🐟 Peixes

Peixe-mandarim

Synchiropus splendidus

Atualizado em

6 a 8 cmTamanho
SalgadaTipo de água
10 a 15 anosExpectativa de vida
Pacífico e tímidoTemperamento
AltaDificuldade
Peixe-mandarim de lado mostrando padrão azul e laranja intenso

O peixe-mandarim é um dos peixes marinhos mais impressionantes do mundo, famoso pelo padrão psicodélico em azul, verde, laranja e amarelo que parece pintado à mão. Pequeno, pacífico e sem escamas, ele chama atenção, mas não é um peixe para iniciantes.

Na natureza vive em recifes rasos do Pacífico Oeste, sempre perto do substrato e das rochas vivas. Em aquário, só prospera em sistemas maduros, estáveis e ricos em microfauna, com alimentação quase constante de copepodes e outros microcrustáceos.

Também conhecido como: Peixe-mandarim-verde, Mandarim, Mandarinfish, Mandarin dragonet, Green mandarin goby

Faz parte de: Peixes de Água Salgada, Peixes para Aquário

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Galeria de fotos de Peixe-mandarim

Peixe-mandarim de lado mostrando padrão azul e laranja intenso
Peixe-mandarim adulto com coloração psicodélica característica.
Close-up da cabeça e boca tubular do peixe-mandarim
Detalhe da boca em forma de pipeta usada para sugar copepodes.
Peixe-mandarim em aquário marinho com rochas vivas
Aquário maduro com rochas vivas é essencial para sua alimentação.
Casal de peixe-mandarim nadando junto ao substrato
Macho com dorsal alongada e fêmea menor formam casal territorial.
Peixe-mandarim caçando copepodes na rocha viva
Passa o dia bicando rochas em busca de microcrustáceos.
Variação vermelha do peixe-mandarim
Forma vermelha, menos comum que a verde-azulada selvagem.
Ideal para

Ideal para aquaristas marinhos experientes que já mantêm aquário de recife maduro, estável e com refúgio produtor de copepodes. É perfeito para quem valoriza um peixe pacífico, que não belisca corais e traz cor incomparável para aquários calmos e bem planejados.

Pode não ser ideal para

Não é ideal para iniciantes, para aquários novos com menos de 6 meses ou pequenos sem rocha viva abundante. Também não funciona para quem não pode cultivar ou comprar alimento vivo regularmente, nem para aquários com peixes agitados e competidores por microfauna.

Como cuidar

Aquário
Mínimo 150 a 200 L por exemplar, com 15 a 20 kg de rocha viva e refúgio com macroalgas
Água
Marinha estável: 24-26 °C, pH 8,1-8,4, salinidade 1.023-1.025, amônia e nitrito zero
Alimentação
Copepodes e anfípodes vivos como base; complementar com mysis e artêmia enriquecida 2 a 3 vezes ao dia
Convivência
Manter sozinho ou em casal formado; evitar outros dragonets e peixes que competem por microfauna

Perfil rápido de Peixe-mandarim

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Espécie amplamente distribuída e comum em recifes do Pacífico Oeste.

População
Estável
Protegido por
Não

Vida útil

Na natureza
10 a 15 anos em recifes estáveis
Em cativeiro
10 a 15 anos com alimentação viva constante; 2 a 4 anos se subalimentado

Reprodução

Tipo de reprodução
Ovípara pelágica
Fecundação
Externa, em nado sincronizado ao entardecer
Ovos por desova
Cerca de 150 a 200 ovos à deriva
Cuidado parental
Ausente
Maturidade
Cerca de 8 a 12 meses

Habitat

Ambientes

  • Recifes de coral rasos
  • Lagoas recifais protegidas
  • Substrato de cascalho e coral morto entre rochas vivas

Biomas

  • Marinho Tropical

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Copepodes
  • Anfípodes

Outros alimentos

  • Ostrácodes
  • Larvas de poliquetas
  • Pequenos vermes bentônicos

Encontrado em 8 países

  • Filipinas
  • Indonésia
  • Malásia
  • Japão
  • Austrália
  • Palau
  • Micronésia
  • Papua-Nova Guiné

Como animal de estimação

Adequação ao aquário
Alta para recifes maduros, baixa para iniciantes
Legalidade no Brasil
Comercializado como ornamental marinho; compre apenas de lojistas regularizados
Nível de cuidado
Alto: exige aquário maduro e alimento vivo
Disponibilidade
Comum em lojas marinhas, exemplares de cativeiro são mais adaptáveis à ração

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Chordata
Classe
Actinopterygii
Ordem
Callionymiformes
Família
Callionymidae
Gênero
Synchiropus
Espécie
Synchiropus splendidus

Resumo

  • O peixe-mandarim é um peixe marinho de 6 a 8 cm, sem escamas, famoso pelas cores intensas e pelo muco tóxico que repele predadores.
  • Vive em recifes rasos do Pacífico Oeste e, no aquário, exige sistema marinho maduro com muitas rochas vivas, água extremamente estável e dieta viva.
  • É pacífico, tímido e incompatível com peixes agitados ou que competem por copepodes; a reprodução ocorre ao entardecer com desova pelágica sem cuidado parental.

Características

Ficha da espécie

Nome científicoSynchiropus splendidus
FamíliaCallionymidae
OrigemPacífico Oeste (Filipinas, Indonésia, Japão até Austrália)
Tipo de águaSalgada marinha
TamanhoPequeno
Tamanho adulto6 a 8 cm (machos ligeiramente maiores)
Expectativa de vida10 a 15 anos com manejo ideal
Coresazulverdelaranjaamarelo
AlimentaçãoCarnívora microfágica (copepodes, anfípodes)
ReproduçãoOvípara pelágica, sem cuidado parental
VariedadesPadrão verde-azulado selvagem; forma vermelha e manchada em aquariofilia

Perfil e comportamento

Facilidade de criaçãoMuito baixo
AgressividadeMuito baixo
SociabilidadeBaixo
Nível de atividadeMédio
Exigência com a qualidade da águaMuito alto
Adequação a aquários pequenosMuito baixo

Como reconhecer o peixe-mandarim: o peixe sem escamas mais colorido do recife

O peixe-mandarim não parece real na primeira vez que você vê. O corpo é achatado, sem escamas e coberto por um muco espesso em tons de azul-turquesa intenso, com faixas e manchas sinuosas em laranja, verde e amarelo. O padrão lembra as vestes dos mandarins chineses, daí o nome popular.

Cada indivíduo tem um desenho único, como uma impressão digital. Não existem dois mandarins com as manchas exatamente iguais, o que ajuda pesquisadores a identificar exemplares na natureza. A cabeça é larga, com olhos saltados e boca pequena e tubular, projetada para sugar micropresas entre as rochas.

  • Macho: maior, com o primeiro raio da nadadeira dorsal alongado em forma de filamento e cores mais contrastadas.
  • Fêmea: menor, dorsal mais curta e arredondada, ventre mais cheio quando madura.
  • Toque: pele lisa e escorregadia, sem escamas visíveis; o muco tem gosto amargo e é levemente tóxico.

Muita gente confunde com o peixe-mandarim psicodélico (Synchiropus picturatus), que tem padrão de manchas e não de faixas. O splendidus é o das listras onduladas bem definidas sobre fundo azul.

Onde vive na natureza: origem e habitat nos recifes

Ocorre no Pacífico Oeste tropical, das Ilhas Ryukyu no Japão até a Austrália, passando por Filipinas, Indonésia, Malásia, Palau e Micronésia. Prefere lagoas recifais protegidas e recifes costeiros rasos, entre 1 e 18 metros de profundidade.

Vive sempre junto ao substrato, entre cascalho de coral morto, rochas vivas e corais ramificados. É bentônico e territorialista em microescala: passa o dia inteiro bicando o substrato, raramente sobe na coluna d’água, exceto no ritual de acasalamento ao entardecer.

É um peixe de águas quentes, claras e muito estáveis. Na natureza não enfrenta variações bruscas de salinidade, pH ou temperatura, e essa exigência se repete no aquário. Por isso só deve ir para sistemas já bem estabelecidos.

Comportamento e convivência: pacífico, tímido e metódico

O temperamento é extremamente pacífico e tímido. Não ataca outros peixes, não belisca corais e ignora invertebrados ornamentais. A maior parte do tempo se move em pequenos saltos, apoiando-se nas nadadeiras pélvicas como se “caminhasse” sobre as rochas.

Apesar da paz, é territorial com outros mandarins e com dragonets que competem pelo mesmo alimento. Dois machos no mesmo aquário brigam até a morte por inanição do perdedor. Casal formado (macho e fêmea) pode coexistir se houver muito espaço e comida.

Evite companheiros agitados, comedores rápidos ou que também dependam de copepodes, como peixes-cachimbo, gobies comedores de microfauna e wrasses que vasculham rochas. Prefira peixes calmos de meia-água, como gobies pequenos, blênios e peixes-palhaço tranquilos. Camarões, caramujos e corais são 100% compatíveis.

Por que o peixe-mandarim é considerado difícil de criar?

A dificuldade não está na agressividade ou na sensibilidade a doenças, mas na alimentação altamente especializada. Na natureza consome até 5.000 copepodes e anfípodes por dia, bicando sem parar. Em aquário, muitos exemplares se recusam a aceitar ração seca.

Outro ponto é a pele sem escamas e o muco tóxico. Ele é mais resistente a parasitas como o íctio marinho (Cryptocaryon), mas é extremamente sensível a cobre, medicamentos e variações de amônia, nitrito e salinidade. Qualquer pico pode ser fatal.

Por fim, ele não compete bem por comida. Se houver peixes rápidos no aquário, o mandarim simplesmente não consegue comer a tempo e definha lentamente, mesmo que o tutor ache que está alimentando bem. A magreza aparece na depressão atrás dos olhos e na barriga encovada.

Como montar o aquário ideal: volume, água e rochas vivas

Para um único exemplar, use no mínimo 150 a 200 litros com pelo menos 15 a 20 kg de rocha viva bem curada. O ideal são aquários de 250 litros ou mais, maduros há pelo menos 6 a 9 meses, com refúgio ou sump que produza microfauna continuamente.

Parâmetros devem ser de recife estável: temperatura 24 a 26 °C, pH 8,1 a 8,4, salinidade 1.023 a 1.025 e amônia e nitrito zerados. Nitrato abaixo de 10 ppm e fosfato baixo. Filtragem eficiente, circulação moderada e sem cobre ou tratamentos agressivos.

  • Substrato: cascalho de coral ou areia grossa com rochas formando tocas e passagens.
  • Iluminação: moderada a forte, que favoreça o crescimento de algas e microcrustáceos nas rochas.
  • Tampa: essencial, pois pode saltar quando assustado à noite.

Um refúgio com macroalgas (como chaetomorpha) é o melhor aliado. Ele funciona como berçário de copepodes que migram para o display e garantem alimento natural constante.

O que o peixe-mandarim come e como alimentá-lo no aquário

É carnívoro microfágico estrito. A base são copepodes (Tisbe, Tigriopus), anfípodes, ostrácodes e larvas de pequenos vermes. No aquário maduro, ele se vira sozinho se a população de microfauna for grande, mas na maioria dos casos precisa de suplementação.

Alguns exemplares, principalmente os criados em cativeiro, aceitam alimentos congelados como artêmia enriquecida, mysis pequeno e ovas de lagosta, além de rações pastosas para dragonets. A aceitação deve ser testada na loja antes da compra: peça para ver o peixe comendo.

Rotina recomendada: 2 a 3 ofertas pequenas por dia, com alimento vivo ou congelado bem pequeno, desligando as bombas por alguns minutos para ele capturar. Cultivo caseiro de copepodes ou compra regular é quase obrigatório para manter o peso. Nunca deixe o ventre afundar.

Reprodução: o voo nupcial ao entardecer

A reprodução em cativeiro é possível, mas exige casal formado e aquário muito estável. O ritual acontece sempre ao entardecer, quando a luz começa a cair. O macho corteja a fêmea exibindo a dorsal alongada e nadando em círculos.

O casal sobe junto em nado pelágico sincronizado até perto da superfície e libera gametas ao mesmo tempo. A fêmea pode soltar cerca de 200 ovos por desova, que ficam à deriva. Não há cuidado parental; os ovos eclodem em cerca de 14 a 18 horas.

As larvas são minúsculas e planctônicas, exigindo alimento vivo microscópico (fitoplâncton e rotíferos) e aquário separado. Por isso a criação comercial ainda é limitada e a maioria dos exemplares no mercado vem de captura ou de poucos criadores especializados.

Saúde, erros comuns e quanto tempo vive

Quando bem alimentado, é longevo para seu tamanho: de 10 a 15 anos. O muco tóxico o protege de muitos ectoparasitas, mas não o torna imune a problemas de manejo. As principais causas de morte são inanição crônica e intoxicação por água instável ou cobre.

Sinais de alerta: emagrecimento atrás da cabeça, barriga encovada, apatia e perda de cor. Se o peixe fica parado e não bica as rochas o dia todo, algo está errado. Evite tratamentos com cobre e prefira quarentena observacional sem químicos agressivos.

Erros que mais matam mandarins: colocar em aquário novo sem microfauna, manter com competidores vorazes, achar que “ele come ração” sem confirmar e comprar exemplar já magro. Na nossa avaliação, este é um peixe para aquarista paciente, que já mantém recife estável e topa cultivar alimento vivo. Não é peixe para aquário recém-montado ou para quem quer um peixe colorido de baixa manutenção.

Curiosidades que tornam o mandarim único

Descrito cientificamente em 1927 por Albert Herre como Synchiropus splendidus, o nome splendidus significa esplêndido em latim. O azul intenso não vem de pigmento azul, mas de células especiais chamadas cianóforos que refletem a luz, por isso a cor parece brilhar.

Ele é um dos poucos peixes marinhos realmente sem escamas e um dos únicos vertebrados que produz muco com substâncias amargas e tóxicas para afastar predadores. Esse muco tem cheiro forte e pode irritar a pele humana e matar outros peixes se o mandarim for mantido fora d’água em balde pequeno.

Durante o dia, raramente nada no meio da água. Seu modo de caçar é metódico: para, mira, projeta a boca e suga a presa como uma pipeta, repetindo o movimento centenas de vezes por hora.

Perguntas frequentes

Peixe-mandarim pode viver em aquário de água doce?

Não. É exclusivamente marinho e precisa de salinidade entre 1.023 e 1.025, além de água de recife estável.

Qual o tamanho mínimo do aquário para peixe-mandarim?

No mínimo 150 a 200 litros bem maturados com muita rocha viva. Aquários menores não sustentam copepodes suficientes e levam à inanição.

O que o peixe-mandarim come?

Principalmente copepodes e anfípodes vivos que bica nas rochas o dia todo. Alguns aceitam congelados como mysis e artêmia, mas a base deve ser alimento vivo.

Peixe-mandarim é venenoso?

Não tem ferrão, mas a pele sem escamas secreta um muco amargo e levemente tóxico que afasta predadores e pode irritar se manuseado.

Pode manter dois peixes-mandarim juntos?

Dois machos brigam e um acaba morrendo de fome. Um casal macho e fêmea pode viver junto em aquário grande e com muita comida.

Peixe-mandarim come ração seca?

Raramente. A maioria ignora flocos e grânulos. Exemplares de cativeiro têm mais chance de aceitar, mas não conte com isso como dieta principal.

Quanto tempo vive o peixe-mandarim?

De 10 a 15 anos quando bem alimentado e em água estável. Sem alimento vivo adequado, raramente passa de 2 a 4 anos.

Você sabia?

1

Sem escamas e tóxico

É um dos poucos peixes sem escamas e secreta um muco amargo e levemente tóxico que repele predadores e pode irritar outros peixes se manuseado fora d'água.

2

Azul estrutural

O azul vibrante não é pigmento, mas cor estrutural produzida por cianóforos que refletem luz, por isso o brilho parece mudar conforme o ângulo.

3

Padrão único

Cada peixe-mandarim tem um desenho diferente de listras e manchas, como impressão digital, e pode ser identificado individualmente por fotos.

4

Ritual ao pôr do sol

Só se reproduz ao entardecer, com o casal subindo em voo nupcial pelágico até a superfície para liberar cerca de 200 ovos à deriva.

Fontes

  1. FishBase - Synchiropus splendidus
  2. IUCN Red List
  3. World Register of Marine Species (WoRMS)

Prós e contras: Peixe-mandarim

Prós

  • Coloração mais intensa entre os peixes de aquário
  • Pacífico, não belisca corais nem invertebrados
  • Resistente a íctio marinho por causa do muco
  • Comportamento fascinante de “caminhar” e bicar rochas
  • Longevo quando bem manejado

Contras

  • Exige aquário marinho maduro e muito estável
  • Dieta quase obrigatória de copepodes vivos
  • Não compete bem por comida com peixes rápidos
  • Sensível a cobre e a variações de água
  • Difícil de reproduzir e criar larvas
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o peixe-mandarim é a joia máxima do aquário marinho, mas cobra um preço alto em manejo. Só vale a pena para quem já tem um recife maduro e aceita cultivar copepodes; sem isso, a beleza vira frustração e sofrimento para o peixe.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.