🦎 Répteis e Anfíbios

Tracajá

Podocnemis unifilis

Atualizado em

30 a 50 cm de carapaçaTamanho
Réptil quelônioGrupo
30 a 50 anosExpectativa de vida
Rios e lagos amazônicosHabitat
Não venenoso, mordida fortePerigo
Tracajá nadando submerso em lago amazônico

O tracajá (Podocnemis unifilis) é um réptil quelônio de água doce muito comum na bacia amazônica. É facilmente reconhecido pelas manchas amarelas bem definidas na cabeça e pela carapaça escura, que nos filhotes exibe pintas amareladas.

Vive em rios, lagos de várzea e igapós, onde passa a maior parte do tempo na água, mas sobe em troncos e praias para tomar sol. Onívoro e importante dispersor de sementes, tem desova concentrada na estação seca, em praias de areia expostas.

Também conhecido como: Tracajá, Tartaruga-de-pintas-amarelas, Yellow-spotted River Turtle, Taricaya

Faz parte de: Répteis de Estimação, Répteis do Brasil, Tartarugas, Jabutis e Cágados

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Galeria de fotos de Tracajá

Tracajá nadando submerso em lago amazônico
Excelente nadador, passa a maior parte da vida na água.
Close da cabeça do tracajá mostrando manchas amarelas
Detalhe da cabeça com as pintas amarelas que identificam a espécie.
Detalhe da carapaça do tracajá jovem com pintas amarelas
Carapaça escura com pintas amarelas, mais vivas nos filhotes.
Tracajá nadando submerso em lago amazônico
Excelente nadador, passa a maior parte da vida na água.
Fêmea de tracajá desovando em praia de areia
Fêmea cavando ninho em praia exposta na estação seca.
Filhotes de tracajá saindo do ninho em direção à água
Filhotes recém-eclodidos a caminho da água, fase de maior mortalidade.
Tracajá nadando submerso em lago amazônico
Excelente nadador, passa a maior parte da vida na água.
Ideal para

Ideal para criadouros conservacionistas, projetos de educação ambiental e tutores experientes com espaço, filtragem e acesso a veterinário de silvestres, que buscam um quelônio amazônico legalizado e de vida longa, com manejo técnico correto.

Pode não ser ideal para

Não é ideal para quem mora em apartamento pequeno, tem pouco tempo ou busca um pet de manuseio frequente e baixo custo. Exige aquaterrário grande, controle rigoroso de temperatura e UVB, e não convive bem com manuseio constante por crianças.

Perfil rápido de Tracajá

Estado de conservação

VU
Vulnerável

População em declínio por coleta de ovos, caça e perda de praias de desova.

População
em declínio
Protegido por
sim

Calendário

AcasalamentoJFMAMJJASOND
DesovaJFMAMJJASOND
Eclosão dos filhotesJFMAMJJASOND

Vida útil

Na natureza
30 a 50 anos, com maturidade entre 5 e 10 anos
Em cativeiro
40 a 60 anos com manejo, água aquecida e UVB adequados

Reprodução

Acasalamento
Na água, no início da vazante (maio a julho)
Tipo de reprodução
Ovípara, sem cuidado parental
Ninho
Buraco de 15 a 25 cm em praia de areia exposta
Ovos por postura
15 a 35 ovos esféricos e brancos
Incubação
60 a 80 dias, com determinação sexual pela temperatura
Maturidade sexual
Machos 5 a 7 anos; fêmeas 7 a 10 anos

Habitat

Ambientes

  • Rios de água branca e clara
  • Lagos de várzea e paranás
  • Floresta de igapó alagada
  • Praias de areia para desova
  • Troncos e margens para termorregulação

Biomas

  • Amazônia

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Frutos e sementes de várzea e igapó
  • Algas e macrófitas aquáticas

Outros alimentos

  • Insetos aquáticos e terrestres
  • Pequenos peixes e crustáceos
  • Carniça

Encontrado em 9 países

  • Brasil
  • Peru
  • Colômbia
  • Venezuela
  • Equador
  • Bolívia
  • Guiana
  • Suriname
  • Guiana Francesa

Como animal de estimação

Adequação como pet
Baixa para iniciantes; exige aquaterrário grande e manejo técnico
Legalidade no Brasil
Só de criadouro autorizado pelo IBAMA com nota e marcação; captura na natureza é crime
Nível de cuidado
Alto: filtragem potente, água 26-30°C, área seca com UVB, dieta variada
Convivência
Pacífico com coespecíficos, mas não gosta de manuseio frequente; manter longe de cachorro e gato sem supervisão

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Reptilia
Ordem
Testudines
Família
Podocnemididae
Gênero
Podocnemis
Espécie
Podocnemis unifilis

Resumo

  • O tracajá é um réptil quelônio amazônico da família Podocnemididae, identificado pelas manchas amarelas na cabeça e carapaça de 30 a 50 cm.
  • Vive em rios, lagos e florestas alagadas da Amazônia, com dieta onívora e desova em praias de areia durante a seca.
  • Está classificado como Vulnerável pela IUCN devido à caça, coleta de ovos e perda de praias de desova, com criação só legal via criadouros autorizados pelo IBAMA.

Características

Ficha da espécie

GrupoRéptil (quelônio)
OrdemTestudines
FamíliaPodocnemididae
Origem e distribuiçãoBacia amazônica (Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia e Guianas)
TamanhoFêmeas 40 a 50 cm; machos 25 a 35 cm de carapaça
PesoFêmeas 8 a 12 kg; machos 3 a 6 kg
Corespretomarrom-escuroamarelocinzaoliva
HabitatRios de água branca e clara, lagos de várzea, igapós e praias de areia
AlimentaçãoOnívora (frutos, sementes, algas, insetos, peixes e carniça)
ReproduçãoOvípara; 15 a 35 ovos por ninho, sem cuidado parental
AtividadeDiurna, aquática com termorregulação ao sol
Expectativa de vida30 a 50 anos na natureza; até 60 em cativeiro
Estado de conservaçãoVulnerável (VU) - IUCN

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoas e petsBaixo
Facilidade de criação em cativeiroBaixo
Adaptação a casasBaixo
Importância para o ecossistemaMuito alto
Sensibilidade a temperatura e umidadeMuito alto
Vida na águaMuito alto

Como identificar o tracajá sem confundir com a tartaruga-da-amazônia

O tracajá é um quelônio de tamanho médio, bem menor que sua parente famosa, a tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa). Fêmeas adultas raramente passam de 50 cm de carapaça, enquanto machos ficam entre 25 e 35 cm.

A marca registrada são as manchas amarelas na cabeça: uma em cada lado do focinho e outra atrás do olho, além de uma mancha na mandíbula. Filhotes têm a carapaça quase preta com pintas amarelas bem vivas nas bordas dos escudos, que vão desbotando com a idade.

A carapaça é oval, levemente achatada e de cor marrom-escura a preta, sem quilhas. O plastrão (parte de baixo) é amarelado ou acinzentado. Diferente do cágado, o tracajá não retrai a cabeça lateralmente de forma tão evidente e tem membranas interdigitais grandes para natação.

Outro detalhe útil: o tracajá apresenta dimorfismo sexual invertido — a fêmea é visivelmente maior e mais pesada que o macho. Machos adultos têm cauda mais longa e espessa e, na época reprodutiva, podem exibir cabeça mais acinzentada.

Onde vive e distribuição no Brasil

O tracajá ocorre em toda a bacia amazônica e do Orinoco, do Brasil ao Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia e Guianas. No Brasil, é encontrado em todos os estados da Amazônia Legal, especialmente ao longo dos rios Solimões, Amazonas, Negro, Tapajós, Xingu e Araguaia.

Prefere ambientes de água doce calmos: lagos de várzea, paranás, igapós e remansos de rios. Durante a cheia, entra na floresta alagada para se alimentar de frutos. Na seca, concentra-se nos canais principais e em praias de areia expostas, essenciais para a desova.

É uma espécie altamente aquática, mas depende diariamente de pontos para termorregulação. É comum ver grupos de 5 a 20 indivíduos alinhados em troncos caídos ao sol, mergulhando ao menor sinal de perigo.

O que o tracajá come na natureza

É onívoro generalista com forte tendência herbívora na fase adulta. Na cheia, até 70% da dieta pode ser de frutos, sementes e folhas da várzea e do igapó, como açaí, seringueira e embaúba.

Complementa com algas filamentosas, macrófitas aquáticas, insetos, crustáceos, peixes mortos e carniça. Filhotes e juvenis são mais carnívoros, caçando larvas, pequenos peixes e invertebrados.

Essa dieta faz dele um dispersor de sementes crucial para a Amazônia. Sementes ingeridas e defecadas intactas germinam longe da planta-mãe, e estudos na várzea mostram que ele ajuda a manter a regeneração de árvores que frutificam na cheia.

  • Principal: frutos e sementes de floresta alagada
  • Secundário: algas, plantas aquáticas, insetos e pequenos peixes
  • Ocasional: carniça e ovos de outros quelônios

Reprodução e ciclo de vida nas praias de desova

A reprodução é sazonal e sincronizada com a seca amazônica. O acasalamento ocorre na água, no início da vazante, e a desova acontece entre agosto e novembro, quando as praias de areia ficam expostas.

A fêmea sobe à praia à noite, cava um ninho de 15 a 25 cm de profundidade e deposita 15 a 35 ovos brancos e esféricos. Não há cuidado parental; ela volta para a água e o sol faz o resto.

A incubação dura 60 a 80 dias, dependendo da temperatura da areia. Como em outros répteis, o tracajá tem determinação sexual pela temperatura (TSD): ninhos mais quentes (acima de 32°C) geram mais fêmeas, ninhos mais frios geram mais machos.

Filhotes de 4 a 5 cm eclodem juntos, geralmente à noite, e correm para a água. A mortalidade é altíssima por predação de aves, jacarés e peixes. A maturidade sexual chega tarde: machos com 5 a 7 anos e fêmeas com 7 a 10 anos.

Comportamento e hábitos aquáticos

É diurno e gregário. Passa o dia nadando, forrageando e alternando mergulhos com banhos de sol. Pode ficar submerso por mais de uma hora, mas sobe para respirar a cada poucos minutos quando ativo.

Fora da época reprodutiva, machos e fêmeas vivem dispersos. Na seca, formam aglomerações temporárias perto das praias de desova. Não é territorial, mas pode haver disputa por melhores pontos de sol.

Na cheia, migra lateralmente para dentro da floresta alagada, acompanhando o nível da água. Esse movimento de até alguns quilômetros é essencial para acessar frutos. Na seca extrema, pode se enterrar parcialmente na lama para evitar dessecação.

É perigoso? Riscos de mordida e para pets

O tracajá não é venenoso e não tem toxina de pele, ao contrário de sapos. Não representa perigo grave para pessoas ou para cachorro e gato quando observado à distância.

O risco real é a mordida. Tem bico córneo forte e musculatura potente para quebrar sementes e pode causar ferimento doloroso se manipulado. Como todo réptil, pode carregar Salmonella nas fezes, exigindo higiene após o manuseio.

Para pets, o maior problema é o inverso: cachorro solto em praia de desova destrói ninhos e mata filhotes. Em cativeiro improvisado, o tracajá sofre com água suja, falta de UVB e dieta incorreta, desenvolvendo deformidades de carapaça.

Tracajá como animal de estimação: legalidade e desafios

No Brasil, capturar, comprar ou manter tracajá da natureza é crime ambiental (Lei 9.605/98). A única forma legal é adquirir de criadouro comercial autorizado pelo IBAMA, com nota fiscal e microchip ou marcação.

Mesmo legalizado, não é um pet para iniciantes. Precisa de aquaterrário grande (pelo menos 5 vezes o tamanho da carapaça), água aquecida entre 26 e 30°C, filtragem potente, área seca com lâmpada UVB e dieta variada. Cresce e vive décadas.

Na nossa avaliação, o tracajá funciona melhor como animal de criadouro conservacionista ou educativo do que como pet de apartamento. Quem busca uma tartaruga pequena e manejável costuma se frustrar com o tamanho, o cheiro e o custo de manutenção.

Papel no ecossistema e conservação

O tracajá é engenheiro do ecossistema de várzea. Ao consumir e dispersar sementes, conectar ambientes aquáticos e servir de presa para onças, jacarés e aves de rapina, mantém a cadeia alimentar dos rios amazônicos.

Está avaliado como Vulnerável (VU) pela IUCN, com população em declínio. As principais ameaças são coleta de ovos e fêmeas para consumo, destruição de praias por hidrelétricas e mineração, predação por animais domésticos e mudanças na temperatura que desequilibram a proporção sexual dos ninhos.

Medidas eficazes incluem proteção de praias de desova, manejo comunitário de ovos (como o projeto Pé-de-Pincha no Amazonas), fiscalização e criadouros legais que reduzem a pressão sobre populações selvagens. Soltar animal de cativeiro na natureza, sem autorização, espalha doenças e é ilegal.

Curiosidades que pouca gente sabe

Muita gente confunde tracajá com tartaruga-da-amazônia, mas o tracajá nidifica de forma solitária e espalhada, enquanto a tartaruga-da-amazônia faz ninhos massivos com centenas de fêmeas juntas. Isso torna o tracajá menos visível, porém mais vulnerável à coleta pontual.

As manchas amarelas que dão o nome unifilis (um filamento) desbotam com a idade. Fêmeas velhas podem ficar quase sem manchas, o que confunde até ribeirinhos experientes.

Em algumas comunidades, o tracajá é chamado de “tartaruga que anda na floresta” porque, na cheia, é encontrado a centenas de metros dentro do igapó, comendo frutos no chão alagado.

Perguntas frequentes

Tracajá é réptil ou anfíbio?

É réptil quelônio, da ordem Testudines. Não passa por metamorfose e respira por pulmões a vida toda, diferente de sapos e rãs.

Qual a diferença entre tracajá e tartaruga-da-amazônia?

O tracajá (Podocnemis unifilis) é menor, tem manchas amarelas na cabeça e faz ninhos isolados. A tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa) chega a 90 cm e desova em grandes aglomerações.

Tracajá é venenoso?

Não. Não tem veneno nem toxina de pele. O risco é a mordida forte e a possível transmissão de Salmonella se houver falta de higiene.

Pode criar tracajá em casa?

Só se vier de criadouro autorizado pelo IBAMA, com nota fiscal e marcação. Capturar ou comprar animal da natureza é crime ambiental.

O que o tracajá come?

Na natureza é onívoro: frutos e sementes de várzea, algas, insetos e peixes mortos. Em cativeiro precisa de dieta variada com ração para quelônios aquáticos, vegetais e proteína.

Quanto tempo vive o tracajá?

De 30 a 50 anos na natureza e até 60 anos em cativeiro com manejo correto de água, temperatura e UVB.

Onde o tracajá vive no Brasil?

Em rios e lagos da bacia amazônica, em todos os estados da Amazônia Legal, especialmente em áreas de várzea e igapó.

Você sabia?

1

Manchas que somem

Os filhotes nascem com pintas amarelas vivas na carapaça e na cabeça, mas as manchas vão desbotando e fêmeas muito velhas podem ficar quase sem amarelo.

2

Sexo definido pelo sol

A temperatura da areia decide o sexo dos filhotes: ninhos mais quentes geram fêmeas e ninhos mais sombreados geram machos, o que torna a espécie sensível às mudanças climáticas.

3

Jardineiro da várzea

Na cheia, o tracajá entra na floresta alagada e dispersa sementes de árvores como seringueira e açaí, ajudando a regenerar a mata ciliar amazônica.

4

Ninho solitário

Diferente da tartaruga-da-amazônia que desova em massa, o tracajá faz ninhos isolados e espalhados, o que dificulta a fiscalização e aumenta o risco de coleta ilegal.

Fontes

  1. IUCN Red List - Podocnemis unifilis
  2. ICMBio - Tartarugas da Amazônia
  3. Reptile Database
  4. Sociedade Brasileira de Herpetologia

Prós e contras: Tracajá

Prós

  • Importante dispersor de sementes da várzea amazônica
  • Tamanho médio, menor que a tartaruga-da-amazônia
  • Muito aquático e ótimo nadador, comportamento interessante de observar
  • Pode viver décadas com manejo correto
  • Criação legal ajuda a reduzir pressão sobre populações selvagens

Contras

  • Vulnerável à extinção, sensível à coleta de ovos e à temperatura dos ninhos
  • Exige aquaterrário grande, filtragem potente e UVB
  • Não gosta de manuseio frequente e pode morder se estressado
  • Crescimento lento e maturidade tardia dificultam reposição populacional
  • Manutenção cara e necessidade de veterinário de silvestres
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o tracajá é o quelônio amazônico mais subestimado: menos famoso que a tartaruga-da-amazônia, mas igualmente essencial para a floresta alagada. Protegê-lo exige menos romantização como pet e mais proteção efetiva de praias e manejo comunitário na seca.

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