🐛 Insetos

Tesourinha

Forficula auricularia

Atualizado em

12 a 25 mm de comprimentoTamanho
Onívora: insetos e vegetais molesAlimentação
Metamorfose incompleta, 1 anoCiclo de vida
Locais úmidos, sob pedras e vasosHabitat
Não venenosa, beliscão levePerigo para humanos
Tesourinha Forficula auricularia vista de cima mostrando corpo alongado e pinça curva

A tesourinha é o inseto da pinça na traseira que todo mundo já encontrou embaixo de vaso, pedra ou dentro de casa em noite úmida. Apesar da fama assustadora, ela não é venenosa, não entra no ouvido de ninguém e raramente morde.

No Brasil, as espécies mais comuns são a tesourinha-europeia (Forficula auricularia) e a tesourinha-amarela Doru luteipes, muito presente em milharais. Ela é noturna, onívora e famosa por um comportamento raro entre insetos: a fêmea cuida dos ovos e dos filhotes até a primeira muda.

Também conhecido como: Tesourinha, Lacrainha, Bicha-tesoura, Tesoureiro, Earwig (inglês), Perce-oreille (francês)

Faz parte de: Insetos Benéficos, Insetos do Brasil, Pragas de Jardim

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Galeria de fotos de Tesourinha

Tesourinha Forficula auricularia vista de cima mostrando corpo alongado e pinça curva
Tesourinha adulta com a característica pinça na ponta do abdômen.
Close extremo da cabeça e antenas da tesourinha
Detalhe da cabeça, olhos e antenas segmentadas.
Tesourinha com asas membranosas abertas mostrando dobra complexa
Asas membranosas dobradas como origami sob élitros curtos.
Fêmea de tesourinha cuidando de ovos e ninfas no ninho subterrâneo
Fêmea em cuidado parental raro entre insetos, protegendo ovos e ninfas.
Tesourinha Doru luteipes predando pulgões em folha de milho
Doru luteipes, espécie brasileira benéfica que preda pulgões no milho.
Tesourinha ao lado de folha para comparação de tamanho
Tamanho real da tesourinha, entre 12 e 25 mm.

Perfil rápido de Tesourinha

Calendário

Maior atividade noturnaJFMAMJJASOND
Reprodução e posturaJFMAMJJASOND
Eclosão das ninfasJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsNão tóxica
  • PessoasNão venenosa

Pinça pode beliscar se o inseto for apertado, sem veneno. Lave o local com água e sabão; procure atendimento se houver dor forte ou alergia.

Vida útil

Na natureza
10 a 12 meses; adultos morrem após reproduzir
Em laboratório
até 14 meses com alimento e umidade controlados

Reprodução

Metamorfose
Incompleta (ovo > ninfa > adulto, sem pupa)
Acasalamento
No verão, com disputa de machos usando a pinça
Ovos
20 a 60 ovos brancos em ninho subterrâneo úmido
Cuidado parental
Fêmea protege, limpa e move ovos e cuida das ninfas iniciais
Ninfas
4 a 5 mudas em 60 a 90 dias até adulto

Habitat

Ambientes

  • Sob pedras, troncos e folhas úmidas
  • Vasos, jardins e hortas
  • Frestas úmidas de casas e quintais
  • Plantações de milho e hortaliças
  • Pilhas de lenha e composto orgânico

Biomas

  • Mata Atlântica
  • Cerrado
  • Caatinga
  • Pampa
  • Áreas urbanas e agrícolas

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Pulgões
  • Lagartas e ovos de insetos
  • Ácaros e pequenas larvas

Outros alimentos

  • Pétalas e pólen
  • Frutas moles e maduras
  • Mudas tenras
  • Matéria orgânica em decomposição

Encontrado em 10 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Estados Unidos
  • Portugal
  • Espanha
  • França
  • Reino Unido
  • Itália
  • Alemanha
  • Austrália

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Insecta
Ordem
Dermaptera
Família
Forficulidae
Gênero
Forficula
Espécie
Forficula auricularia (no Brasil comum também Doru luteipes)

Resumo

  • A tesourinha é um inseto noturno de 12 a 25 mm reconhecido pela pinça (cerco) na ponta do abdômen, usada para defesa e acasalamento.
  • Apesar do mito, não é venenosa, não põe ovos no ouvido e só belisca se for muito manuseada, sem risco grave para pessoas e pets.
  • É ao mesmo tempo benéfica na agricultura por comer pulgões e lagartas e praga ocasional quando ataca pétalas, morangos e hortaliças tenras.

Características

Ficha do inseto

OrdemDermaptera
FamíliaForficulidae (principal no Brasil: Forficulidae e Labiduridae)
Origem e distribuiçãoCosmopolita; presente em todo o Brasil e Europa, Ásia e Américas
Tamanho12 a 25 mm (algumas espécies até 30 mm)
Coresmarrom-escuropretomarrom-avermelhadoamarelo-claro (pernas)
Asas e vooPossui asas membranosas dobradas sob élitros curtos; voa pouco e raramente
AlimentaçãoOnívora: pulgões, lagartas, ovos de insetos, pétalas e frutos moles
MetamorfoseIncompleta (ovo > ninfa > adulto)
Expectativa de vida10 a 12 meses na natureza
HabitatSob pedras, troncos, vasos, frestas úmidas e plantações
Comportamento socialSolitária, mas pode se agregar em abrigos úmidos; fêmea com cuidado parental
Principais predadoresPássaros, lagartixas, aranhas, sapos e besouros

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMuito baixo
Importância para o ecossistemaAlto
Presença em casasAlto
Benefício para a agriculturaAlto
Dano às plantasBaixo
Vida em grupoBaixo

Como identificar a tesourinha sem confundir

A tesourinha não deixa dúvida quando você vê de perto: corpo alongado, achatado e brilhante, com uma pinça em forma de tesoura na ponta do abdômen. São os cercos, e não uma boca. Ela tem 6 pernas, antenas longas e finas com 12 a 15 segmentos e élitros curtos que parecem capinhas que não cobrem o abdômen.

O detalhe que entrega o sexo está na pinça. Machos têm cercos mais curvos e fortes, em forma de alicate; fêmeas têm cercos quase retos e mais finos. Essa diferença é visível a olho nu e é a forma mais confiável de separar macho e fêmea sem lupa.

Muita gente confunde com lacraia ou barata. A lacraia tem muitas pernas e corre muito rápido; a tesourinha tem só 6 pernas e anda mais devagar, se escondendo quando exposta à luz. Outro truque: se o inseto levantar a traseira e abrir a pinça quando tocado, é tesourinha.

Onde vive e por que aparece dentro de casa

Tesourinha ama umidade, escuro e frestas apertadas. Na natureza fica sob pedras, cascas de árvore, folhas acumuladas, vasos e lenha. Em áreas urbanas, entra por frestas de portas, ralos e caixas de hortaliça e se instala em banheiros, cozinhas, lavanderias e quintais.

No Brasil ela ocorre em todos os biomas, mas é mais vista na Mata Atlântica, Cerrado e áreas agrícolas do Sul e Sudeste. A espécie Doru luteipes, amarela com manchas escuras, é extremamente comum em plantações de milho no Brasil central.

Ela aparece mais na primavera e verão, quando calor e umidade aumentam a atividade noturna. Em casas, o pico é após chuvas ou regas noturnas. Durante o dia fica escondida; à noite sai para caçar. Se você encontra várias juntas embaixo do mesmo vaso, não é colônia organizada, é apenas um abrigo úmido bom que várias escolheram.

O que a tesourinha come: predadora ou praga?

A dieta é onívora e oportunista. Na horta e no jardim, ela é predadora de pulgões, ácaros, ovos de lagartas, lagarta-do-cartucho e pequenas larvas. Por isso a Embrapa considera a Doru luteipes uma aliada importante no controle biológico do milho.

Quando faltam presas, ela complementa com pétalas, pólen, frutas muito maduras, mudas tenras e matéria em decomposição. É aí que vira praga leve: pode roer morangos, alface, couve-flor, dália e crisântemo, deixando furos irregulares nas folhas e flores.

Em casa, não ataca comida armazenada como formigas ou traças. Se entra na cozinha, está atrás de umidade e de pequenos insetos, não do seu arroz.

Ciclo de vida e o raro cuidado materno entre insetos

A tesourinha tem metamorfose incompleta: ovo, ninfa e adulto, sem fase de pupa. A fêmea põe 20 a 60 ovos brancos e brilhantes em um ninho subterrâneo raso, geralmente no outono e inverno.

E aqui vem o fato que pouca gente conhece: a mãe cuida da ninhada. Ela lambe os ovos constantemente para evitar fungos, move os ovos se o ninho alagar e defende o local com a pinça. Após a eclosão, alimenta e protege as ninfas de primeiro ínstar até elas se dispersarem. Esse cuidado parental é raríssimo em insetos não sociais.

As ninfas parecem adultos em miniatura, mas sem asas e com pinça mais reta. Passam por 4 a 5 mudas em 2 a 3 meses até virar adulto. A maioria vive cerca de 1 ano, e os adultos morrem logo após a reprodução, no fim do verão.

A tesourinha morde ou pica? O que faz a pinça do bumbum

Não, tesourinha não é venenosa, não pica e não transmite doença. A pinça serve para defesa, capturar presas pequenas, dobrar as asas e segurar a fêmea durante o acasalamento. Se você apertar o inseto na mão, ele pode dar um beliscão que parece uma pinçada de unha, mas raramente fura a pele.

O mito de que ela entra no ouvido para cortar o tímpano vem do nome em inglês earwig e do latim auricularia. É folclore europeu antigo. Na prática, não há registro médico relevante de tesourinha entrando em ouvido humano como comportamento natural; ela foge de luz e calor corporal.

Para pets, o risco também é mínimo. Cachorros e gatos podem tentar comer e levar um beliscão na língua, mas não há veneno. Apenas lave o local se houver vermelhidão e observe. Em caso de alergia ou dor persistente, procure atendimento médico ou veterinário.

Ela voa? Comportamento noturno e defesa

Sim, a maioria tem asas, mas quase nunca voa. As asas membranosas ficam dobradas como origami embaixo de élitros curtíssimos. Quando voa, o voo é curto, desajeitado e só em noites quentes. No dia a dia ela prefere correr.

É estritamente noturna e fotofóbica: corre da luz. Se você acender a luz do quintal à noite, vai vê-la se escondendo em segundos. Essa é a melhor forma de confirmar que é tesourinha e não barata.

Quando ameaçada, além da pinça, algumas espécies liberam um líquido amarelado de cheiro forte e desagradável por glândulas no abdômen. É fétido, mas não queima nem mancha. Outra curiosidade: ela limpa as antenas constantemente passando pelas peças bucais, como um gato se lambendo.

Papel no ecossistema: amiga da horta ou vilã do jardim?

Na nossa avaliação, a tesourinha é mais benéfica do que praga na maioria dos cenários brasileiros. Em milho, soja e hortas orgânicas, uma única Doru luteipes pode consumir dezenas de pulgões e ovos de lagarta por noite, reduzindo necessidade de inseticida.

O problema aparece quando a população explode em jardins muito úmidos com muita matéria orgânica e pouca predação. Aí ela passa a atacar flores ornamentais e morangos, principalmente mudas recém-plantadas.

O equilíbrio é a chave. Se você tem poucas tesourinhas e muitas pragas, deixe-as trabalhar. Se tem muitas tesourinhas e furos em pétalas, é sinal de abrigo excessivo e umidade, não de infestação perigosa.

Como lidar com tesourinha em casa sem exagero

Antes de pensar em veneno, seque e organize. Recolha folhas acumuladas, afaste vasos da parede, vede frestas de portas e janelas, conserte vazamentos e não deixe toalhas úmidas no chão. Só isso já reduz 80% das ocorrências.

Para captura sem matar, use a armadilha clássica: enrole jornal úmido ou deixe um vaso com palha úmida de cabeça para baixo no quintal à noite. De manhã, dezenas estarão abrigadas ali. Leve para longe, em área com vegetação.

Na horta, prefira manejo integrado: barreiras físicas como anéis de papelão no caule de mudas, irrigação pela manhã para o solo secar à noite e incentivo a predadores naturais como pássaros e lagartixas. Evite inseticida de amplo espectro, que mata a tesourinha benéfica junto com polinizadores. Se precisar intervir, busque orientação técnica local.

Curiosidades que diferenciam a tesourinha de qualquer outro inseto

A dobra das asas da tesourinha é uma das mais complexas do reino animal. Uma asa de 15 mm é dobrada em 10 dobras diferentes para caber sob um élitro de 3 mm, um mecanismo estudado até para design de painéis solares dobráveis.

Outra singularidade: o macho tem dois pênis, mas usa apenas um por cópula, e pode perder um e continuar fértil com o outro. E a fêmea pode armazenar esperma por meses antes de fertilizar os ovos.

Por fim, nem toda tesourinha tem pinça igual. A espécie marinha Anisolabis maritima vive na zona entre marés, e a gigante Titanolabis colossea da Austrália chega a 50 mm. Já a brasileira Doru luteipes é pequena, amarelada e foi criada em laboratório pela Embrapa para soltura em lavouras como agente de controle biológico.

Perguntas frequentes

Tesourinha morde ou é venenosa?

Não é venenosa e não pica. Pode dar um beliscão com a pinça se for apertada, mas raramente fura a pele e não tem veneno.

Tesourinha entra no ouvido?

É mito. Ela foge de luz e calor e não busca ouvido humano. Não há registros de que isso ocorra como comportamento natural.

Por que tem tanta tesourinha na minha casa?

Umidade e abrigos escuros. Folhas acumuladas, vasos encostados na parede e frestas úmidas atraem. Secar e organizar o ambiente resolve na maioria dos casos.

Tesourinha voa?

Tem asas, mas voa pouco e mal. Prefere correr e se esconder. O voo, quando acontece, é curto e só em noites quentes.

Ela é praga ou benéfica?

As duas coisas. Come pulgões e lagartas e ajuda na horta, mas em grande número pode roer pétalas, morangos e mudas tenras.

Como tirar tesourinha sem matar?

Deixe jornal úmido enrolado ou vaso com palha úmida no chão à noite. De manhã, recolha e solte longe, em área com vegetação.

Tesourinha faz mal para cachorro e gato?

Não é tóxica. Se o pet morder, pode levar um beliscão leve. Só observe e lave a boca se houver irritação.

Você sabia?

1

Mãe que lambe os ovos

A fêmea de tesourinha limpa cada ovo com a boca para remover fungos e só abandona o ninho quando as ninfas fazem a segunda muda, um cuidado parental raríssimo em insetos.

2

Asa de origami

As asas membranosas são dobradas em até 10 dobras sob élitros de 3 mm e se abrem em segundos, um mecanismo que inspirou estudos de estruturas dobráveis na engenharia.

3

Dois pênis no macho

Machos de Forficula têm dois órgãos copuladores e usam apenas um por vez; se um quebrar durante o acasalamento, o outro continua funcional.

4

Predadora criada em laboratório

A Embrapa multiplica Doru luteipes em biofábricas para soltar em milharais contra a lagarta-do-cartucho, reduzindo uso de inseticidas.

Fontes

  1. Embrapa - Controle biológico com Doru luteipes
  2. GBIF - Dermaptera distribution
  3. Universidade de São Paulo - Museu de Zoologia

Prós e contras: Tesourinha

Prós

  • Predadora natural de pulgões e lagarta-do-cartucho
  • Ajuda a reduzir uso de inseticida em hortas e milharais
  • Não é venenosa nem transmite doenças
  • Fácil de manejar só com controle de umidade e abrigo
  • Cuidado parental raro e interessante para educação ambiental

Contras

  • Pode roer pétalas, morangos e mudas tenras em alta população
  • Entra em casas úmidas e assusta quem não conhece
  • Libera odor fétido quando manuseada
  • Pode beliscar se apertada na mão
  • Difícil de eliminar só com inseticida por ser noturna e escondida
Nossa opinião

Na nossa avaliação, a tesourinha é um dos insetos mais injustiçados do quintal: inofensiva para gente e pets e excelente predadora de pragas agrícolas. Vale tolerar algumas no jardim e só controlar quando o dano em flores e morangos ficar visível, priorizando manejo de umidade em vez de veneno.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

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Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.