Resumo
- A mara é um roedor sul-americano da família Caviidae, não um coelho, com duas espécies: a patagônica e a do Chaco.
- Vive em estepes e áreas semiáridas da Argentina, Chile e Paraguai, é diurna, monogâmica e pode atingir 75 cm e 16 kg.
- Não é indicada como pet doméstico no Brasil, exige grande espaço e autorização legal, e está ameaçada por perda de habitat e caça.
Características
Ficha da espécie
| Ordem | Rodentia |
|---|---|
| Família | Caviidae |
| Origem | América do Sul (Argentina, Chile, Paraguai) |
| Tamanho | 69 a 75 cm de corpo + 4 a 5 cm de cauda |
| Peso | 8 a 16 kg (patagônica); 1,8 a 4 kg (do Chaco) |
| Expectativa de vida | 7 a 10 anos na natureza; 10 a 14 anos em cativeiro |
| Pelagem | Densa, áspera e curta |
| Alimentação | Herbívora (gramíneas, folhas, frutos) |
| Hábitos | Diurno |
| Convivência | Vive em pares monogâmicos dentro de colônias |
| Principais problemas de saúde | Problemas dentários, parasitoses, estresse por confinamento |
Perfil e comportamento
| Docilidade | Baixo |
|---|---|
| Nível de energia | Muito alto |
| Sociabilidade | Alto |
| Adequado para crianças | Muito baixo |
| Facilidade de cuidado | Muito baixo |
| Barulho | Baixo |
| Necessidade de espaço | Muito alto |
| Convive com outros animais | Baixo |
Mara é coelho ou roedor? Como identificar corretamente
A resposta direta é: mara é roedor, não coelho e não lebre. Ela faz parte da ordem Rodentia, família Caviidae, enquanto coelhos e lebres são Lagomorpha.
A confusão vem da aparência. A mara tem orelhas longas, pernas traseiras alongadas e corre saltando, o que lembra uma lebre. Mas alguns detalhes entregam o roedor: dentes incisivos sem a segunda fileira típica dos lagomorfos, cauda curtíssima e focinho mais parecido com o da capivara.
Para reconhecer no campo, observe três marcas: faixa branca bem definida na lateral e ao redor do ânus, ventre e queixo brancos e dorso cinza-acastanhado com tons alaranjados nos flancos. Adultos andam com postura ereta, quase como um pequeno cervo, e raramente se escondem em tocas.
Origem e habitat natural: onde vive a mara
A mara é endêmica da América do Sul. A espécie mais famosa, a mara-patagônica, ocorre do centro-norte da Argentina até a Patagônia e o sul do Chile. A mara-do-chaco vive mais ao norte, no Chaco seco do Paraguai, Bolívia e norte da Argentina.
Seu habitat são estepes, campos abertos, savanas arbustivas e áreas semiáridas. Ela evita florestas fechadas e precisa de visibilidade ampla para detectar predadores como raposas, pumas e aves de rapina.
Na natureza ela não cava tocas próprias com frequência. Usa tocas abandonadas de outros animais ou depressões no solo para abrigar filhotes, mas passa o dia inteiro exposta, pastando e se deslocando em casal.
Tamanho, pelagem e diferenças entre as duas maras
A mara-patagônica é um dos maiores roedores do mundo, atrás apenas da capivara e do castor. Mede 69 a 75 cm de comprimento, com altura na cernelha de 45 a 50 cm, e pesa 8 a 16 kg. A mara-do-chaco é bem menor: 45 a 62 cm e 1,8 a 4 kg.
A pelagem é densa, áspera e curta, adaptada ao frio e ao vento patagônico. A coloração ajuda na camuflagem: dorso cinza-acastanhado, flancos com faixa alaranjada ou amarelada e ventre branco. As pernas são longas e finas, com quatro dedos nas patas dianteiras e três nas traseiras, com unhas em forma de casco.
| Característica | Mara-patagônica | Mara-do-chaco |
|---|---|---|
| Tamanho | 69 a 75 cm | 45 a 62 cm |
| Peso | 8 a 16 kg | 1,8 a 4 kg |
| Distribuição | Argentina e Chile | Chaco (Paraguai, Bolívia, N. Argentina) |
| Status IUCN | Quase Ameaçada | Pouco Preocupante |
Comportamento e temperamento na natureza
A mara é diurna e extremamente ativa. Passa horas caminhando e pastando, intercalando com períodos de vigilância. Quando ameaçada, pode correr a até 45 km/h em saltos e fazer ziguezagues para despistar predadores.
O traço mais marcante é a monogamia. O casal permanece junto por toda a vida e defende um território. Ao mesmo tempo, vários casais se agrupam em colônias frouxas de até 30 pares, o que aumenta a proteção coletiva.
É um animal assustado e pouco dócil com humanos. Mesmo criada desde filhote, mantém comportamento de fuga e estresse fácil. Vocaliza pouco, mas emite grunhidos baixos, assobios e estalos dentais quando alarmada. Não é agressiva, mas pode morder se encurralada.
O que a mara come: alimentação natural e em cativeiro
Na natureza é herbívora estrita. A base são gramíneas, folhas, brotos, cactos e frutos nativos como algarrobo. No inverno patagônico, complementa com cascas e raízes.
Em zoológicos, a dieta tenta replicar o pastejo: feno de gramíneas à vontade, capim fresco, folhas verdes e ração peletizada para roedores herbívoros, além de legumes e pequena porção de frutas. Água fresca sempre disponível é essencial, mesmo sendo adaptada a ambientes secos.
- Pode comer: feno, capim, alfafa em pequena quantidade, chicória, escarola, cenoura com moderação, maçã sem sementes, figo-da-índia.
- Não pode comer: alimentos ultraprocessados, pão, leite, batata crua, alface iceberg em excesso, plantas tóxicas como comigo-ninguém e lírio, e qualquer ração de coelho com antibióticos ionóforos.
Como todo roedor, tem dentes incisivos de crescimento contínuo. A falta de fibra causa desgaste dentário inadequado e problemas digestivos graves. Qualquer mudança alimentar deve ser gradual e acompanhada por veterinário de animais silvestres.
Reprodução e ciclo de vida
A mara forma casal monogâmico e territorialista. A reprodução ocorre uma a duas vezes por ano, com pico entre agosto e dezembro na Patagônia. O macho acompanha a fêmea de perto e marca território com glândulas odoríferas.
A gestação dura cerca de 90 a 100 dias, longa para um roedor. Nascem 1 a 3 filhotes precoces, já com pelos, olhos abertos e capazes de caminhar em poucas horas. Eles ficam escondidos em uma toca comunitária, onde várias fêmeas deixam seus filhotes juntos.
Um comportamento curioso é a creche coletiva: os filhotes de diferentes casais permanecem juntos na toca e são amamentados apenas pela própria mãe, que os reconhece pelo cheiro. As mães visitam a toca poucas vezes ao dia para amamentar rapidamente e evitar atrair predadores. Os filhotes começam a pastar com 3 a 4 semanas e se tornam independentes por volta dos 3 meses.
Saúde, principais ameaças e conservação
Em cativeiro, os problemas mais comuns são má oclusão dentária, parasitoses gastrointestinais, pododermatite por piso inadequado e estresse crônico por falta de espaço. Sinais como perda de apetite, fezes pequenas ou ausentes, salivação e apatia exigem atendimento imediato com veterinário de silvestres.
Na natureza, a mara-patagônica é classificada como Quase Ameaçada (NT) pela IUCN, com população em declínio. As principais ameaças são perda de habitat para pecuária e agricultura, caça para consumo da carne e pele, atropelamentos e competição com lebres-europeias introduzidas.
Projetos na Argentina mantêm áreas protegidas e programas de reintrodução, mas a espécie ainda sofre pressão. No Brasil, por não ser nativa, a conservação depende de zoológicos e criadouros autorizados que mantêm plantel com manejo genético.
Mara pode ser animal de estimação? Legalidade e cuidados
Não. Na nossa avaliação, a mara não é animal de estimação. Ela é um roedor silvestre de grande porte, que precisa de recinto externo de centenas de metros quadrados, solo para cavar, área de pastagem e companhia de outro exemplar. Apartamento, gaiola ou quintal pequeno causam sofrimento extremo.
No Brasil, a criação de fauna silvestre exótica exige autorização do IBAMA e cadastro como criadouro. A compra sem origem legal é crime ambiental. Mesmo com autorização, o manejo é complexo e caro, e o animal mantém comportamento arisco, sem vínculo como o de um cachorro ou gato.
Para quem busca um roedor dócil para casa, porquinho-da-índia e hamster são escolhas muito mais adequadas. A mara deve ser apreciada em zoológicos, reservas e documentários, onde pode expressar seu comportamento natural de correr, pastar e viver em casal.
Curiosidades que pouca gente sabe sobre a mara
Apesar do tamanho, a mara consegue se esconder agachada entre arbustos baixos, confiando na camuflagem. Quando finalmente foge, alterna entre quatro tipos de marcha: caminhada, trote, galope e salto em pronk, com as quatro patas no ar.
Diferente de coelhos, a mara não produz cecotrofos de forma tão evidente e não tem o hábito de comer as próprias fezes moles como estratégia digestiva principal. Seu estômago é mais simples e depende de fermentação no intestino grosso.
Em colônias, os machos fazem vigília revezada: enquanto um casal pasta, outro permanece em pé, com pescoço esticado, observando o horizonte. Ao detectar perigo, emite um assobio curto que alerta toda a colônia em segundos.
Perguntas frequentes
Mara é coelho ou roedor?
É roedor da família Caviidae, mesma da capivara. Coelhos e lebres são lagomorfos, grupo diferente.
Qual a diferença entre mara-patagônica e mara-do-chaco?
A patagônica é maior (8 a 16 kg) e vive na Patagônia; a do Chaco é menor (1,8 a 4 kg) e vive no Chaco seco. Ambas são maras, mas espécies distintas.
Mara pode ser criada em casa no Brasil?
Não como pet convencional. Por ser silvestre exótica, exige autorização do IBAMA, recinto externo grande e manejo especializado, além de ser muito arisca.
O que a mara come?
Na natureza, gramíneas, folhas e frutos. Em cativeiro, feno à vontade, capim fresco e ração para herbívoros, sempre com acompanhamento veterinário.
Quanto tempo vive uma mara?
De 7 a 10 anos na natureza e de 10 a 14 anos em cativeiro com cuidados adequados.
Mara corre muito?
Sim, atinge cerca de 45 km/h e usa saltos e ziguezagues para escapar de predadores em áreas abertas.
Mara está ameaçada de extinção?
A mara-patagônica é Quase Ameaçada (NT) pela IUCN, com população em declínio por perda de habitat, caça e competição com lebres introduzidas.
Você sabia?
Casal para a vida toda
A mara é um dos poucos roedores monogâmicos. O par permanece junto por anos, defende o mesmo território e só busca novo parceiro se um morrer.
Creche comunitária
Várias fêmeas deixam os filhotes na mesma toca. Cada mãe amamenta apenas os seus, reconhecendo-os pelo cheiro, e visita a toca poucas vezes ao dia para não atrair predadores.
Corre como cervo
Com pernas longas e cascos nas patas, pode atingir cerca de 45 km/h e alternar entre trote, galope e saltos com as quatro patas no ar para despistar pumas e raposas.
Confundida com lebre-europeia
Na Patagônia, a introdução da lebre-europeia criou competição direta por alimento. A lebre, mais prolífica, é hoje uma das causas do declínio da mara-patagônica.









