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Pernilongo

Culex quinquefasciatus (pernilongo-doméstico; termo popular para Culicidae)

Atualizado em

3 a 9 mm (bem pequeno)Tamanho
Fêmea: sangue; Macho: néctarAlimentação
10 a 14 dias (ovo a adulto)Ciclo de vida
Urbano, dentro de casasHabitat
Baixo a moderado (picada)Perigo para humanos
Pernilongo Culex quinquefasciatus de corpo inteiro em vista lateral macro

O pernilongo é o nome popular mais usado no Brasil para os mosquitos da família Culicidae, principalmente o pernilongo-doméstico Culex quinquefasciatus. Pequeno, marrom e de voo baixo com zumbido fino, ele é noturno e entra nas casas atraído por gás carbônico, calor e cheiro da pele.

Só a fêmea pica: ela precisa de sangue para maturar os ovos, enquanto o macho se alimenta apenas de néctar. A criação acontece em água parada, mesmo em volumes mínimos, e o ciclo de ovo a adulto pode se completar em cerca de 10 dias no calor.

Apesar do incômodo, o pernilongo não é só praga. Serve de alimento para morcegos, peixes, libélulas e aves, mas pode transmitir filariose linfática e arboviroses como o vírus do Nilo Ocidental, além de causar alergia e infecções secundárias por coceira.

Também conhecido como: Muriçoca (Norte e Nordeste), Mosquito-doméstico, Carapanã (Amazônia), Mosquito comum, Southern house mosquito (inglês), Mosquito común (espanhol)

Faz parte de: Insetos do Brasil, Insetos Voadores, Pragas de Jardim

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Galeria de fotos de Pernilongo

Pernilongo Culex quinquefasciatus de corpo inteiro em vista lateral macro
Pernilongo-doméstico Culex quinquefasciatus, o mais comum dentro das casas no Brasil.
Close extremo da cabeça do pernilongo mostrando olhos compostos e probóscide
Cabeça em detalhe: olhos compostos e probóscide com estiletes para picar.
Pernilongo em voo com asas abertas mostrando venação
Voo com zumbido agudo característico, de 400 a 600 batidas por segundo.
Ciclo de vida do pernilongo com jangada de ovos, larvas e pupa na água parada
Ciclo aquático: jangada de ovos, larvas e pupa em água parada.
Pernilongo pousado na pele humana antes da picada
Apenas a fêmea pica, usando proteínas do sangue para maturar os ovos.
Peixe larvófago predando larvas de pernilongo na água
Predadores naturais como peixes e libélulas controlam larvas na água.

Perfil rápido de Pernilongo

Estado de conservação

NE
Não Avaliada

Culex quinquefasciatus é cosmopolita e superabundante em áreas urbanas, sem risco de extinção.

População
estável
Protegido por
Não

Calendário

Maior atividade e reproduçãoJFMAMJJASOND
Pico de incômodo noturno dentro de casasJFMAMJJASOND

Toxicidade e riscos

  • PetsModerada (picada)
  • PessoasModerada (picada)

Não injeta veneno, mas a saliva causa coceira e alergia e a fêmea pode vetorar filariose e arboviroses; coçar pode infeccionar. Procure atendimento se houver reação forte ou febre.

Vida útil

Na natureza
Fêmea 2 a 4 semanas; macho 1 a 2 semanas. Em clima frio, fêmeas podem hibernar por meses abrigadas.

Reprodução

Metamorfose
Completa: ovo > larva aquática (4 estádios) > pupa aquática > adulto voador
Ovos
Jangada flutuante de 100 a 300 ovos na superfície de água parada rica em matéria orgânica
Desenvolvimento
10 a 14 dias de ovo a adulto no calor (25 a 30 °C); mais lento no frio
Acasalamento
Enxame de machos ao entardecer; fêmea copula uma vez e armazena esperma para vários ciclos
Fecundidade
3 a 5 posturas por fêmea ao longo da vida, sempre após repasto sanguíneo

Habitat

Ambientes

  • Interior de residências
  • Ralos, calhas e caixas d'água
  • Água parada urbana com matéria orgânica
  • Quintais e fossas

Biomas

  • Mata Atlântica
  • Cerrado
  • Caatinga
  • Amazônia
  • Pampa
  • Pantanal
  • Áreas urbanas em todos os biomas

Detalhes da dieta

Alimento principal

  • Sangue de humanos e animais (apenas fêmeas)
  • Néctar e sucos vegetais (machos e fêmeas)

Outros alimentos

  • Soluções açucaradas
  • Seiva

Encontrado em 8 países

  • Brasil
  • Argentina
  • Estados Unidos
  • México
  • Colômbia
  • Índia
  • Nigéria
  • Austrália

Classificação científica

Reino
Animalia
Filo
Arthropoda
Classe
Insecta
Ordem
Diptera
Família
Culicidae
Gênero
Culex
Espécie
Culex quinquefasciatus

Resumo

  • O pernilongo mais comum nas casas brasileiras é o Culex quinquefasciatus, marrom, de 3 a 9 mm, que zumbe à noite e só tem fêmeas hematófagas.
  • Seu ciclo é aquático e rápido: ovos em jangada na água parada viram larvas e pupas em 7 a 14 dias, com adultos vivendo de 2 a 4 semanas.
  • A picada coça e pode inflamar, e o controle mais eficaz é eliminar água parada, usar telas e ventilação, não apenas inseticida.

Características

Ficha do inseto

OrdemDiptera
FamíliaCulicidae
Origem e distribuiçãoCosmopolita; muito comum em todo o Brasil, sobretudo em áreas urbanas
Tamanho3 a 9 mm de comprimento; envergadura de 8 a 12 mm
Coresmarrommarrom-escurobegecinza
Asas e voo1 par de asas membranosas + halteres; voo baixo, lento e zumbido agudo
AlimentaçãoFêmea hematófaga (sangue de aves e mamíferos); macho nectarívoro
MetamorfoseCompleta (ovo > larva > pupa > adulto)
Expectativa de vidaMacho 1 a 2 semanas; fêmea 2 a 4 semanas (até 5 meses em diapausa, em clima frio)
HabitatÁgua parada urbana (ralos, calhas, vasos, caixas d'água) e interior de residências
Comportamento socialSolitário; agregações apenas para acasalamento em enxames ao entardecer
Principais predadoresMorcegos, andorinhas, libélulas, aranhas, peixes (larvas) e anfíbios

Perfil e comportamento

Periculosidade para pessoasMédio
Importância para o ecossistemaMédio
Presença em casasMuito alto
Benefício para a agriculturaMuito baixo
Dano às plantasMuito baixo
Vida em grupoBaixo

Como identificar o pernilongo sem confundir com outros mosquitos

O pernilongo-doméstico Culex quinquefasciatus é marrom-claro a marrom-escuro, com corpo delgado, pernas longas e finas e probóscide alongada para picar. Mede de 3 a 9 mm e tem asas estreitas e translúcidas com escamas nas nervuras.

Diferente do Aedes aegypti, ele não tem listras brancas nas pernas e no tórax. O Aedes é preto com desenhos brancos bem marcados, pica de dia e prefere água limpa e parada em recipientes artificiais. O pernilongo comum é mais acastanhado, sem contraste forte, e pica à noite.

Outro detalhe é a postura em repouso. Culex mantém o corpo mais paralelo à superfície, enquanto Anopheles (transmissor da malária) deixa o abdômen bem inclinado. O zumbido também entrega: o pernilongo emite um som agudo e contínuo por bater as asas cerca de 400 a 600 vezes por segundo.

Onde vive e por que está sempre dentro de casa

O pernilongo é sinantrópico: vive junto do ser humano. No Brasil ocorre em todos os biomas, mas explode em áreas urbanas densas com saneamento falho, onde encontra água parada rica em matéria orgânica.

Dentro de casa ele se abriga em locais escuros, úmidos e abafados durante o dia: atrás de móveis, cortinas, embaixo da pia e dentro de banheiros. À noite sai para se alimentar, atraído por CO2 da respiração, calor corporal, suor e odores da pele.

A criação não precisa de lagoa. Basta uma tampinha com água suja por alguns dias. Ralos sem sifão, calhas entupidas, bandejas de ar-condicionado, pratos de vasos, caixas d’água destampadas e fossas são os criadouros mais produtivos nas cidades.

O que o pernilongo come e por que só a fêmea pica

Machos e fêmeas se alimentam de néctar e sucos vegetais para obter energia. Apenas a fêmea faz hematofagia, pois precisa das proteínas do sangue para desenvolver os ovos.

Ela detecta a vítima a até 30 metros pelo CO2 e a poucos metros pelo cheiro de ácido lático e octenol da pele. Ao pousar, injeta saliva com anticoagulante e anestésico leve, por isso a picada muitas vezes só é percebida depois.

Uma fêmea pode ingerir até o dobro do seu peso em sangue em uma única refeição e depois procura um canto escuro para digerir e maturar de 100 a 300 ovos por 2 a 3 dias antes da próxima postura.

Ciclo de vida completo: da água parada ao zumbido

A metamorfose é completa e aquática nas três primeiras fases. Tudo começa quando a fêmea põe uma jangada flutuante de 100 a 300 ovos unidos como uma pequena balsa escura na superfície da água.

Em 1 a 3 dias eclodem as larvas, conhecidas como cabeçudas, que ficam penduradas na superfície respirando por um sifão e se alimentando de micro-organismos. Essa fase dura 5 a 10 dias com quatro mudas.

Depois vem a pupa em forma de vírgula, que não se alimenta e respira por dois tubos no tórax. Em 1 a 3 dias emerge o adulto. No calor do verão brasileiro, o ciclo total leva 10 a 14 dias; no frio, pode passar de 3 semanas.

Quanto tempo vive um pernilongo?

Machos vivem 7 a 14 dias. Fêmeas vivem 2 a 4 semanas em condições quentes, podendo fazer 3 a 5 posturas na vida. Em regiões frias, fêmeas fecundadas podem entrar em dormência e sobreviver meses abrigadas.

Comportamento: por que zumbe no ouvido e ataca à noite

O pernilongo é predominantemente noturno e crepuscular. O zumbido não é de propósito: é o som das asas. Ele parece mais alto perto do ouvido porque a fêmea é atraída pelo CO2 exalado pelo nariz e boca enquanto dormimos.

Ele voa baixo, lento e desajeitado, por isso é fácil ouvir antes de ver. Prefere picar pés, tornozelos e áreas expostas quando estamos parados. Luz acesa não o atrai como atrai mariposas; o que o guia é cheiro e calor.

O acasalamento acontece em enxames de machos ao entardecer. Eles formam nuvens dançantes e as fêmeas entram para copular em voo. Após fecundada, a fêmea guarda o esperma e pode fertilizar vários lotes de ovos sem novo acasalamento.

A picada faz mal? Riscos para pessoas e pets

Na maioria dos casos a picada causa apenas coceira, vermelhidão e inchaço local por reação à saliva. Coçar pode abrir ferida e causar infecção bacteriana secundária, especialmente em crianças.

Algumas pessoas desenvolvem reação alérgica mais forte, com bolhas grandes e prurido intenso que dura dias, chamada prurigo estrófulo. Em bebês e pets, muitas picadas seguidas podem levar a irritação e estresse, mas não há injeção de veneno.

O risco maior é como vetor. O Culex é o principal transmissor da filariose linfática (elefantíase) por Wuchereria bancrofti em áreas endêmicas e pode transmitir o vírus do Nilo Ocidental, encefalite de Saint Louis e vírus Mayaro. No Brasil urbano, a transmissão de dengue, zika e chikungunya é associada sobretudo ao Aedes, não ao pernilongo comum, mas todo mosquito deve ser controlado.

Para pets, a picada do Culex raramente transmite doença grave no Brasil, mas em cães pode estar ligada à dirofilariose (verme do coração) em regiões litorâneas. Se houver inchaço excessivo, febre ou falta de ar após picadas, procure serviço médico ou veterinário.

Papel no ecossistema: praga ou importante?

Na nossa avaliação, o pernilongo é mais praga urbana do que vilão absoluto. Dentro de casa, sua presença indica acúmulo de água parada e falha de barreiras físicas, e o incômodo noturno prejudica sono e bem-estar.

Na natureza, porém, ele tem função. Larvas filtram matéria orgânica e são alimento base para peixes como gambúsias e lebistes, larvas de libélula e anfíbios. Adultos alimentam morcegos insetívoros, andorinhas, pererecas e aranhas.

Machos também atuam como polinizadores secundários discretos ao visitar flores para néctar, embora sejam muito menos eficientes que abelhas. O equilíbrio está em controlar a superpopulação urbana sem eliminar o inseto de áreas naturais com uso indiscriminado de veneno.

Como evitar e controlar pernilongo de forma eficaz

O controle mais eficaz é secar a fonte. Sem água parada por mais de 5 dias, não há nova geração. Isso vale mais que qualquer spray.

  • Elimine criadouros: limpe calhas semanalmente, vede caixas d’água, esvazie pratos de vasos, mantenha ralos com tela ou sifonados e trate fossas.
  • Barreira física: telas em janelas, mosquiteiros sobre a cama e ventilador ligado à noite atrapalham muito o voo fraco do pernilongo.
  • Manejo biológico: em caixas e tonéis que não podem ser esvaziados, peixes larvófagos e bactérias como Bacillus thuringiensis israelensis (Bti) são opções seletivas que não afetam polinizadores.
  • Evite veneno em excesso: inseticidas aerossóis matam adultos na hora mas não resolvem a criação e podem afetar abelhas, pets e pessoas se usados sem critério. Prefira manejo integrado.

Repelentes com icaridina ou DEET nas áreas expostas e roupas claras e compridas ao entardecer ajudam quando a infestação está alta. Em condomínios, o esforço coletivo de limpeza é decisivo: um único ralo produtivo pode gerar centenas de pernilongos por semana.

Curiosidades que pouca gente sabe sobre o pernilongo

O pernilongo não tem ferrão: o que pica é um conjunto de seis estiletes dentro da probóscide, dois deles serrilhados como micro-serras para cortar a pele. Outro detalhe é que ele urina enquanto suga sangue para se livrar do excesso de água e concentrar proteínas.

Apesar do tamanho, ele é um exímio sensor químico. Consegue seguir o rastro de CO2 e ácido lático mesmo com vento leve, e prefere pessoas com temperatura corporal mais alta e suor recente, o que explica por que algumas pessoas são mais picadas que outras no mesmo quarto.

Perguntas frequentes

Pernilongo e mosquito são a mesma coisa?

No uso popular no Brasil, sim. Pernilongo, muriçoca e mosquito são nomes regionais para mosquitos da família Culicidae. Tecnicamente, o pernilongo mais comum em casa é o Culex quinquefasciatus.

Por que o pernilongo zumbe perto do ouvido?

Ele é atraído pelo CO2 que exalamos ao respirar e o som é o bater das asas, de 400 a 600 vezes por segundo. Perto do rosto o zumbido parece mais alto.

Só a fêmea pica?

Sim. Só a fêmea precisa de sangue para produzir ovos. Machos vivem apenas de néctar e não picam.

Pernilongo transmite dengue?

Não é o vetor principal. Dengue, zika e chikungunya são transmitidas principalmente pelo Aedes aegypti, que pica de dia e tem listras brancas. O Culex transmite filariose e pode transmitir vírus do Nilo Ocidental.

Quanto tempo vive um pernilongo?

Em média, machos 1 a 2 semanas e fêmeas 2 a 4 semanas. No calor o ciclo de ovo a adulto leva só 10 a 14 dias.

Como acabar com pernilongo no quarto?

Elimine água parada, use tela em janelas, mosquiteiro e ventilador. Ralos e calhas são os criadouros mais esquecidos dentro de casa.

Picada de pernilongo em cachorro e gato é perigosa?

Geralmente causa só coceira, mas muitas picadas irritam e, em áreas litorâneas, o Culex pode participar da transmissão da dirofilariose canina. Proteja com telas e consulte o veterinário se houver reação forte.

Você sabia?

1

Jangada de ovos

A fêmea de Culex cola 100 a 300 ovos em forma de jangada que flutua. Se a água balança muito, a jangada afunda e os ovos morrem, por isso ela prefere água bem parada e sombreada.

2

Zumbido calibrado

O som agudo vem de 400 a 600 batidas de asa por segundo. Machos e fêmeas têm frequências diferentes e ajustam o zumbido para se encontrarem no enxame ao entardecer.

3

Anestesia natural

A saliva contém anticoagulante e analgésico leve. Por isso você quase não sente a picada na hora, só a coceira horas depois, quando o sistema imune reage.

4

Prefere quem sua mais

Estudos de campo mostram que pernilongos escolhem vítimas pelo cheiro de ácido lático e CO2. Grávidas, pessoas após exercício e quem bebeu álcool tendem a atrair mais.

Fontes

  1. Embrapa - Entomologia e Controle de Mosquitos
  2. Fiocruz - Instituto Oswaldo Cruz
  3. GBIF - Culex quinquefasciatus

Prós e contras: Pernilongo

Prós

  • Serve de alimento para morcegos, aves, libélulas e peixes
  • Larvas ajudam a reciclar matéria orgânica na água
  • Machos polinizam discretamente ao visitar flores
  • Indica falhas de saneamento e ajuda a corrigir criadouros

Contras

  • Zumbido noturno atrapalha o sono
  • Picada causa coceira, alergia e risco de infecção ao coçar
  • Fêmea pode vetorar filariose e outras arboviroses
  • Prolifera rápido em água parada urbana, gerando infestações
Nossa opinião

Na nossa avaliação, o pernilongo é o termômetro da casa: se ele zumbe toda noite, o problema não é o inseto, é a água parada escondida. Vale investir em telas, ventilação e limpeza de ralos antes de apelar para veneno, que só mascara a infestação.

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Deyse Timana
Escrito porDeyse TimanaVeterinária - Redatora

Sou uma entusiasta do universo dos peixes e da vida aquática. Dedico-me a pesquisar e partilhar informações sobre espécies de peixes, alimentação, comportamento, habitat e cuidados, ajudando os…

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Última revisão em 16.10.2026. Conteúdo informativo; em caso de dúvida, consulte um profissional.