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Lapa

Patella spp. (grupo Patellogastropoda, ex.: Lottia subrugosa)

Atualizado em

3 a 8 cm de conchaTamanho
20 a 80 gPeso
10 a 15 anosExpectativa de vida
Costões rochosos entremarésHabitat
InofensivaPerigo para humanos
Lapa com concha cônica sobre rocha do costão na maré baixa

A lapa é um molusco gastrópode marinho de concha em forma de cone achatado, famoso por viver fortemente grudado às pedras do costão. Diferente de mexilhões e ostras, ela tem uma única concha e um pé muscular largo que funciona como ventosa.

No Brasil, ocorre em todo o litoral rochoso, da zona entremarés até poucos metros de profundidade, onde raspa microalgas das pedras. É um animal discreto, mas essencial para o equilíbrio do costão e muito pressionado pela coleta para consumo.

Apesar da aparência simples, a lapa tem comportamentos surpreendentes, como voltar sempre para a mesma marca na rocha e dentes considerados o material biológico mais resistente já medido.

Também conhecido como: Lapa, Lapinha, Limpet (inglês), Patelle (francês), Lapa-brava

Faz parte de: Animais dos Recifes de Coral, Animais Marinhos do Brasil, Polvos, Lulas e Moluscos

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Galeria de fotos de Lapa

Lapa com concha cônica sobre rocha do costão na maré baixa
Lapa adulta com concha cônica bem encaixada à rocha.
Close da lapa mostrando pé musculoso e borda da concha
Detalhe do pé em forma de ventosa e da borda da concha.
Textura da concha da lapa com anéis de crescimento
Concha com anéis de crescimento e coloração acinzentada.
Lapa em poça de maré no costão rochoso
Habitat típico: poças e lajes da zona entremarés.
Lapa raspando microalgas da pedra com a rádula
Alimentação por raspagem de biofilme e microalgas.
Lapa jovem pequena ao lado de adulta na rocha
Filhote de lapa já com concha cônica, ao lado de adulta.

Perfil rápido de Lapa

Estado de conservação

LC
Pouco Preocupante

Maioria das espécies comuns ainda ampla, mas com declínios locais severos por coleta excessiva.

População
Decrescente em áreas de fácil acesso
Protegido por
Sim, com restrições locais (ex.: tamanho mínimo e defeso nos Açores; coleta controlada no Brasil)

Calendário

Reprodução (pico)JFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxica
  • PessoasNão tóxica

Comestível, mas pode acumular metais pesados e bactérias se coletada em área poluída; consumir apenas de origem segura e bem cozida.

Vida útil

Na natureza
10 a 15 anos
Em costões protegidos
até 15 anos (crescimento lento)

Reprodução

Tipo de reprodução
Sexuada com fecundação externa na água
Sistema sexual
Dioica (machos e fêmeas separados)
Época de desova
Primavera e verão, com pico nos meses quentes
Desenvolvimento
Larva planctônica (trocófora e véliger) por alguns dias antes de assentar
Maturidade sexual
1 a 3 anos
Fecundidade
Milhares de ovos por fêmea por estação

Habitat

Ambientes

  • Costões rochosos e lajes entremarés
  • Poças de maré e franja do infralitoral

Biomas

  • Marinho Costeiro
  • Zona Entremarés do Atlântico

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Microalgas
  • Biofilme e algas incrustantes

Outros alimentos

  • Detritos orgânicos
  • Esporos de algas

Encontrado em 10 países

  • Brasil
  • Portugal
  • Espanha
  • França
  • Reino Unido
  • Irlanda
  • Marrocos
  • África do Sul
  • Estados Unidos
  • México

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Mollusca
Classe
Gastropoda
Ordem
Patellogastropoda
Família
Patellidae / Lottiidae
Gênero
Patella / Lottia
Espécie
Patella spp., Lottia subrugosa (no Brasil)

Resumo

  • A lapa é um molusco gastrópode de concha cônica que vive fixado em costões rochosos da zona entremarés e se alimenta raspando algas com a rádula.
  • No Brasil é encontrada em todo o litoral, é inofensiva para humanos, comestível quando de área limpa, mas sofre com coleta excessiva e poluição.
  • Pode viver mais de 10 anos, volta sempre para a mesma cicatriz na rocha e possui dentes com goethita, um dos materiais biológicos mais fortes da natureza.

Características

Ficha da espécie

GrupoMolusco gastrópode
OrdemPatellogastropoda
FamíliaPatellidae / Lottiidae
Origem e distribuiçãoAtlântico (Américas, Europa e África) e Pacífico; no Brasil em todo o litoral rochoso
Tamanho3 a 8 cm de diâmetro da concha (maioria entre 4 e 6 cm)
Peso20 a 80 g
Corescinzamarrombegeverde-olivabranco
Profundidade0 a 10 m, principalmente na zona entremarés
HabitatCostões rochosos, lajes e poças de maré
AlimentaçãoHerbívora raspadora (microalgas e biofilme)
ReproduçãoSexuada, dioica, fecundação externa com larva planctônica
Expectativa de vida10 a 15 anos na natureza
Estado de conservaçãoMaioria Pouco Preocupante (LC), mas populações locais em declínio; Patella ferruginea Em Perigo (EN)

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
SociabilidadeBaixo
InteligênciaMuito baixo
VelocidadeMuito baixo
Capacidade de migraçãoMuito baixo
Importância para o ecossistema marinhoAlto

O que é a lapa e como identificá-la na pedra

A lapa não é ostra nem mexilhão. É um molusco gastrópode com uma única concha cônica, sem dobradiça, que parece um pequeno chapéu chinês grudado na rocha.

A concha é oval e baixa, com ápice levemente deslocado para frente. Por fora, costuma ser cinza, marrom ou bege, muitas vezes coberta de algas e cracas. Por dentro, é lisa, com tons de branco-azulado ou nacarado e uma marca muscular em forma de ferradura.

O corpo fica todo escondido sob a concha. Embaixo, há um pé musculoso largo e achatado que funciona como ventosa. Não há tentáculos longos nem olhos evidentes como em caracóis terrestres.

Na pedra, a confusão mais comum é com barrigudas e chitons. A lapa tem concha única e lisa; o chiton tem oito placas articuladas. Se tentar tocar, a lapa se contrai e gruda ainda mais forte, sem se fechar como um bivalve.

Onde vive a lapa: costão, entremarés e distribuição no Brasil

A lapa é típica da zona entremarés, a faixa de pedras que fica exposta na maré baixa e submersa na maré alta. Ela vive de 0 a cerca de 10 metros, mas a maior concentração está exatamente onde a água bate e recua.

No Brasil, ocorre em todo o litoral rochoso, do Ceará ao Rio Grande do Sul, com maior abundância no Sudeste e Sul onde há mais costões. Espécies como Lottia subrugosa são as mais comuns por aqui. No Atlântico europeu e africano, as mais conhecidas são Patella vulgata, Patella aspera e Patella candei, muito coletadas nos Açores e Madeira.

Cada lapa tem sua cicatriz ou marca de casa na rocha. Ela volta sempre para o mesmo ponto após se alimentar, encaixando a borda da concha perfeitamente no contorno da pedra. Isso reduz a perda de água e a predação.

Habita costões batidos, lajes e poças de maré. Prefere rochas expostas a ondas e bem cobertas de biofilme. Não vive em areia, mangue ou mar aberto.

O que a lapa come e como raspa as rochas

A lapa é herbívora raspadora. Sua dieta principal é microalgas, biofilme e algas incrustantes que crescem sobre as pedras. Eventualmente ingere detritos e esporos junto.

Para se alimentar, usa a rádula, uma língua com fileiras de dentinhos mineralizados. Ela estica a rádula e raspa a rocha como uma lixa, deixando marcas claras e sinuosas que podem ser vistas na maré baixa.

  • Quando come: principalmente à noite ou com a maré alta, quando está submersa e mais protegida.
  • Quanto raspa: um indivíduo pode percorrer de 50 cm a 1 metro por saída noturna e voltar para casa antes da maré baixar.
  • Papel ecológico: ao controlar algas, impede que o costão seja totalmente coberto e abre espaço para outros organismos.

Essa raspagem constante molda a comunidade do costão. Sem lapas, as pedras ficam dominadas por algas verdes e o equilíbrio muda por completo.

Como a lapa se fixa e por que é quase impossível soltá-la

A força da lapa impressiona. O pé cria sucção e adesão por muco, além de contração muscular que sela a borda da concha contra a rocha. Medições mostram que ela pode resistir a uma força de até 75 vezes o seu peso.

Quando percebe toque, sombra ou vibração, ela abaixa a concha e sela. Tentar puxar na vertical é ineficaz e pode matar o animal, pois rompe o músculo. Pescadores experientes sabem que é preciso um movimento rápido e lateral com lâmina, o que ainda assim fere a lapa.

Essa fixação serve para três coisas: não ser arrancada pela onda, não ressecar na maré baixa e não ser comida por caranguejos, polvos e aves. Durante a maré baixa, ela retém água dentro da concha e mantém as brânquias úmidas.

Na nossa avaliação, a famosa dificuldade de soltar a lapa não é teimosia, é estratégia de sobrevivência. É também o motivo pelo qual a coleta manual causa tanto dano: o animal raramente sobrevive se retirado errado.

Reprodução e ciclo de vida da lapa

A maioria das lapas é dioica, com machos e fêmeas separados, embora algumas populações possam ter hermafroditismo sequencial. Não há cópula.

A reprodução é por fecundação externa na água. Machos e fêmeas liberam gametas de forma sincronizada, geralmente nos meses mais quentes. Os ovos fecundados viram larva trocófora e depois véliger, que fica alguns dias no plâncton antes de se assentar na rocha.

O crescimento é lento. A concha cresce em anéis, como árvores, e forma linhas de crescimento visíveis. A maturidade sexual chega entre 1 e 3 anos, dependendo da espécie e da oferta de alimento.

A longevidade é alta para um animal tão pequeno. Espécies europeias como Patella vulgata chegam a 15 anos, e as brasileiras frequentemente passam de 10 anos quando não são coletadas. Isso explica por que populações demoram a se recuperar após exploração intensa.

A lapa é perigosa? Pode comer?

A lapa não é venenosa, não morde e não ataca. O risco para humanos é praticamente nulo no contato. O único perigo real é escorregar no costão ao tentar coletá-la.

Ela é comestível e muito apreciada, especialmente nos Açores, Madeira e em comunidades litorâneas do Brasil. A carne é firme, rica em proteína e minerais, e tradicionalmente grelhada com manteiga e alho. No entanto, há dois alertas importantes.

  • Contaminação: como filtra e raspa biofilme, acumula metais pesados e toxinas se viver em área poluída ou com esgoto. Nunca colete perto de portos, desembocaduras ou praias impróprias.
  • Legalidade: em muitos lugares a coleta é restrita ou proibida. Nos Açores há tamanho mínimo e defeso; no Brasil, a coleta comercial sem licença pode ser considerada crime ambiental.

Para consumo seguro, a lapa precisa vir de área limpa e com autorização, e deve ser bem cozida. Crua, pode transmitir bactérias marinhas como em qualquer marisco.

Ameaças, coleta excessiva e conservação

A maior ameaça à lapa é humana: coleta excessiva para consumo e isca. Como cresce devagar e vive sempre no mesmo ponto, é fácil de encontrar e difícil de repor. Em ilhas dos Açores, populações de Patella aspera caíram mais de 80% em algumas áreas nas últimas décadas.

Outras pressões são poluição costeira, pisoteio em costões, obras no litoral e mudanças climáticas. O aumento da temperatura e a acidificação afetam a formação da concha e a sobrevivência larval.

No nível global, a maioria das lapas comuns é classificada como Pouco Preocupante (LC), mas isso esconde declínios locais graves. A espécie mediterrânea Patella ferruginea é considerada Em Perigo (EN) e protegida por lei na Europa.

No Brasil, não há avaliação específica para todas as espécies, mas órgãos como ICMBio alertam para o desaparecimento de lapas grandes em costões de fácil acesso. A melhor proteção é não coletar, não pisar sobre o costão e observar sem virar pedras.

Curiosidades que pouca gente sabe sobre a lapa

Os dentes da lapa são um recorde da natureza. Contêm goethita, um óxido de ferro, e em testes de laboratório mostraram resistência à tração de até 4,9 gigapascais, mais forte que Kevlar e teia de aranha. É o material biológico mais resistente já medido.

Ela tem memória espacial. Experimentos marcando indivíduos mostraram que mais de 90% voltam para a mesma cicatriz após cada maré, mesmo depois de se deslocar por um metro. Se a marca é destruída, a mortalidade aumenta.

A lapa respira com brânquias em coroa ao redor do pé e também por difusão. Na maré baixa, fecha a concha e cria uma câmara úmida que permite trocas gasosas por horas fora d’água.

Em Portugal, a lapa é tão cultural que existe a Festa da Lapa nos Açores e pratos típicos como lapas grelhadas e arroz de lapas. No passado, conchas de lapa eram usadas como lamparinas a óleo por pescadores.

Perguntas frequentes

Lapa é o que? É peixe ou marisco?

É um molusco gastrópode marinho, parente de caracóis, com uma única concha cônica. Não é peixe nem bivalve.

Onde encontrar lapa no Brasil?

Em costões rochosos e lajes da zona entremarés, de norte a sul do país, mais visível na maré baixa grudada às pedras.

Lapa pode comer? É venenosa?

Não é venenosa e é comestível quando vem de área limpa e legalizada. Evite coletar em áreas poluídas e respeite tamanhos mínimos e defesos.

Por que a lapa gruda tão forte na pedra?

Usa um pé musculoso que cria sucção e veda a concha contra a rocha, resistindo a ondas e predadores. Puxar com força mata o animal.

Quanto tempo vive uma lapa?

De 10 a 15 anos na natureza, com crescimento lento e anéis visíveis na concha.

Qual a diferença entre lapa e mexilhão?

A lapa tem uma concha única em forma de cone e vive isolada na pedra; o mexilhão tem duas conchas e vive em bancos com fios de fixação (bissos).

Pode tirar lapa da pedra?

Não é recomendado. A retirada costuma ferir e matar o animal, além de ser restrita por lei em vários locais. Observe sem tocar.

Você sabia?

1

Dentes mais fortes que Kevlar

A rádula da lapa contém goethita e atinge até 4,9 GPa de resistência, o maior valor já registrado para um material biológico, superando seda de aranha.

2

Volta sempre para casa

Cada lapa grava a forma exata da sua cicatriz na rocha e retorna ao mesmo ponto após cada saída noturna, encaixando a concha como tampa.

3

Vive mais de uma década

Apesar de ter só 4 a 6 cm, espécies como Patella vulgata podem viver 15 anos, com anéis de crescimento visíveis na concha como em árvores.

4

Lamparina natural

Nos Açores e Madeira, conchas grandes de lapa eram usadas como lamparinas a azeite e como colher improvisada por pescadores.

Fontes

  1. IUCN Red List
  2. WoRMS - World Register of Marine Species
  3. ICMBio - Instituto Chico Mendes
  4. SeaLifeBase / FishBase

Prós e contras: Lapa

Prós

  • Indicadora de costão saudável e de água limpa
  • Controla algas e mantém o equilíbrio do entremarés
  • Inofensiva para humanos e sem veneno
  • Fácil de observar na maré baixa sem equipamentos
  • Carne apreciada na culinária açoriana e litorânea

Contras

  • Crescimento lento e vulnerável à coleta excessiva
  • Morre facilmente se arrancada da rocha de forma errada
  • Acumula poluentes se viver em área contaminada
  • Populações grandes já desapareceram de costões acessíveis
  • Coleta pode ser ilegal sem licença ou fora do tamanho mínimo
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a lapa é um dos melhores indicadores de costão saudável e um dos animais mais subestimados do litoral brasileiro. Proteger suas populações exige menos coleta e mais observação responsável, pois seu crescimento lento não acompanha a pressão humana.

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Sansão Monteiro
Escrito porSansão MonteiroEditor de Animais

Ele é criador de conteúdo sobre animais, com foco em raças de cães e gatos, comportamento, características físicas e cuidados essenciais. Através de pesquisa em fontes confiáveis, procura…

Última revisão em 19.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.