🦎 Répteis e Anfíbios

Sapo-verde

Bufotes viridis

Atualizado em

7 a 10 cm adultoTamanho
AnfíbioGrupo
7 a 10 anosExpectativa de vida
Úmido e semiáridoHabitat
BaixoPerigo
Girinos e ovos em cordão do sapo-verde

O sapo-verde (Bufotes viridis) é um anfíbio, não um réptil. Ele pertence à família Bufonidae e se destaca pela pele clara com manchas verde-escuras bem definidas, diferentes do marrom uniforme do sapo-cururu.

É uma espécie noturna e muito adaptável, que vive tanto em áreas úmidas quanto em regiões semiáridas e urbanas da Europa e Ásia. Na natureza controla insetos e só libera toxina leve quando muito pressionado, com risco baixo para pessoas e maior para cachorros que mordem o animal.

Também conhecido como: Sapo-esmeralda, Sapo-verde-europeu, European green toad, Wechselkröte

Faz parte de: Sapos, Rãs e Pererecas

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Galeria de fotos de Sapo-verde

Girinos e ovos em cordão do sapo-verde
Cordões de ovos e girinos pretos em desenvolvimento rápido.
Close da cabeça e olhos do sapo-verde
Detalhe da cabeça com íris amarelada e glândulas parotoides discretas.
Detalhe da pele manchada do sapo-verde
Padrão único de manchas verdes, diferente em cada indivíduo.
Sapo-verde dentro de poça temporária rasa
Macho em poça temporária durante o coro reprodutivo noturno.
Girinos e ovos em cordão do sapo-verde
Cordões de ovos e girinos pretos em desenvolvimento rápido.
Sapo-verde se enterrando de ré no solo arenoso
Comportamento de enterramento para escapar do calor e da seca.

Perfil rápido de Sapo-verde

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

População ampla e estável, com alta adaptabilidade a habitats alterados.

População
estável
Protegido por
false

Calendário

Reprodução e cantoJFMAMJJASOND
Hibernação/estivaçãoJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsTóxica
  • PessoasTóxica leve

Toxina de pele (bufotoxinas) em glândulas parotoides; risco baixo para humanos com lavagem das mãos, risco moderado para cães e gatos que mordem o animal.

Vida útil

Na natureza
7 a 10 anos
Em cativeiro
até 12 anos com manejo adequado

Reprodução

Tipo
Ovípara com fecundação externa
Época
Primavera, após chuvas (pico noturno)
Ovos
9.000 a 15.000 em cordões gelatinosos duplos
Metamorfose
30 a 50 dias do ovo ao sapinho
Maturidade
2 a 4 anos

Habitat

Ambientes

  • Poças temporárias e charcos rasos
  • Estepes e áreas semiáridas
  • Margens de rios e várzeas
  • Hortas, jardins e parques urbanos
  • Dunas costeiras com água salobra

Biomas

  • Estepe
  • Mediterrâneo
  • Deserto frio
  • Área urbana

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Besouros
  • Formigas e moscas
  • Grilos e gafanhotos

Outros alimentos

  • Aranhas
  • Lesmas e minhocas
  • Larvas aquáticas (girinos)

Encontrado em 12 países

  • Alemanha
  • França
  • Itália
  • Polônia
  • Rússia
  • Turquia
  • Grécia
  • Cazaquistão
  • Irã
  • Marrocos
  • Suécia
  • Áustria

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Amphibia
Ordem
Anura
Família
Bufonidae
Gênero
Bufotes
Espécie
Bufotes viridis

Resumo

  • O sapo-verde é um anfíbio da família Bufonidae, facilmente reconhecido pelas manchas verdes sobre fundo claro e glândulas de veneno discretas atrás dos olhos.
  • Vive em áreas úmidas, estepes, desertos e cidades da Europa e Ásia Central, reproduzindo-se em poças temporárias na primavera com metamorfose rápida do girino.
  • Tem toxina de pele de baixa periculosidade para humanos, mas pode causar intoxicação em cachorros e gatos se mordido, e é importante controlador de pragas agrícolas.

Características

Ficha da espécie

GrupoAnfíbio
OrdemAnura
FamíliaBufonidae
Origem e distribuiçãoEuropa, Norte da África e Ásia Central e Ocidental
Tamanho7 a 10 cm (fêmeas ligeiramente maiores)
Peso20 a 90 g
Coresbegecremecinza-claroverde-escurooliva
HabitatPoças temporárias, estepes, áreas semiáridas, hortas e zonas urbanas
AlimentaçãoInsetívora (insetos, aranhas, lesmas e minhocas)
ReproduçãoOvípara, 9.000 a 15.000 ovos em cordões; metamorfose em 30 a 50 dias
AtividadeNoturna e crepuscular
Expectativa de vida7 a 10 anos na natureza; até 12 anos em cativeiro
Estado de conservaçãoPouco Preocupante (LC - IUCN)

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoas e petsBaixo
Facilidade de criação em cativeiroBaixo
Adaptação a casasMuito baixo
Importância para o ecossistemaMuito alto
Sensibilidade a temperatura e umidadeAlto
Vida na águaMédio

Sapo-verde é réptil ou anfíbio? Resposta direta

O sapo-verde é anfíbio, não réptil. Isso muda tudo no seu corpo e no seu ciclo de vida.

Répteis têm pele seca com escamas e botam ovos com casca resistente. Anfíbios como o sapo-verde têm pele úmida e permeável, sem escamas, e dependem da água para se reproduzir.

Ele faz metamorfose completa: nasce como girino aquático com brânquias e cauda, depois desenvolve pernas, perde a cauda e passa a respirar com pulmões e pela pele. Nenhum réptil passa por isso.

Como identificar o sapo-verde sem confundir

O adulto tem fundo creme a cinza-claro com manchas verde-escuras bem delimitadas, como se fossem ilhas. A barriga é clara e quase sem manchas.

As glândulas parotoides atrás dos olhos são alongadas e discretas, menores que as do sapo-cururu (Rhinella marina). A pele tem verrugas baixas, não espinhos.

Olhos com íris amarelo-esverdeada e pupila horizontal. Pernas curtas e robustas, com membranas pequenas entre os dedos. Machos têm saco vocal único e, na época reprodutiva, calos escuros nos polegares.

Diferenças rápidas para o sapo-cururu

  • Sapo-verde: 7 a 10 cm, manchas verdes nítidas, porte mais leve, prefere áreas mais secas.
  • Sapo-cururu: 10 a 25 cm, cor marrom-amarelada uniforme, glândulas parotoides enormes e muito venenosas.
  • Perereca-verde: tem discos adesivos nas pontas dos dedos para escalar; o sapo-verde não tem.

Onde vive e distribuição geográfica

Na natureza, o sapo-verde ocorre da Europa Central e Oriental até a Ásia Central, incluindo partes do Norte da África e Oriente Médio. Não é nativo do Brasil, mas é o “sapo-verde” mais pesquisado no mundo.

É um dos anfíbios mais tolerantes à seca da sua família. Vive em estepes, semidesertos, margens de rios, hortas, parques urbanos e até ilhas com água salobra.

Um fato pouco óbvio: ele é um dos poucos anfíbios europeus que tolera água com salinidade de até 8 a 10 g/L para reprodução, quando a maioria dos sapos não suporta nem 2 g/L. Por isso coloniza poças costeiras.

Durante o dia se esconde sob pedras, tocas de roedores ou enterrado em solo arenoso. Só sai ao entardecer, quando a umidade sobe.

O que o sapo-verde come e como caça

É insetívoro generalista. A base são besouros, formigas, moscas, grilos, lagartas, aranhas, lesmas e minhocas.

Caça à espera, com língua pegajosa projetável. Fica parado e lança a língua em milissegundos quando a presa passa a até 3 cm da boca.

Em áreas agrícolas, um único adulto pode consumir centenas de insetos por noite no verão. Por isso é considerado aliado no controle de pragas, inclusive de mosquitos.

Girinos são onívoros: raspam algas, comem detritos e pequenos invertebrados aquáticos.

Reprodução, ovos e metamorfose

A reprodução é explosiva e ligada à chuva de primavera. Machos cantam em coro à noite com um trinado agudo e contínuo, diferente do coaxar grave do sapo-comum.

A fêmea libera 9.000 a 15.000 ovos em longos cordões gelatinosos duplos, enrolados em vegetação submersa de poças rasas e temporárias. Cada cordão pode ter 2 a 7 metros.

Os ovos eclodem em 3 a 6 dias, dependendo da temperatura da água. Os girinos são pretos, pequenos e crescem rápido para escapar antes que a poça seque.

A metamorfose ocorre em 30 a 50 dias. O girino desenvolve patas traseiras, depois dianteiras, reabsorve a cauda e sai da água com 1 a 1,5 cm. Já tem as manchas verdes, mas mais apagadas.

A maturidade sexual chega entre 2 e 4 anos. Em regiões frias, pode hibernar enterrado de outubro a março.

É venenoso? Riscos para pessoas, cachorros e gatos

Sim, tem toxina de pele (bufotoxinas e bufadienolidos) produzida nas glândulas parotoides e verrugas. O nível é baixo a moderado, bem menor que o do sapo-cururu.

Para pessoas, o risco é baixo. O contato pode causar irritação em olhos e boca, náusea e ardor se levar a mão contaminada à boca. Lavar as mãos após manusear já evita o problema. Não causa morte em humanos saudáveis.

Para cachorros e gatos o risco é maior. Se o pet morde ou lambe o sapo, a toxina provoca salivação intensa, vômito, vermelhidão na gengiva e desorientação. Em filhotes ou animais pequenos, pode evoluir para arritmia se não houver atendimento.

  • O que fazer: lave a boca do pet com água corrente abundante por 5 a 10 minutos e leve ao veterinário.
  • Não esprema as glândulas nem ofereça leite ou outros remédios caseiros.
  • Mantenha pets presos à noite perto de poças na primavera, quando os sapos cantam.

Comportamento e hábitos noturnos

É estritamente noturno e crepuscular. Passa o dia enterrado ou sob abrigos úmidos para não desidratar.

Tem comportamento de migração curta: na primavera, adultos caminham até 500 metros até a poça de reprodução e voltam para a mesma área terrestre todo ano.

No frio intenso ou seca prolongada, entra em estivação ou hibernação enterrado a até 30 cm de profundidade. Seu metabolismo cai drasticamente e ele sobrevive meses sem comer.

Quando ameaçado, estufa o corpo, levanta as patas e libera secreção esbranquiçada. Raramente morde. Prefere fugir em saltos curtos.

Papel no ecossistema e conservação

O sapo-verde é um indicador de qualidade ambiental. Como sua pele absorve água e poluentes, desaparece rápido onde há agrotóxicos e drenagem de áreas úmidas.

Apesar disso, é classificado como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN, com população estável em grande parte da área. A adaptabilidade a ambientes urbanos ajuda.

As ameaças locais são atropelamentos em migração, dessecamento de poças temporárias e poluição por fertilizantes. Na Europa, túneis sob estradas e barreiras de proteção são instalados para sua travessia na época reprodutiva.

No Brasil, não há população nativa, então não entra em listas do ICMBio. A lição para cá é outra: anfíbios nativos estão em declínio global e o sapo-verde mostra como a perda de poças temporárias afeta todo o grupo.

Curiosidades que pouca gente sabe

O sapo-verde pode hibridizar na natureza com espécies próximas do mesmo gênero (como Bufotes balearicus e Bufotes siculus), gerando zonas híbridas nos Bálcãs e na Itália. Isso é raro entre sapos.

Sua coloração não é fixa. Em noites frias, as manchas ficam mais escuras e contrastadas; em noites quentes e secas, ficam mais pálidas, ajudando na camuflagem.

É um dos poucos sapos que cava tocas com as patas traseiras como uma pá, enterrando-se de ré em solo arenoso em poucos minutos.

Perguntas frequentes

Sapo-verde é réptil ou anfíbio?

É anfíbio da ordem Anura, família Bufonidae. Tem pele úmida e permeável e passa por metamorfose de girino para adulto, o que não ocorre em répteis.

Sapo-verde é venenoso?

Tem toxina leve na pele. Para humanos o risco é baixo com higiene das mãos, mas para cachorros e gatos que mordem pode causar vômito, salivação intensa e precisar de veterinário.

Qual o tamanho do sapo-verde adulto?

Mede de 7 a 10 cm e pesa de 20 a 90 g, com fêmeas um pouco maiores que os machos.

Onde o sapo-verde vive?

Na natureza ocorre na Europa, Norte da África e Ásia Central, em poças temporárias, estepes, áreas semiáridas e até zonas urbanas. Não é nativo do Brasil.

Pode criar sapo-verde como pet no Brasil?

Não é recomendado e não há criadouros legalizados para Bufotes viridis no país. Anfíbios nativos só podem ser criados com autorização do IBAMA e captura na natureza é crime.

O que o sapo-verde come?

Insetos como besouros, formigas, moscas e grilos, além de aranhas, lesmas e minhocas. Girinos comem algas e detritos.

Quanto tempo vive o sapo-verde?

Vive de 7 a 10 anos na natureza e até 12 anos em cativeiro com manejo correto de umidade e temperatura.

Você sabia?

1

Tolera água salobra

É um dos únicos sapos europeus que se reproduz em poças com até 10 g/L de sal, dez vezes mais que a maioria dos anfíbios suporta.

2

Canto de grilo gigante

O coaxar do macho não é grave: é um trinado metálico e contínuo que pode durar 10 segundos e ser ouvido a 300 metros.

3

Enterra-se de ré

Usa as calosidades das patas traseiras como pás para se enterrar de costas no solo em menos de 3 minutos e escapar do calor.

4

Manchas como impressão digital

O padrão de manchas verdes é único em cada indivíduo e permanece por toda a vida, permitindo identificar o mesmo sapo por fotos.

Fontes

  1. AmphibiaWeb
  2. IUCN Red List
  3. Sociedade Brasileira de Herpetologia

Prós e contras: Sapo-verde

Prós

  • Controle natural de insetos e pragas agrícolas
  • Muito adaptável a seca e a habitats alterados
  • Fácil identificação pelas manchas verdes nítidas
  • Canto característico que facilita monitoramento populacional
  • Indicador ambiental sensível à poluição da água

Contras

  • Pele sensível exige umidade; desidrata rápido fora de abrigo
  • Toxina pode intoxicar cães e gatos curiosos
  • Dependente de poças temporárias que estão desaparecendo
  • Atravessa estradas na reprodução e sofre com atropelamentos
  • Não é pet legalizado no Brasil e não se adapta a casas
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o sapo-verde é o melhor exemplo de anfíbio resiliente: bonito, fácil de reconhecer pelas manchas e essencial no controle de insetos. Subestimar sua sensibilidade à poluição é um erro comum, pois mesmo tolerando seca e sal, ele desaparece onde a água é contaminada.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.