🦎 Répteis e Anfíbios

Sapo-pipa

Pipa pipa

Atualizado em

10 a 20 cmTamanho
AnfíbioGrupo
8 a 15 anosExpectativa de vida
Água doce amazônicaHabitat
BaixoPerigo
Detalhe da pele áspera e tuberculosa do sapo-pipa

O sapo-pipa (Pipa pipa) é um anfíbio totalmente aquático da família Pipidae, famoso por uma das reproduções mais estranhas do reino animal: a fêmea carrega os ovos incubados em alvéolos na pele das costas até os filhotes saírem já formados.

Com corpo extremamente achatado, pele acinzentada e cabeça triangular, ele parece mais uma folha submersa do que um sapo. Não tem língua nem dentes, quase não sai da água e passa a vida camuflado no fundo de igarapés e lagos de várzea da Amazônia.

Apesar da aparência curiosa, não é perigoso para pessoas e não deve ser confundido com réptil. É um anfíbio sensível à qualidade da água e importante controlador de larvas e pequenos peixes no ecossistema amazônico.

Também conhecido como: sapo-do-suriname, sapo-de-pipa, pipa, Surinam toad (inglês), crapaud du Surinam (francês)

Faz parte de: Anfíbios do Brasil, Sapos, Rãs e Pererecas

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Galeria de fotos de Sapo-pipa

Detalhe da pele áspera e tuberculosa do sapo-pipa
Pele áspera e acinzentada que garante camuflagem perfeita.
Fêmea de sapo-pipa com ovos incubados nas costas
Fêmea com ovos incubados em alvéolos nas costas, sua reprodução única.
Detalhe da pele áspera e tuberculosa do sapo-pipa
Pele áspera e acinzentada que garante camuflagem perfeita.
Fêmea de sapo-pipa com ovos incubados nas costas
Fêmea com ovos incubados em alvéolos nas costas, sua reprodução única.
Filhotes de sapo-pipa saindo das costas da mãe
Filhotes já formados rompendo a pele das costas da mãe.
Sapo-pipa caçando por sucção na água
Caça por sucção, já que não possui língua.

Perfil rápido de Sapo-pipa

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Espécie de ampla distribuição amazônica com população estável.

População
estável
Protegido por
sim

Calendário

ReproduçãoJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsTóxica se ingerida
  • PessoasBaixa toxicidade

Secreções cutâneas têm gosto ruim e podem causar irritação em mucosas, salivação e vômito em cachorros e gatos se mordido ou ingerido.

Vida útil

Na natureza
8 a 12 anos
Em cativeiro
até 15 anos

Reprodução

Tipo
ovípara com incubação dorsal
Ovos por postura
40 a 100
Incubação
12 a 20 semanas na pele das costas
Desenvolvimento
direto, sem girino livre; filhotes saem já formados com ~2 cm

Habitat

Ambientes

  • igarapés de água lenta
  • lagos de várzea e poças florestais
  • áreas alagadas com folhiço submerso

Biomas

  • Amazônia

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • peixes pequenos
  • larvas de insetos aquáticos
  • crustáceos

Outros alimentos

  • vermes aquáticos
  • insetos que caem na água
  • girinos

Encontrado em 10 países

  • Brasil
  • Colômbia
  • Venezuela
  • Guiana
  • Suriname
  • Guiana Francesa
  • Equador
  • Peru
  • Bolívia
  • Trinidad e Tobago

Como animal de estimação

Como pet
não recomendado
Legalidade no Brasil
silvestre, criação só com autorização do IBAMA; captura e comércio são crime
Nível de cuidado
muito alto, aquário especializado com água amazônica

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Amphibia
Ordem
Anura
Família
Pipidae
Gênero
Pipa
Espécie
Pipa pipa

Resumo

  • O sapo-pipa é um anfíbio totalmente aquático de corpo achatado que vive no fundo de igarapés e lagos da Amazônia.
  • A fêmea incuba de 40 a 100 ovos em alvéolos na pele das costas por 12 a 20 semanas, de onde saem filhotes já formados sem fase de girino livre.
  • Não tem língua, caça por sucção e não é perigoso para humanos, mas sua pele pode causar irritação e vômito em cachorros e gatos se ingerido.

Características

Ficha da espécie

GrupoAnfíbio
OrdemAnura
FamíliaPipidae
Origem e distribuiçãoNorte da América do Sul, bacias do Amazonas e Orinoco
Tamanho10 a 20 cm (fêmeas maiores que machos)
Peso100 a 400 g
Coresmarrom-acinzentadocinzabegemarrom-amarelado
Habitattotalmente aquático: igarapés, lagos de várzea e poças florestais
Alimentaçãocarnívora: peixes pequenos, larvas, crustáceos e insetos aquáticos
Reproduçãoovípara com incubação dorsal; 40 a 100 ovos nas costas; desenvolvimento direto sem girino livre
Atividadenoturna e aquática
Expectativa de vida8 a 12 anos na natureza, até 15 em cativeiro
Estado de conservaçãoPouco Preocupante (LC - IUCN)

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoas e petsMuito baixo
Facilidade de criação em cativeiroMuito baixo
Adaptação a casas e apartamentosMuito baixo
Importância para o ecossistemaAlto
Sensibilidade a temperatura e umidadeMuito alto
Vida na águaMuito alto

Sapo-pipa é réptil ou anfíbio?

Sapo-pipa é anfíbio, não réptil. Pertence à classe Amphibia, ordem Anura, família Pipidae, a mesma dos sapos totalmente aquáticos. Como todo anfíbio, tem pele permeável, depende da água para se reproduzir e passa por metamorfose, ainda que de um jeito muito diferente dos sapos comuns.

A confusão acontece porque ele tem pele seca e áspera quando visto fora d’água e corpo muito achatado, lembrando uma casca ou folha. Répteis têm pele queratinizada com escamas, pulmões eficientes e ovos com casca; o sapo-pipa tem pele lisa e permeável, sem escamas, e ovos sem casca que se desenvolvem na água, dentro da pele da mãe.

Outro ponto que o denuncia como anfíbio é a alta sensibilidade à poluição e à variação de temperatura da água. Ele respira em parte pela pele e precisa de água limpa e bem oxigenada, exatamente o oposto de um réptil, que é mais resistente à desidratação.

Como identificar o sapo-pipa: um sapo que não parece sapo

O adulto é inconfundível. O corpo é extremamente achatado e largo, como se tivesse sido prensado, com cabeça triangular e focinho pontudo. As fêmeas chegam a 20 cm e 400 g, os machos ficam entre 10 e 15 cm.

A pele é marrom-acinzentada a amarelada, áspera e cheia de tubérculos, o que garante camuflagem perfeita no lodo. Os olhos são minúsculos, sem pálpebras móveis, voltados para cima. As patas traseiras são grandes, com membrana interdigital completa para natação; as dianteiras são finas, com quatro dedos livres terminados em apêndices em forma de estrela, usados como sensores táteis.

Ele não tem língua nem dentes. Essa é a característica mais fácil para diferenciar de qualquer outro sapo ou rã do Brasil. Também não coaxa como os demais: o som é um clique metálico seco.

Onde vive o sapo-pipa e onde é encontrado no Brasil

O sapo-pipa é exclusivo do norte da América do Sul, nas bacias do Amazonas e do Orinoco. No Brasil, ocorre em toda a Amazônia Legal: Acre, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Amapá, Maranhão e norte do Mato Grosso e Tocantins.

É 100% aquático. Vive no fundo de igarapés de água lenta, lagos de várzea, poças permanentes dentro da floresta e áreas alagadas com folhas e galhos submersos. Raramente sai da água, e quando sai é por acidente durante cheias.

Prefere águas rasas, escuras e com muita matéria orgânica, entre 24 °C e 28 °C. Fica imóvel por horas, enterrado no substrato, esperando a presa passar. Por ser tão discreto, é mais encontrado por pescadores e ribeirinhos do que por observadores casuais.

Distribuição além do Brasil

Fora do Brasil, está presente na Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname, Guiana Francesa, Equador, Peru e Bolívia, além da ilha de Trinidad. Não ocorre na Caatinga, Cerrado ou Mata Atlântica.

O que o sapo-pipa come e como caça sem língua

É carnívoro e oportunista. A dieta é composta por peixes pequenos, larvas de insetos aquáticos, crustáceos, vermes e girinos de outras espécies. Ocasionalmente captura insetos que caem na água.

Como não tem língua, a captura é por sucção. Ele abre a boca rapidamente, cria um vácuo e suga a presa junto com água, engolindo inteira. Os dedos estrelados das mãos funcionam como antenas táteis que detectam vibrações na água escura.

Caça principalmente à noite. Durante o dia fica enterrado ou imóvel entre folhas. Em aquário, mostra o mesmo comportamento: só se move para comer ou subir para respirar.

Reprodução do sapo-pipa: os filhotes nascem das costas da mãe

Essa é a parte que tornou a espécie famosa mundialmente. O acasalamento acontece na água, com abraço inguinal e cambalhotas: o casal dá voltas sincronizadas enquanto a fêmea libera os ovos.

A cada volta, o macho fertiliza de 3 a 6 ovos e os pressiona contra as costas da fêmea. A pele dela, que fica esponjosa na época reprodutiva, forma alvéolos individuais onde cada ovo afunda e fica coberto por uma fina membrana. Uma postura tem 40 a 100 ovos.

Os ovos ficam incubados ali por 12 a 20 semanas. Não há girino livre nadando. O desenvolvimento é direto: dentro do alvéolo o embrião passa por toda a metamorfose e sai como miniatura do adulto, com cerca de 2 cm, rompendo a membrana das costas. A mãe depois troca a pele e volta ao normal.

Por que essa estratégia é tão rara

Carregar os ovos no corpo protege contra predadores e fungos da água amazônica, onde ovos soltos seriam facilmente comidos. É uma adaptação extrema ao ambiente aquático escuro e com muitos predadores. O macho não participa da incubação.

Comportamento e hábitos: um anfíbio que quase não sai da água

O sapo-pipa é noturno, sedentário e totalmente aquático. Passa até uma hora submerso sem precisar subir para respirar, usando respiração cutânea e pulmonar. Quando sobe, apenas projeta a ponta do focinho para fora.

É solitário. Só se junta a outros na época de chuva, quando a água sobe e os igarapés se conectam. O macho atrai a fêmea com um clique metálico produzido pelo osso hioide, não pela laringe como nos outros sapos. O som lembra um estalo ou o tique de um relógio e é emitido debaixo d’água.

Quando ameaçado, não pula nem foge rápido. Confia na camuflagem. Se capturado, libera secreção de odor forte e pode se debater, mas não morde.

Sapo-pipa é venenoso? Riscos para pessoas, cachorros e gatos

Não é considerado venenoso como sapos-cururu ou rãs venenosas. A pele produz secreções levemente tóxicas e de gosto ruim, mas não causa envenenamento grave em humanos com contato casual. Pode haver irritação em olhos, boca e feridas se a secreção for esfregada.

O risco maior é para cachorros e gatos que mordem ou tentam comer o animal. A ingestão pode causar salivação intensa, vômito, irritação na mucosa e apatia. Não há registro de morte por Pipa pipa, mas todo anfíbio deve ser mantido longe de pets.

Na nossa avaliação, o perigo é baixo com manejo correto: nunca manipule com feridas nas mãos, lave bem as mãos após tocar e nunca leve à boca. Crianças não devem manusear. Se um pet morder, lave a boca com água corrente e procure veterinário.

Pode ter sapo-pipa como pet? Legalidade e cuidados

Não é pet doméstico. No Brasil, todo anfíbio nativo é considerado animal silvestre e sua captura, criação ou comércio sem autorização do IBAMA é crime ambiental. Não existem criadouros comerciais legalizados para Pipa pipa como há para alguns répteis.

Além da questão legal, a criação é extremamente difícil. Exige aquário grande, água amazônica com parâmetros estáveis, filtração potente, temperatura entre 24 °C e 28 °C e alimentação viva. É sensível a cloro, amônia e variações de pH. Estressa fácil fora d’água.

Por isso, mesmo em zoológicos e instituições científicas a espécie é rara. Para quem gosta de anfíbios aquáticos, espécies exóticas legalizadas como o axolote são mais viáveis, sempre com origem comprovada.

Papel no ecossistema e estado de conservação

O sapo-pipa é predador de fundo e ajuda a controlar populações de larvas de insetos, pequenos peixes e invertebrados. Também serve de presa para peixes grandes, jacarés e aves aquáticas quando jovem.

Como anfíbio totalmente aquático, funciona como bioindicador: seu desaparecimento indica poluição, desmatamento de mata ciliar ou alteração do regime de cheias. O declínio global de anfíbios, ligado a fungo quitrídio, agrotóxicos e perda de habitat, também o afeta, embora ainda não haja colapso populacional documentado.

A IUCN classifica como Pouco Preocupante (LC), com população estável e distribuição ampla. No Brasil, não está na lista nacional de ameaçados, mas é protegido pela lei de fauna silvestre. A maior ameaça é a degradação de igarapés e o desmatamento da Amazônia, não a coleta direta.

Característica Sapo-pipa (Pipa pipa) Sapo-cururu (Rhinella marina)
Corpo extremamente achatado, aquático robusto e verrucoso, terrestre
Língua ausente presente e pegajosa
Reprodução ovos nas costas, sem girino livre milhares de ovos em cordão na água, girino livre
Habitat 100% dentro d’água solo, só vai à água para reproduzir

Perguntas frequentes

Sapo-pipa é réptil ou anfíbio?

É anfíbio da ordem Anura, família Pipidae. Tem pele permeável, depende da água para reproduzir e passa por metamorfose dentro do ovo nas costas da mãe.

Sapo-pipa é venenoso?

Tem baixa toxicidade. A pele libera secreção de gosto ruim que pode irritar mucosas e causar vômito em pets se ingerido, mas não é perigoso como sapo-cururu.

Como o sapo-pipa se reproduz?

O macho fertiliza os ovos e os pressiona nas costas da fêmea, onde ficam incubados em alvéolos por 12 a 20 semanas até saírem filhotes já formados, sem fase de girino livre.

Onde vive o sapo-pipa no Brasil?

Em toda a Amazônia Legal, em igarapés, lagos de várzea e poças florestais de água lenta. É totalmente aquático e raramente sai da água.

Sapo-pipa pode ser criado como pet?

Não. É animal silvestre nativo e sua captura ou criação sem autorização do IBAMA é crime. Além disso, exige aquário especializado e é muito sensível.

O que o sapo-pipa come?

Peixes pequenos, larvas de insetos aquáticos, crustáceos e vermes. Como não tem língua, caça por sucção, sugando a presa com água.

Qual a diferença entre sapo-pipa e sapo-cururu?

O pipa é achatado, aquático, sem língua e incuba ovos nas costas. O cururu é terrestre, robusto, tem língua e põe milhares de ovos em cordões na água.

Você sabia?

1

O parto pelas costas

Cada filhote sai de um alvéolo individual nas costas da mãe, já com pernas, olhos e sem cauda. A mãe pode liberar os 80 filhotes ao longo de vários dias.

2

Caça sem língua

É um dos poucos anuros do mundo sem língua. Para comer, ele suga a presa como um aspirador, engolindo água junto.

3

Canto de osso

Em vez de coaxar com a laringe, o macho estala um osso da garganta (hioide) para produzir cliques metálicos audíveis até fora d'água.

4

Fóssil vivo

A família Pipidae existe há mais de 100 milhões de anos. Fósseis de parentes do sapo-pipa já foram encontrados com a mesma forma achatada do Cretáceo.

Fontes

  1. AmphibiaWeb
  2. IUCN Red List
  3. ICMBio - Instituto Chico Mendes
  4. Sociedade Brasileira de Herpetologia

Prós e contras: Sapo-pipa

Prós

  • Reprodução única no mundo, com incubação dorsal
  • Excelente bioindicador de qualidade da água amazônica
  • Totalmente aquático e silencioso, não coaxa alto
  • Controla larvas e pequenos invertebrados aquáticos
  • Espécie de ampla distribuição e população estável

Contras

  • Não pode ser criado como pet legal sem autorização
  • Extremamente sensível a poluição e variação de água
  • Exige aquário especializado e alimentação viva
  • Secreção pode irritar pets se ingerido
  • Difícil de observar na natureza por ser noturno e camuflado
Nossa opinião

O sapo-pipa é um dos anfíbios mais extraordinários do Brasil e prova de que a Amazônia ainda guarda estratégias reprodutivas únicas no mundo. Na nossa avaliação, seu valor está muito mais como bioindicador e curiosidade natural do que como pet, e deve ser observado na natureza, não em aquário caseiro.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.