🐟 Peixes

Raia

Potamotrygon spp. (água doce) e Dasyatis / Hypanus spp. (marinhas)

Atualizado em

30 cm a 7 m de envergaduraTamanho
Doce e salgadaTipo de água
15 a 25 anosExpectativa de vida
Dócil e defensivaTemperamento
AltaDificuldade
Raia camuflada enterrada na areia do rio

A raia é um peixe cartilaginoso aparentado dos tubarões, com corpo em forma de disco, nadadeiras peitorais amplas e cauda geralmente com um ou mais ferrões venenosos. Não é um peixe ósseo comum: seu esqueleto é todo de cartilagem e ela respira por espiráculos atrás dos olhos quando está enterrada na areia.

No Brasil, o termo reúne dois grupos bem diferentes: as raias marinhas, que vivem no litoral e em alto-mar, e as raias de água doce da família Potamotrygonidae, exclusivas dos rios da América do Sul. São predadoras de fundo, fundamentais para o equilíbrio ecológico, mas exigem muito conhecimento quando mantidas em aquário.

Apesar da fama de perigosa, a raia é um animal dócil que só usa o ferrão para defesa. A maioria dos acidentes acontece quando alguém pisa sobre ela camuflada no fundo.

Também conhecido como: arraia, raia-bicuda, raia-chita, raia-preta, raia-jabuti, raia-manta, jamanta, stingray (inglês), raya (espanhol)

Faz parte de: Peixes Carnívoros, Peixes de Água Doce, Peixes de Água Salgada, Peixes para Aquário

Explore a wiki

Galeria de fotos de Raia

Raia camuflada enterrada na areia do rio
Camuflagem natural: a raia se enterra para emboscar presas.
Jamanta gigante nadando em oceano aberto
Jamanta (Mobula birostris), a maior raia do mundo, com até 7 m de envergadura.
Detalhe do ferrão serrilhado na cauda da raia
Ferrão serrilhado com veneno, usado apenas para defesa.
Casal de raias de água doce nadando juntas em aquário grande
Casal de raias em aquário com base larga e areia fina.
Jamanta gigante nadando em oceano aberto
Jamanta (Mobula birostris), a maior raia do mundo, com até 7 m de envergadura.
Detalhe do ferrão serrilhado na cauda da raia
Ferrão serrilhado com veneno, usado apenas para defesa.
Ideal para

Ideal para aquaristas experientes com espaço, filtragem de alto desempenho e rotina rigorosa de trocas de água. É um peixe inteligente e interativo que reconhece o tutor e se alimenta na mão, ideal para quem busca um animal de fundo imponente e diferente.

Pode não ser ideal para

Não é indicada para iniciantes, aquários pequenos, comunitários com peixes pequenos ou para quem tem pouco tempo. Também não funciona para famílias com crianças pequenas que possam manusear o aquário, devido ao risco do ferrão venenoso e à exigência de manejo cuidadoso.

Como cuidar

Aquário
Mínimo 600-800 L para 1 exemplar de água doce, base larga (150x60 cm), areia fina ou fundo nu, sem ornamentos pontiagudos
Água
26-28 °C, pH 6,5-7,5, amônia e nitrito zero, nitrato <20 mg/L, filtragem superdimensionada e TPA semanal de 30-40%
Alimentação
Carnívora de fundo: camarão, filé de peixe branco, mexilhão, minhoca e ração para raias; 1-2x ao dia no fundo
Manejo seguro
Nunca manuseie com a mão sobre a cauda; use puçá largo e mantenha o ferrão longe do corpo; arraste os pés em rios e praias

Perfil rápido de Raia

Estado de conservação

VU
Vulnerável

Muitas espécies de raias marinhas e de água doce estão em declínio por pesca e perda de habitat.

População
em declínio
Protegido por
Sim, espécies como Potamotrygon leopoldi e Mobula birostris têm comércio regulado pela CITES e Ibama

Vida útil

Na natureza
10 a 25 anos, dependendo da espécie e da pressão de pesca
Em cativeiro (água doce)
12 a 20 anos com água estável e dieta variada

Reprodução

Tipo
Vivípara aplancentária (sem placenta)
Fecundação
Interna, com clásperes do macho
Gestação
3 a 9 meses conforme a espécie
Ninhada
1 a 12 filhotes por gestação
Tamanho ao nascer
8 a 35 cm de largura de disco

Habitat

Ambientes

  • rios de água doce
  • lagos de várzea
  • igarapés
  • estuários
  • manguezais
  • praias arenosas
  • recifes costeiros
  • oceano aberto

Biomas

  • Amazônia
  • Mata Atlântica
  • Pantanal
  • Caatinga
  • Cerrado
  • Marinho Costeiro

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • crustáceos
  • moluscos
  • peixes de fundo

Outros alimentos

  • camarões
  • caranguejos
  • larvas de insetos
  • minhocas aquáticas
  • plâncton (jamantas)

Encontrado em 10 países

  • Brasil
  • Colômbia
  • Peru
  • Argentina
  • Estados Unidos
  • México
  • Austrália
  • Indonésia
  • África do Sul
  • Moçambique

Como animal de estimação

Adequação
Apenas raias de água doce são mantidas em aquário; exige aquarista avançado
Legalidade no Brasil
Compra só com origem legalizada e nota fiscal; algumas espécies têm cotas e exigem cadastro no Ibama
Nível de cuidado
Muito alto: água impecável, aquário grande e alimentação diária carnívora
Custo de aquisição
Alto, além de custo elevado com aquário, filtragem e energia

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Chondrichthyes
Ordem
Myliobatiformes
Família
Potamotrygonidae / Dasyatidae / Mobulidae
Gênero
Potamotrygon, Hypanus, Mobula
Espécie
Potamotrygon motoro, P. leopoldi, Hypanus guttatus, Mobula birostris (exemplos)

Resumo

  • A raia é um peixe cartilaginoso de corpo achatado, parente do tubarão, com ferrão venenoso na cauda usado apenas para defesa.
  • No Brasil existem raias marinhas em todo o litoral e raias de água doce endêmicas das bacias do Amazonas, Araguaia-Tocantins e Paraná-Paraguai.
  • A criação em aquário é só para aquaristas avançados, exigindo aquários acima de 600 litros, água impecável e alimentação carnívora variada.

Características

Ficha da espécie

Nome científicoPotamotrygon spp. / Hypanus spp. / Mobula spp.
FamíliaPotamotrygonidae (água doce) e Dasyatidae, Myliobatidae, Mobulidae (marinhas)
OrigemBacias sul-americanas e oceanos Atlântico, Pacífico e Índico
Tipo de águaDoce e salgada (espécies distintas)
Tamanho30 cm a 700 cm de largura de disco
Tamanho adultoÁgua doce: 30 a 80 cm de disco; Marinhas: até 700 cm (jamanta)
Expectativa de vida10 a 25 anos
AlimentaçãoCarnívora
ReproduçãoVivípara (aplacentária) e ovovivípara
Corespretomarromcinzabegebrancoamarela
VariedadesPreta (Potamotrygon leopoldi), Xingu, Jabuti, Tuiuiú, Jamanta, Chita, Ticona

Perfil e comportamento

Facilidade de criaçãoMuito baixo
AgressividadeBaixo
SociabilidadeMédio
Nível de atividadeMédio
Exigência com a qualidade da águaMuito alto
Adequação a aquários pequenosMuito baixo

O que é a raia e como identificá-la de verdade

A raia não é um peixe achatado qualquer. Ela tem corpo em forma de disco formado pela fusão da cabeça com nadadeiras peitorais enormes, olhos no topo e boca com dentes achatados na parte ventral.

Diferente de linguados, ela nada com movimentos ondulatórios das peitorais, como se voasse debaixo d’água. A cauda é fina e, na maioria das espécies, porta um a três ferrões serrilhados cobertos de muco venenoso.

Para identificar, observe três pontos: espiráculos atrás dos olhos (orifícios respiratórios), fendas branquiais embaixo do disco e ausência total de escamas ósseas. A pele é lisa ou com pequenos dentículos ásperos ao toque.

Raia é peixe? Classificação e parentesco com o tubarão

Sim, raia é peixe, mas cartilaginoso da classe Chondrichthyes, a mesma dos tubarões e quimeras. Seu esqueleto é de cartilagem, não de osso.

Elas pertencem à superordem Batoidea, que reúne mais de 600 espécies. Isso explica por que a raia tem ampolas de Lorenzini, eletrorreceptores no focinho que detectam batimentos cardíacos de presas enterradas na areia.

Outro traço de tubarão é a fecundação interna e o desenvolvimento direto dos filhotes, sem fase larval. É um grupo antigo, com fósseis de mais de 150 milhões de anos.

Onde vivem as raias no Brasil e no mundo

No Brasil existem dois mundos distintos. As raias marinhas ocorrem em todo o litoral, de manguezais e estuários rasos até 200 m de profundidade, com maior diversidade no Nordeste e Sudeste.

Já as raias de água doce (Potamotrygonidae) são exclusivas da América do Sul e só existem aqui. Vivem nas bacias do Amazonas, Araguaia-Tocantins, Orinoco e Paraná-Paraguai, em rios, lagos de várzea e igarapés de fundo arenoso ou lodoso.

Essa separação é única: as potamotrigonídeas são o único grupo de raias que completou todo o ciclo de vida em água doce, perdendo a glândula de sal dos parentes marinhos. Por isso não podem ser soltas no mar e vice-versa.

  • Água doce: Potamotrygon motoro (ticona), P. leopoldi (raia-preta do Xingu), P. jabuti, P. henlei
  • Água salgada costeira: Hypanus guttatus (raia-bicuda), Hypanus americanus (raia-chita), Aetobatus narinari (raia-pintada)
  • Oceânica: Mobula birostris (jamanta, até 7 m e 1.350 kg) e raias-manta de recife

Comportamento: como a raia nada, caça e se defende

A raia é um predador de emboscada e farejador. Durante o dia fica semienterrada, camuflada, bombeando água pelos espiráculos para respirar sem ingerir areia.

À noite sai para caçar. Usa o olfato, a visão e principalmente a eletrorrecepção para localizar caranguejos, camarões, moluscos e peixes pequenos sob o substrato. Depois abocanha e tritura com placas dentárias.

O temperamento é tímido e não agressivo. Ela foge quando percebe vibração. O acidente com o ferrão quase sempre ocorre por pisoteio. Quando ameaçada, arqueia a cauda e aplica uma chicotada rápida.

Algumas espécies são mais ativas, como a raia-pintada que salta fora d’água, e a jamanta que filtra plâncton em meia-água e visita estações de limpeza onde peixes limpam sua pele.

Raia de água doce no aquário: o que realmente exige

Manter raia de água doce é projeto para aquarista avançado, não para aquário comunitário comum. O disco cresce rápido e exige espaço horizontal.

Para uma Potamotrygon motoro adulta, considere mínimo de 600 a 800 litros para um exemplar e 1.200+ litros para casal, com base de pelo menos 150 cm x 60 cm. Altura importa menos que área de fundo. Sem quinas vivas e sem decoração pontiaguda.

Parâmetros precisam ser estáveis: temperatura 26 a 28 °C, pH 6,5 a 7,5, amônia e nitrito sempre zero, nitrato abaixo de 20 mg/L. Filtragem potente, com sump ou canister superdimensionado, e trocas semanais de 30 a 40% são obrigatórias.

Substrato ideal é areia fina e lisa ou fundo nu. Cascalho grosso fere o ventre e dificulta a alimentação. A raia precisa enterrar-se parcialmente para se sentir segura.

Ela não é compatível com peixes pequenos (viram comida) nem com peixes mordedores de nadadeiras. Companhias possíveis são aruanãs, tucunarés grandes e cascudos robustos, sempre com espaço e alimentação separados.

Alimentação da raia: o que ela come na natureza e no aquário

Na natureza a dieta é 100% carnívora e bentônica: camarões, caranguejos, larvas de insetos, minhocas aquáticas, moluscos e peixes de fundo.

No aquário, filhotes aceitam melhor minhoca, artêmia adulta, camarão picado e tubifex. Adultas precisam de variedade: camarão, filé de tilápia, mexilhão, minhoca e ração específica para raias de fundo.

Alimente uma a duas vezes ao dia, em porções que sejam consumidas em minutos, sempre depositando o alimento no fundo com pinça. Jejum de um dia na semana ajuda na digestão.

Evite carne de mamífero, embutidos e alimentos secos que boiam. Excesso de gordura causa deformidade no disco e problemas hepáticos, muito comuns em cativeiro mal manejado.

Reprodução e o nascimento dos filhotes já formados

Raia não bota ovos como a maioria dos peixes. As espécies brasileiras são vivíparas aplancentárias: os embriões se desenvolvem dentro da mãe e nascem já em miniatura do adulto.

O macho possui clásperes (par de órgãos copuladores na base da cauda) e morde a borda do disco da fêmea durante a cópula. A gestação dura 3 a 9 meses conforme a espécie, com ninhadas pequenas de 1 a 12 filhotes.

Na água doce, Potamotrygon motoro gera de 4 a 8 filhotes com 8 a 12 cm de disco após cerca de 3 a 4 meses. Eles já nascem com ferrão funcional e precisam se alimentar em 3 a 5 dias.

Em cativeiro a reprodução exige casal bem aclimatado, água perfeita e separação dos filhotes, pois a mãe pode pisoteá-los. É um dos poucos peixes ornamentais com cuidado pós-natal indireto por proteção do território.

Ferrão venenoso, acidentes e conservação

O ferrão é uma espinha dérmica serrilhada com veneno proteico que causa dor intensa, edema e necrose local. Ele não é lançado: fica fixo e é trocado periodicamente, com um novo crescendo sob o antigo.

Em rios amazônicos, acidentes são comuns na seca quando as raias se concentram em praias rasas. No mar, o risco é pisar na raia-bicuda enterrada. A recomendação é arrastar os pés ao entrar na água (o “arrastar da raia”) para afugentá-la.

Em caso de ferroada, lave, retire fragmentos visíveis e procure atendimento médico imediato. Água quente (45 °C) alivia a dor porque desnatura parte do veneno, mas não substitui soro e antibiótico.

Quanto à conservação, muitas populações estão em declínio por pesca acidental, poluição, hidrelétricas e tráfico para aquarismo. A raia-preta do Xingu (P. leopoldi) e várias jamantas são classificadas como Vulneráveis ou Em Perigo e têm comércio controlado pelo Ibama e pela CITES.

Grupo Habitat Tamanho típico Risco principal
Potamotrygon (água doce) Rios e lagos 35-80 cm disco Barragens e captura ornamental
Dasyatidae costeira Praias e estuários 40-150 cm disco Pesca de arrasto
Mobulidae (jamanta) Oceano aberto 350-700 cm disco Pesca e colisão com barcos

Perguntas frequentes

Raia é peixe ou mamífero?

É peixe cartilaginoso, parente do tubarão, da classe Chondrichthyes. Não é mamífero e não amamenta.

Toda raia tem ferrão venenoso?

Quase todas as Dasyatidae e Potamotrygonidae têm 1 a 3 ferrões serrilhados com veneno. Jamantas e raias-manta não têm ferrão funcional.

Raia de água doce pode viver no mar?

Não. As raias de água doce perderam a glândula de sal e morrem em água salgada, assim como as marinhas não sobrevivem em água doce.

Qual tamanho de aquário para raia de água doce?

Mínimo de 600 a 800 litros com base larga de 150x60 cm para um exemplar adulto. Para casal ou espécies maiores, acima de 1.200 litros.

O que a raia come?

Carnívora: camarão, filé de peixe branco, mexilhão, minhoca e ração de fundo para raias. Filhotes precisam de alimento vivo ou fresco picado.

Quanto tempo vive uma raia?

De 10 a 25 anos conforme a espécie. Em aquário bem manejado, raias de água doce vivem 12 a 20 anos.

Como evitar acidente com raia no rio ou na praia?

Arraste os pés ao caminhar na água rasa para afugentá-la e não toque ou alimente raias. Em caso de ferroada, procure atendimento médico imediato.

Fatos surpreendentes sobre a raia

1

O único tubarão-irmão que virou peixe de rio

As raias de água doce da Amazônia descendem de ancestrais marinhos que ficaram isolados há cerca de 20 milhões de anos e perderam a capacidade de viver no mar.

2

Troca de ferrão como unha

A raia não perde o ferrão para sempre: um novo espinho cresce por baixo e o velho cai, por isso um mesmo animal pode ter dois ferrões sobrepostos por um tempo.

3

Parto de miniaturas perfeitas

Filhotes de Potamotrygon já nascem com disco, olhos, boca e ferrão funcionais, medindo até 12 cm, e começam a caçar sozinhos em poucos dias.

4

Voo planado da jamanta

A jamanta pode saltar vários metros fora d'água e planar antes de cair, comportamento usado para se limpar de parasitas e para comunicação.

Fontes

  1. FishBase - Rays and Stingrays
  2. ICMBio / IUCN Red List - Potamotrygonidae
  3. Instituto Chico Mendes - Peixes de Água Doce do Brasil

Prós e contras: Raia

Prós

  • Peixe inteligente que reconhece o tutor e interage na alimentação
  • Excelente indicador de água limpa e bem filtrada
  • Comportamento único de voo subaquático e de se enterrar na areia
  • Reprodução vivípara com filhotes já formados, fascinante de acompanhar
  • Grupo exclusivamente sul-americano na água doce, de alto valor biológico

Contras

  • Exige aquário muito grande e filtragem potente
  • Ferrão venenoso oferece risco real de acidente grave
  • Sensível a amônia, nitrito e variações de pH e temperatura
  • Dieta carnívora diária com alimentos frescos, sem ração comum
  • Custo alto de aquisição legalizada e manutenção energética
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a raia é um dos peixes mais mal compreendidos do Brasil: temida pelo ferrão, mas essencial para controlar populações de fundo e indicar rios saudáveis. Para aquário, só faz sentido se o tutor tratar o projeto como um aquário de grande porte dedicado, não como enfeite.

Continue explorando: Peixes

Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.