada. Nas duas, a folha é verde-escura, lisa, com 3 a 5 nervuras bem marcadas e libera um cheiro forte de cumarina, semelhante a baunilha ou feno seco, quando amassada. Esse aroma é o melhor teste de campo.

  • Flores: pequenas, brancas a creme, reunidas em capítulos densos no final do inverno e primavera, muito visitadas por abelhas.
  • Cheiro: adocicado e persistente após a secagem; trepadeiras sem cheiro não são guaco.
  • Crescimento: ramos que se entrelaçam e podem cobrir 3 metros em uma estação se não forem podados.

Muita gente confunde guaco com hera ou cipó-de-são-joão. Na nossa avaliação, o erro mais comum é comprar muda sem cheiro em feira livre. Se não tiver aroma de baunilha e folhas opostas com nervuras palmadas, desconfie.

Guaco é tóxico? O que você precisa saber antes de usar

Guaco não é tóxico no uso culinário ocasional, mas é medicinal e tem contraindicações. O princípio ativo é a cumarina, que tem ação broncodilatadora e expectorante, mas em excesso pode causar náusea, vômito, sangramento e sobrecarga hepática. A planta também contém diterpenos que desaconselham o uso prolongado sem orientação.

É contraindicado para grávidas, lactantes, crianças menores de 2 anos e pessoas com doença hepática, distúrbios de coagulação ou uso de anticoagulantes. Para pets, a ingestão de folhas em quantidade pode causar irritação gastrointestinal e alterações de coagulação pela cumarina, por isso mantenha vasos fora do alcance de cães e gatos curiosos e consulte veterinário em caso de ingestão.

O guaco está na Farmacopeia Brasileira e no SUS como fitoterápico na forma de xarope e tintura com dose padronizada. Chá caseiro não tem dose precisa e não deve substituir tratamento para asma, bronquite ou tosse persistente. Use apenas folhas bem identificadas, secas à sombra, e sempre com orientação de profissional de saúde.

Onde plantar: luz, solo e suporte certos para o guaco render

Guaco rende melhor em sol pleno com 4 a 6 horas de sol direto, mas tolera meia-sombra com floração menor. Em sombra fechada, fica estiolado, com folhas pequenas e pouco aroma. Vento frio e geada queimam as pontas, então em Sul e Sudeste plante junto a muro ou cerca protegida.

O solo ideal é fértil, fofo e bem drenado, rico em matéria orgânica. Mistura prática para vaso grande ou canteiro: 2 partes de terra vegetal, 1 parte de húmus de minhoca e 1 parte de areia grossa ou perlita. pH entre 5,5 e 6,5. Solo encharcado apodrece a base do caule, solo muito pobre deixa a folha amarelada e sem óleo.

Por ser trepadeira, precisa de tutor desde o início: treliça, cerca, pérgola ou arco. Sem apoio, vira moita rasteira que abafa outras plantas. Deixe 1 a 1,5 m de distância de outras espécies e preveja podas mensais na estação quente.

Como plantar guaco por estaquia: o método que mais funciona

A forma mais rápida e fiel é por estaca de ramo semilenhoso. Semente existe, mas germina de forma irregular e demora mais. O melhor período no Brasil é final do inverno ao início da primavera, quando a planta retoma o crescimento.

  • Corte estacas de 15 a 20 cm com 2 a 3 nós, logo abaixo de um nó, de ramos saudáveis e sem flores.
  • Retire as folhas da base, mantenha 1 a 2 folhas no topo cortadas ao meio para reduzir transpiração.
  • Plante em substrato úmido (terra + areia) enterrando 1 nó, mantenha à meia-sombra e cubra com saco plástico perfurado por 10 dias para manter umidade.
  • Enraizamento ocorre em 20 a 30 dias. Transplante para vaso de no mínimo 30 a 40 litros ou para o chão quando as raízes aparecerem no fundo.

Em vaso, use vaso profundo com furos e camada de drenagem de argila expandida. No chão, faça cova de 30 x 30 cm com composto orgânico. Regue bem após o plantio e tutor e imediatamente, guiando os ramos com barbante de algodão sem apertar.

Rega, adubação e poda: a rotina para folhas aromáticas o ano todo

Guaco gosta de umidade constante, mas não de solo encharcado. Regue 2 a 3 vezes por semana no verão e 1 a 2 vezes no inverno, sempre quando os 2 cm superficiais secarem. Em vaso, a rega é mais frequente. Folha murcha ao meio-dia e que recupera à tarde indica falta d’água; folha amarela na base com solo úmido indica excesso.

Adube a cada 45 a 60 dias na primavera e verão com composto orgânico ou húmus (1 a 2 litros por planta) e farinha de ossos ou NPK 4-14-8 conforme análise de solo. Excesso de nitrogênio dá muito ramo e pouca cumarina. Uma cobertura morta com palha mantém umidade e alimenta o solo.

A poda é obrigatória. Faça poda de condução guiando os ramos no tutor e poda de colheita cortando até 1/3 dos ramos por vez, sempre acima de um nó. Nunca arranque folhas isoladas deixando o ramo pelado. No final do inverno, faça poda de limpeza retirando ramos secos e finos para estimular brotação forte.

Guaco em vaso funciona?

Sim, desde que o vaso seja grande, com tutor vertical e poda frequente. Em apartamento, escolha varanda com sol da manhã e vento moderado. Vasos pequenos travam o crescimento e reduzem o teor de cumarina.

Floração, colheita e secagem: quando e como colher sem enfraquecer a planta

A floração ocorre de agosto a novembro, com inflorescências brancas em forma de pompom que atraem abelhas nativas. Após florir, a planta concentra energia nas sementes e o aroma das folhas pode diminuir, por isso muitos cultivadores removem parte das flores se o objetivo é folha.

Comece a colher a partir do 4º mês após o plantio, quando a planta já cobre o tutor. Colha pela manhã, após o orvalho secar, cortando ramos de 20 cm com tesoura limpa. Deixe sempre pelo menos 50% da folhagem para a planta se recuperar. Folhas mais velhas, do meio do ramo, são mais ricas em cumarina que brotos muito novos.

Para secar, lave rapidamente, seque com pano e espalhe em local sombreado, ventilado e sem sol direto por 5 a 7 dias, virando diariamente. Quando quebrarem ao dobrar, guarde em pote de vidro escuro por até 6 meses. O cheiro de baunilha se intensifica na secagem correta; cheiro de mofo indica secagem lenta ou armazenamento úmido.

Pragas, doenças e os 3 erros que mais matam o guaco

Guaco é rústico e pouco atacado, mas pode sofrer com pulgões e ácaros em tempo seco e com oídio (pó branco nas folhas) quando há pouca ventilação. Lagartas também roem folhas na primavera. Remova manualmente infestações pequenas e use jato d’água ou óleo de neem em casos maiores, sempre ao entardecer.

Os erros fatais são: 1) vaso pequeno sem drenagem, que causa podridão de raiz; 2) sombra total, que deixa a planta fraca e sem princípio ativo; 3) colheita excessiva de uma só vez, que esgota a trepadeira. Outro erro comum é confundir guaco com Mikania cordifolia, espécie ornamental sem cumarina e sem efeito medicinal.

Mantenha o entorno limpo, sem mato abafando a base, e garanta circulação de ar entre os ramos. Se notar folhas com bordas secas e solo úmido, suspenda a adubação e verifique drenagem. Planta bem nutrida, com sol e poda, raramente adoece.

Perguntas frequentes

Guaco é o mesmo que Mikania glomerata e Mikania laevigata?

Sim, as duas são consideradas guaco oficial no Brasil e têm uso medicinal reconhecido, com diferenças sutis na folha e no brilho, mas mesmo princípio ativo.

Como plantar guaco em vaso?

Use vaso de 30 a 40 litros com drenagem, substrato fértil e tutor alto, em local com 4 a 6 horas de sol, e plante estacas de 15 a 20 cm na primavera.

Guaco gosta de sol ou sombra?

Prefere sol pleno a meia-sombra. Sombra total deixa a planta fraca, com poucas folhas e pouco aroma.

Quanto tempo para colher as folhas?

A partir do 4º mês após a estaquia já é possível colher ramos, sempre deixando metade da folhagem para a planta se recuperar.

Guaco é tóxico para cachorro e gato?

Pode ser se ingerido em quantidade por causa da cumarina. Mantenha fora do alcance e procure veterinário se houver ingestão.

Quando o guaco floresce?

Entre agosto e novembro no Brasil, com flores brancas pequenas muito visitadas por abelhas.

Como secar guaco para guardar?

Seque à sombra, em local ventilado por 5 a 7 dias até as folhas quebrarem ao dobrar, e armazene em pote escuro e seco por até 6 meses.

Você sabia?

1

O cheiro de baunilha só aparece depois

A cumarina do guaco quase não tem cheiro na folha fresca; o aroma adocicado surge quando a folha é amassada ou seca, pela liberação do composto volátil.

2

Está na Farmacopeia e no SUS

Mikania glomerata e M. laevigata são as únicas espécies oficiais de guaco no Brasil, com xarope padronizado distribuído na rede pública como expectorante.

3

Nome que vem de pássaro

Uma das teorias é que guaco vem do pássaro guaco, pois indígenas notaram que a ave buscava a planta após ser picada por cobras, daí o nome erva-de-cobra.

4

Flores que alimentam abelhas nativas

A floração de agosto a novembro produz néctar abundante e é importante para abelhas sem ferrão, como jataí e mandaçaia, no Sudeste.

Fontes

  1. Embrapa
  2. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  3. Farmacopeia Brasileira - Anvisa

Prós e contras: Guaco

Prós

  • Crescimento muito rápido e rústico, ótimo para cobrir cercas e pérgolas
  • Propagação fácil por estacas com alta taxa de pega
  • Floração melífera que atrai abelhas nativas
  • Folhas com alto rendimento e aroma intenso após secagem
  • Adaptável a vaso grande com manejo simples

Contras

  • Trepadeira vigorosa que domina o espaço sem podas regulares
  • Sensível a geada forte e a sombra total
  • Uso medicinal exige dose e tem contraindicações (grávidas, lactantes, anticoagulantes)
  • Pode causar intoxicação em pets se ingerido em quantidade
  • Facilmente confundido com espécies de Mikania sem cumarina
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o guaco é uma das poucas medicinais que vale cultivar em casa no Brasil: cresce rápido, exige pouco e entrega matéria-prima aromática de verdade. Só não deve ser tratado como chá inofensivo para qualquer tosse; sem identificação correta e dose orientada, o risco supera o benefício.

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Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.