🐰 Coelhos e Roedores

Esquilo-voador

Pteromyini (ex.: Glaucomys volans)

Atualizado em

20 a 30 cm + cauda de 15 cmTamanho
60 a 180 g nas espécies pequenasPeso
5-6 anos na natureza, até 13 em cativeiroExpectativa de vida
Muito alta e noturnaEnergia
Grande e verticalEspaço necessário
Esquilo-voador adulto planando entre árvores à noite com patágio esticado

O esquilo-voador não é um coelho e não voa como um pássaro. É um roedor da família Sciuridae, da tribo Pteromyini, que plana entre árvores usando uma membrana chamada patágio, esticada entre os pulsos e os tornozelos.

São animais estritamente noturnos, de olhos enormes e pelagem extremamente macia, com cerca de 50 espécies espalhadas por América do Norte, Europa e Ásia. No Brasil não existe nenhuma espécie nativa e a criação como pet é ilegal sem autorização do IBAMA, além de exigir manejo muito especializado.

Também conhecido como: Esquilo planador, Esquilo voador gigante, Flying squirrel (inglês), Écureuil volant (francês), Flughörnchen (alemão)

Faz parte de: Roedores Selvagens

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Galeria de fotos de Esquilo-voador

Esquilo-voador adulto planando entre árvores à noite com patágio esticado
Esquilo-voador em planeio, com patágio aberto entre as patas.
Rosto de esquilo-voador em close com olhos grandes e escuros
Detalhe dos olhos grandes, adaptação para vida noturna.
Filhotes recém-nascidos de esquilo-voador no ninho dentro de oco de árvore
Filhotes nus e cegos dependem totalmente da mãe nas primeiras semanas.
Esquilo-voador comendo fungo e nozes dentro de oco de árvore
Dieta rica em fungos é essencial para a espécie.
Esquilo-voador em recinto vertical com galhos e caixa-ninho
Recinto precisa ser alto e com ocos para simular a floresta.
Detalhe da membrana patágio e pelagem macia do esquilo-voador
Patágio sustentado por cartilagem estiliforme permite controlar o planeio.

Perfil rápido de Esquilo-voador

Vida útil

Na natureza
5 a 6 anos
Em cativeiro
10 a 13 anos com manejo especializado

Reprodução

Maturidade sexual
9 a 12 meses
Época reprodutiva
Final do inverno à primavera (Hemisfério Norte)
Gestação
38 a 42 dias
Ninhada
2 a 4 filhotes, nus e cegos
Desmame e independência
65 a 70 dias; planeio funcional com ~60 dias

Habitat

Ambientes

  • Florestas boreais de coníferas
  • Florestas temperadas decíduas
  • Florestas mistas de altitude
  • Ocos de árvores maduras

Biomas

  • Taiga
  • Floresta Temperada
  • Floresta Tropical de Montanha

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Nozes e sementes
  • Frutos silvestres
  • Fungos e líquens (micorrizas e trufas)

Outros alimentos

  • Insetos e lagartas
  • Ovos de aves
  • Cascas, seiva e brotos

Encontrado em 8 países

  • Estados Unidos
  • Canadá
  • Japão
  • Rússia
  • China
  • Finlândia
  • Alemanha
  • Coreia do Sul

Como animal de estimação

Adequação como pet
Baixa; silvestre, noturno e muito sensível ao estresse
Legalidade no Brasil
Exige autorização do IBAMA; comércio sem registro é crime ambiental
Nível de cuidado
Muito alto; recinto vertical, dieta especializada e veterinário de silvestres
Temperamento
Arisco, morde quando manipulado de dia; não recomendado para crianças

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Mammalia
Ordem
Rodentia
Família
Sciuridae
Gênero
Glaucomys (representativo; tribo Pteromyini tem ~15 gêneros)
Espécie
Glaucomys volans (esquilo-voador-do-sul, exemplo mais estudado)

Resumo

  • O esquilo-voador é um roedor noturno que plana com o patágio e pode percorrer até 90 metros em um único salto entre árvores.
  • Vive em florestas temperadas e boreais, forma colônias pequenas e se alimenta de sementes, frutos, fungos e insetos.
  • Não é animal doméstico no Brasil: é silvestre, protegido por lei e sofre muito com estresse e manejo inadequado em cativeiro.
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Características

Ficha da espécie

OrdemRodentia
OrigemAmérica do Norte, Europa e Ásia
Tamanho20 a 60 cm com cauda (50 espécies variam muito)
Peso60 g a 2,5 kg (Glaucomys ~70 g; Petaurista até 2,5 kg)
Expectativa de vida5 a 6 anos na natureza; 10 a 13 anos em cativeiro
PelagemDensa, macia e sedosa
Corescinzamarrompretobrancobegeavermelhado
AlimentaçãoOnívora
HábitosNoturno
ConvivênciaVive em pequenos grupos familiares
Principais problemas de saúdeObesidade, má oclusão dentária, estresse, infecções fúngicas e metabólicas

Perfil e comportamento

DocilidadeBaixo
Nível de energiaMuito alto
SociabilidadeMédio
Adequado para criançasMuito baixo
Facilidade de cuidadoMuito baixo
BarulhoBaixo
Necessidade de espaçoMuito alto
Convive com outros animaisBaixo

Como identificar um esquilo-voador de verdade

O erro mais comum é achar que é um esquilo comum com capa. O esquilo-voador tem uma membrana de pele chamada patágio que vai do punho até o tornozelo, formando uma espécie de paraquedas quando ele estica as patas.

Quando está em repouso, essa membrana fica dobrada e quase invisível, parecendo apenas pele solta nas laterais. Em voo planado, o animal abre as quatro patas e a cauda achatada funciona como leme.

Outros traços inconfundíveis: olhos enormes e pretos, adaptados para visão noturna, orelhas pequenas e arredondadas e pelagem muito mais densa e aveludada que a do esquilo-cinzento diurno. A cauda é longa, larga e achatada horizontalmente, não em forma de espanador vertical.

Existe ainda um detalhe anatômico único: um osso cartilaginoso chamado estiliforme no punho, que sustenta a borda do patágio e permite controlar a curvatura durante o planeio. Nenhum outro esquilo tem isso.

Onde vive e como ele plana sem voar

Esquilos-voadores não batem asas. Eles sobem no topo de uma árvore, se lançam e planam em trajetória descendente, controlando direção e altitude com patas, cauda e membrana.

As espécies pequenas da América do Norte, como Glaucomys volans, planam de 20 a 50 metros. Já os gigantes asiáticos do gênero Petaurista podem ultrapassar 90 metros em um único salto e fazer curvas de até 180 graus para desviar de troncos.

Na natureza ocupam florestas boreais, temperadas e tropicais de altitude, sempre onde há árvores maduras com cavidades para abrigo. Não constroem ninhos expostos como esquilos diurnos; dormem em ocos de árvores, ninhos de pica-pau abandonados ou caixas-ninho.

No Brasil não há ocorrência natural. Todos os vídeos de esquilo-voador por aqui são de animais exóticos mantidos irregularmente ou de espécies importadas para zoológicos.

Hábitos noturnos e comportamento social

É um animal estritamente noturno. Passa o dia dormindo enrolado em bola dentro do oco e sai ao entardecer para forragear. Os olhos grandes captam pouca luz e o bigode (vibrissas) ajuda a navegar no escuro.

Ao contrário do que muitos imaginam, não é solitário. A maioria das espécies forma grupos familiares de 4 a 10 indivíduos que compartilham o mesmo oco no inverno para conservar calor. Chegam a se aninhar juntos e reduzir a temperatura corporal entrando em torpor leve.

São silenciosos para humanos, mas se comunicam com vocalizações ultrassônicas acima de 20 kHz, inaudíveis para nós, além de piados suaves e marcação com glândulas odoríferas nas bochechas.

Quando se sentem ameaçados, não fogem correndo pelo tronco como esquilos diurnos. Preferem subir e planar para outra árvore, o que os torna difíceis de observar mesmo onde são comuns.

O que o esquilo-voador come na natureza

A dieta é onívora e muito dependente de fungos, o que o diferencia de outros esquilos. Micorrizas, líquens, trufas subterrâneas e cogumelos são parte central da alimentação, além de sementes, nozes, frutos, cascas e seiva.

Complementam com proteína animal: insetos, lagartas, ovos de pássaros e até pequenos vertebrados quando há oportunidade. No outono, estocam nozes e pinhas dentro de cavidades, mas com menos intensidade que esquilos diurnos.

Um ponto crítico: não produzem vitamina C em quantidade suficiente e dependem da dieta variada da floresta. Em cativeiro, a falta de diversidade causa deficiência nutricional rápida, obesidade e doença metabólica óssea.

  • Pode comer: nozes nativas, pinhões, sementes, frutos silvestres, fungos, insetos, brotos.
  • Não pode comer: leite, pão, biscoito, chocolate, alimentos temperados, ração de hamster ou de cachorro como base, frutas cítricas em excesso.

Reprodução e desenvolvimento dos filhotes

A reprodução é sazonal, geralmente entre janeiro e abril no Hemisfério Norte, com algumas espécies tendo segunda ninhada no verão. O acasalamento ocorre à noite e o macho não participa do cuidado parental.

A gestação dura cerca de 40 dias. A fêmea dá à luz de 2 a 4 filhotes nus, cegos e sem patágio desenvolvido, pesando apenas 5 a 7 gramas.

Os olhos abrem com 25 a 30 dias e o patágio só fica funcional perto dos 60 dias, quando começam os primeiros planeios curtos dentro do oco. O desmame ocorre com 65 a 70 dias, mas os jovens permanecem com a mãe até o outono.

Em florestas frias, as fêmeas sincronizam o cio com a disponibilidade de alimento. Anos de grande produção de sementes geram ninhadas maiores; anos de escassez podem suprimir a reprodução.

Saúde, longevidade e principais riscos

Na natureza vivem pouco, de 5 a 6 anos, por predação de corujas, martas e gatos-do-mato, além de quedas e invernos rigorosos. Em cativeiro bem manejado chegam a 10 a 13 anos, mas isso exige ambiente controlado.

Os problemas mais comuns em cativeiro são obesidade por dieta rica em gordura, má oclusão dentária (dentes crescem continuamente), dermatofitose por umidade e estresse crônico por luz e barulho diurno.

Por serem noturnos, sofrem com estresse luminoso e sonoro. Manter em sala clara, com manipulação constante de dia, leva a distúrbios comportamentais, automutilação e imunossupressão.

Qualquer sinal de apatia, perda de peso, secreção ocular, dificuldade para roer ou queda de pelos exige veterinário de animais silvestres ou exóticos. Nunca medique por conta própria.

Esquilo-voador x esquilo comum: diferenças rápidas

Característica Esquilo-voador Esquilo-cinzento diurno
Atividade Noturno Diurno
Membrana Patágio com osso estiliforme Ausente
Olhos Muito grandes Médios
Cauda Achatada horizontalmente Em espanador vertical
Ninho Oco de árvore Ninho esférico de folhas

Pode ter esquilo-voador como pet no Brasil? Legalidade e ética

Na nossa avaliação, não é um pet. No Brasil, todos os esquilos-voadores são considerados fauna silvestre exótica. A criação só é permitida com autorização do IBAMA, em criadouro ou mantenedouro autorizado, o que praticamente não existe para essas espécies.

Comprar pela internet ou em feiras é tráfico de animais silvestres, crime ambiental. Além da questão legal, o manejo é extremamente difícil: precisam de recinto vertical grande, temperatura amena, escuridão de dia, dieta com fungos e nozes específicas e enriquecimento para planeio.

São animais que não se adaptam a apartamento, barulho e rotina diurna. Mesmo criados desde filhotes, continuam ariscos, mordem quando estressados e não criam vínculo como cachorro ou gato.

Para quem busca um roedor pequeno para interação diurna, porquinho-da-índia, hamster-sírio ou gerbil são opções domésticas legais e com manejo bem documentado.

Curiosidades que pouca gente sabe e erros comuns

Muita gente confunde esquilo-voador com petauro-do-açúcar (Petaurus breviceps), o marsupial australiano. Apesar da aparência e do planeio semelhantes, são grupos totalmente diferentes: um é roedor placentário, o outro é marsupial. É um caso clássico de evolução convergente.

Outro mito é que eles hibernam profundamente. A maioria não hiberna de verdade; entra em torpor intermitente, acordando para comer estoques, e se agrupa para manter a temperatura. Só algumas espécies do norte da Ásia fazem hibernação mais longa.

Eles têm fluorescência rosa sob luz ultravioleta, descoberta em 2019 em Glaucomys norte-americanos. A função ainda é debatida, mas pode estar ligada à comunicação noturna.

Por fim, o patágio não serve só para planar. Quando enrolado para dormir, ele funciona como cobertor térmico, e as fêmeas o usam para aquecer os filhotes dentro do oco.

Perguntas frequentes

Esquilo-voador é coelho ou roedor?

É roedor da família Sciuridae, ordem Rodentia. Coelhos são lagomorfos, de outra ordem, e não têm patágio.

Esquilo-voador voa de verdade?

Não. Ele plana. Estica o patágio entre pulsos e tornozelos e controla o voo com a cauda, perdendo altura gradualmente.

Pode ter esquilo-voador em casa no Brasil?

Não legalmente como pet comum. É fauna silvestre exótica e precisa de autorização do IBAMA; a venda livre é considerada tráfico.

Qual a diferença para o petauro-do-açúcar?

O petauro é marsupial australiano, o esquilo-voador é roedor placentário. A semelhança no planeio é evolução convergente.

Ele é perigoso ou morde?

É arisco e noturno. Se for manipulado de dia ou se sentir acuado, morde forte e pode transmitir bactérias e fungos.

O que ele come?

Na natureza, nozes, sementes, frutos, muitos fungos e insetos. Em cativeiro precisa de dieta variada e não vive bem só de ração de roedor.

Quanto tempo vive?

5 a 6 anos na natureza e até 13 anos em cativeiro com manejo especializado e ambiente adequado.

Você sabia?

1

Não voa, plana com precisão

Usa o osso estiliforme do punho para curvar o patágio e fazer curvas de até 180 graus no ar, desviando de troncos em pleno planeio.

2

Brilha sob luz UV

Em 2019 pesquisadores descobriram que o pelo de Glaucomys fluoresce em rosa sob ultravioleta, um fenômeno raro em mamíferos.

3

Fã de trufas subterrâneas

Grande parte da dieta são fungos micorrízicos que ele desenterra pelo olfato, ajudando a espalhar esporos e manter a saúde da floresta.

4

Confundido com marsupial

Apesar de idêntico ao petauro-do-açúcar no planeio, o esquilo-voador é roedor placentário; a semelhança é evolução convergente, não parentesco.

Fontes

  1. IUCN Red List
  2. Animal Diversity Web - University of Michigan
  3. National Geographic
  4. IBAMA - Fauna Silvestre

Prós e contras: Esquilo-voador

Prós

  • Planeio silencioso e elegante, um dos mais eficientes entre mamíferos
  • Olhos grandes e pelagem extremamente macia, muito carismático
  • Ajuda a regenerar florestas ao dispersar fungos micorrízicos
  • Vive em grupos e demonstra comportamento social complexo

Contras

  • Noturno: dorme de dia e fica ativo e barulhento à noite
  • Não é domesticado, estressa fácil com luz, barulho e manuseio
  • Exige recinto vertical grande e dieta especializada, difícil de replicar
  • Criação sem autorização do IBAMA é ilegal no Brasil
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o esquilo-voador é fascinante justamente por ser um especialista da noite e do dossel, não um bicho de colo. Tentar transformá-lo em pet de apartamento é ignorar tudo o que o torna único e condená-lo ao estresse crônico.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.