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Sapo-de-unha

Pipa carvalhoi

Atualizado em

4 a 6 cmTamanho
AnfíbioGrupo
5 a 8 anosVida
Aquático - CaatingaHabitat
Não venenosoPerigo
Sapo-de-unha se alimentando com sucção e ajuda das patas dianteiras

O sapo-de-unha (Pipa carvalhoi) é um anfíbio — não um réptil — totalmente aquático e endêmico do Nordeste do Brasil. Apesar do nome popular, ele não tem escamas nem unhas verdadeiras: as pontas dos dedos são queratinizadas e lembram pequenas garras.

Com corpo achatado, pele acinzentada e até 6 cm, ele passa a vida inteira dentro d'água e só é notado quando poças e açudes da Caatinga enchem com as chuvas. A fêmea carrega os ovos grudados nas costas, onde os girinos se desenvolvem até a eclosão.

Também conhecido como: Sapo-pipa-de-Carvalho, Rã-de-unha, Carvalho's Surinam Toad

Faz parte de: Anfíbios do Brasil, Sapos, Rãs e Pererecas

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Galeria de fotos de Sapo-de-unha

Sapo-de-unha se alimentando com sucção e ajuda das patas dianteiras
Alimentação por sucção, empurrando a presa com as mãos.
Fêmea de sapo-de-unha com ovos grudados no dorso
Fêmea com ovos incubados no dorso antes da eclosão dos girinos.
Girinos transparentes do sapo-de-unha em poça temporária
Girinos filtradores que se desenvolvem na água por semanas.
Fêmea de sapo-de-unha com ovos grudados no dorso
Fêmea com ovos incubados no dorso antes da eclosão dos girinos.
Girinos transparentes do sapo-de-unha em poça temporária
Girinos filtradores que se desenvolvem na água por semanas.
Sapo-de-unha se alimentando com sucção e ajuda das patas dianteiras
Alimentação por sucção, empurrando a presa com as mãos.

Perfil rápido de Sapo-de-unha

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Espécie endêmica do Nordeste com população estável, mas dependente de poças temporárias preservadas.

População
Estável
Protegido por
Não há proteção específica além da legislação geral de fauna silvestre

Calendário

Reprodução e desovaJFMAMJJASOND
Pico de girinosJFMAMJJASOND
Maior atividade após chuvasJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxica
  • PessoasNão tóxica

Sem glândulas de veneno relevantes. Secreções leves podem irritar mucosas se ingerido, mas sem risco grave. Evite manuseio para não prejudicar o anfíbio.

Vida útil

Na natureza
5 a 8 anos
Em cativeiro
Até 10 anos com manejo especializado

Reprodução

Tipo
Ovípara com ovos no dorso da fêmea
Fecundação
Externa, na água
Ovos por desova
30 a 80
Desenvolvimento
Indireto, com girino aquático e metamorfose em 3 a 6 semanas
Estação
Chuvas do Nordeste, principalmente de janeiro a junho

Habitat

Ambientes

  • Poças temporárias
  • Açudes e barreiros
  • Lagoas rasas
  • Brejos e áreas alagadas

Biomas

  • Caatinga
  • Mata Atlântica

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Larvas de insetos aquáticos
  • Microcrustáceos
  • Vermes aquáticos

Outros alimentos

  • Pequenos peixes
  • Girinos
  • Insetos aquáticos adultos

Encontrado em 1 país

  • Brasil

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Amphibia
Ordem
Anura
Família
Pipidae
Gênero
Pipa
Espécie
Pipa carvalhoi

Resumo

  • O sapo-de-unha (Pipa carvalhoi) é um anfíbio aquático endêmico da Caatinga e Mata Atlântica nordestina, com 4 a 6 cm e corpo achatado.
  • Vive 100% dentro d'água, se alimenta de pequenos invertebrados aquáticos e se reproduz com ovos incubados no dorso da fêmea.
  • Não é venenoso nem perigoso para pessoas, cachorro ou gato, e está classificado como Pouco Preocupante pela IUCN.

Características

Ficha da espécie

GrupoAnfíbio
OrdemAnura
FamíliaPipidae
Origem e distribuiçãoEndêmico do Nordeste do Brasil (CE, RN, PB, PE, AL, BA)
Tamanho4 a 6 cm (fêmeas até 6,2 cm, machos 4 a 5 cm)
Peso5 a 15 g
Coresmarrom-acinzentadocinzabegemarrom-amarelado
HabitatAquático: poças temporárias, açudes, lagoas rasas e brejos
AlimentaçãoCarnívora: larvas aquáticas, microcrustáceos e pequenos peixes
ReproduçãoOvípara; 30 a 80 ovos incubados no dorso da fêmea; com fase de girino
AtividadeNoturna e aquática
Expectativa de vida5 a 8 anos na natureza; até 10 anos em cativeiro
Estado de conservaçãoPouco Preocupante (LC - IUCN)

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoas e petsMuito baixo
Facilidade de criação em cativeiroMuito baixo
Adaptação a casasMuito baixo
Importância para o ecossistemaAlto
Sensibilidade a temperatura e umidadeMuito alto
Vida na águaMuito alto

Como identificar o sapo-de-unha e não confundir

O sapo-de-unha é Pipa carvalhoi, um anfíbio da família Pipidae descrito em 1937. Ele não é réptil: tem pele lisa e permeável, sem escamas, e depende da água para respirar e se reproduzir, enquanto répteis têm pele queratinizada e ovos com casca.

O corpo é achatado e triangular, com cabeça pequena e focinho pontudo. A pele é acinzentada a marrom-amarelada, com pequenos tubérculos escuros, o que o camufla no lodo. Os olhos são minúsculos e voltados para cima.

O detalhe que dá nome popular são as pontas dos dedos queratinizadas, que parecem unhas pretas nas patas traseiras. As patas dianteiras têm dedos finos em forma de estrela, sem membrana, usados para levar alimento à boca — ele não tem língua.

Diferencie de outros sapos da Caatinga: o sapo-cururu (Rhinella) é terrestre, grande e tem glândulas de veneno atrás dos olhos. O sapo-de-unha é muito menor, totalmente aquático e sem glândulas parotoides. Se o animal está fora d’água andando no chão, não é Pipa carvalhoi.

Onde vive o sapo-de-unha: distribuição e habitat aquático

É endêmico do Nordeste do Brasil, com registros confirmados no Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Bahia. Ocorre principalmente na Caatinga e em áreas de transição com a Mata Atlântica nordestina e brejos de altitude.

O habitat é sempre aquático. Vive em poças temporárias, açudes, barreiros, lagoas rasas e brejos com vegetação aquática e fundo lodoso. Passa a vida submerso, subindo apenas para respirar na superfície.

Durante a seca, pode se enterrar no lodo úmido ou permanecer em corpos d’água permanentes. Com as primeiras chuvas fortes, a população aparece em grande número — é uma estratégia de reprodução explosiva típica de anfíbios de Caatinga.

É extremamente sensível à poluição, agrotóxicos e dessecamento de poças. Como todo anfíbio, respira também pela pele e absorve contaminantes da água com facilidade, o que o torna um bioindicador de qualidade ambiental.

Comportamento e hábitos: um anfíbio 100% aquático

O sapo-de-unha é noturno e totalmente aquático. Nada com impulsos das patas traseiras palmadas e usa as patas dianteiras para tatear o fundo. Tem sistema de linha lateral, como peixes, que detecta vibrações na água — raro entre anuros.

Não coaxa como sapos terrestres. O macho produz estalidos metálicos curtos debaixo d’água, gerados por ossículos da laringe, quase inaudíveis fora d’água. A comunicação é discreta e ocorre no período reprodutivo.

É um animal recluso e bentônico, que fica imóvel no fundo entre folhas e lodo. Quando perturbado, nada rápido para se esconder, mas não tenta fugir para a terra. Fora d’água desidrata em poucas horas.

  • Não tem língua: captura a presa sugando água e empurrando com as mãos.
  • Visão limitada: depende mais do tato e da linha lateral que da visão.
  • Vive em grupo: pode ser encontrado em dezenas no mesmo açude após chuvas.

O que o sapo-de-unha come na natureza

É carnívoro e predador de emboscada. A dieta é composta por organismos aquáticos que consegue sugar.

Base alimentar inclui larvas de mosquitos e libélulas, microcrustáceos (cladóceros e copépodes), vermes aquáticos e pequenos insetos que caem na água. Indivíduos maiores podem capturar girinos de outras espécies e alevinos.

A técnica de caça é curiosa: ao detectar a vibração, ele abre a boca rapidamente, cria sucção e projeta o corpo para frente, enquanto as patas dianteiras empurram a presa para dentro da boca. Tudo acontece em fração de segundo.

Em cativeiro, a alimentação é o principal gargalo — não aceita ração seca e precisa de alimento vivo aquático, o que inviabiliza a criação doméstica.

Reprodução e ciclo de vida: ovos nas costas da mãe

A reprodução é sazonal e ligada às chuvas, entre o início e o meio da estação chuvosa no Nordeste. Machos e fêmeas se encontram em poças recém-formadas.

O acasalamento é aquático e ocorre com amplexo inguinal. Durante a cópula, a fêmea libera os ovos e o macho os fertiliza e os pressiona contra o dorso dela. A pele dorsal incha e forma pequenas cavidades onde cada ovo fica grudado, mas não totalmente encoberto como em Pipa pipa.

Cada desova tem 30 a 80 ovos. Após 3 a 5 dias, eclodem girinos de vida livre que nadam na água. Diferente de Pipa pipa, que tem desenvolvimento direto, Pipa carvalhoi tem metamorfose completa: os girinos são filtradores, crescem por 3 a 6 semanas e então viram miniaturas dos adultos.

Os girinos são transparentes e com barbilhões, alimentam-se de microalgas e detritos. A taxa de sobrevivência é baixa, mas a estratégia compensa com grande número de poças temporárias sem predadores grandes.

O sapo-de-unha é venenoso ou perigoso para cachorro e gato?

Não é considerado venenoso. Diferente do sapo-cururu, o sapo-de-unha não possui glândulas parotoides produtoras de bufotoxinas em quantidade perigosa. A pele tem secreções leves, mas sem risco significativo para humanos.

Para cachorro e gato, o risco é muito baixo. Como vive submerso, o contato com pets é raro. Se um cachorro morder o animal, pode haver irritação leve na boca, mas não há relatos de intoxicação grave como ocorre com Rhinella. Ainda assim, nunca deixe o pet morder ou ingerir qualquer anfíbio.

O maior perigo é inverso: o manuseio humano prejudica o sapo. Óleos, protetor solar e sabão na pele humana são absorvidos pela pele permeável do anfíbio e podem causar infecções. Se precisar mover um indivíduo, use luvas úmidas e devolva à água imediatamente.

Não há risco de mordida. Ele não morde e não tem dentes funcionais para defesa.

Papel no ecossistema e estado de conservação

Na Caatinga, o sapo-de-unha é um controlador de larvas de mosquitos e outros insetos aquáticos. Seus girinos filtram matéria orgânica e ajudam a reciclar nutrientes em poças temporárias, ambientes cruciais e frágeis do semiárido.

Serve também de alimento para aves aquáticas, cobras d’água e peixes. Por ser totalmente aquático, é elo entre o plâncton e predadores maiores.

A IUCN classifica a espécie como Pouco Preocupante (LC), com população considerada estável. A distribuição é relativamente ampla dentro do Nordeste, mas fragmentada.

As ameaças são perda de poças temporárias por urbanização, uso de agrotóxicos, introdução de peixes exóticos como tilápia e poluição. O declínio global de anfíbios, ligado à quitridiomicose e mudanças climáticas, também exige monitoramento, embora não haja registro de colapso populacional para esta espécie.

Ameaça Impacto
Dessecamento de açudes e barreiros Perda de local de reprodução
Agrotóxicos e esgoto Contaminação da água e da pele
Peixes exóticos Predação de ovos e girinos
Captura para comércio ilegal Baixo, mas retira indivíduos da natureza

Curiosidades e erros comuns sobre o sapo-de-unha

Muita gente confunde com réptil por causa do nome e da pele acinzentada, mas a ausência de escamas e a dependência total da água o colocam entre os anfíbios. Outro erro é achar que toda “unha” é venenosa — aqui é apenas queratina.

Ele é um dos poucos anuros do Brasil sem língua e com linha lateral na fase adulta, característica que mantém da fase larval, como salamandras aquáticas. Isso o torna um caso de estudo em evolução.

Apesar de discreto, é indicador de Caatinga saudável. Onde há sapo-de-unha em abundância após as chuvas, a rede de poças temporárias ainda funciona. Onde sumiu, geralmente a água está contaminada ou as poças foram aterradas.

Não é pet. A criação em cativeiro exige aquário específico, água ciclada, alimento vivo e licença do IBAMA. A captura na natureza é crime ambiental. Observe na natureza, sem retirar da água.

Perguntas frequentes

Sapo-de-unha é réptil ou anfíbio?

É anfíbio, da ordem Anura e família Pipidae. Tem pele permeável e ciclo com girino, diferente de répteis que têm escamas e ovos com casca.

Sapo-de-unha é venenoso?

Não. Não possui glândulas de veneno perigosas como o sapo-cururu. A pele tem secreções leves, sem risco grave para pessoas ou pets.

Onde o sapo-de-unha vive no Brasil?

É endêmico do Nordeste, na Caatinga e brejos de altitude, em poças temporárias, açudes e lagoas rasas de CE, RN, PB, PE, AL e BA.

O que o sapo-de-unha come?

Larvas aquáticas de insetos, microcrustáceos, vermes e eventualmente girinos e alevinos, capturados por sucção.

Como o sapo-de-unha se reproduz?

Na estação chuvosa, a fêmea carrega 30 a 80 ovos grudados no dorso por alguns dias; depois eclodem girinos que nadam livres e passam por metamorfose.

Pode criar sapo-de-unha em casa?

Não é recomendado e exige licença do IBAMA. Precisa de aquário totalmente aquático, água de qualidade e alimento vivo. A captura na natureza é crime.

Qual o tamanho do sapo-de-unha?

Pequeno: 4 a 6 cm de comprimento, com fêmeas ligeiramente maiores que os machos, e peso entre 5 e 15 g.

Você sabia?

1

Unhas que não são unhas

As “unhas” são pontas de queratina preta nas patas traseiras, usadas para se firmar no lodo e não para arranhar. As patas dianteiras terminam em 4 dedos finos em forma de estrela, sem membrana.

2

Sem língua e com sucção

Ele não tem língua. Para comer, suga a água com força e empurra a presa com as mãos, como se estivesse comendo com as próprias patas.

3

Linha lateral de peixe

Mantém na vida adulta o sistema de linha lateral, que detecta vibrações na água. É um dos poucos sapos brasileiros com esse sensor típico de peixes.

4

Berçário nas costas

A fêmea carrega 30 a 80 ovos grudados no dorso por alguns dias. Diferente da prima Pipa pipa, os girinos nascem livres e nadam, não saem já formados das costas.

Fontes

  1. IUCN Red List - Pipa carvalhoi
  2. AmphibiaWeb
  3. Reptile Database / Sociedade Brasileira de Herpetologia
  4. ICMBio - Livro Vermelho da Fauna Brasileira

Prós e contras: Sapo-de-unha

Prós

  • Totalmente aquático e silencioso, sem coaxar alto
  • Não venenoso e sem risco relevante para pessoas e pets
  • Importante controlador de larvas de mosquitos
  • Indicador de qualidade da água na Caatinga
  • Ciclo reprodutivo curioso com ovos no dorso

Contras

  • Extremamente sensível à poluição e à qualidade da água
  • Não sobrevive fora d'água e desidrata rápido
  • Exige alimento vivo aquático, inviável como pet
  • Dependente de poças temporárias que estão desaparecendo
  • Quase invisível fora da estação chuvosa
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o sapo-de-unha é um dos anfíbios mais subestimados da Caatinga: totalmente aquático, silencioso e fácil de ignorar, mas essencial para entender como poças temporárias sustentam vida no semiárido. Não é animal para criação, e sim para conservação — seu valor está em permanecer na água, controlando mosquitos e indicando qualidade ambiental.

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