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Cardo-mariano

Silybum marianum

Atualizado em

1,2 a 1,5 m de alturaTamanho
Sol plenoLuminosidade
Baixa a moderadaRega
BienalCiclo de vida
Fácil e rústicaDificuldade
Cardo-mariano adulto em jardim a sol pleno com folhas marmorizadas e flores roxas

O cardo-mariano é uma herbácea bienal famosa pelas folhas verdes com manchas brancas leitosas e pelos capítulos roxos cheios de espinhos. Nativa do Mediterrâneo, se destaca não pelo valor ornamental, mas pela produção de silimarina nas sementes, complexo de flavonolignanas estudado há décadas pelo potencial hepatoprotetor.

No Brasil, aparece como planta ruderal e cultivada, crescendo vigorosa em sol pleno e solos bem drenados. Forma primeiro uma roseta basal espinhosa e, no segundo ano, hastes que podem passar de 1,5 m, florescendo entre primavera e verão.

É uma espécie rústica e de ciclo curto, mas que exige manejo por causa dos espinhos e da dispersão fácil das sementes. Entender sua identificação, época de plantio e ponto certo de colheita evita confusão com outros cardos e garante sementes com maior teor de princípio ativo.

Também conhecido como: Cardo-mariano, Cardo-santo, Cardo-leiteiro, Cardo-de-Santa-Maria, Milk thistle (inglês), Mariendistel (alemão), Chardon-Marie (francês)

Faz parte de: Hortaliças, Plantas de Sol Pleno, Plantas para Jardim

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Galeria de fotos de Cardo-mariano

Cardo-mariano adulto em jardim a sol pleno com folhas marmorizadas e flores roxas
Planta adulta de cardo-mariano com folhas marmorizadas e capítulos roxos.
Folhas de cardo-mariano com nervuras brancas leitosas e espinhos
Detalhe das folhas marmorizadas, marca registrada da espécie.
Flor roxa de cardo-mariano com brácteas espinhosas
Capítulo floral roxo-púrpura cercado por brácteas espinhosas.
Sementes de cardo-mariano com pappus branco após colheita
Aquênios com pappus, onde se concentra a silimarina.
Roseta basal jovem de cardo-mariano no solo
Roseta do primeiro ano, fase que antecede a floração.
Cardo-mariano cultivado em vaso grande a sol pleno
Cultivo em vaso grande, possível mas exige recipiente profundo.
Ideal para

Ideal para quem busca uma planta medicinal rústica de sol pleno e tem espaço no quintal ou horta para cultivar poucas unidades com finalidade de estudo e produção de sementes. Funciona bem para quem tem rotina corrida, pois exige pouca rega e quase nenhuma poda após estabelecida.

Pode não ser ideal para

Pode não ser ideal para quem tem crianças pequenas, pets curiosos que circulam soltos no canteiro ou jardim compacto de apartamento. Os espinhos rígidos exigem manuseio com luvas e o potencial de ressemeadura pede controle constante para não se espalhar.

Cultivo rápido

Luz
Sol pleno, mínimo 6 horas de sol direto; não floresce bem à sombra
Rega
Moderada na germinação e roseta; depois baixa, deixando secar superficialmente entre regas
Solo
Bem drenado, solto, com matéria orgânica moderada; pH 5,5 a 7,5; evitar encharcamento
Temperatura
Ideal 15 °C a 25 °C; tolera frio leve até cerca de 5 °C e calor seco até 30 °C
Adubação
Composto orgânico na base; evitar excesso de nitrogênio; reforço leve só se solo muito pobre
Poda
Desnecessária; apenas remoção de folhas secas e capítulos colhidos com luvas
Propagação
Exclusivamente por sementes, por semeadura direta no local definitivo

Perfil rápido de Cardo-mariano

Calendário

plantioJFMAMJJASOND
floraçãoJFMAMJJASOND
colheita de sementesJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxica
  • PessoasNão tóxica

Extratos são usados com orientação; ingestão excessiva de sementes pode causar náusea e diarreia. Animais geralmente evitam pelos espinhos. Consulte veterinário/médico antes de qualquer uso medicinal.

Encontrado em 10 países

  • Portugal
  • Espanha
  • Itália
  • Grécia
  • Turquia
  • Marrocos
  • Israel
  • França
  • Croácia
  • Tunísia

Classificação científica

Reino
Plantae
Filo
Tracheophyta
Classe
Magnoliopsida
Ordem
Asterales
Família
Asteraceae
Gênero
Silybum
Espécie
Silybum marianum

Resumo

  • O cardo-mariano é uma planta bienal de até 1,5 m, identificada pelas folhas espinhosas com nervuras brancas leitosas e flores roxas em capítulo espinhoso.
  • Famosa pela silimarina concentrada nos frutos, é cultivada a sol pleno e solo bem drenado, com semeadura no outono-inverno e colheita no final da primavera e verão.
  • É rústica, pouco exigente e tolerante à seca e ao frio leve, mas precisa de controle da dispersão e cuidado no manuseio devido aos espinhos rígidos.

Características

Ficha da planta

Nome popularCardo-mariano
Nome científicoSilybum marianum (L.) Gaertn.
Família botânicaAsteraceae
OrigemRegião do Mediterrâneo (sul da Europa, norte da África e oeste da Ásia)
Tipo de plantaHerbácea bienal, medicinal e ruderal
Ciclo de vidaBienal
Tamanho0,6 a 1,5 m de altura; roseta basal de 30 a 60 cm no 1º ano
CoresFolhas verdes com manchas brancasflores roxo-púrpurafrutos castanho-claros com manchas escuras
LuminosidadeSol pleno (mínimo 6 horas de sol direto)
RegaBaixa a moderada; solo levemente seco entre regas
SoloBem drenado, fértil a moderadamente fértil, pH 5,5 a 7,5
Temperatura5 °C a 30 °C; tolera geadas leves e verões secos
PropagaçãoSementes
Toxicidade para petsNão tóxica quando usada corretamente; ingestão excessiva pode causar desconforto gastrointestinal

Perfil e comportamento

Necessidade de luzMuito alto
Necessidade de águaBaixo
Facilidade de cultivoAlto
Adequação a vasosBaixo
Resistência a pragasAlto
Tolerância ao frioAlto
Tolerância ao calorAlto
Valor ornamentalBaixo

Como identificar o cardo-mariano sem confundir com outros cardos

O cardo-mariano se entrega pelas folhas grandes, brilhantes e marmorizadas de branco ao longo das nervuras. Esse variegado leitoso não é doença, é característica da espécie, e vem acompanhado de espinhos amarelos e rígidos nas margens e nas brácteas que envolvem a flor. Nenhum outro cardo comum no Brasil combina esses dois traços com a mesma intensidade.

A planta forma no primeiro ano uma roseta basal rente ao solo, com folhas que podem chegar a 40 cm. No segundo ano, lança hastes eretas, sulcadas e pouco ramificadas, coroadas por um capítulo floral globoso de 4 a 7 cm, com flores tubulares roxo-púrpura. Após a floração, surgem os frutos do tipo aquênio, castanho-escuros com um tufo de pelos brancos (pappus) que ajuda na dispersão pelo vento.

Para confirmar, observe o verso da folha e o caule: o cardo-mariano não tem pelos lanosos densos como o cardo-santo (Cnicus benedictus) e suas brácteas externas são largas, coriáceas e terminam em espinho longo e recurvado. O cheiro é herbáceo suave, sem látex.

Para que serve e por que a silimarina importa tanto

O interesse no cardo-mariano está nos frutos (aquênios), onde se concentra o complexo silimarina, formado principalmente por silibina, silicristina e silidianina. Essa mistura de flavonolignanas é estudada desde os anos 1960 por sua ação antioxidante e estabilizadora de membranas de células do fígado, e é a base de extratos padronizados vendidos em farmácias.

Na prática, a planta é cultivada como matéria-prima medicinal, não como hortaliça de consumo direto. As folhas jovens até podem ser consumidas após remoção dos espinhos em algumas tradições mediterrâneas, mas o uso principal, seguro e documentado, é o da semente madura seca, sempre com orientação profissional. Não use por conta própria para tratar doenças hepáticas.

Um detalhe pouco divulgado: o teor de silimarina varia muito com a maturação e o armazenamento. Sementes colhidas antes da hora ou mal secas perdem rapidamente o princípio ativo por oxidação. Por isso, produtores sérios colhem quando o pappus começa a se soltar e secam à sombra, em local ventilado.

Como plantar cardo-mariano no Brasil: época e passo a passo

O cardo-mariano rende melhor quando semeado no outono e inverno, para que a roseta se desenvolva no frio e floresça na primavera-verão. Em regiões de inverno ameno, pode ser semeado até o início da primavera. A semeadura direta é a mais eficiente, pois a raiz pivotante não gosta de transplante.

  • Escolha do local: sol pleno, solo bem drenado e canteiro sem encharcamento. Evite áreas de passagem por causa dos espinhos.
  • Preparo do solo: revolva 20 a 30 cm, incorpore composto orgânico maduro e, se o solo for muito argiloso, adicione areia grossa para melhorar a drenagem.
  • Semeadura: faça sulcos de 1 a 2 cm de profundidade, distribua 2 a 3 sementes a cada 30 cm e cubra levemente. Mantenha úmido até a germinação, que ocorre em 7 a 14 dias.
  • Desbaste: quando as plântulas tiverem 4 folhas, deixe uma planta a cada 40 a 60 cm. O espaçamento garante capítulos maiores.
  • Condução: não é necessário tutoramento. Se cultivar em vaso, use recipiente com no mínimo 30 litros e 35 cm de profundidade.

Em hortas domésticas, plante poucas unidades e colha de forma escalonada. A planta se ressemeia com facilidade e pode se tornar espontânea invasora se os capítulos secos não forem removidos a tempo.

Luz, rega e solo ideais: o tripé da rusticidade

Luz: sol pleno é inegociável. Com menos de 6 horas de sol direto, a planta estica, produz folhas menores e floresce pouco. Tolera meia-sombra muito leve apenas no primeiro mês.

Rega: após estabelecida, o cardo-mariano é tolerante à seca. Regue para manter o solo levemente úmido na germinação e na fase de roseta, depois espaçe. O excesso de água favorece podridão de raiz e míldio. Em vasos, regue quando os 3 cm superficiais estiverem secos.

Solo e adubação: prefere solos soltos, com pH entre 5,5 e 7,5. Não exige fertilidade alta; excesso de nitrogênio gera muita folha e pouca semente. Uma adubação de base com composto já é suficiente. Se o solo for pobre, complemente com adubo equilibrado no início do segundo ano, sem exagero. Poda não é necessária, apenas remova folhas secas e capítulos já colhidos com luvas grossas.

Floração, colheita e armazenamento das sementes

A floração acontece principalmente de outubro a janeiro na maior parte do Brasil, durando 3 a 5 semanas por planta. Cada capítulo produz dezenas de aquênios com pappus. O ponto de colheita é quando as brácteas começam a secar e os pelos brancos aparecem na ponta do capítulo, mas antes que o vento leve tudo embora.

Colha com tesoura de poda e luvas de couro, corte o capítulo inteiro e finalize a secagem à sombra por 5 a 7 dias sobre bandeja. Depois, esfregue suavemente para soltar as sementes, peneire para remover palha e guarde em pote de vidro bem fechado, ao abrigo de luz e umidade. Bem armazenadas, mantêm viabilidade por 2 a 3 anos, mas o teor de silimarina cai após 12 meses.

Se o objetivo for apenas ornamental ou para polinizadores, deixe alguns capítulos secarem na planta: abelhas e borboletas visitam intensamente as flores roxas e pássaros se alimentam das sementes.

Quanto produz uma planta?

Uma planta bem conduzida pode gerar de 80 a 150 capítulos secundários menores após o capítulo central, totalizando de 15 a 40 g de sementes secas. Em cultivo adensado, a produtividade fica entre 800 kg e 1.200 kg de sementes por hectare em condições mediterrâneas, número que cai em solos muito úmidos.

Pragas, doenças e erros comuns que atrapalham o cultivo

O cardo-mariano é rústico, mas não imune. Os problemas mais frequentes no Brasil são:

  • Pulgões e lagartas: atacam brotos e botões florais. Remova manualmente no início e use jato de água; infestações grandes pedem controle com produtos à base de óleo de neem, sempre fora do horário de abelhas.
  • Oídio e ferrugem: surgem com pouca ventilação e excesso de umidade. Evite molhar as folhas, mantenha espaçamento e remova folhas muito afetadas.
  • Podridão de raiz: típica de solo encharcado. Garanta drenagem e não regue em excesso no inverno.
  • Dispersão descontrolada: o erro número um é deixar todos os capítulos secarem ao vento. A espécie é considerada invasora em países como Austrália e Estados Unidos justamente pela facilidade de ressemeadura.

Outro erro é confundir mudas jovens de cardo-mariano com serralha ou dente-de-leão e capinar sem querer. Marque a linha de semeadura e observe o marmoreado branco desde as primeiras folhas verdadeiras.

Cardo-mariano é tóxico, é perene e tem tipos diferentes?

É perene? Não. É bienal: no primeiro ano forma roseta, no segundo floresce, frutifica e morre. Em climas quentes, pode se comportar como anual precoce, florescendo já no primeiro ano se semeado muito cedo.

É tóxico? Para pessoas e para pets, a planta não é classificada como tóxica aguda, e extratos padronizados são inclusive usados em suplementos veterinários para cães e gatos com suporte hepático, sempre com dose orientada. O risco está na ingestão excessiva de sementes ou no uso sem orientação, que pode causar náusea, diarreia e cólica, além de interação com medicamentos. Animais de pasto geralmente evitam a planta pelos espinhos.

Tipos e variedades: não há dezenas de cultivares ornamentais como em outras espécies. O que existe são seleções agrícolas para maior teor de silimarina e maior rendimento de sementes, como as linhagens europeias ‘Silyb’ e seleções de origem alemã e húngara usadas para produção industrial. Para horta doméstica, a forma botânica típica já atende bem; a variação está mais no tamanho da planta e na intensidade do marmoreado.

Perguntas frequentes

Cardo-mariano é perene ou anual?

É bienal: forma roseta no primeiro ano e floresce, frutifica e morre no segundo. Em clima quente pode se comportar como anual.

Como plantar cardo-mariano em vaso?

Use vaso de pelo menos 30 litros e 35 cm de profundidade, solo bem drenado e sol pleno. Semeie direto no vaso e deixe apenas uma planta por vaso.

Quando colher as sementes de cardo-mariano?

Quando o capítulo seca e o pappus branco começa a aparecer, entre dezembro e março na maioria do Brasil. Colha antes que o vento disperse.

Cardo-mariano precisa de muita água?

Não. Após a fase de muda, é tolerante à seca. Regue apenas quando a superfície do solo secar.

Cardo-mariano é tóxico para cachorro e gato?

Não é considerado tóxico e até existem suplementos à base de silimarina para pets, mas o uso deve ter orientação veterinária. A ingestão excessiva pode causar desconforto gastrointestinal.

Qual a diferença entre cardo-mariano e cardo-santo?

São espécies diferentes. O cardo-mariano (Silybum marianum) tem folhas marmorizadas de branco e capítulos grandes roxos; o cardo-santo (Cnicus benedictus) tem folhas menos marmorizadas e mais lanosas.

Precisa podar o cardo-mariano?

Não há poda de formação. Basta remover folhas secas e capítulos já colhidos, sempre com luvas grossas por causa dos espinhos.

Você sabia?

1

O leite da lenda

As manchas brancas das folhas deram origem à lenda medieval de que seriam gotas do leite da Virgem Maria caídas sobre a planta, daí o nome marianum e o inglês milk thistle.

2

Semente que vive anos no solo

Em condições secas, as sementes podem permanecer viáveis no banco do solo por até 9 anos, esperando a época certa de umidade para germinar.

3

Parente da alcachofra

Pertence à mesma família da alcachofra e do girassol, a Asteraceae, e seus capítulos jovens lembram mini-alcachofras espinhosas antes de abrirem.

4

Invasora do outro lado do mundo

Na Austrália, é considerada planta invasora de pastagens e áreas agrícolas, onde forma densas colônias que competem com forrageiras e dificultam o manejo.

Fontes

  1. Flora e Funga do Brasil - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
  2. Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
  3. Royal Botanic Gardens, Kew - Plants of the World Online
  4. Missouri Botanical Garden

Prós e contras: Cardo-mariano

Prós

  • Muito rústico e tolerante à seca e ao frio leve
  • Exigência baixa de adubação e rega após estabelecido
  • Atrai abelhas e outros polinizadores na floração
  • Sementes com alto valor medicinal (silimarina) quando bem colhidas e armazenadas
  • Fácil de propagar por sementes com alta taxa de germinação

Contras

  • Espinhos rígidos dificultam manejo e exigem luvas
  • Ressemeadura fácil pode torná-lo invasivo se não controlado
  • Pouco adequado para vasos pequenos e jardins de passagem
  • Ciclo bienal exige esperar até o segundo ano para floração completa
  • Teor de princípio ativo cai rápido se a colheita e secagem forem mal feitas
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o cardo-mariano vale mais como planta medicinal de ciclo controlado do que como ornamental, justamente por unir rusticidade e princípio ativo bem documentado. Para horta doméstica, recomendamos cultivar poucas plantas e colher no ponto certo, em vez de deixar grandes touceiras espinhosas se espalharem sem manejo.

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Última revisão em 18.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.