🐟 Peixes

Halibute

Hippoglossus hippoglossus / Hippoglossus stenolepis

Atualizado em

Até 2,5 m e 300 kgTamanho
Salgada friaTipo de água
40 a 55 anosExpectativa de vida
Predador solitárioTemperamento
Não é de aquárioDificuldade
Halibute-do-atlântico deitado sobre fundo de areia visto de lado

O halibute é o maior peixe chato existente, um linguado gigante de águas frias que pode ultrapassar 2,5 metros e 300 kg. Ao contrário da maioria dos peixes, ele nasce com um olho de cada lado da cabeça e, durante o desenvolvimento, um dos olhos migra para o outro lado, deixando-o completamente achatado e adaptado à vida no fundo do oceano.

Existem duas espécies principais: o halibute-do-atlântico (Hippoglossus hippoglossus) e o halibute-do-pacífico (Hippoglossus stenolepis). Ambas são predadoras de topo, muito valorizadas na pesca comercial, mas não são peixes de aquário ou criação doméstica — vivem em profundidades de até 2.000 metros e exigem oceanos frios e vastos para se desenvolver.

Também conhecido como: Halibute-do-atlântico, Halibute-do-pacífico, Atlantic halibut, Pacific halibut, Flétan (francês), Heilbutt (alemão), Hippoglossus

Faz parte de: Peixes Carnívoros, Peixes de Água Salgada

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Galeria de fotos de Halibute

Halibute-do-atlântico deitado sobre fundo de areia visto de lado
Halibute adulto visto de lado, com coloração escura no dorso e ventre branco.
Close-up da cabeça do halibute mostrando os dois olhos do mesmo lado
Detalhe da cabeça: os dois olhos migraram para o mesmo lado durante a metamorfose.
Halibute-do-pacífico nadando próximo ao fundo do oceano
Halibute em seu habitat natural de fundo arenoso em águas frias profundas.
Larva juvenil de halibute ainda simétrica antes da migração do olho
Larva planctônica antes da metamorfose, ainda com olhos dos dois lados.
Filé fresco de halibute sobre gelo no mercado
Filé de halibute: carne branca, firme e muito apreciada na culinária.
Halibute gigante ao lado de pescador mostrando escala do peixe
Escala do gigante: fêmeas adultas podem ultrapassar 2,5 metros.

Perfil rápido de Halibute

Estado de conservação

EN
Em Perigo

Halibute-do-atlântico (Hippoglossus hippoglossus) avaliado como Em Perigo devido à redução superior a 90% por sobrepesca histórica.

População
decrescente
Protegido por
Sim, com pesca proibida ou cotas mínimas na maioria do Atlântico; halibute-do-pacífico tem manejo com cotas rigorosas pela IPHC.

Calendário

Desova (Hemisfério Norte)JFMAMJJASOND
Migração para áreas de alimentaçãoJFMAMJJASOND
Temporada de pesca comercial (Pacífico - IPHC)JFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxica
  • PessoasNão tóxica, mas pode acumular mercúrio em exemplares muito grandes e velhos; consumo moderado recomendado

Como predador de topo e longevo, exemplares acima de 20 kg tendem a ter mais mercúrio que peixes menores.

Valor nutricional (100 g)

Energia
111 kcal
Proteínas
22,5 g
Gorduras totais
2,3 g
Ômega-3 (EPA+DHA)
0,5 g
Sódio
60 mg
Selênio
45 mcg
Nota
Valores aproximados por 100 g de filé cru de halibute-do-pacífico (USDA); peixe magro, rico em proteína e selênio, baixo em gordura

Vida útil

Na natureza
40 a 55 anos (Atlântico) e 30 a 40 anos (Pacífico); crescimento muito lento, maturidade tardia entre 7 e 14 anos
Em cativeiro/pesquisa
Raramente mantido fora de centros de pesquisa aquícola; exige tanques enormes com água a 3-8 °C e alta oxigenação; longevidade menor que na natureza

Reprodução

Tipo de reprodução
Ovípara com fecundação externa
Estrutura social
Solitária, sem formação de casais; machos e fêmeas se encontram apenas na área de desova
Padrão sazonal
Desova no inverno e início da primavera, em profundidades de 300 a 700 m
Fecundidade
500 mil a 4 milhões de ovos por fêmea por temporada, liberados em lotes
Desenvolvimento
Ovos pelágicos que eclodem em 2-3 semanas; larvas planctônicas por 3-6 meses até a metamorfose e descida para o fundo

Habitat

Ambientes

  • Plataforma continental
  • Talude continental
  • Fundos de areia, cascalho e lodo
  • Águas costeiras frias (juvenis) e águas profundas de 50 a 2.000 m (adultos)

Biomas

  • Oceano Atlântico Norte
  • Oceano Pacífico Norte
  • Mares boreais e árticos temperados

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Peixes (bacalhau, arenque, escamudo, capelim)
  • Lulas e polvos

Outros alimentos

  • Caranguejos e camarões grandes
  • Krill (juvenis)

Encontrado em 8 países

  • Noruega
  • Islândia
  • Canadá
  • Estados Unidos (Alasca)
  • Rússia
  • Japão
  • Groenlândia
  • Reino Unido

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Actinopterygii
Ordem
Pleuronectiformes
Família
Pleuronectidae
Gênero
Hippoglossus
Espécie
Hippoglossus hippoglossus / Hippoglossus stenolepis

Resumo

  • O halibute é o maior peixe chato do mundo, com fêmeas que podem passar de 2,5 m e 300 kg e viver mais de 50 anos em águas frias do Atlântico e Pacífico Norte.
  • Predador de fundo solitário, vive achatado sobre areia e lodo entre 50 e 2.000 m de profundidade e se alimenta de peixes, polvos e crustáceos.
  • O halibute-do-atlântico é considerado Em Perigo pela IUCN devido à sobrepesca histórica, enquanto o do Pacífico tem manejo mais rigoroso e estável.

Características

Ficha da espécie

Nome científicoHippoglossus hippoglossus (Atlântico) e Hippoglossus stenolepis (Pacífico)
FamíliaPleuronectidae
OrigemAtlântico Norte e Pacífico Norte (águas frias e temperadas frias)
Tipo de águaSalgada
Tamanho1,5 a 2,5 m (fêmeas maiores); machos raramente passam de 1,5 m
Peso adulto20 a 300 kg (recorde acima de 320 kg)
Expectativa de vida40 a 55 anos na natureza
Coresmarrom-escurocinza-esverdeadopreto-acinzentado no dorsobranco no ventre
AlimentaçãoCarnívora (piscívora)
ReproduçãoOvípara, desova em águas profundas no inverno
VariedadesHalibute-do-atlântico e Halibute-do-pacífico

Perfil e comportamento

Facilidade de criaçãoMuito baixo
AgressividadeMédio
SociabilidadeMuito baixo
Nível de atividadeBaixo
Exigência com a qualidade da águaMuito alto
Adequação a aquários pequenosMuito baixo

O que é o halibute e por que ele impressiona

O halibute não é um peixe qualquer. Ele é o maior peixe chato do planeta e um dos maiores peixes ósseos que existem. Enquanto a maioria dos linguados cabe na palma da mão, uma fêmea adulta de halibute pode ser maior que um humano adulto.

O nome vem do inglês holy butt, peixe santo, porque era muito consumido em dias santos na Europa medieval. No Brasil, ele é conhecido apenas como halibute e chega quase sempre como filé congelado importado, já que não ocorre em águas tropicais.

Na nossa avaliação, o que torna o halibute realmente singular é a combinação de gigantismo, longevidade e metamorfose. Poucos peixes reúnem essas três características de forma tão extrema.

Como reconhecer um halibute: características físicas

O corpo é fortemente achatado lateralmente e em forma de losango alongado. O lado voltado para cima (dorsal) é escuro — marrom-escuro, cinza-esverdeado ou quase preto — para camuflagem no fundo. O lado voltado para baixo (ventral) é branco puro.

Os dois olhos ficam no mesmo lado da cabeça, no lado escuro. Isso não é de nascença. A larva nasce simétrica, com um olho de cada lado, e por volta de um mês de vida o olho esquerdo migra para o lado direito e o peixe passa a nadar deitado.

A boca é grande, com dentes fortes e curvados, e a linha lateral faz uma curva acentuada sobre a nadadeira peitoral. As fêmeas crescem muito mais que os machos, um caso claro de dimorfismo sexual. Um macho de 50 kg já é considerado grande, enquanto fêmeas passam facilmente de 150 kg.

Característica Halibute-do-Atlântico Halibute-do-Pacífico
Nome científico Hippoglossus hippoglossus Hippoglossus stenolepis
Tamanho máximo Até 2,5 m e 320 kg Até 2,7 m e 230 kg
Cor dorsal Marrom-chocolate a preto Castanho-escuro a cinza
Longevidade Até 55 anos Até 40 anos

Onde vive: distribuição e habitat em águas frias

O halibute é um peixe de águas frias do Hemisfério Norte. O halibute-do-atlântico ocorre do Golfo da Biscaia e Ilhas Britânicas até a Noruega, Islândia, Groenlândia e costa leste do Canadá. O do Pacífico vai do Japão e Mar de Okhotsk até o Alasca e a Califórnia.

Vive sobre fundos de areia, cascalho e lodo na plataforma e no talude continental, geralmente entre 50 e 1.000 metros, mas já foi registrado a 2.000 metros. Prefere temperaturas entre 3 e 8 °C.

É um peixe demersal, ou seja, passa quase toda a vida encostado no fundo. Filhotes ficam em águas mais rasas e costeiras, enquanto adultos migram para áreas mais profundas e frias. No inverno, desloca-se para locais de desova ainda mais profundos.

Comportamento: um predador de fundo solitário

O halibute é solitário e territorialista. Não forma cardumes e passa horas imóvel, semienterrado no sedimento, esperando a presa passar. Quando ataca, faz um bote rápido e engole a vítima inteira.

Apesar do corpo achatado sugerir lentidão, ele é um nadador potente. Consegue fazer migrações de mais de 1.000 km entre áreas de alimentação e reprodução, nadando tanto junto ao fundo quanto em meia-água.

É um predador de emboscada, mas também persegue ativamente. Diferente de muitos linguados que só comem invertebrados, o halibute caça peixes grandes e ágeis, o que exige visão apurada — por isso os dois olhos no mesmo lado são tão importantes.

O que o halibute come na natureza

A dieta é estritamente carnívora e piscívora. Adultos se alimentam principalmente de bacalhau, arinca, escamudo, arenque e capelim, além de polvos, lulas e caranguejos grandes.

Filhotes e juvenis começam com pequenos crustáceos, como krill e camarões, e depois passam a comer peixes menores. Essa mudança alimentar acompanha o crescimento da boca e a migração para águas mais profundas.

Em cativeiro para pesquisa, aceita peixe inteiro e lula, mas a criação comercial é extremamente difícil justamente pela exigência de água muito fria, muito espaço e dieta rica em proteína animal.

Reprodução e ciclo de vida longo

O halibute tem crescimento lento e maturação tardia. Machos amadurecem entre 7 e 8 anos, fêmeas só entre 10 e 14 anos, quando já têm mais de 1 metro. Isso o torna muito vulnerável à pesca.

A desova acontece no inverno e início da primavera, em águas profundas (300 a 700 m) com temperatura estável. A fêmea libera ovos em lotes e pode produzir entre 500 mil e 4 milhões de ovos por temporada, dependendo do tamanho.

Os ovos são pelágicos e flutuam por cerca de duas semanas até eclodirem. As larvas vivem no plâncton por meses, nadando na vertical como qualquer peixe. Só depois da metamorfose e da migração do olho é que descem para o fundo e assumem a vida achatada.

Pesca, importância econômica e manejo

O halibute é um dos peixes brancos mais valorizados do mundo. A carne é branca, firme, magra e com lascas grandes, muito apreciada grelhada ou assada. Por isso, sofreu sobrepesca intensa no Atlântico desde o século XIX.

Hoje, a pesca do halibute-do-pacífico no Alasca e Canadá é considerada um modelo de manejo, com cotas individuais, temporadas curtas e fiscalização rigorosa pela International Pacific Halibut Commission (IPHC). Já o halibute-do-atlântico selvagem tem pesca extremamente restrita ou proibida em muitos países.

Existe também produção aquícola na Noruega, Islândia e Canadá, mas ainda em pequena escala. O ciclo longo até a maturidade e a necessidade de água fria tornam a criação cara e tecnicamente complexa.

Estado de conservação e por que ele importa

As duas espécies têm situações bem diferentes. O halibute-do-atlântico é classificado como Em Perigo (EN) pela IUCN, com população reduzida a menos de 10% do que era antes da pesca industrial. O halibute-do-pacífico está em situação melhor, mas depende de manejo constante para não voltar a declinar.

A principal ameaça continua sendo a pesca excessiva e a captura acidental em redes de arrasto para outros peixes. Como demora mais de uma década para se reproduzir, qualquer pressão a mais demora décadas para ser compensada.

Para o consumidor no Brasil, a escolha mais sustentável é verificar a origem. Halibute do Pacífico com certificação MSC (Marine Stewardship Council) indica manejo auditado. Halibute-do-atlântico selvagem sem certificação deve ser evitado.

Curiosidades que distinguem o halibute

O halibute pode viver mais de meio século. Otólitos (estruturas do ouvido) de exemplares do Atlântico já mostraram 55 anos de idade, e o crescimento pode ser contado em anéis como em árvores.

Ele é um dos poucos peixes chatos que nada ativamente na coluna d’água para caçar, não apenas rastejando no fundo. Há registros de halibutes perseguindo salmões em meia-água.

O recorde de pesca esportiva homologado é um halibute-do-atlântico de 2,5 metros e 232 kg capturado na Noruega em 2013, mas há relatos históricos não oficiais de peixes acima de 300 kg.

Perguntas frequentes

Halibute é peixe de aquário?

Não. O halibute precisa de água salgada muito fria (3 a 8 °C), profundidades de centenas de metros e tanques de milhares de litros. Só é mantido em centros de pesquisa e aquicultura.

Qual a diferença entre halibute-do-atlântico e do pacífico?

São espécies diferentes do mesmo gênero. O do Atlântico (H. hippoglossus) é maior, mais longevo e está Em Perigo; o do Pacífico (H. stenolepis) é ligeiramente menor e tem pesca manejada e mais estável.

Qual o tamanho máximo do halibute?

Fêmeas podem passar de 2,5 metros e 300 kg. O recorde de pesca esportiva homologado é de 2,5 m e 232 kg na Noruega, mas há registros históricos acima de 300 kg.

Halibute tem espinhas?

Tem espinha central e espinhas grandes fáceis de remover. O filé é branco, firme e com lascas grandes, por isso é muito valorizado na culinária.

Onde o halibute é encontrado?

Apenas em águas frias do Hemisfério Norte: Atlântico Norte (da Europa à Groenlândia e Canadá) e Pacífico Norte (do Japão ao Alasca e Califórnia). Não ocorre no Brasil.

Halibute está ameaçado de extinção?

O halibute-do-atlântico é classificado como Em Perigo (EN) pela IUCN. O do Pacífico não está ameaçado globalmente, mas depende de cotas rigorosas para se manter estável.

O que o halibute come?

É carnívoro predador: come principalmente outros peixes como bacalhau e arenque, além de polvos, lulas e caranguejos. Filhotes comem krill e camarões.

Fatos surpreendentes sobre o halibute

1

O olho que atravessa a cabeça

A larva nasce com um olho de cada lado e, em cerca de 30 dias, o olho esquerdo migra literalmente através do crânio até se juntar ao direito. O lado que fica sem olho perde a pigmentação e vira branco.

2

Fêmeas gigantes, machos pequenos

A diferença de tamanho é extrema: fêmeas podem ter o dobro do comprimento e até 5 vezes o peso dos machos da mesma idade. Por isso quase todos os exemplares acima de 50 kg são fêmeas.

3

4 milhões de ovos por vez

Uma fêmea grande de halibute-do-atlântico pode liberar até 4 milhões de ovos em uma única estação reprodutiva, mas menos de 1% sobrevive até a fase juvenil devido à predação no plâncton.

4

Vive mais que muita gente

Análises de otólitos mostraram halibutes-do-atlântico com 55 anos. Como só amadurece aos 10-14 anos, um indivíduo pode passar 40 anos se reproduzindo — se não for pescado antes.

Fontes

  1. IUCN Red List - Hippoglossus hippoglossus
  2. International Pacific Halibut Commission (IPHC)
  3. FishBase - Hippoglossus
  4. NOAA Fisheries - Pacific Halibut

Prós e contras: Halibute

Prós

  • Maior peixe chato do mundo, com biologia fascinante e metamorfose única
  • Carne branca, firme e magra, muito valorizada na gastronomia
  • Exemplo de manejo pesqueiro bem-sucedido no Pacífico (IPHC/MSC)
  • Longevidade excepcional, podendo passar de 50 anos
  • Predador de topo importante para o equilíbrio do ecossistema de fundo frio

Contras

  • Halibute-do-atlântico Em Perigo devido à sobrepesca histórica
  • Crescimento lento e maturação tardia tornam a recuperação muito demorada
  • Não pode ser criado em aquário ou em casa de forma alguma
  • Exemplares grandes podem acumular mercúrio
  • Aquicultura ainda cara e limitada, não substitui a pesca selvagem
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o halibute é o exemplo mais claro de como gigantismo e maturação tardia não combinam com pesca industrial sem controle. O manejo exemplar do Pacífico prova que é possível consumir com responsabilidade, mas o colapso do Atlântico deveria ser um alerta permanente.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

Última revisão em 17.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.